Itaú BBA - Recessão global e suas consequências

Macro Latam Mensal

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Recessão global e suas consequências

Abril 7, 2020

Em decorrência da evolução do surto de coronavírus, reduzimos nossas projeções de crescimento mundial e nos EUA, Europa, China e LatAm.


Para os demais textos, acessar o pdf em anexo.

 

Economia global
Os efeitos da pandemia pioram, e os riscos permanecem com viés de baixa 
Revisamos nossa projeção de crescimento global para -1,1%, de -0,4%, dada a disseminação mundial do coronavírus, as medidas tomadas para conter o surto e o impacto econômico emergente. As respostas de política econômica podem mitigar parcialmente a piora das condições financeiras e os impactos de uma paralização repentina na atividade econômica, mas os efeitos (embora temporários) tendem a ser graves.

Brasil
Choques mais profundos em meio a mais incerteza
Em um cenário de contração econômica e expectativas de inflação mais baixas, o banco central provavelmente reduzirá a taxa básica de juros (Selic) para 2,5% a.a. em 2020, apesar da depreciação cambial recente. Do lado fiscal, esperamos déficits temporariamente maiores para financiar as medidas de combate aos impactos do coronavírus. Mas a magnitude do choque é tal que a recessão de 2020 será mais profunda do que a de 2009.


 


Recessão global e suas consequências 

Revisamos nossas projeções de crescimento do PIB para -1,1% de -0,4% a nível global; para 2,5% de 3,3% na China; para -3,2% de -2,2% na Europa; para -1,5% de 0,1% nos EUA; e para -3,5% de -2,2% na América Latina.

Nossa revisão de cenário decorre da evolução do contágio de coronavírus em escala global, bem como das respostas de saúde pública que estão sendo adotadas. Os eventos das últimas semanas mostram que, pelo menos na fase de disseminação rápida da pandemia, as autoridades estão priorizando naturalmente a saúde pública, por meio de medidas de distanciamento social que afetam a atividade econômica. Os processos de isolamento tendem a variar amplamente em termos de intensidade, entre países e até mesmo dentro dos países, mas tendem a ser mais uniformes em termos de duração, pelo menos quatro semanas, ou períodos mais longos se o número de casos continuar a crescer. 

O surto de coronavírus e, em menor grau, os preços mais baixos do petróleo ainda estão levando a uma deterioração acentuada dos preços de ativos na América Latina. A atividade econômica na região provavelmente cairá 3,5% este ano, uma vez que as medidas de distanciamento social, necessárias diante da pandemia, devem causar um colapso do PIB no segundo trimestre. Níveis elevados de dívida pública devem limitar a resposta fiscal, mas os países parecem resignados a conviver com níveis mais altos de dívida por algum tempo, e uma flexibilização adicional de política monetária está em andamento. Embora o surto de coronavírus represente, pelo menos inicialmente, principalmente um choque de oferta, a política monetária deve ser (e está sendo) usada para aumentar a probabilidade de normalização da demanda assim que o surto for superado. No entanto, o enfraquecimento acentuado das moedas observado na América Latina está impedindo uma resposta ainda mais agressiva e rápida. De qualquer forma, cortes adicionais nas taxas de juros são prováveis. Esperamos um crescimento forte do PIB em 2021, principalmente devido a um efeito base favorável (de fato, esperamos normalização já durante o segundo semestre de 2020). 

No Brasil, reduzimos nossa projeção de crescimento para -2,5% em 2020 (de 1,8% antes do início da pandemia), devido aos efeitos negativos do choque no primeiro semestre do ano. Dado que esperamos um impacto grave, mas temporário, revisamos nossa estimativa para 2021 para 4,7%. O real provavelmente permanecerá sob pressão nos próximos meses, mas vemos espaço para apreciação no final do ano, à medida que o choque diminua, e projetamos que a moeda terminará 2020 em 4,60/USD (4,15 anteriormente) e 2021 em 4,15/USD (sem alteração). Com a queda dos preços dos combustíveis e a piora acentuada da atividade econômica no primeiro semestre do ano, revisamos nossa projeção de inflação para 2020 para 2,7%, de 2,9%, e mantivemos a projeção de 2021 em 3,3%. Neste cenário, vemos espaço para o banco central reduzir as taxas de juros de forma mais agressiva em resposta ao choque: esperamos que a taxa Selic seja reduzida para 2,5% a.a. no final de 2020 e termine 2021 em 3,0% a.a. Do lado fiscal, esperamos temporariamente um déficit primário muito maior em 2020 (8,0% do PIB, comparado a 3,1% anteriormente), a fim de acomodar mais medidas de combate aos impactos do coronavírus. É importante ressaltar nossa expectativa de que o aumento do déficit observado em 2020 seja temporário, caso contrário, a margem para flexibilização monetária adicional seria limitada ou, em um cenário extremo, anulada.


 


Economia global
Os efeitos da pandemia pioram, e os riscos permanecem com viés de baixa 

• Com o aumento da disseminação do coronavírus e das medidas de isolamento social nos EUA, Europa e mercados emergentes, revisamos nossas projeções de crescimento do PIB para -1,1% de -0,4% globalmente; para 2,5% de 3,3% na China; para -3,2% de -2,2% na Europa; para -1,5% de 0,1% nos EUA; e para -3,5% de -2,2% na América Latina.

• Respostas de política econômica consideráveis em países desenvolvidos devem apoiar uma recuperação do PIB no 2S20, mas apenas se as respostas de políticas de saúde forem capazes de lidar melhor com o vírus. Até lá, os riscos permanecerão enviesados para baixo, dado que a duração da pandemia é incerta e a desordem econômica resultante está aumentando. 

• América Latina: os mercados emergentes e a região têm menos espaço de política econômica para responder à pandemia e, portanto, enfrentam maiores riscos.


Para os demais textos, acessar o pdf em anexo.

 



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