Itaú BBA - Temores de recessão global levam a reações de política econômica

Macro Latam Mensal

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Temores de recessão global levam a reações de política econômica

Janeiro 11, 2019

O Fed deve aumentar as taxas de juros apenas uma vez em 2019 para garantir riscos balanceados

Para os demais textos, acessar o pdf em anexo.
 

Economia global
Respostas de política econômica devem limitar riscos de recessão global
O Fed deve aumentar as taxas de juros apenas uma vez em 2019 para garantir riscos balanceados, enquanto a China provavelmente relaxará suas políticas monetária e fiscal para estabilizar o crescimento ao redor de 6,0-6,5%.

América Latina
Fed ao resgate?
Os preços de ativos latino-americanos melhoraram nos primeiros dias do ano, após retórica mais branda do Fed.

Brasil
Retomada gradual da atividade com perspectiva de melhora fiscal
Projetamos uma redução do déficit primário, de 1,7% do PIB em 2018 para 1,3% em 2019 e 0,8% em 2020. Ao mesmo tempo, esperamos 2,5% de crescimento do PIB em 2019 e 3,0% em 2020.

Argentina
Calma antes da tempestade?
Incertezas sobre o resultado eleitoral podem prejudicar a economia e colocar em risco as chances de reeleição de Macri.

México
Orçamento responsável, mas há riscos de execução
AMLO está comprometido com responsabilidade fiscal, mas a implementação das metas fiscais é desafiadora, dado seu programa social e econômico e obstáculos para a atividade econômica.

Chile
Ciclo gradual de alta dos juros deve continuar
Com a atividade ainda dinâmica no final de 2018, o banco central deve se sentir confortável para continuar seu ciclo de normalização ao final deste mês.

Peru
Crescimento melhora, apesar da volatilidade externa
Projetamos 4,0% de crescimento do PIB em 2019 (de 3,8% esperados para 2018), supondo que as tensões comerciais se dissipem e que a política monetária continue expansionista, compensando o menor estímulo fiscal.

Colômbia
Taxas de juros devem seguir estáveis
O banco central deve manter as taxas estáveis no momento, à medida que a incerteza internacional permanece e a atividade mostra sinais modestos de recuperação. Continuamos esperando dois aumentos mais à frente em 2019, uma vez que a recuperação se torne mais nítida.


 


Temores de recessão global levam a reações de política econômica

Preocupações sobre comércio internacional, condições financeiras mais apertadas nos EUA, dados mais fracos de atividade na China e incertezas políticas na Europa geram um terreno fértil para a proliferação de preocupações sobre uma eventual recessão global. Como reação a esses receios, formuladores de política econômica estão ajustando seus discursos e suas ações. Para garantir riscos mais equilibrados, nos EUA, o Fed (banco central americano) agora deve realizar apenas um aumento de juros em 2019. Em paralelo, a China provavelmente fará estímulos monetários e fiscais adicionais para estabilizar o crescimento. Sob a ameaça de crescimento fraco e já sentindo os primeiros efeitos da guerra comercial, recentemente os dois países se tornaram mais amigáveis em suas negociações e devem também evitar novos aumentos de tarifas.

Na América Latina, os primeiros dias do ano trouxeram melhora dos preços de ativos, impulsionados pela retórica mais branda do Fed e pelo progresso nas relações comerciais entre EUA e China. Apesar da desaceleração – e não recessão – global, esperamos um crescimento maior na região em 2019, por uma série de fatores específicos a cada país. No entanto, o cenário externo desafiador significa que os riscos por aqui são assimétricos para baixo. As maiores economias da região têm um ano interessante à frente: na Argentina, a incerteza em relação ao resultado eleitoral pode abalar os mercados e prejudicar a economia (juntamente com as chances de reeleição de Macri). Ao mesmo tempo, no México e no Brasil toda a atenção estará voltada para os próximos passos dos recém-eleitos governantes. No primeiro país, AMLO comprometeu-se a não deteriorar as finanças do governo. No segundo, Bolsonaro prometeu revigorá-las.

Como parte do esforço de ajuste no Brasil, esperamos que uma reforma previdenciária seja aprovada em 2019. Projetamos uma redução do déficit primário, de 1,7% do PIB em 2018 para 1,3% em 2019 e 0,8% em 2020. Como consequência, esperamos melhoria das condições financeiras, que deve impulsionar o crescimento do PIB para 2,5% em 2019 e 3,0% em 2020. Com um baixo diferencial de taxas de juros (internas vs. externas) e um cenário internacional volátil, mantemos nossas projeções para a taxa de câmbio em 3,90 reais por dólar no fim de 2019 e de 2020. A inflação continua bem comportada e, na ausência de desvios persistentes em relação à trajetória das metas, a taxa Selic deverá permanecer em 6,5% por um bom tempo.


 


Economia global
Respostas de política econômica devem limitar riscos de recessão global

O Federal Reserve (Fed) subirá a taxa básica de juros nos EUA somente uma vez em 2019 para garantir que os riscos fiquem balanceados. Por ora, a redução do balanço do banco central tende a continuar.

A China deve flexibilizar a política fiscal e monetária para estabilizar o crescimento econômico em 6,0-6,5%.

Um acordo comercial entre EUA e China provavelmente evitará novas altas nas tarifas de importação.

Já a Europa tem pouco espaço para medidas de estímulos caso os riscos domésticos e globais se concretizem.

O preço do barril de petróleo deve ficar na faixa de US$ 50-60.


 


América Latina
Fed ao resgate?

Os preços de ativos da região melhoraram durante os primeiros dias do ano devido à comunicação mais branda do Fed (em resposta a condições financeiras mais apertadas). Os avanços nas negociações comerciais entre a China e os EUA também estão influenciando os movimentos dos preços.

Em meio a preocupações com a desaceleração do crescimento global, a atividade em algumas economias da região (Chile, Colômbia e Peru) parece ter se recuperado no 4T18. 

Esperamos crescimento mais forte na região no decorrer de 2019, mas o cenário externo significa que os riscos estão inclinados para baixo.

A sinalização recente fornecida pelo Fed, juntamente com a atividade ainda frágil, abre mais espaço para que os bancos centrais que observam taxas de inflação bem comportadas aguardem antes de remover o estímulo monetário. No México, aumentos adicionais de juros não estão garantidos, enquanto na Argentina a incerteza sobre o cenário político, combinada à meta de base monetária estável, pode pressionar as taxas de juros para cima durante 2019.


 

Para os demais textos, acessar o pdf em anexo.



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