Itaú BBA - Um cessar-fogo, não um acordo de paz

Macro Latam Mensal

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Um cessar-fogo, não um acordo de paz

Julho 12, 2019

Trégua entre EUA e China traz alívio, mas BCs ainda devem cortar juros. No Brasil, passamos a esperar corte de 0,50 p.p. no final de julho.


Para os demais textos, acessar o pdf em anexo.

Economia global
Trégua na guerra comercial atenua desaceleração, mas riscos globais persistem
Apesar da trégua comercial, a incerteza deve perdurar, impactando o comércio global e investimento, e levando diversos bancos centrais a afrouxar a política monetária.

Brasil
Previdência avança na Câmara, sinal verde para corte de juros
O texto base da reforma foi aprovado em primeiro turno pela Câmara, restando apenas a apreciação de alguns destaques. Nesse contexto, esperamos que o Copom inicie um ciclo de cortes em julho, com redução de 0,50 p.p.

Argentina
Atenções voltadas para a corrida presidencial
Pesquisas mostram um empate estatístico entre Macri e Fernández no segundo turno. As primárias de agosto serão bons indicadores dos resultados do primeiro turno das eleições, em outubro.

México
Flexibilização monetária em um ambiente incerto
Apesar da inflação ainda alta, o banco central afrouxou a política monetária em resposta à atividade mais fraca que o esperado e melhores condições financeiras externas.

Chile
Perspectivas ainda fracas para a economia
Incerteza global prolongada pode levar a desaceleração acentuada da economia chilena, altamente integrada ao comércio internacional, justificando novos cortes de juros.

Peru
Fundamentos sólidos protegem a economia
Fundamentos macroeconômicos robustos, corroborados pela manutenção da nota de crédito pela agência Moody’s, são uma proteção contra choques, mas a desaceleração global pode levar a flexibilização monetária.

Colômbia
Banco central reavaliando cenário
Sinais sutis na comunicação do banco central apontam para mudanças de avaliação do cenário, que podem justificar cortes de juros à frente.


 

 


Um cessar-fogo, não um acordo de paz 

Uma trégua foi alcançada e as negociações comerciais entre os EUA e a China estão sendo retomadas lentamente, mas não esperamos melhorias significativas tão cedo e, portanto, o ambiente de incerteza deve perdurar. Os números de crescimento serão melhores do que em um cenário de nova escalada da guerra comercial, mas o comércio e o investimento globais ainda estão ameaçados o suficiente para que bancos centrais de diversos países respondam com mais estímulos monetários.

Esperamos que o Fed reduza juros em 0,75 p.p. em 2019 para equilibrar os riscos, criando (ou aumentando) o espaço para que as taxas de juros nos mercados emergentes também caiam. Na Europa, o crescimento fraco e a recente sinalização do BCE também apontam claramente para cortes.

A política monetária mais frouxa é notícia bem-vinda na América Latina, onde o crescimento ainda não acelerou. Como os capítulos mais dramáticos da reforma da previdência no Brasil estão perto de serem superados, os olhares voltados para a região agora se deslocam para a disputa presidencial na Argentina, que deve ter eleições primárias em agosto em meio a recuo da inflação – algo que favorece o governo nas pesquisas de popularidade e pode aumentar suas chances de vitória.

No Brasil, o caminho está livre para a retomada do ciclo de cortes de juros. Passadas as etapas mais cruciais para a reforma da previdência, o contexto é de crescimento econômico lento, elevada capacidade ociosa e inflação baixa, o que deve levar a autoridade monetária a retomar a flexibilização no final de julho, com um corte de 0,50 p.p., mais intenso do que prevíamos inicialmente, levando a taxa Selic para 5% no final do ciclo de cortes. Fora isto, nosso cenário para o país mudou muito pouco desde o último mês: ainda esperamos crescimento de 0,8% do PIB em 2019 e 1,7% e 2020, inflação de 3,6% nos dois anos e taxa de câmbio em R$ 3,80 por dólar no fim deste ano e R$ 4,00 no próximo, com o real se desvalorizando devido ao cenário global desafiador.


 

 


Economia global
Trégua na guerra comercial atenua desaceleração, mas riscos globais persistem

• Apesar da trégua na guerra comercial, a incerteza persiste, desacelerando o comércio global e os investimentos e requerendo reações dos bancos centrais.

• Revisamos a projeção para o crescimento do PIB nos EUA para 1,5% (ante 1,3%) em 2020, mas o Fed ainda deve reduzir juros em 75 p.b. neste ano para mitigar os riscos de baixa,.

• Mudamos nossas estimativas de crescimento na China para 6,2% (ante 6,0%) em 2019 e 5,9% (de 5,5%) em 2020.

• A fraca expansão da economia na Europa (1,0% em 2019 e 2020) deve levar o Banco Central Europeu (BCE) a cortar juros (15 p.b. em 2019 e também em 2020).

• América Latina: flexibilização monetária deve ocorrer para sustentar o crescimento em diversos países.

• Alta nos preços do minério de ferro, devido a choque de oferta.


 

Para os demais textos, acessar o pdf em anexo.



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