Itaú BBA - Tentando conter a desaceleração

Macro Latam Mensal

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Tentando conter a desaceleração

Setembro 13, 2019

Os governos parecem estar respondendo à piora econômica, mas até agora sem conseguir mitigar completamente os riscos de desaceleração


Para os demais textos, acessar o pdf em anexo.

 

Economia global
Autoridades reagem, mas incerteza permanece
Cortes de juros pelo Fed, mais flexibilização pelo BCE e estímulos adicionais na China podem atenuar a desaceleração mundial, mas o crescimento global permanece em risco, dados os obstáculos para um acordo comercial entre EUA e China. 

Brasil
Recuperação lenta em meio à incerteza global
Continuamos projetando crescimento de 0,8% este ano e de 1,7% em 2020. Também mantemos nossas projeções para a taxa de câmbio em 3,80 reais por dólar em 2019 e 4,00 em 2020, mas, na ausência de boas notícias no âmbito global, a moeda pode se estabilizar num patamar mais depreciado. 

Argentina
Choque de realidade
Preços de ativos colapsaram após a derrota do presidente Macri nas eleições primárias. Sem acesso aos mercados, o governo anunciou mais uma reestruturação da dívida pública e introduziu controles de capital. 

México
Ciclo de flexibilização tem início
Esperamos que o Banxico reduza novamente a taxa de juros em 0,25 p.p. em setembro, com outros dois cortes de mesma magnitude nas reuniões subsequentes de 2019, levando a taxa para 7,25% ao final do ano. 

Chile
Terapia de choque
O banco central cortou a taxa de juros em outros 0,50 p.p., para 2,0%, e sinalizou que mais flexibilização pode ocorrer à frente. 

Peru
Incerteza ameaça perspectivas de investimento
Desdobramentos políticos e conflitos sociais relacionados à mineração ameaçam as perspectivas para o investimento. 

Colômbia
Ainda na contramão da região
Passamos esperar que a taxa de juros permaneça estável em 4,25% em todo o horizonte de previsão, em contraste com o novo padrão de taxas de juros mais baixas na região.


 

 


Tentando conter a desaceleração 

Os indicadores econômicos globais dão novos sinais de que o protecionismo e a incerteza resultante estão afetando o crescimento. Os formuladores de política econômica parecem estar respondendo, mas até agora sem conseguir mitigar os riscos completamente. Cada um à sua maneira, EUA e China estão fornecendo estímulos domésticos que provavelmente impedirão que ambas economias desacelerem muito rapidamente. No entanto, é improvável que essas respostas revertam a tendência de desaceleração global. Na Europa, o BCE também está respondendo à piora das perspectivas com novas medidas, mas tememos que, por si só, a política monetária ainda mais frouxa possa não ser o suficiente. Estímulos fiscais nos países centrais poderiam ajudar, mas ainda não há indicação clara de que isso ocorrerá.

Após a última rodada de deterioração, representantes dos EUA e da China voltaram a conversar e fizeram demonstrações de boa vontade – em uma sucessão um tanto circular de eventos que já vai se tornando familiar. Há esperança de que discussões de alto escalão possam ocorrer no próximo mês, mas acreditamos que um acordo ainda é uma possibilidade distante. Portanto, a incerteza em relação ao crescimento global deve permanecer elevada.

Na América Latina, a tendência de juros mais baixos continuou a se espalhar. México e Peru juntaram-se a Brasil e Chile cortando taxas, mas parece improvável que a Colômbia siga o mesmo caminho nesse momento, dado o elevado déficit em conta corrente e o crescimento surpreendentemente resiliente. Enquanto isso, a derrota do presidente Macri nas eleições primárias da Argentina provocou um colapso nos preços de ativos. Sem acesso aos mercados, o governo anunciou reestruturação da dívida e introduziu controles de capital. Como resultado, a economia provavelmente terá desempenho significativamente pior do que esperávamos anteriormente. No entanto, o contágio para o resto da região será limitado.

No Brasil, novamente fizemos muito poucas mudanças em nosso cenário. Seguimos prevendo crescimento de 0,8% em 2019 e 1,7% em 2020, com mais flexibilização monetária à frente. Acreditamos que a recente depreciação do real não altera essa perspectiva, uma vez que a pressão resultante sobre a inflação é compensada pela queda nos preços das commodities. De fato, agora esperamos inflação ainda menor neste ano e no próximo, devido ao hiato elevado e à inércia favorável. Por fim, mantemos por enquanto nossas previsões de câmbio em R$ 3,80 por dólar em 2019 e 4,00 em 2020, mas admitimos que, na ausência de melhoras no cenário global, a moeda pode se estabilizar em um nível mais depreciado.


 

 


Economia global
Autoridades reagem, mas incerteza permanece 

• As negociações entre EUA e China continuam, mas chegar a um acordo ainda é difícil

• Cortes de juros pelo banco central americano (Fed) diminuem o risco de recessão nos EUA, mas é improvável que enfraqueçam o dólar

• O Banco Central Europeu (BCE) está flexibilizando a política monetária, mas uma resposta fiscal também é necessária

• Os estímulos na China devem atenuar o desaquecimento, mas não vão acelerar a economia

• América Latina: cortes de juros disseminados pela região, enquanto a Argentina inicia um processo de reestruturação da dívida

• Commodities: preços agrícolas afetados pela guerra comercial


 

Para os demais textos, acessar o pdf em anexo.



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