Itaú BBA - Volatilidade à frente

Macro Latam Mensal

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Volatilidade à frente

Agosto 13, 2014

O mês de agosto começou turbulento nos mercados financeiros globais.

Economia global
Um segundo semestre crucial

Com a economia dos EUA se recuperando, mantivemos nossa expectativa para os juros do título de 10 anos do Tesouro em 2,90% no fim de 2014, e em 3,45% em 2015. O crescimento dos mercados emergentes tem sido morno este ano, mas vemos os primeiros sinais de melhora, ligados à recuperação cíclica na China.

Brasil
Atividade empaca, inflação murcha  
 
Reduzimos nossa projeção de crescimento do PIB, diante da aparente morosidade da recuperação pós-Copa e dos níveis baixos dos índices de confiança  Reduzimos também a projeção para o IPCA de 2014 e 2015.

México
Congresso aprova leis secundárias da reforma energética

As leis secundárias da reforma energética foram aprovadas, após intenso debate no Congresso. O peso mexicano depreciou recentemente. No entanto, uma vez que os mercados comecem a precificar os fluxos de capital associados à agenda de reformas, esperamos que o peso apresente desempenho superior a seus pares.

Chile
Crescimento mais fraco, taxas de juros mais baixas

A atividade continua a decepcionar. Reduzimos nossa projeção de crescimento do PIB em 2014 ao mesmo tempo em que esperamos agora uma recuperação mais suave para 2015. Neste cenário, esperamos que o banco central reduza a taxa de juros para 3,0% até o fim do ano.

Peru
Crescimento desaponta ainda mais

A economia do Peru não mostra sinais de retomada. Reduzimos nossa estimativa do PIB deste ano, assim como a taxa esperada de recuperação em 2015.  

Colômbia
Uma pausa no ciclo de alta de juros está próxima?

Como a economia continua robusta, o banco central decidiu elevar a taxa de juros na reunião de política monetária de julho. Esperamos altas adicionais no segundo semestre e em 2015.

Argentina
O céu pode esperar

A Argentina entrou em default da dívida reestruturada após fracassar nas negociações com os holdouts. Em nossa visão, será mais difícil remediar rapidamente o default do que o mercado espera.    

Commodities
À procura do piso dos preços agrícolas

Revisamos para baixo as projeções de commodities agrícolas, diante da consolidação do cenário de oferta mais forte. Melhora do sentimento em relação à China levou os preços das commodities metálicas a subir.


Volatilidade à frente 

Depois de um primeiro semestre com alta liquidez e baixa volatilidade, o mês de agosto começou turbulento nos mercados financeiros globais. O recrudescimento das tensões geopolíticas levou a uma busca por ativos seguros, em particular pelos títulos do Tesouro norte-americano. O dólar se apreciou, especialmente frente às moedas emergentes.

A volatilidade pode aumentar à frente. Nos EUA, o PIB está finalmente crescendo a taxas consistentes com os fortes resultados observados no mercado de trabalho. À medida que a atividade se consolida e a taxa de desemprego cai, a política monetária pode voltar ao normal, após um período prolongado de juros zero. Acreditamos que o Fed, o banco central norte-americano, acabará sinalizado uma trajetória de alta de juros mais rapidamente do que o esperado pelo mercado, o que tende a acentuar a volatilidade dos mercados e a apreciação do dólar. Os emergentes devem enfrentar fluxos de saída de capital, depreciações de suas moedas, aumento do prêmio de risco e juros de mercado mais altos. A atividade melhor na China, que ajuda a recuperação da atividade em alguns emergentes, deve ajudar a suavizar o processo, mas não evitá-lo.

O possível aumento da volatilidade deve encontrar a América Latina com desempenho econômico misto. De um lado, a Colômbia tem um desempenho econômico firme, e o México parece estar se recuperando. De outro, Chile e Peru crescem significativamente abaixo de suas tendências históricas. A divergência na atividade se traduz também em tendências opostas na política monetária entre os países da região, com a Colômbia subindo e o Chile diminuindo os juros.

O crescimento continua particularmente fraco no Brasil. Reduzimos novamente nossa projeção do PIB para 0,6% e 1,3% em 2014 e 2015, respectivamente. A novidade é que a desaceleração pode estar começando a moderar a inflação e, portanto, reduzimos nossas projeções de inflação para pouco abaixo do teto da meta. Por um lado, o alívio das pressões inflacionárias advindas da atividade fraca ajuda. Mas, por outro lado, as pressões de preços administrados em 2015 e a provável depreciação do real dificultam uma flexibilização futura da política monetária.

Por fim, a Argentina segue sua saga em busca do equilíbrio econômico. O fracasso do acordo com os holdouts e o consequente default devem retroceder em parte os avanços que vinham sendo feitos. Projetamos que a recessão deste ano se prolongue para o próximo.

Economia global

Um segundo semestre importante

• A economia dos EUA melhorou no 2T14, e indicadores recentes sugerem que o país conseguirá manter um ritmo de crescimento de 3% no 2S14. 

• Com o crescimento melhorando e o aumento gradual dos salários e preços, mantivemos nossa expectativa para os juros do título de 10 anos do Tesouro em 2,90% no fim de 2014, e em 3,45% em 2015.

• O PIB da China surpreendeu positivamente no 2T14. Revisamos nossas projeções do PIB de 7,2% para 7,4% em 2014 e mantivemos a expectativa de 7,0% para 2015.

• Europa e Japão parecem ter desacelerado no 2T14. Ajustamos para baixo nossas projeções para ambas as economias este ano.

A economia norte-americana se recuperou no 2T14, e indicadores sugerem que manterá um ritmo forte durante o 2S14. O PIB cresceu 1,0%, taxa anual ajustada, em média, no 1S14. A recuperação no 2T14, quando a economia expandiu 4%, e indicadores recentes sugerem que o país pode finalmente conseguir manter um ritmo de crescimento (cíclico) de 3% no 2S14. Revisamos nossa projeção do PIB de 1,6% para 2,0% em 2014 e mantivemos a projeção de 3,0% para 2015.

Com o crescimento melhor, a taxa de desemprego deverá continuar caindo mais rapidamente do que o previsto pelo Fed, o banco central norte-americano, e a inflação convergindo gradualmente para a meta. Em resposta, a retórica do banco central deve se mover na direção de preparar os mercados para o primeiro aumento dos juros em meados de 2015.

Dessa forma, mantivemos nossa projeção dos juros dos títulos do Tesouro dos EUA em 2,90% no fim de 2014, e em 3,45% no fim de 2015.

Europa e Japão parecem ter desacelerado no 2T14. Ajustamos para baixo nossa projeção para o PIB da zona do euro para 1,0% (de 1,1%), e para o Japão, para 1,5% (de 1,7%) em 2014.  Para 2015, mantivemos a projeção do PIB da Europa em 1,5%, mas reduzimos a projeção do PIB do Japão para 1,2%, de 1,3%.

A China surpreendeu, com um crescimento de 8,2% no 2T14 (na comparação trimestral, com ajuste sazonal), impulsionado pelos estímulos do governo. Esperamos que o ritmo no 3T14 permaneça bom, mas prevemos alguma desaceleração no 4T14. Revisamos nossa projeção de crescimento do PIB em 2014 de 7,2% para 7,4% e mantivemos 7,0% para 2015.

O crescimento melhor na China pode beneficiar, com defasagens, outras economias emergentes. Há sinais que indicam que a China está melhorando os indicadores de atividade em outros países. Esse efeito parece concentrado na Ásia, no momento. A perspectiva de crescimento na América Latina permanece mista.

EUA - Um segundo semestre importante

O PIB dos Estados Unidos avançou 4,0% no 2T14 em relação ao trimestre anterior, em termos anualizados. O crescimento no primeiro trimestre foi revisado para cima, de -2,9% para -2,1%. O crescimento registrou uma média de 1,0% no 1S14. Baixa, porém melhor do que o 0% que havíamos projetado.

Revisamos para cima (pela primeira vez este ano!) nossa projeção de crescimento do PIB para 2,0% (de 1,6%), e mantivemos 3,0% para 2015.

O crescimento do PIB está agora um pouco menos desconectado dos números fortes do emprego. A criação de emprego vem aumentando a uma média de 230 mil empregos por mês até agora no ano.  No entanto, com o ritmo do PIB em 1%, o crescimento da produtividade permaneceu lento no primeiro semestre de 2014.

O segundo semestre será importante para a nossa projeção de que a taxa de juros nos EUA subirá mais rapidamente do que o apreçado atualmente nos títulos do Tesouro.

Esperamos que o semestre confirme nossa visão de que a economia dos EUA pode sustentar um ritmo de crescimento cíclico de 3,0%. Nos últimos quatro anos, a economia não conseguiu crescer em ritmo mais forte por mais do que dois trimestres, devido aos impactos negativos prolongados da crise financeira (ver gráfico). Agora, as condições cíclicas para um crescimento mais rápido parecem mais firmes. Se a economia mais uma vez não conseguir sustentar o ritmo de 3%, interpretaríamos isso como sinal de uma desaceleração mais permanente e intensa da produtividade e do crescimento potencial. Até agora, os sinais apontam para a recuperação cíclica. O índice ISM de manufatura subiu para 57,1 em julho, retornando ao patamar do 2S13, quando a economia cresceu 4% (em termos anualizados). Estamos cada vez mais confiantes de que o crescimento mais robusto se manterá adiante.

Como consequência, a taxa de desemprego deverá continuar caindo mais rapidamente do que a projeção atual do Fed. A criação de empregos registrou um aumento de 209 mil em julho, permanecendo acima dos 200 mil registrados nos últimos seis meses. As estatísticas semanais sugerem que o mercado de trabalho continuou forte no início de agosto.

A inflação deve continuar convergindo gradualmente para a meta de 2% do Fed. Conforme a taxa de desemprego diminuir, os salários e, em última análise, a inflação deverão aumentar. Não esperamos saltos. Mas a inflação deve subir gradualmente no 2S14.

Por fim, a melhora na economia deve provocar uma mudança na retórica do Fed no sentido de preparar o mercado para o primeiro aumento dos juros em meados de 2015. A presidente Janet Yellen tem enfatizado que, caso a economia apresentasse "uma convergência mais rápida em direção ao nosso mandato duplo, então aumentos na meta da taxa de juros dos fed funds provavelmente ocorreriam mais cedo e de forma mais acelerada do que o atualmente previsto". Mais recentemente, o presidente da distrital de Dallas, Richard Fisher, sugeriu que os membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) já anteciparam as datas esperadas para o início do ciclo de aumentos dos juros básicos. O comunicado da última reunião do comitê já mostrou uma inclinação gradual, embora a orientação continue sugerindo uma postura expansionista.

Mantemos nossa projeção da taxa de juros do título de 10 anos do Tesouro norte-americano em 2,90% no fim de 2014, e em 3,45% no fim de 2015.   

Europa - Economia mais fraca no 2T14

Na zona do euro, os dados de atividade indicam um crescimento do PIB no 2T14 na faixa de 0,1-0,2% em relação ao trimestre anterior, em vez do ritmo de 0,3% que havíamos projetado.

A produção industrial recuou 0,4% no trimestre até maio em relação ao trimestre anterior. O consumo interno manteve a expansão, mas a atividade como um todo foi relativamente fraca.

Em relação aos países, os indicadores de atividade sugerem que a desaceleração esperada na Alemanha, após um primeiro trimestre forte, foi mais acentuada do que esperávamos em nosso cenário. Na periferia, o PIB da Espanha registrou um sólido avanço trimestral de 0,6%, mas a Itália decepcionou recuando 0,2%.

O crescimento da zona do euro deve subir para um ritmo trimestral de 0,4% no 2S14. No entanto, os riscos parecem voltados para baixo. Em particular, o crescimento na Itália (e, em menor medida, na França) pode se manter baixo. Além disso, as sanções contra a Rússia, que parecem leves neste momento, poderiam escalar e prejudicar o crescimento.

Devido ao 2T14 fraco, revisamos nossa projeção de crescimento do PIB para 2014 para 1,0%, contra 1,1% anteriormente. Nossa projeção de crescimento para 2015 permanece inalterada em 1,5%.

China - PIB do 2T14 melhora, impulsionado pelos estímulos do governo

A atividade surpreendeu positivamente no 2T14, com o crescimento do PIB na margem acelerando para 8,2% (taxa anualizada e dessazonalizada), de 6,1% no 1T14. A melhora esteve fortemente ligada aos estímulos governamentais anunciados desde abril, conforme mostrado pelo investimento mais forte em infraestrutura, despesas do governo e crescimento do crédito no trimestre.

A dinâmica de crescimento está se estendendo para o 3T14, com os indicadores mensais melhorando ainda mais em junho e em julho. Por exemplo, o índice PMI da indústria atingiu 51,7 em julho, seu nível mais alto desde abril de 2012.

Esperamos que o crescimento do PIB trimestral permaneça acima de 7,5% no 3T14 (taxa anualizada e dessazonalizada), mas enfraqueça no 4T14. A dinâmica de crescimento e os efeitos residuais dos estímulos recentes devem dar suporte à economia no terceiro trimestre. Entre outros fatores, o empréstimo de RMB 1 trilhão do Banco do Povo da China (PBoC, o banco central chinês) ao Banco de Desenvolvimento da China, que já ajudou a economia no 2T14, continuará impulsionando os programas de habitação social.

No 4T14, esperamos que a economia enfraqueça, à medida que os efeitos dos estímulos se esgotem. Os estímulos atuais envolveram a antecipação de despesas públicas, planos de investimento em setores específicos e expansão direcionada de crédito. As metas de crescimento para essas variáveis ​​para o ano inteiro não mudaram. Portanto, devemos esperar uma redução ou até mesmo uma compensação à medida que nos aproximamos do fim do ano. Enquanto isso, o setor imobiliário deve continuar pesando sobre o investimento fixo e a economia como um todo. Por último, no quarto trimestre as autoridades devem ficar mais seguras de que a meta de crescimento do ano será atingida, e assim ter menos incentivo para promover estímulos adicionais.

Aumentamos nossa projeção do PIB de 7,2% para 7,4% em 2014 e mantivemos uma desaceleração gradual para 7,0% em 2015.

A China vai impulsionar o crescimento em outras economias emergentes?

O crescimento dos mercados emergentes tem sido morno este ano, mas vemos os primeiros sinais de melhora, ligados à recuperação cíclica na China. A média do índice PMI da indústria nas economias em desenvolvimento excluindo a China está começando a aumentar. No passado, a alta do PMI da China levou, com alguma defasagem, à melhora dos dados em outros mercados emergentes. Um ciclo semelhante pode ter começado em julho (ver gráfico).

Na América Latina, o desempenho das economias tem sido desigual. O México está em trajetória de recuperação, enquanto na Colômbia os dados de atividade permanecem fortes. No Brasil, Chile e Peru o crescimento tem decepcionado, mas nós esperamos alguma melhora no segundo semestre.

Commodities - Buscando um piso para os preços agrícolas

O Índice de Commodities Itaú (ICI) recuou 5,8% desde o fim de junho, em razão da queda das commodities agrícolas e do petróleo. Os preços das commodities agrícolas ainda estão tentando encontrar um novo nível de equilíbrio com a melhora na perspectiva da oferta observada em junho e com a evolução climática favorável desde então. Commodities relacionadas ao petróleo recuaram, com os investidores reconhecendo que os conflitos em torno das regiões ricas em petróleo não estão afetando a oferta. As commodities metálicas se moveram no outro sentido e subiram pelo segundo mês consecutivo, influenciadas pelo aumento das previsões de crescimento da China em 2014 e por uma oferta apertada de alumínio.

Revisamos nossa projeção de preços agrícolas para baixo e de preço de metais para cima para o fim do ano. Nossas projeções para as commodities relacionadas ao petróleo permanecem inalteradas. 

Como consequência, a projeção para o ICI no fim deste ano caiu para -5,6% na comparação anual (contra -4,0%, anteriormente), e subiu para 3,0% no fim de 2015 (2,4%, anteriormente). Em relação aos níveis atuais, essas revisões implicam um aumento de 2,5% no ICI até o fim do ano.

Para os demais textos, acessar o pdf em anexo.



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