Itaú BBA - Sinais de recuperação no Brasil e na Argentina

Macro Latam Mensal

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Sinais de recuperação no Brasil e na Argentina

Fevereiro 10, 2017

Os indicadores recentes são consistentes com a nossa visão de recuperação na América do Sul, impulsionada pelo Brasil e pela Argentina.

Para os demais textos, acessar o pdf em anexo.

Economia global
Dados globais apoiam os mercados emergentes em meio à incerteza política
A melhora da atividade global e alta moderada da inflação é positivo para os mercados emergentes. As incertezas políticas nos EUA, as eleições na Europa e uma desaceleração na China continuam sendo riscos importantes.

América Latina
Sinais de recuperação
Os indicadores recentes são consistentes com a nossa expectativa de recuperação econômica na América do Sul, impulsionada pelo Brasil e pela Argentina.

Brasil
Rumo ao novo equilíbrio
A redução da meta de 2019 para 4% reforça desinflação e possibilita juros mais baixos. Esperamos agora que a taxa Selic alcance 9,25% em 2017 e 8,25% em 2018.

Argentina
Atividade econômica melhor
Os indicadores oficiais confirmam uma recuperação na margem no 4T16. Ajustamos nossa projeção do PIB para -2,1% em 2016 e vemos agora riscos de alta para a nossa estimativa de 2,7% para 2017.

México
Incertezas continuarão à frente
O crescimento provavelmente atingiu 2,3% em 2016, mas estimamos uma desaceleração para 1,6% este ano. A erosão dos salários reais, políticas macroeconômicas mais apertadas e, principalmente, a incerteza sobre as políticas comerciais dos EUA irão contribuir para a desaceleração.

Chile
Única saída é cortar juros
Atividade fraca e a inflação baixa devem levar a um ciclo de cortes de juros maior do que o sinalizado atualmente pelo banco central.

Peru
Termos de troca mais altos ajudam a economia
Após cinco anos consecutivos de queda, os termos de troca do Peru se recuperaram, o que, em conjunto com uma maior confiança dos empresários, irá ajudar a impulsionar a demanda doméstica.

Colômbia
Banco central troca de marcha
A retomada do ciclo de flexibilização monetária dependerá dos próximos dados de inflação e das expectativas de inflação. Mantemos nossa projeção de queda de 2 p.p. nos juros neste ano.

Commodities
Rally continua (por enquanto)
Projetamos queda de 7% para nosso índice de commodities em 2017 em relação ao nível atual, devido à desaceleração da China (meio do ano) e à reação da oferta diante dos preços correntes, especialmente nos mercados de petróleo (pelos produtores de xisto dos EUA) e minério de ferro.


 


Sinais de recuperação no Brasil e na Argentina

A atividade econômica mundial e a inflação começaram o ano em alta. Nesse contexto, os juros vão subir nos EUA, mas o Fed, banco central norte-americano, poderá adotar uma abordagem gradual graças à moderação das pressões salariais. Esperamos três acréscimos nos juros nos EUA em 2017, sendo o próximo em maio. A China também está apertando a política monetária, mas a atividade deve se manter sustentada por enquanto. O cenário de melhora na atividade global e alta moderada da inflação é positivo para os mercados emergentes.

Porém, as incertezas globais permanecem elevadas. Nos EUA, não está claro até que ponto o presidente Donald Trump vai levar o protecionismo, a proibição de imigração e como será sua proposta de reforma tributária depois de passar pelo Congresso. Na Europa, haverá eleições importantes e existe risco de mudança radical na França. O risco de desaceleração na economia chinesa é uma ameaça constante.

Na América Latina, os últimos indicadores são consistentes com nossa expectativa de recuperação econômica na América do Sul, puxada por Brasil e Argentina. À medida que o Fed sobe os juros, esperamos alguma depreciação das moedas latino-americanas em relação aos níveis atuais. A tendência para os juros na América Latina é de baixa, mas expectativas de inflação elevadas para 2017 na Colômbia e na Argentina estão aumentando a cautela desses bancos centrais.

No Brasil, expectativas bem-ancoradas e queda da inflação abrem espaço para redução da meta da inflação para 4% em 2019. A atividade econômica dá sinais de melhora na margem, em linha com nosso cenário. Do lado fiscal, as reformas continuarão no centro das atenções neste ano. Esperamos aprovação da reforma da Previdência no segundo trimestre. Revisamos nossas previsões para a taxa de câmbio devido à diminuição do risco-país. O recuo da inflação e o progresso das medidas fiscais permitem redução sustentada dos juros. Agora, projetamos a taxa Selic em 9,25% no fim de 2017 e em 8,25% em 2018.


 


Economia global
Dados globais apoiam os mercados emergentes em meio à incerteza política

A dinâmica positiva da manufatura global continua, com um índice de gerentes de compras (PMI,na sigla em inglês) forte em janeiro.

As taxas de inflação nas economias desenvolvidas estão subindo, impulsionadas pelos preços de energia, enquanto as medidas do núcleo continuam em níveis moderados. 

As taxas de juros devem subir nos EUA. Porém, com uma pressão salarial modesta, o Fed, banco central dos EUA, tem espaço para se movimentar de forma gradual (projetamos três aumentos em 2017, sendo o próximo em maio).

A China também está apertando a política monetária, mas a atividade deve se manter firme por enquanto.

O contexto de melhora da atividade global e alta moderada da inflação é positivo para os mercados emergentes.

As incertezas políticas nos EUA, as eleições na Europa e a desaceleração na China continuam sendo riscos importantes.

Atividade global e inflação começam 2017 em alta

O ciclo do setor manufatureiro continuou melhorando em janeiro. O índice PMI de manufatura global aumentou para 53,3 no mês, de 52,8 em dezembro (ver gráfico). O índice está em seu nível mais alto desde 2011.

A inflação global também está subindo. A composição mostra a inflação em alta nos mercados desenvolvidos, e caindo nos mercados emergentes. É importante salientar que nos mercados desenvolvidos a inflação está aumentando devido aos preços de energia, mas o núcleo da inflação permanece estável (ver gráfico).

Essa combinação de dados é positiva para os mercados emergentes e para os preços de seus ativos. Em primeiro lugar,a atividade manufatureira mais fortesustenta os preços das commodities. Em segundo, o aumento da inflação nas economias desenvolvidas com o núcleo de inflação estável reduz temores deflacionários semexercer pressão de alta excessiva sobre as taxas de juros globais.Esses fatores favorecem fluxos de capital resilientes aos mercados emergentes.Por fim, a queda da inflação nos mercados emergentes mantém espaço para flexibilização monetária em alguns países (particularmente na América Latina).

EUA – Perspectiva positiva, mas incertezas políticas permanecem altas

O PIB desacelerou para 1,9% no 4T16 sobre o trimestre anterior, com ajuste sazonal, ante 3,5% no 3T16, mas a demanda doméstica expandiu sólidos 2,8%. O consumo cresceu 2,5% e o investimento fixo das empresas acelerou para 2,4% (de 1,4%). Além disso, contribuição negativa das exportações líquidas (-1,9 ponto percentual) foi causado por uma queda pontual nas exportações de soja após um 3T16 forte.

Estimamos o crescimento acelerando para 2,2% no início do 1T17, taxa anualizada e dessazonalizada, na comparação de base trimestral. 

Além disso, vemos chances de maior crescimento do PIB durante todo o ano. A flexibilização das condições financeiras e o sentimento positivo dos consumidores e empresários indicam um risco de alta estimado em 30 a 50 pontos percentuais para a nossa projeção do PIB, de 2,3%, para 2017.

Os mercados de trabalho refletiram esse melhor ambiente e registraram um forte início de ano. A criação de empregos atingiu 227 mil em janeiro, levando a média móvel de três meses para 183 mil, de 165 mil, anteriormente. Esperamos que o ritmo de criação de empregos permaneça em 175 mil por mês neste ano. Esse ritmo provavelmente reduzirá a taxa de desemprego para 4,3%no 4T17 (de 4,8%, em janeiro).

A moderação recente nos salários e na inflação do núcleo indica que alguma folga persiste na economia. A variação em 12 meses na remuneração média por hora diminuiu para 2,5% sobre o ano anterior, de 2,8% anteriormente (revisado para baixo, de 2,9%). O deflator do núcleo do consumo aumentou apenas 1,3% na comparação trimestral, com ajuste sazonal, atingindo 1,7% no 4T16 sobre o ano anterior.

No entanto, com um mercado de trabalho forte, os salários e a inflação seguirão em tendência de alta (ver gráfico). O núcleo da inflação mais moderado no 4T16 foi devido ao dólar forte e a distorções sazonais.A contraçãodo mercado de trabalho permanece, em geral, consistente com um aumento do núcleo do consumo para 1,9% no 4T17.

Continuamos esperando três aumentos dos juros pelo Fed em 2017. Esperamos que o próximo movimento ocorra em maio, e antecipamos dois aumentos adicionais dos juros no 2S17.

Quais os riscos do novo governo Trump para esse cenário?

Em suas primeiras semanas, o presidente Trump levou adiante suas promessas de campanha. Através de ordens executivas, o presidente:i) retirou o país da Parceria Transpacífico (TPP, na sigla em inglês); ii) deu início à renegociação do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta, na sigla em inglês); iii) começou a reformar a lei de saúde, o "Obamacare"; iv) restringiu a imigração; v) pediu revisão da regulação bancária (lei Dodd-Frank); e vi) desregulamentou o setor de energia.

Com base nessas primeiras semanas, podemos fazer algumas inferências sobre os riscos relacionados a políticas à frente.

Em primeiro lugar, o presidente Trump poderia se concentrar exclusivamente no protecionismo comercial e nas restrições de imigração. Pensamos que isso é improvável, pois Trump, até agora, vem cumprindo todas as suas promessas de campanha, que incluem uma agenda fiscal pró-crescimento.

Em segundo, o presidente Trump pode não convencer a base republicana a aprovar sua reforma fiscal pró-crescimento no Congresso. O principal obstáculo é encontrar fontes de receita e/ou cortes de gastos para financiar a redução de impostos para empresas e individuais.

Uma proposta controversa lançada pelos republicanos Paul Ryan e Kevin Brady é o chamado “ajuste de fronteira” (BAT, na sigla em inglês). O BAT exclui os custos de produtos exportados e insumos importados do lucro líquido das empresas, efetivamente não tributando as exportações e tributando as mercadorias importadas (à alíquota integral do imposto corporativo). Considerando o déficit comercial atual dos EUA, essa medida aumentaria as receitas em 0,6% do PIB.

No entanto, alguns senadores republicanos mostram reservas quanto ao BAT. Quem está pagando por isso (consumidores, acionistas, estrangeiros)? A medida é consistente com outrasobrigações internacionais? Como evitarsobrecarregar algumas indústrias específicas? A legislação tributária precisa dos votos de pelo menos 51 dos 52 senadores republicanos para ser aprovada por maioria simples.

Nesse delicado exercício de equilíbrio, o BAT pode ter de ser excluído do pacote, significativamente alterado e/ou implementado muito gradualmente. Assim, a administração Trump pode ter de reduzir significativamente seus planos de corte de impostos.

Esperamos que um equilíbrio seja encontrado, mas a negociação da reforma tributária deve levar pelo menos alguns meses.

Em terceiro lugar, mesmo que o BAT seja realmente implementado como proposto pelos congressistas Ryan e Brady, a medida pode ser vista como uma guerra comercial. Isso poderia levar outros países a retaliar, prejudicando o crescimento global e desencadeando um cenário de estagflação.

Em quarto lugar, o estilo de governo pouco ortodoxo da nova administração poderia levar a um impasse institucional. Um exemplo é a restrição à imigração, que está sendo contestada por tribunais norte-americanos. Outro exemplo é a conversa entre o presidente Trump e Peter Navarro (Conselho Nacional do Comércio) sobre o valor do dólar, quebrando uma longa tradição de manter a política cambial sob o domínio do secretário do Tesouro. Essa abordagem não ortodoxa poderia levar a uma retaliação por parte de outros países e/ou aumento da tensão interinstitucional.

Apesar dos riscos e do início turbulento, esperamos que uma combinação de políticas pró-crescimento prevaleça. Para que tal aconteça, a nova administração precisa aprovar reformas fiscais pró-crescimento e evitar uma guerra comercial.

Mantemos nossa projeção do PIB em 2,3% para 2016 e 2,4% para 2017.

Europa – Atividade resiliente à frente dos riscos políticos

O PIB expandiu-se 0,5% no 4T16 em relação ao trimestre anterior. A melhora das condições financeiras, a política fiscal ligeiramente expansionista e um ambiente externo mais ameno contribuem para um crescimento mais forte. Os fluxos de crédito estão melhorando, refletindo o efeito positivo da flexibilização monetária implementada pelo Banco Central Europeu (BCE).

O BCE deverá manter sua postura acomodatícia por mais algum tempo. A inflação alcançou 1,8% em fevereiro na comparação com mesmo período do ano passado. Mas o presidente da instituição, Mario Draghi, apresentou quatro condições para o alcance bem-sucedido da estabilidade dos preços: a inflação deve ser: i) estável; ii) alcançada no médio prazo; iii) autossustentável, para que possa perdurar mesmo sem o estímulo da política monetária; iv) aplicada em todos os países da zona do euro. Essas condições estão longe de serem cumpridas. As taxas de juros reais permanecerão baixas, apoiando a atividade econômica.

Entretanto, os eventos políticos iminentes desafiam a recuperação na Europa.

No Reino Unido, as negociações do Brexit devem começar após acionamento do Artigo 50 em março. A primeira-ministra Theresa May delineou um plano para um "Hard Brexit", uma vez que o Reino Unido quer o controle de suas fronteiras e regulamentos, o que implica sair do mercado único.

A Holanda realizará eleições gerais em março, e o partido eurocético, PVV, continua subindo nas pesquisas. No entanto, ainda é pouco provável que o PVV consiga formar uma maioria governista.

A eleição presidencial na França é o principal evento do 1S17. Marine Le Pen,candidata do partido eurocético Frente Nacional, provavelmente chegará ao segundo turno. Já quem será seu adversário não está tão claro. O ex-primeiro-ministro François Fillon vem perdendo espaço em meio a relatos de nepotismo ao longo de sua carreira política. O candidato independente Emmanuel Macron agora parece ser o candidato com maior probabilidade de chegar ao segundo turno. Mas o socialista Benoît Hamon também tem chance. De fato, os três candidatos estão dentro das margens de erro nas últimas pesquisas (ver gráfico). Embora todos os candidatos estejam à frente de Le Pen nas pesquisas do segundo turno, ela ainda tem boa chance de vencer.

Por fim, e embora não seja o nosso cenário base, há uma possibilidade de eleições antecipadas na Itália. A probabilidade aumentou após a decisão do Tribunal Constitucional de manter o “prêmio de maioria”, invalidar a votação de segundo turno e afirmar que as eleições poderão ocorrer sob a lei eleitoral revisada.

Mantemos nossas projeções de crescimento do PIB em 1,6% e 1,3% para 2017 e 2018, respectivamente.

Japão – Um aliado para o presidente Trump?

A economia do Japão está mostrando sinais de melhora. A lenta melhoria de dados de pesquisas de sentimento, alinhada a uma produção industrial mais forte; e um iene mais fraco impulsionando as exportações, reforça nossa visão de que a economia japonesa deve crescer acima de sua taxa potencial este ano.

O encontro do primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, com Donald Trump no dia 10 deve gerar um saldo positivo. Trump vem insistindo que a política monetária do banco central do Japão (BoJ) visa a depreciar o iene, o que dificulta a competitividade dos produtos norte-americanos. Shinzo Abe deve reforçar que o BoJ é independente e tem conduzido a sua postura de política acomodatícia a fim de reavivar a economia, acrescentando que o BoJ não realiza intervenção no mercado cambial desde 2011. Além disso, Abe deve ser capaz de conquistar o apoio do presidente Trump com a oferta de financiar seus planos de expansão de infraestrutura (o Fundo de Investimento de Pensões do Governo do Japão pode comprar títulos de infraestrutura dos EUA), ajudar com tecnologia de defesa cibernética e compartilhar ainda mais a carga de gastos com defesa. Este último ponto reforçaria uma relação em que os dois lados sairiam ganhando, já que o orçamento de defesa anual do Japão soma atualmente cerca de 1% do PIB e o governo tem a intenção de aumentá-lo, e o presidente Trump afirmou seu desejo de que os aliados estratégicos dos EUA assumam uma parcela maior dos custos de defesa.

Quanto ao BoJ, esperamos que o presidente do banco central, Haruhiko Kuroda, mantenha sua estrutura de política monetária inalterada. Recentemente,o BoJ conduziu uma operação de taxa fixa para títulos de dívida pública de 5 a 10 anos pela primeira vez, para controlar a taxa de juros 10 anos, que havia subido para 0,15%. Isso mostrou o comprometimento do BoJ em defender sua meta de “ao redor de 0,0%” para os títulos públicos de 10 anos.

Mantivemosnossas estimativas do PIB em 1,1% para 2016 e 1,4% para 2017. Projetamos um crescimento de 1,0% em 2018.

China – Muito a perder em uma guerra comercial

O crescimento econômico da China deverá permanecer estável no 1T17. A atividade econômica e o crescimento do crédito exibiram um ritmo sólido nos últimos meses. O investimento vem sendo apoiado pelos lucros corporativos mais elevados (devido a uma moeda mais fraca e a preços ao produtor mais altos). O índice PMI de manufatura permaneceu alto em janeiro, e nosso índice de atividade corrente, que resume vários indicadores econômicos, sugere que a economia ainda está próxima de um ritmo de 8% (ver gráfico).

Tendo em vista que o crescimento forte ocorre com muito crédito (e aceleração da inflação), o governo está apertando a política econômica. Primeiro, o governo implementou medidas macroprudenciais para desacelerar o setor imobiliário no 2S16. Desde ofim de 2016, o banco central Chinês, aumentou diversas taxas de juros, e é provável que esse movimento continue à frente.

No entanto, não esperamos desaceleração forte no 1S17. As medidas macroprudenciais desaceleraram os preços de habitação, mas o investimento nesse setor permanecerá aquecido por alguns meses, enquanto as obras do gasoduto são concluídas.Além disso, a política monetária impacta a economia com defasagens. Portanto, o crescimento deve continuar em ritmo estável nos próximos meses antes que uma desaceleração induzida pela política monetária ocorra mais à frente no ano.

O principal risco de curto prazo na China relaciona-se a alterações em políticas tributárias e tarifárias dos EUA. Apesar de algum avanço em reequilibrar a economia por meio do consumo doméstico, as exportações ainda representam 22% do PIB da China, bem acima das outras grandes economias. Enquanto isso, o consumo interno responde por cerca de 50% do PIB. Um choque nas exportações para os EUA (18% dototal) também afetaria diretamente a parcela do investimento fixo relacionada à cadeia de fornecimento das exportações. Apesar de o governo possuir ferramentas para compensar parcialmente o choque como, por exemplo, implementar estímulos fiscais e permitir um renmimbi mais fraco, tais medidas agravariam os desequilíbrios da China e seriam negativas para os ativos relacionados ao país, que cairiam junto com o renmimbi.

Revisamos nossa projeção do PIB para 6,4% (de 6,3%) em 2017, devido a umcarrego estatístico melhor a partir de 2016, enquanto ainda antecipamosuma desaceleração moderada no 2S17. Projetamos 5,8% para 2018.

Commodities – Perspectivas macro e oferta mantêm o rally, por enquanto

O Índice de Commodities Itaú (ICI) aumentou 1% em 2017, prolongando os ganhos do 4T16 à medida que a atividade econômica global mantém o ritmo forte, o dólar enfraquece e os produtores reafirmam seu compromisso com a disciplina. 

Os preços dos metais avançaram ainda mais. O cenário macro e as preocupações relacionadas à oferta de níquel (fechamento de minas nas Filipinas) e cobre (riscos de greves no Chile) sustentaram as cotações.

Os preços do petróleo recuaram 3% em 2017, com os sinais de que os membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep, na sigla em inglês) estão cumprindo o acordo, compensando o aumento da atividade de perfuração nos EUA. Aincertezasobre o novo presidente dos EUA também é neutra para os preços: relações piores entre os EUA e os países da Opep aumentam os riscos de violação do acordo, mas também podem aumentar o componente de “risco geopolítico” implícito nos preços do petróleo.

O subíndice ICI-agrícola subiu 5% no acumulado do ano, beneficiando-se de um dólar mais fraco, da recuperação dos preços do açúcar e do café e das inundações que afetam as safras na Argentina (e atrasam a colheita no Brasil). Apesar das inundações na América do Sul, as condições das safras são consistentes com uma safra de verão mais forte do que no ano passado, particularmente no Brasil. Olhando à frente, o Oceano Pacífico deve permanecer neutro (sem padrões de El Niño ou La Niña) até 3T17. Com as expectativas de um La Niña antecipado, a neutralidade implica menores riscos para a safra de inverno do milho no Brasil e para a próxima safra nos EUA.

Olhando à frente, esperamos que o ICI caia 7% em relação ao seu nível atual no fim de 2017. Esperamos que uma desaceleração na China no 2S17 reduza os preços dos metais. Além disso, esperamos que a expansão da produção de óleo de xisto nos EUA e um aumento na oferta de minério de ferro (por produtores tradicionais e de outros países) pressionem os preços durante o ano.


 


América Latina
Sinais de recuperação

Os indicadores recentes são consistentes com a nossa expectativa de recuperação econômica na região, impulsionada pelo Brasil e pela Argentina.

O ambiente externo tem sustentado as moedas da América Latina, mas a perspectiva de taxas de juros mais altas nos EUA provavelmente levará a alguma depreciação em relação aos níveis atuais.

A tendência das taxas de juros na América do Sul é de queda, mas as expectativas de inflação altas na Colômbia e na Argentina para este ano estão tornando os bancos centrais mais cautelosos nesses dois países.

Melhora do crescimento, em meio a um ambiente externo favorável

A atividade no Brasil e na Argentina está mostrando alguma melhora. Indicadores recentes mostram que a economia da Argentina está saindo da recessão. No Brasil, embora seja provável um crescimento negativo do PIB no 4T16 em relação ao trimestre anterior, há sinais de melhora da atividade na margem: a produção industrial aumentou pelo segundo mês consecutivo em dezembro, nosso índice de difusão provavelmente atingiu seu nível mais alto desde 2012, e os indicadores de confiança de empresários e consumidores estão subindo.

A situação das demais economias da região é menos animadora. O crescimento tem ficado em torno do potencial no México, mas deve desacelerar devido à incerteza sobre o protecionismo. Enquanto isso, a atividade no Chile e na Colômbia continua moderando.

O ambiente externo tem se mantido favorável aos mercados emergentes (México é uma clara exceção), apesar dos altos riscos políticos nas economias desenvolvidas. O crescimento sólido nos EUA, o aumento dos preços das commodities e o adiamento dos aumentos de juros nos EUA vêm levando a uma apreciação cambial adicional desde o início do ano. Recentemente, ampliamos nosso Índice Itaú de Ambiente de Mercado para outros países da região (México, Chile, Colômbia e Peru), e é possível observar uma melhora nas condições financeiras desde o início do ano para todos os países, exceto o México.

Conforme o Fed, banco central dos EUA, aumenta as taxas de juros (esperamos três aumentos de 0,25 ponto percentual antes do fim deste ano), é provável que haja algum enfraquecimento das moedas latino-americanas em relação aos níveis atuais.

Esperamos recuperação econômica este ano, impulsionada pelo Brasil e pela Argentina. No Chile e na Colômbia, vemos recuperações mais modestas e sujeitas a maior incerteza, dada a decepção dos números recentes. No Peru, antecipamos um crescimento estável entre este ano e o próximo, uma vez que esperamos recuperação da demanda interna compensando a desaceleração da produção do setor de mineração. No México, continuamos esperando desaceleração, induzida pela incerteza sobre o protecionismo.

Taxas de juros caindo, porém mais gradualmente em Colômbia e Argentina

A inflação vem caindo mais rapidamente do que o esperado na América do Sul. Nosso Índice Itaú de Surpresas Inflacionárias permaneceu em território negativo em janeiro (portanto, compatível com uma inflação abaixo do esperado), apesar da deterioração das perspectivas para a inflação no México (afetadas por uma moeda mais fraca e pela alta de preços da gasolina). Taxas de câmbio mais bem-comportadas e hiatos do produto negativos estão reduzindo o ritmo de aumento dos preços ao consumidor.

Nesse contexto, continuamos esperando taxas de juros mais baixas em Brasil, Chile, Colômbia e Argentina. No entanto, na Colômbia e na Argentina as expectativas de inflação acima da meta para este ano estão tornando os bancos centrais mais cautelosos na implementação estímulo monetário. Portanto, a data dos próximos cortes de juros é dependente dos dados. No México, serão necessários novos aumentos das taxas de juros para evitar efeitos secundários decorrentes do enfraquecimento da moeda e da alta dos preços da gasolina.


 

Para os demais textos, acessar o pdf em anexo.

 



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