Itaú BBA - Perspectivas de crescimento global seguem positivas

Macro Latam Mensal

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Perspectivas de crescimento global seguem positivas

Abril 13, 2017

Perspectivas para a economia global continuam favoráveis, com uma aceleração disseminada dos indicadores de atividade.

Para os demais textos, acessar o pdf em anexo.

Economia global
Perspectivas para a economia global continuam favoráveis
A tendência de crescimento global continua positiva, com uma aceleração disseminada dos indicadores de atividade.

América Latina
Condições financeiras e crescimento econômico permanecem desvinculados
O ambiente global continua favorável para os ativos latino-americanos. Mesmo assim, a atividade econômica segue fraca na América do Sul, mas ainda resistente no México.

Brasil
Inflação em queda, aceleração de cortes
Reduzimos a projeção para o IPCA deste ano de 4,1% para 3,9%. Com inflação em queda, corrente e esperada, o BC acelerou o ritmo de corte dos juros para 1.00 p.p.

Argentina
BC reage à inflação mais alta
Não houve avanços no processo de desinflação, apesar da taxa de câmbio mais favorável. O banco central aumentou os juros diante das expectativas de inflação mais elevadas, e atento às negociações salariais em curso.

México
Perspectivas mais otimistas
As incertezas sobre as relações comerciais com os EUA permanecem, embora tenham registrado recentemente alguma diminuição. Revisamos nossa projeção de crescimento do PIB de 2017 para 1,8% (de 1,6%).

Chile
Banco central cauteloso
O banco central sinalizou apenas mais um corte de 0,25 ponto percentual (p.p.) nos juros. Esperamos dois cortes adicionais neste ano, levando a taxa de juros para 2,5%, devido à atividade fraca e a queda da inflação.

Peru
As consequências do “El Niño Costeiro”            
Inundações e deslizamentos de terra vêm causando destruições que impactam fortemente a atividade e pressionam a inflação. Revisamos nossa projeção de crescimento do PIB para 2017 de 3,8% para 3,3%.

Colômbia
Riscos de baixa para atividade
O ano começou fraco em termos de atividade, diante da piora do mercado de trabalho e do cenário de produção petrolífera menos favorável. Esperamos uma recuperação modesta do crescimento de 2% em 2016 para 2,3% neste ano, porém com riscos de baixa.

Commodities
Queda de preços das commodities não é sinal de fraqueza da economia global
Os preços das commodities caíram em março, mas o movimento foi causado por fatores específicos e não é sinal de fraqueza da economia global.


Perspectivas de crescimento global seguem positivas

A tendência positiva do crescimento global continua, diante da alta dos indicadores de atividade. Nos EUA, nossa análise mostra que decepções adicionais com a agenda do presidente Trump representam riscos limitados para a economia e para os preços dos ativos. Esperamos aceleração do crescimento nos EUA no segundo trimestre. Na Europa, todas as atenções se voltam para a eleição presidencial na França, que é o principal risco de curto prazo para a economia mundial. O crescimento segue firme na zona do euro. Na China, a perspectiva para a atividade economica permanece estável.

O ambiente global segue favorável para os ativos latino-americanos e o desempenho do peso mexicano superou o de seus pares. Todavia, a atividade econômica continua fraca na América do Sul, mas segue resiliente no México. Reduzimos nossas projeções de crescimento neste ano para Peru, Chile e Colômbia, mas elevamos a estimativa para o México. Há um viés de flexibilização monetária na maioria dos países sul-americanos e, no México, houve redução do ritmo de alta dos juros.

No Brasil, o PIB deve registrar crescimento positivo no 1T17 devido à alta da produção agrícola. Do lado fiscal, a tramitação da reforma da Previdência continuará em abril. Esperamos aprovação na Câmara dos Deputados no segundo trimestre. Mantivemos nossas projeções de taxa de câmbio em 3,35 reais por dólar ao fim de 2017 e 3,45 ao fim de 2018. Reduzimos a projeção para o IPCA deste ano para 3,9% (antes, 4,1%). Para 2018, mantivemos nossa projeção em 3,8%. O banco central acelerou o ritmo de corte de juros para 1,00 p.p. Esperamos que a taxa Selic encerre 2017 em 8,25%.


Economia global

Perspectivas para a economia global continuam favoráveis

A tendência de crescimento global continua positiva, com uma aceleração disseminada dos indicadores de atividade. 

Nos EUA, uma nova decepção com a agenda do governo de Donald Trump adiciona riscos limitados para a economia e para os preços de ativos. Esperamos que o crescimento acelere no 2T17.

Na Europa, a atenção está voltada para as eleições francesas, que representam um risco de curto prazo importante para a economia global – há também um aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio e na Ásia. Enquanto isso, o crescimento continua sólido na zona do euro. 

As perspectivas para a China permanecem estáveis. 

A queda nos preços dos metais não é um sinal de enfraquecimento da economia global.

Os indicadores de atividade permaneceram sólidos em março

O ciclo de manufatura permaneceu favorável em março. A sondagem industrial global (PMI, na sigla em inglês) aumentou para 54,6 no mês, vindo de 54,5 em fevereiro. O aumento dos últimos meses foi disseminado nas principais regiões (EUA, Europa, China, Japão, mercados emergentes ex-China – ver gráfico).

EUA – Melhora nos fundamentos limita riscos de decepções com a agenda do governo Trump

Acreditamos que o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA acelerará para 3% no 2T17 em relação ao trimestre anterior, taxa anualizada e ajustada para sazonalidade, de 1,5% no 1T17. A aceleração provavelmente decorrerá de uma recuperação do consumo no 2T17, diante do aumento da renda e da riqueza. A fraqueza do consumo no 1T17 foi, em nossa visão, transitória e explicada pelo menor consumo de energia em um inverno ameno e por problemas de ajuste sazonal.

Poderia uma nova decepção com a implementação da agenda do presidente Trump prejudicar a economia e os preços dos ativos norte-americanos? Ainda esperamos que Trump implemente um estímulo fiscal de 1% do PIB no 2S17. Mas qual seria o tamanho do risco caso tais medidas não sejam aprovadas no Congresso?

De fato, a confiança dos consumidores parece alta quando comparada aos fundamentos. Os salários e a riqueza financeira justificam um alto nível de confiança. Mas nossos modelos indicam que o atual nível de confiança dos consumidores está alto quando comparado a esses fundamentos (ver gráfico), indicando um excesso de otimismo das famílias.

Por outro lado, a confiança dos empresários não parece excessiva, e reflete principalmente a melhora na economia global. De fato, o aumento no índice de manufatura do Instituto para Gestão de Oferta (ISM, na sigla em inglês) dos EUA seguiu de perto o aumento dos índices PMI de manufatura globais (ver gráfico).

Considerando todos esses fatores, estimamos que uma correção do excesso de otimismo relacionado à agenda do governo Trump reduziria nosso Índice de Atividade Corrente (IAC) para 3%, de 4% (ver gráfico). Esse índice costuma acompanhar bem o crescimento do PIB e disparou para além de 4% após a vitória de Trump em novembro. Deve-se notar que uma queda para 3% ainda representa um ritmo sólido e está em linha com a nossa a projeção de que o PIB acelerará para 3,0% no 2T17, encerrando 2017 em 2,3%.

De acordo com essa análise, o crescimento do PIB norte-americano permaneceria acima de 2%, mesmo sem qualquer estímulo fiscal. 

Mas como reagiriam os preços de ativos? Nossa análise econométrica indica que os spreads de crédito de juros altos e o índice de ações S&P refletem, em parte, a expectativa de crescimento maior à frente. Mas o impacto de eventuais decepções parece limitado.

De acordo com nossa análise, se o IAC cair de 4% para 3%, os spreads de crédito de juros altos (medidos pelo índice CDX HY) subiriam cerca de 40 pontos-base (p.b.) e o S&P 500 cairia menos do que 5%. Acreditamos que uma correção dessas magnitudes resultaria em um aperto modesto das condições financeiras nos EUA.

Continuamos projetando o crescimento do PIB dos EUA em 2,3% e 2,4% para 2017 e 2018, respectivamente. A análise acima sugere que, dada a dinâmica em curso e as condições financeiras ainda favoráveis, uma eventual incapacidade do governo Trump de implementar um estímulo fiscal representa apenas um risco de baixa modesto para essas projeções.

Europa – Atenção voltada para as eleições francesas

À medida que nos aproximamos do primeiro turno das eleições francesas em 23 de abril, os mercados devem se tornar voláteis, com os investidores se protegendo de um resultado negativo.

O risco de um segundo turno entre o candidato de extrema-esquerda, Jean-Luc Mélenchon, e a candidata de extrema direita, Marine Le Pen, vem crescendo. Mélenchon vem subindo de maneira estável nas pesquisas, após atuações convincentes nos debates ao vivo (ver gráfico). Um segundo turno entre Le Pen e Mélenchon seria desfavorável ao mercado. Além de Mélenchon ser o candidato menos competitivo contra Le Pen, seu programa econômico não é favorável ao mercado: entre outras coisas, propõe que o Banco Central Europeu (BCE) seja autorizado a financiar governos. O risco de um segundo turno entre Mélenchon e Le Pen é motivado pelo fato de que, segundo os pesquisadores, a fidelidade dos eleitores de Emmanuel Macron é uma das mais baixas entre os candidatos presidenciais (Le Pen: 79%, Fillon: 74%, Mélenchon: 60%, Macron: 55%, Hamon: 41%).

No entanto, nosso cenário base é que Le Pen e Macron avancem para o segundo turno, e que este último vença as eleições. Macron tem ficado consistentemente acima de Le Pen em 20 p.p. nas pesquisas de segundo turno.

Se as eleições francesas não trouxerem uma surpresa negativa, as perspectivas para a Europa devem melhorar para o restante do ano. Os dados atuais apontam para um crescimento do PIB de 0,5% sobre o trimestre anterior no 1T17. Sem um choque político, é provável que esse ritmo continue com a melhora das condições financeiras, políticas fiscais ligeiramente expansionistas e um entrave externo mais moderado. Apesar dessa melhora das perspectivas, o BCE deverá manter sua postura acomodatícia por ora. Mas esperamos que sua orientação caminhe gradualmente para uma avaliação neutra do balanço de riscos. Isso seria uma forma de preparar o terreno para remover o estímulo no fim do ano.

Além disso, o apoio aos europopulistas parece ter atingido seu pico e pode cair à frente. Em um estudo recente, argumentamos que a recuperação econômica, a redução do desemprego e o menor número de pedidos de asilo devem reduzir o apoio aos partidos populistas e eurocéticos à frente. No entanto, a situação específica de cada país ainda apresenta riscos (ver Macro Visão: O Europopulismo foi interrompido?)

Mantemos nossas projeções de crescimento do PIB para a Europa em 1,6% e 1,3% para 2017 e 2018, respectivamente. Avaliamos que há riscos de alta para a nossa projeção caso a eleição francesa de fato não traga uma surpresa negativa.

Japão – Bom começo de ano para a economia

A economia do Japão está mostrando sinais de melhora. A lenta melhora dos dados subjetivos, em linha com a produção industrial forte e um iene fraco impulsionando as exportações (embora com defasagem), apoia nossa visão de que a economia japonesa deverá crescer mais rapidamente do que sua taxa potencial este ano. Além disso, um aperto no mercado de trabalho o desemprego caiu para 2,8% em fevereiro deve ajudar o consumo à frente.

Não esperamos mudanças nas políticas de estímulo do Banco do Japão (BoJ, na sigla em inglês) pelo menos até o núcleo do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) atingir 1,0% sobre o ano anterior. O BoJ vem repetidamente reforçando seu compromisso com a estratégia de QQE com Controle da Curva de Juros, que envolve manter a taxa de juros de curto prazo em -0,1% e a meta da taxa de juros de 10 anos em “torno de 0,0%”. É importante notar que o BoJ pode querer reduzir o ritmo de compras, que estão atualmente em 80 trilhões de ienes por ano, com o objetivo de evitar a escassez de títulos. Isso estaria em linha com a flexibilidade fornecida pela nova estrutura de política monetária, e não deve ser visto como aperto.

Mantemos as nossas projeções de crescimento do PIB para o Japão em 1,4% em 2017 e 1,0% em 2018.

China – Crescimento segue estável

A atividade econômica na China permaneceu estável em março. O índice PMI oficial subiu para 51,8, avançando para seu nível mais alto desde julho de 2014. O índice PMI do Caixin, caiu de 51,6 para 51,2, mas continua em um patamar elevado (ver gráfico). Projetamos o crescimento do PIB em 6,8% sobre o ano anterior (o mesmo ritmo registrado no 4T16), ao passo que o crescimento do PIB nominal provavelmente acelerou para 11,6% na mesma comparação (ante 9,6% no 4T16), diante da alta do índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês).

Ainda esperamos que o crescimento econômico na China enfraqueça no 2S17, diante das medidas de aperto adotadas pelo governo. Em primeiro lugar, o governo iniciou uma mudança na política monetária no fim de setembro de 2016, por meio da implementação de medidas macroprudenciais para desacelerar o setor imobiliário. Em segundo lugar, o banco central aumentou diversas taxas de juros no início de 2017. Apesar do objetivo dos movimentos ser conter riscos financeiros, o aperto monetário ainda cria alguns ventos contrários para a atividade.

Projetamos um crescimento do PIB de 6,4% para 2017, com uma desaceleração no 2S17, e crescimento de 5,8% para 2018. 

Commodities – Queda dos preços de commodities não é sinal de fraqueza da economia global

O Índice de Commodities Itaú (ICI) caiu 3,1% desde o fim de fevereiro. 

Os preços agrícolas caíram 4,3% devido à safra de soja mais forte nos EUA e à demanda de açúcar mais fraca da Índia. Reduzimos nossas projeções de preços para ambas as commodities. No entanto, aumentamos nossas projeções de preços para milho e trigo, tendo em vista as safras menores nos EUA e a maior probabilidade de uma anomalia relacionada ao El Niño no Oceano Pacífico a partir do 2T17.

Nosso subíndice ICI de metais caiu 7,4%, com uma queda de 15% nos preços do minério de ferro. No momento, acreditamos que essa queda reflete os altos estoques de minério de ferro, e não uma demanda global fraca. De fato, nosso índice de atividade relacionada a metais na China provavelmente permaneceu em nível sólido em março (ver gráfico). No entanto, continuamos esperando que os preços do minério de ferro caiam para US$ 55/ton no fim do ano (o que implica uma variação de mais de 25% em relação aos níveis atuais), influenciados principalmente pela atividade chinesa mais fraca no 2S17.

O subíndice ICI de energia recuou 2,6% em março, mas ganhou 4,1% desde então, com ambos os movimentos impulsionados pelos preços do petróleo. Apesar da queda observada no início de março, os preços retornaram ao intervalo de US$ 50-55/bbl com cumprimento quase total do acordo da OPEC, em linha com o nosso cenário.

Olhando à frente, esperamos que o ICI caia 4,0% em relação ao seu nível atual no fim de 2017. De acordo com as nossas projeções, a queda decorrerá principalmente dos preços mais baixos dos metais (apesar da revisão para cima das nossas estimativas de preços agrícolas).

 


América Latina

Condições financeiras e crescimento econômico permanecem desvinculados

• O ambiente global continua favorável para os ativos latino-americanos, e o desempenho do peso mexicano superou o de seus pares.

• A atividade econômica segue fraca na América do Sul, mas ainda resistente no México. Reduzimos nossas projeções de crescimento neste ano para Peru, Chile e Colômbia, mas subimos a estimativa para o México.

• Há viés de flexibilização monetária na maioria dos países sul-americanos com exceção da Argentina, que subiu a taxa de juros, e do México, em que houve redução do ritmo de elevação dos juros.

O ambiente global continua favorável para os ativos latino-americanos. O peso mexicano e o spread do crédito soberano do México superaram o desempenho de seus pares em março, com a adoção de uma postura mais construtiva pelo governo dos EUA em relação ao Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta). No fim de março, o peso estava 15% acima do seu nível mais fraco, atingido em meados de janeiro. Preços mais altos das commodities, crescimento global mais robusto e juros baixos também estão beneficiando os ativos de outros países da região. Nosso Índice Itaú de Ambiente de Mercado confirma que as condições financeiras melhoraram no México (migrando para território positivo) e permanecem favoráveis para o resto da região.

Seguimos esperando alguma depreciação das moedas latino-americanas neste ano, diante do aperto gradual da política monetária pelo Fed, o banco central dos EUA. Mas agora nossa projeção é de um peso mexicano mais apreciado do que no cenário anterior.

A atividade econômica continua fraca na América do Sul. A greve de trabalhadores da mineração agravou o quadro de atividade no Chile. E mesmo excluindo a mineração, o crescimento da economia chilena tem sido ruim. Na Argentina, houve retomada da atividade no quarto trimestre de 2016, mas com solavancos (recentemente, as proxies mensais de PIB caíram na comparação mensal) e desequilíbrios (consumo e investimentos continuaram diminuindo na margem, no quarto trimestre do ano passado). No Peru, o “El Niño Costeiro” vem causando impactos adversos sobre o crescimento econômico. No Brasil, a economia ainda estava em recessão durante o último trimestre de 2016, mas a forte produção agrícola e o avanço adicional dos níveis de confiança indicam variação trimestral positiva no primeiro trimestre deste ano. Por outro lado, no México, há sinais de deterioração da demanda interna desde a eleição de Donald Trump à presidência dos EUA, mas a piora tem sido menor do que esperávamos inicialmente, mantendo a forte herança estatística para este ano.

Nosso Índice Itaú de Surpresa conta uma história parecida. O indicador caiu de -0,05 em fevereiro para -0,06 em março (veja o relatório completo aqui). O Brasil sofreu outro revés, mas mudanças metodológicas em alguns dos principais indicadores exigem cautela na interpretação dos resultados. De fato, excluindo as séries modificadas, o índice agregado teria passado para território positivo. O México se destacou com resultados positivos. As surpresas negativas predominaram nas economias andinas, apesar da melhora para Chile e Peru em fevereiro.

Reduzimos as projeções de crescimento neste ano para Peru, Chile e Colômbia, mas elevamos a projeção para o México. Na Argentina, consideramos equilibrados os riscos para nossa estimativa (antes, enxergávamos riscos de alta).

Em alguns países, a dinâmica de inflação tornou-se mais desafiadora. Na Colômbia, embora a inflação em 12 meses continue caindo rapidamente, as métricas de inflação subjacentes estão menos bem comportadas. Não se sabe, porém, se isso se deve à inércia ou à elevação do imposto sobre valor agregado. No Peru, o “El Niño Costeiro” provocou a disparada da inflação de alimentos em março, colocando em risco as expectativas de inflação. Na Argentina, o núcleo da inflação permanece elevado na margem e muito acima do teto da meta do banco central (apesar da apreciação cambial), enquanto a inflação cheia se acelera, devido aos reajustes dos preços administrados, e as expectativas de inflação aumentam ainda mais. No México, a inflação continua ultrapassando o teto da meta. Do lado positivo, a inflação no Chile segue abaixo da meta e, no Brasil, o processo disseminado de desinflação continua.

O viés de flexibilização monetária permanece na maioria dos países sul-americanos. No Chile, o banco central recentemente sinalizou mais afrouxamento (embora nossa projeção ainda seja de corte de juros maior do que a instituição sugere). Na Colômbia, o banco central reduziu a taxa básica de juros em 0,25 p.p. (terceiro corte no ciclo) e indicou que seu foco agora é cumprir a meta de inflação de 3% em 2018 (contrastando com o compromisso anterior de levar a inflação para abaixo de 4% até o fim de 2017). O banco central do Peru baixou o compulsório nos depósitos em moeda local e deu claros sinais de corte de juros, focando os impactos negativos do El Niño sobre o crescimento econômico, e não as consequências em termos de inflação. No México, o banco central reduziu o ritmo de aumento dos juros, mas o presidente do banco central do México, Agustín Carstens, declarou recentemente que, no médio prazo, as decisões de política monetária talvez não precisem acompanhar as do Fed. Por outro lado, o banco central da Argentina está mais preocupado com a inflação e elevou a taxa básica em 1,5 p.p.

Projetamos cortes de juros neste ano no Brasil, Chile, Colômbia, e agora também no Peru. No México, projetamos apenas mais duas altas após cada um dos próximos dois movimentos pelo Fed. Recentemente, estimamos regras de Taylor para Chile, Colômbia, México e Peru, que indicam espaço para posturas mais flexíveis de política monetária na região (veja o relatório completo aqui). Na Argentina, vemos risco de mais elevação dos juros no curto prazo, mas ainda esperamos que a taxa básica fique abaixo do nível atual até o fim do ano, caso o desfecho das negociações salariais em curso fique mais próximo das expectativas de inflação do que da inflação registrada em 2016, permitindo a retomada do processo de desinflação.


 

Para os demais textos, acessar o pdf em anexo.



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