Itaú BBA - Um novo desafio para o crescimento global

Macro Latam Mensal

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Um novo desafio para o crescimento global

Fevereiro 10, 2020

Coronavírus aumenta a incerteza para a atividade econômica global. No Brasil, BC interrompe ciclo de corte de juros.


Para os demais textos, acessar o pdf em anexo.

 

Economia global
Coronavírus e eleições nos EUA
Reduzimos nossa projeção de crescimento da China em 2020 de 6,0% para 5,8%, com riscos enviesados para baixo caso o contágio do coronavírus persista. Nos EUA, a incerteza com a eleição presidencial continua.

Brasil
Copom sinaliza interrupção do ciclo de queda de juros
O Copom cortou a taxa Selic para 4,25% a.a. em fevereiro, e decidiu interromper o ciclo de flexibilização monetária. Assim, esperamos que a taxa Selic encerre o ano no atual nível de 4,25% a.a., ante 4,0% no cenário anterior.  

Argentina
Corrida contra o relógio
O governo espera concluir a reestruturação da dívida até março, um prazo curto em nossa visão. Com isso, o risco de inadimplência continua alto.

México
Economia estagnada significa continuidade do ciclo de flexibilização monetária
Esperamos que a taxa básica de juros encerre 2020 em 6,0% a.a., com o primeiro corte de 0,25 p.p. já em fevereiro. Inflação baixa, hiato crescente e peso mais apreciado dão suporte à maior flexibilização monetária.

Chile
Muitas incertezas ainda permanecem
A atividade econômica acelerou mais que o esperado em 2019, mas as incertezas domésticas e globais preocupam. Neste contexto, mantemos nossa projeção de crescimento de 1,2% neste ano.

Peru
Risco político menor por enquanto
As eleições recentes produziram um congresso fragmentado. Embora o novo Congresso provavelmente terá uma relação menos conflituosa com o presidente Vizcarra, aprovar reformas profundas será difícil.

Colômbia
Taxas de juros estáveis em 2020
Com o hiato do produto ainda aberto e uma série de incertezas domésticas e globais, esperamos que o banco central mantenha a taxa de juros estável em 4,25% em boa parte do nosso horizonte de projeção.


 


Um novo desafio para o crescimento global

Em um ano que parecia começar com menores riscos, a epidemia do novo coronavírus, com epicentro na China, adicionou uma nova fonte de incerteza para a atividade econômica global. O número de casos acelerou significativamente nas últimas semanas, e as autoridades locais adotaram medidas drásticas para tentar conter a propagação da doença, como restrições ao transporte para regiões afetadas e prolongamento do feriado do ano novo chinês. Por ora, a maior parte dos casos continua localizada na província de Hubei, mas já houve registros do vírus em 23 outros países, de todas as regiões. 

Neste contexto, revisamos nossa projeção de crescimento do PIB da China de 6,0% para 5,8% em 2020, com risco de números ainda menores caso o contágio persista. Os preços de commodities, como petróleo e cobre, também foram revisados para baixo, em linha com a desaceleração esperada para o país asiático. Nos EUA, supondo que o contágio da doença será limitado, mantivemos nossa projeção de crescimento do PIB para 2020 inalterada em 2,0%. Por lá, o principal risco continua sendo as eleições presidenciais, em meio a propostas de política econômica cada vez mais polarizadas. Há seis nomes possíveis para o candidato democrata, cujas primárias tiveram início nas últimas semanas, mas permanecem sem definição. Na Europa, o crescimento econômico deve continuar fraco e, dado isto e a inflação ainda baixa, a política monetária deve seguir estimulativa.

Na América Latina, os impactos da epidemia de coronavírus colocam um risco de baixa para a já fraca atividade econômica da região. Levando em conta dados mais fracos na margem, reduzimos nossas projeções de crescimento neste ano para o México e para o Peru, considerando ainda, neste último caso, os prováveis impactos do novo vírus no preço do cobre. No Chile, esperamos um crescimento anêmico, uma vez que os efeitos dos protestos devem continuar impactando o cenário local. Na Argentina, mantivemos nossa expectativa de um recuo significativo do PIB neste ano. Neste contexto, o espaço para mais afrouxamento monetário na região permanece. Esperamos cortes adicionais nas taxas de juros no México, Chile e Peru.

No Brasil, o Comitê de Política Monetária (COPOM) realizou o corte amplamente esperado de 0,25 p.p. na taxa Selic, levando-a para 4,25% a.a., e afirmou, claramente, que vê como adequado interromper o processo de flexibilização monetária. Assim, agora vemos as autoridades mantendo a taxa básica inalterada em 4,25% a.a. até o final do ano. Quanto à atividade econômica, continuamos com nossa expectativa de aceleração gradual da economia, com crescimento do PIB de 2,2% em 2020 e 3,0% em 2021. Também não fizemos alterações nas nossas projeções de taxa de inflação e câmbio.


 


Economia global
Coronavírus e eleições nos EUA

• O coronavírus e as medidas tomadas para conter a doença devem limitar o crescimento econômico na China a 5,8% (de 6,0% no cenário anterior) em 2020, com risco de recuo para 5,0%-5,5% se a epidemia continuar.

• Incerteza eleitoral nos EUA continua.

• Revisão de estratégia do BCE não deve levar a aperto de política monetária.

• Commodities: queda nos preços de petróleo e cobre devido ao choque na China.

• América Latina: ritmo de atividade permanece inconsistente em meio a incertezas internas e externas.


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