Itaú BBA - Taxas de juros caem ainda mais na América Latina

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Taxas de juros caem ainda mais na América Latina

Outubro 14, 2019

Juros devem se tornar ainda mais baixos na América Latina. No Brasil, prevemos agora que a taxa Selic cairá para 4%


Para os demais textos, acessar o pdf em anexo.

 

Economia global
Crescimento baixo, juros baixos e possível fim da ascensão do dólar
A trégua na guerra comercial é importante, mas não será suficiente para elevar o crescimento global. Assim, medidas de estímulo devem continuar sendo necessárias. A desaceleração da economia dos EUA deve limitar a força do dólar.

Brasil
Aprofundando o ajuste monetário
Passamos a esperar que o Comitê de Política Monetária do Banco Central estenda o ciclo de corte de juros, levando a taxa Selic para o nível de 4,5% ao final de 2019 e de 4,0% em 2020. 

Argentina
Fantasmas do passado retornam
É improvável que uma reestruturação da dívida seja apenas moderada, caso não seja acompanhada por uma consolidação fiscal significativa.

México
Antecipando cortes de juros
Passamos a esperar que a taxa de juros termine 2019 em 7,00% e 2020 em 6,00% (ante 7,25% e 6,25%, respectivamente), dada a fraqueza econômica e seu provável impacto sobre a inflação.

Chile
Momento de virada?
A atividade surpreendeu positivamente em agosto, colocando viés positivo para nossa projeção de crescimento de 2,2% neste ano. No entanto, ainda não está claro se essa melhora representa uma mudança de tendência.

Peru
Risco político aumenta
O Tribunal Constitucional provavelmente terá que resolver uma disputa entre o Presidente Vizcarra, que convocou novas eleições legislativas, e o parlamento, que reagiu suspendendo os poderes do chefe do executivo.

Colômbia
Juros seguem estáveis
Esperamos que as taxas de juros fiquem estáveis ao longo de nosso horizonte de previsão. No entanto, cortes permanecem mais prováveis do que aumentos.


 


Taxas de juros caem ainda mais na América Latina 

Em resposta aos riscos de uma desaceleração econômica mais acentuada, EUA e China chegaram a uma nova trégua comercial que provavelmente trará algum alívio de curto prazo para a economia global. No entanto, a incerteza tende a permanecer alta, de modo que os desenvolvimentos recentes podem ajudar a evitar uma desaceleração mais acentuada, mas não serão suficientes para acelerar a economia global. 

O crescimento nos EUA deve começar a convergir para um cenário de desaceleração, como em outros lugares, embora não com a mesma intensidade: o investimento e o emprego devem ter um desempenho modesto devido à incerteza política e ao menor dinamismo das exportações. Portanto, a tendência de fortalecimento do dólar pode estar chegando ao fim.

Apesar do ambiente turbulento, algumas economias da América Latina apresentam sinais incipientes de recuperação: a atividade permanece resiliente na Colômbia e está melhorando no Brasil e no Chile (o crescimento também aumentou modestamente no Peru, mas a recente crise política provavelmente impedirá novos ganhos). Por outro lado, a economia do México continua se deteriorando com queda forte do investimento, enquanto a Argentina parece caminhar para uma nova contração econômica no próximo ano. Não obstante as diferentes combinações de crescimento e políticas econômicas, a maioria dos países da região deve continuar a fazer uma flexibilização monetária. As moedas enfraqueceram recentemente, mas a inflação é confortavelmente baixa no Chile, Peru e Brasil - e tende a recuar no México em breve. Portanto, esperamos agora ver taxas de juros ainda mais baixas nesses países.

No Brasil, prevemos agora que a taxa Selic cairá para 4%, com mais dois cortes de 50 pb este ano e outras duas reduções de 25 pb no próximo ano. Os principais fatores que justificam uma política monetária ainda mais flexível já existem há algum tempo - inflação baixa, expectativas ancoradas, ampla folga econômica e consolidação fiscal - mas o caminho para cortes adicionais agora foi mais claramente desbloqueado pela trégua comercial, que provavelmente resultará em menor volatilidade de ativos de risco, como o BRL. Como principal resultado de mais estímulo, esperamos que o PIB cresça 2,2% em 2020, acima da previsão anterior de 1,7% (também vemos um crescimento um pouco maior em 2019, agora em 1%, devido a melhores dados na margem). Também por causa das taxas de juros mais baixas, aumentamos nossas previsões de fim de ano para a taxa de câmbio, para 3,90 BRL/USD este ano e 4,25 no próximo (de nossas projeções anteriores de 3,80 e 4,00, respectivamente).


 


Economia global
Crescimento baixo, juros baixos e possível fim da ascensão do dólar
 

• A trégua na guerra comercial é importante, porém insuficiente para aumentar o crescimento global.

• EUA: crescimento do PIB tende a recuar para 1,5% em 2020; Fed deve fazer outro corte de 0,25 p.p. nos juros este ano.

• Europa: estímulo fiscal não basta para impulsionar o crescimento.

• China: estabilização frágil.

• Fase de valorização do dólar pode estar chegando ao fim.

• América Latina: ciclo mais longo de flexibilização monetária.


 

Para os demais textos, acessar o pdf em anexo.



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