Itaú BBA - Uma janela de oportunidade para os emergentes

Macro Latam Mensal

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Uma janela de oportunidade para os emergentes

Novembro 6, 2013

O Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) sinalizou que não vai iniciar a redução dos estímulos monetários este ano.

Economia global
Fed deve manter estímulos até 1T14
Acreditamos que o Fed irá esperar por sinais mais claros de recuperação econômica antes de iniciar a redução dos estímulos monetários.

Brasil
Limite para fiscal    
O espaço para expansão da política fiscal e parafiscal está menor. Elevamos nossa estimativa para a variação do PIB no terceiro trimestre. Essa mudança contribuiu para um aumento das projeções de crescimento do PIB em 2013 e em 2014.

México
Uma recuperação econômica desbalanceada
A economia está se recuperando, mas a composição tem sido desbalanceada, com exportações em alta e um desempenho ruim da demanda interna. A Câmara dos Deputados introduziu mudanças positivas no projeto de reforma tributária.

Chile
Afrouxamento monetário deve continuar
O consumo desacelerou, e os fundamentos apontam para um crescimento do PIB abaixo do potencial. O banco central cortou os juros em outubro e deve continuar a fazê-lo.

Peru
Crescimento desacelera, composição muda
O crescimento continua desacelerando, mas a confiança dos empresários melhorou em setembro, indicando que a desaceleração será em linha com nosso cenário.      

Colômbia
Foco no acordo de paz em novembro
Novembro é o prazo final para o governo e as FARC anunciarem um acordo de paz. O evento será crucial para o presidente Santos decidir se será candidato nas eleições do ano que vem.

Argentina
Reservas em queda e eleições legislativas    
A oposição conquistou uma importante vitória contra o kirchnerismo nas eleições parlamentares, aumentando a chance de uma mudança política nas eleições presidenciais de 2015.
 
Commodities
Projetamos queda adicional nos preços de açúcar
Fundamentos explicam apenas parte da alta dos preços de açúcar, por isso projetamos a continuidade da reversão da alta. Desconto do petróleo WTI em relação ao Brent deve ficar maior até o começo de 2014.


Uma janela de oportunidade para os emergentes

O Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) sinalizou que não vai iniciar a redução dos estímulos monetários este ano. Os dados tem mostrado uma recuperação econômica apenas moderada, especialmente no mercado de trabalho. Esperamos que o crescimento melhore em 2014, mas o Fed deve esperar pela confirmação desta tendência para só então iniciar a redução dos estímulos. Acreditamos que isso ocorra apenas em março do próximo ano. 

A manutenção dos estímulos do Fed, e confirmação de um cenário melhor de crescimento na Europa e China proporcionam um ambiente mais favorável de liquidez para as economias emergentes. Os fluxos financeiros reaceleraram, abrindo espaço para redução de juros, apreciação cambial ou ambos. 

Na América Latina, México e Chile reduziram os juros em outubro e o Peru cortou novamente o compulsório sobre depósitos em moeda local. Esperamos reduções adicionais de juros no Chile e na Colômbia ainda este ano. A resposta da política monetária deve ajudar a reverter a tendência de desaceleração do crescimento observada na região este ano. Fatores específicos também contribuem, como a aprovação da reforma tributária no México, o possível acordo de paz com as Farc na Colômbia e a recuperação da confiança dos empresários no Peru.

No Brasil, a expansão da liquidez global se reflete na apreciação do real, movimento reforçado pelo programa de venda de derivativos cambiais do Banco Central. Mantivemos a projeção para a taxa de câmbio em 2,35 reais por dólar para o final deste ano, mas reduzimos de 2,55 para 2,45 reais por dólar para o final do ano que vem. Os dados correntes sugerem que a atividade econômica está um pouco melhor. Elevamos de 1,7% para 1,9% a projeção de crescimento PIB em 2014. A alta dos juros e a esperada redução dos estímulos parafiscais em 2014, no entanto, limitam a velocidade da recuperação.

Na Argentina, destaque para a derrota do governo nas eleições legislativas de outubro. Com o resultado, será difícil o Congresso aprovar uma reforma constitucional que permita uma nova reeleição para a presidente Kirchner. Diante das incertezas sobre a economia e da perda de reservas internacionais, esperamos um aperto adicional nos controles cambiais e uma aceleração da depreciação da taxa oficial de câmbio.

Economia global
Fed deve manter estímulos até 1T14

• Esperamos que o Fed mantenha o atual ritmo do estímulo monetário até março de 2014.

• Projetamos um crescimento mais acentuado nos EUA em 2014; a China vem confirmando a dinâmica melhor no segundo semestre, e a Europa continua se estabilizando.

• Sem nenhuma mudança significativa na perspectiva de crescimento mundial, a expansão monetária prolongada nos EUA deve beneficiar os mercados emergentes.

Acreditamos agora que o banco central norte-americano (Fed) deva iniciar a desaceleração de seu programa de compra de ativos apenas em março (anteriormente, esperávamos que começasse em dezembro). O mercado de trabalho desacelerou no segundo semestre, e há pouca evidência de que a atividade esteja melhorando neste fim de ano. Mantemos nossa expectativa de que o crescimento deverá acelerar para 2,5% em 2014, ante 1,5% em 2013. Mas acreditamos que o Fed vá esperar por evidências mais claras de uma melhora na atividade econômica antes de reduzir o ritmo de seu estímulo monetário.

A China confirmou a aceleração na atividade, com o PIB subindo 7,8% no 3T13, comparado a 7,5% no 2T13. Esperamos alguma moderação no 4T13, mas, no geral, a China deve contribuir mais com o crescimento mundial neste segundo semestre.

Na Europa, a Espanha voltou a crescer no 3T13 após nove trimestres de contração, o que pode ser visto como mais um sinal de que a região se estabilizou. Em geral, a recuperação na zona do euro ainda é incipiente, e a inflação permanece muito baixa. Mas a Europa agora contribui para aumentar o crescimento mundial, ao contrário do que ocorria até o início do ano.

Sem nenhuma mudança significativa na perspectiva de crescimento mundial, a expansão monetária prolongada do Fed beneficia os mercados emergentes. Os fluxos financeiros voltaram a acelerar, abrindo espaço para cortes de juros e/ou apreciações cambiais. Os bancos centrais no Chile e na Colômbia, por exemplo, devem promover mais um corte da taxa de juros este ano. No Brasil, o ambiente global favorece um real mais apreciado no fim do ano do que esperávamos anteriormente. As condições de liquidez devem se tornar menos favoráveis somente em 2014, quando o Fed finalmente iniciar a desaceleração dos estímulos. 

Fed deve manter o ritmo atual de estímulos até março de 2014

O Congresso dos EUA aprovou um limite orçamentário para governo federal até o dia 15 de janeiro e suspendeu o limite da dívida até o dia 7 de fevereiro. A solução veio depois de uma paralisação de 16 dias do governo federal, que aumentou a incerteza e reduziu a produção do setor público no início do quarto trimestre. A incerteza fiscal deverá permanecer relativamente alta, pelo menos até meados de janeiro, quando o Congresso precisará aprovar o orçamento para evitar outra paralisação e definir um teto da dívida que proporcione mais espaço para o governo por um prazo mais longo.

O impacto econômico da batalha fiscal de outubro não é grande, mas é suficiente para impedir que a economia acelere significativamente no 4T13. No terceiro trimestre, estimamos que o PIB dos EUA tenha crescido 2,0% (taxa anualizada, com ajuste sazonal). Com a paralisação, vemos manutenção desse passo moderado no quarto trimestre (ver gráfico).

Além disso, o mercado de trabalho vinha mostrando alguma fraqueza, mesmo antes da paralisação. A média móvel de três meses da criação líquida de postos de trabalho desacelerou para 143 mil por mês em setembro. Esse resultado é significativamente menor do que os 223 mil em abril do ano passado (ver gráfico), logo antes de os membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) começarem a sinalizar um abrandamento do quantitative easing (QE) neste ano.

Acreditamos agora que o Fed começará a reduzir o programa de compra de ativos em março de 2014, e não mais em dezembro deste ano. O ritmo de crescimento do PIB de 2% (anualizado, com ajuste sazonal) está abaixo da previsão do FOMC de 3% para o 4T13. Acreditamos que o Fed ficaria mais confortável para começar a redução dos estímulos com a criação mensal de postos de trabalho acima de 180 mil, em vez do resultado abaixo de 150 mil dos últimos meses. Além disso, o acordo fiscal em outubro foi provisório, mantendo alguma incerteza para o ano que vem. Finalmente, a paralisação afetou a coleta e divulgação de dados econômicos, reduzindo a visibilidade do ritmo de recuperação. No geral, a economia não parece ter acelerado neste segundo semestre, como o Comitê parecia esperar. Acreditamos que isso aconteça em 2014, mas o Fed provavelmente vai esperar por uma evidência clara, antes de iniciar a redução de suas compras de ativos.

Vemos riscos equilibrados em torno do início da redução de estímulos em março. O comunicado da última reunião do FOMC reforçou que a duração do programa de compra de ativos depende dos dados. A economia poderia acelerar nos próximos meses, e o Congresso resolver a questão fiscal em meados de dezembro, levando o FOMC a iniciar a redução dos estímulos antes de março. No entanto, parece ser igualmente provável que as incertezas permaneçam até março, levando o Comitê a manter os estímulos no ritmo atual por mais tempo.

Reduzimos nossa projeção para os juros do título do Tesouro de 10 anos de 2,80% para 2,65% no final de 2013, mas mantemos a projeção em 3,40% para o fim de 2014. Em termos de crescimento, mantemos as estimativas de crescimento do PIB em 1,5% em 2013, e 2,5% em 2014.

China – Foco se transfere para reformas com a confirmação da aceleração do PIB no 3T13 

O PIB da China no 3T13 cresceu 7,8% em relação ao ano anterior, em linha com as expectativas. Isso representa um aumento considerável no ritmo de crescimento trimestral, para 8,8% no trimestre em relação ao trimestre anterior (taxa anualizada, com ajuste sazonal), ante 6,4% e 7,6% no 1T13 e 2T13, respectivamente.

A atividade foi forte em julho e agosto, mas moderou ligeiramente em setembro. A produção industrial cresceu 10,2% em setembro, frente a setembro de 2012, em comparação com 10,4% em agosto. O investimento em ativos fixos urbanos cresceu 20,2% no acumulado do ano, em relação a 20,3% no mês anterior. Por fim, as vendas no varejo subiram 13,3% em setembro sobre o ano anterior, ante 13,4% em agosto.

O Índice de Gerentes de Compras (PMI) do NBS subiu para 51,4 ​​em outubro, de 51,1 em setembro. A melhora sugere um bom começo para a atividade no 4T13, embora ainda esperemos alguma moderação no fim do ano.

Com a meta de crescimento de 7,5% para 2013 quase assegurada, os formuladores de política econômica na China estão tendendo para uma postura mais neutra, e se concentrando nas reformas estruturais. Após a desaceleração vista no primeiro semestre, a atividade melhorou no 3T13, à medida que o governo sinalizou mais estímulos de curto prazo. Agora, a meta de crescimento oficial de 7,5% para 2013 está praticamente assegurada. Dessa forma, vemos o banco central da China ajustando sua comunicação de política monetária para uma postura mais neutra no 4T13 em relação ao 3T13. No geral, os formuladores de políticas econômicas também mudaram a ênfase de seus discursos, no sentido de manter as políticas atuais e mais foco nas reformas estruturais.

A Terceira Sessão Plenária do Partido Comunista em novembro será um importante ponto focal para as reformas. O governo deve indicar as linhas mais amplas de direcionamento das políticas para os próximos anos, ainda que sem dar detalhes de como serão implementadas. Estas deverão se concentrar na estrutura do governo, reformas tributárias, liberalização financeira, sistema de registro de famílias, medidas para melhorar a produtividade do setor privado e formas de aumentar a influência das forças de mercado na economia.

Mantemos nossas projeções de crescimento do PIB chinês em 7,7% e 7,3% para 2013 e 2014, respectivamente.

Espanha volta a crescer

Na Espanha, o PIB cresceu 0,1% no 3T13 sobre o trimestre anterior, após nove trimestres de contração (ver gráfico). As exportações líquidas lideraram o crescimento do país. Mas a demanda doméstica também está se estabilizando. Acreditamos que a Espanha tenha saído de sua recessão prolongada.

O país é a quarta maior economia da zona do euro e foi fortemente atingido pela crise da dívida. Seu retorno ao crescimento, em nossa visão, é mais um sinal de que a região se estabilizou.

A inflação da zona do euro cai ainda mais, trazendo de volta a discussão sobre um novo corte na taxa de juros

A inflação ao consumidor da zona do euro acumulada em 12 meses caiu de 1,10%, em setembro, para 0,74% em outubro. Energia e alimentos foram os principais responsáveis pela queda, mas a inflação de serviços também recuou no mês. Em geral, o quadro de baixa inflação na zona do euro se acentuou.

Vemos o Banco Central Europeu (BCE) em compasso de espera, mas queda adicional da inflação, a partir de um nível já baixo, cria um risco significativo de uma nova redução de juros em dezembro. Embora a quebra completa do IPC de outubro ainda não esteja disponível, suspeitamos que fatores pontuais tenham contribuído. Se esse for o caso, e o BCE interpretar a queda de inflação como temporária, e manter a política monetária inalterada. No entanto, a sondagem de atividade PMI recuou de 52,2 em setembro, para 51,5 em outubro. Assim, dado o ambiente de inflação ainda mais baixa e alguma fraqueza em indicadores de atividade, vemos riscos que o BCE opte por corte de juros em Dezembro.

Commodities – Esperamos quedas adicionais no preço do açúcar

O Índice de Commodities Itaú (ICI) permaneceu praticamente estável em outubro, caindo 0,4% durante o mês. A quebra mostra pequenas mudanças em todos os subíndices: agrícola (-1,8%), metais básicos (0,5%) e energia (0%). Entre as commodities individuais, os principais destaques foram o aumento do açúcar e a queda do preço do petróleo WTI.

No geral, não houve divulgação de dados importantes ou mudança nos fundamentos em outubro que gerasse movimentos significativos nos preços ou ajustes em nossas projeções. A incerteza fiscal nos EUA foi resolvida sem grande impacto nas perspectivas de crescimento. A retomada da atividade na China foi confirmada no 3T13, mas (nós e o consenso de mercado) continuamos vendo essa retomada como temporária. Além disso, a paralisação do governo federal nos EUA criou um vácuo de dados específicos de commodities no mês. Grandes agências, como USDA, DOE e CFTC, adiaram suas publicações.

O preço do açúcar subiu forte (7,5%) até 18 de outubro, e embora sofresse uma realização parcial, ainda fechou o mês em alta de 1,0%. O avanço em outubro ocorreu depois de já ter subido 5,1% de setembro. Vemos um déficit global de oferta neste segundo semestre. No entanto, projetamos que o superávit global se recupere no 1S14. Essa perspectiva já explica a reversão parcial dos preços no fim do outubro. Esperamos que o processo continue e que os preços do açúcar caiam adiante.

As condições de oferta de milho e soja melhoraram, com um clima favorável para a colheita nos EUA e plantio no Brasil. O movimento não alterou nossas projeções, mas reduziu os riscos de alta para os preços em ambos os mercados.

Os preços de energia ficaram estáveis em outubro, com alta no preço de petróleo tipo Brent, mas queda do preço do petróleo WTI. O desconto da cotação WTI para Brent aumentou para US$ 12/bbl, de US$ 4,5/bbl em setembro. Excedentes de petróleo bruto voltaram a ser registrados na região central dos EUA (ou seja, entradas acima do consumo somadas às quantidades despachadas para a Costa do Golfo e Costa Leste). Como a capacidade de saída deverá ultrapassar as entradas somente no 1T14, o desconto pode permanecer acima de US$ 8/bbl até o final de 2013. Enquanto isso, os preços do petróleo do tipo Brent permaneceram dentro da faixa US$ 106-110/bbl. Com um maior desconto entre o preço da WTI e o Brent no curto prazo, esperamos agora que o subíndice ICI Energia aumente 5,8% em 2013, em relação a 2012, e caia 0,1% em 2014 ante o ano anterior (anteriormente: 6,6% e -0,8%, respectivamente). Nossa projeção para os preços no final de 2014 permanece inalterada.

Para os demais textos, acessar o pdf em anexo.



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