Itaú BBA - Perspectivas de crescimento continuam favoráveis, mas a política monetária permanece mista na Améric

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Perspectivas de crescimento continuam favoráveis, mas a política monetária permanece mista na Améric

Dezembro 8, 2017

Ambiente externo favorável ajuda a enfrentar riscos políticos domésticos

Para os demais textos, acessar o pdf em anexo.
 

Economia global
Crescimento global sólido e juros mais altos em 2018
Apesar da política monetária global menos expansionista nos países desenvolvidos, esperamos que as condições financeiras globais permaneçam favoráveis em 2018, sustentadas pelo bom crescimento e por baixo risco de recessão.

América Latina
Ambiente externo favorável ajuda a enfrentar riscos políticos domésticos
Com normalização gradual da política monetária nos mercados desenvolvidos, as moedas da região devem sofrer alguma depreciação. Fatores domésticos podem ser fonte de volatilidade, especialmente nos países onde haverá eleições.

Brasil
Economia melhor em meio a riscos maiores
Elevamos a projeção do PIB em 2017 de 0,8% para 1,0. Para 2018 e 2019 projetamos crescimento de 3,0% e 3,7%, respectivamente, mas há riscos de baixa. Reduzimos a projeção de inflação deste ano para 2,8%. Para 2018 e 2019, projetamos inflação em 3,8% e 4,0%, respectivamente. Esperamos juros estáveis em 2018 e alta apenas em 2019.

Argentina
Congresso em atividade
O governo enviou um pacote de reformas ao Congresso, visando reduzir o déficit fiscal e aumentar a competitividade da economia. O Senado já deu sinal verde a algumas dessas iniciativas.

México
Aumentos dos juros no horizonte
Esperamos uma alta dos juros de 0,25 p.p. em dezembro, acompanhando o aumento provável dos juros pelo Fed. Além disso, dado os riscos relacionados ao NAFTA e às eleições presidenciais, acreditamos que o banco central do México optará por não se desassociar do Fed no primeiro semestre.

Chile
Corrida presidencial apertada
As pesquisas eleitorais disponíveis indicam uma margem estreita entre os candidatos. Esperamos uma taxa básica de juros estável durante os próximos meses. No entanto, a inflação baixa, e uma recuperação ainda frágil são riscos para mais cortes.

Peru
Atividade e inflação em direções opostas
Termos de troca maiores e políticas macroeconômicas expansionistas irão contribuir para o crescimento econômico em 2018. Depois de entregar o quarto corte de 0,25 p.p., esperamos que o banco central mantenha a taxa de juros inalterada em 2018.

Colômbia
Ciclo de flexibilização monetária prolongado
Os números de inflação abaixo do esperado e o crescimento ainda fraco abrem espaço para uma política monetária mais expansionista. O banco central reduziu a taxa básica de juros mais rapidamente do que o esperado e cortes adicionais são prováveis, levando a taxa básica de juros para 4,0%.

Commodities
Preços estáveis em 2018
Os preços de commodities continuaram a subir em novembro, impulsionados pelos subíndices de energia e metais. Para 2018, esperamos os preços das commodities próximo da estabilidade, à medida que o crescimento global mais forte limita os riscos de baixa, e o crescimento chinês, mais dependente do setor de serviços e consumo, limita o risco de um boom de commodities.


 


Perspectivas de crescimento continuam favoráveis, mas a política monetária permanece mista na América Latina

Em 2018, à medida em que o crescimento permanece acima do potencial nos países desenvolvidos, o hiato do produto se tornará positivo e a inflação provavelmente iniciará um processo de normalização gradual (liderada pelos EUA). Consequentemente, a política monetária global também se tornará menos acomodatícia em 2018. Com a normalização gradual da política monetária nos mercados desenvolvidos, a maioria das taxas de câmbio na América Latina pode enfraquecer moderadamente em relação ao dólar em 2018. Fatores domésticos devem desempenhar um papel importante na trajetória das taxas de câmbio, especialmente em países onde haverá eleições (Brasil, México e Colômbia). O ambiente externo favorável está ajudando a impulsionar a atividade na América Latina, e há recuperação em andamento na maioria dos países que cobrimos. Mas a política monetária continua mista na região.

No Brasil, aumentamos nossa projeção do PIB em 2017 de 0,8% para 1,0%, após incorporar uma revisão das séries históricas e os resultados do 3T17. Projetamos o crescimento em 3,0% para 2018 e 3,7% para 2019, mas vemos riscos de baixa no caso de mudanças nas perspectivas de reformas do setor público. O governo apresentou uma versão diluída da reforma da previdência, mas ainda há incerteza com relação à sua aprovação no congresso – no entanto, um último esforço para obter mais votos está ocorrendo no momento da redação deste relatório. O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic em 0,50 p.p. em dezembro e sinalizou, com certa clareza, que sua intenção é cortar a taxa Selic em 0,25 p.p. na sua póxima reunião, em fevereiro de 2018. Por ora, esperamos que o Copom corte os juros para 6,5%, em dois movimentos de 0,25 p.p., em fevereiro e março, mas reconhecemos que a ausência de progressos na agenda de reformas e de ajuste fiscal tornaria o segundo corte de 0,25 p.p. menos provável. Esperamos juros estáveis em 2018, com aumentos somente em 2019, quando a taxa Selic deve chegar a 8,0%.

Na Argentina, o governo enviou um pacote de reformas ao Congresso, visando reduzir o déficit fiscal e aumentar a competitividade econômica. O Senado já deu sinal verde a algumas destas iniciativas. No Chile, as eleições gerais devem transformar o quadro político, com as pesquisas disponíveis mostrando uma disputa acirrada demais para afirmar qual será o resultado. Esperamos uma taxa básica de juros estável no país durante a maior parte de 2018, mas a inflação baixa, juntamente com alguma preocupação relacionada à fraqueza da recuperação da atividade, significa que não pode ser descartada uma flexibilização adicional. Na Colômbia, os números de inflação inferiores ao esperado e o crescimento decepcionante abrem espaço para uma política monetária mais expansionista. O banco central da Colômbia reduziu a taxa básica de juros mais rapidamente do que o esperado, e é provável que ainda haja cortes adicionais, levando a taxa de juros para 4%. No México, esperamos um aumento de 25pb da taxa de juros em dezembro, acompanhando o provável movimento do Fed. Além disso, dados os riscos relacionados ao NAFTA e às eleições presidenciais, acreditamos que o banco central do México não optará por se desassociar do Fed no curto prazo, então é provável que haja um aumento adicional dos juros na primeira metade do ano. No Peru, os termos de troca mais altos e os estímulos advindos de políticas macroeconômicas (principalmente fiscais, mas também monetárias) tendem a impulsionar o crescimento em 2018. A desinflação segue seu curso, impulsionada pela queda dos preços de alimentos, e após o banco central entregar o quarto corte de 25pb de seu ciclo de flexibilização, esperamos que a taxa básica de juros seja mantida inalterada em 2018.

Os preços de commodities continuaram subindo em novembro, impulsionados por energia e metais. Para 2018, esperamos que os preços de commodities continuem estáveis de maneira geral, uma vez que um crescimento global mais sólido limita os riscos de queda e o crescimento da economia da China, liderado pelo consumo e serviços, limita o risco de um boom de commodities.


 


Economia global
Crescimento global sólido e juros mais altos em 2018

Esperamos que o crescimento global continue em 3,8% em 2018 (o mesmo ritmo registrado em 2017), com a expansão nos países desenvolvidos um pouco acima de 2,0%, China desacelerando de 6,8% para 6,3% e outros mercados emergentes acelerando de 3,7% para 4,2%.

Com o crescimento se mantendo acima do potencial nos países desenvolvidos, o hiato do produto se tornará positivo e a inflação deve iniciar um processo de normalização gradual (liderado pelos EUA).

A política monetária global também se tornará menos expansionista em 2018. Esperamos: i) três altas nas taxas de juros nos EUA, com riscos equilibrados; ii) o fim do programa de compra de ativos na zona do euro (mas altas de juros só em 2019) e iii) no Japão, uma alta de 0,20 p.p. na taxa de juros de 10 anos (mas sem mudanças na taxa de curto prazo).

Na China, vemos um cenário de desaceleração gradual.

Apesar da política monetária global menos expansionista, esperamos que as condições financeiras globais permaneçam favoráveis, sustentadas pelo bom crescimento e por baixo risco de recessão.

Crescimento global sólido deve continuar, inflação deve começar a se normalizar

O crescimento global provavelmente continuará forte em 2018. As condições financeiras expansionistas nos mercados desenvolvidos, a redução dos riscos políticos na Europa e as expectativas de desaceleração gradual na China estão sustentando uma recuperação global sincronizada. Esperamos que o PIB global cresça 3,8% em 2018, o mesmo ritmo registrado em 2017, com apenas uma modesta desaceleração para 3,6% em 2019 (ver gráfico).

Notamos que o crescimento se tornará mais disseminado nas economias emergentes. Apesar da desaceleração moderada (veja abaixo) prevista para a China em 2018, outros países estão apenas começando a se recuperar. Esperamos que o crescimento na América Latina acelere para 2,5% em 2018, de 1,2% em 2017. Excluindo a China, os países emergentes devem acelerar para 4,2%, de 3,7%.

Dado o crescimento melhor, acreditamos que a inflação global entrará em um processo de normalização gradual. Em primeiro lugar, o hiato do produto nas economias desenvolvidas se tornará positivo no próximo ano pela primeira vez desde a crise financeira de 2008-09. Isso deve puxar para cima o núcleo da inflação nos mercados desenvolvidos (veja o gráfico). Em segundo, as pressões deflacionárias da China estão chegando ao fim. O índice de preços ao produtor, que foi negativo entre 2012 e 2016 (média anual: -2,9%), se estabilizou em território positivo este ano (6,5%). 

EUA – Três aumentos das taxas de juros em 2018, com riscos equilibrados

Projetamos um crescimento do PIB de 2,4% em 2018, após 2,3% em 2017, uma perspectiva econômica benigna, apoiada por um modesto corte de impostos (0,6% do PIB), política monetária expansionista e perspectivas globais positivas. Para 2019, esperamos desaceleração do PIB para 2,1%, considerando o menor estímulo monetário e o hiato do produto positivo. 

O crescimento acima do potencial deve aumentar gradualmente os salários e a inflação. A taxa de desemprego deve cair abaixo de 4% em 2018, elevando os ganhos médios por hora para 3,2% no 4T18, de 2,7% no 4T17. Consequentemente, a inflação de serviços deve elevar o deflator do núcleo do consumo para 2,0% no 4T18, de 1,5% no 4T17.

Essa perspectiva econômica é consistente com a implementação do Fed, o banco central dos EUA, de um aumento dos juros em dezembro e três aumentos adicionais de 0,25 p.p. em 2018. Os mercados continuam apreçando cerca de dois aumentos dos juros em 2018. 

Consequentemente, esperamos que a taxa de juros do título de 10 anos do Tesouro dos EUA aumente para 2,9% no fim de 2019, de 2,4% no fim de 2018, patamar 0,20 ponto percentual (p.p.) acima da curva de juros do título do Tesouro norte-americano. 

Outros bancos centrais importantes, como o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco do Japão (BoJ, na sigla em inglês) devem seguir os passos do Fed. Portanto, o dólar norte-americano deve permanecer estável com relação às moedas de mercados desenvolvidos em geral – embora, no caso do Japão, as autoridades devam aumentar os juros de longo prazo, em vez da taxa de juros de curto prazo, que costumava ser mais relevante para a postura de política monetária.

Observamos riscos equilibrados para nossa perspectiva de taxas de juros do Fed em 2018.

Uma resposta não-linear dos salários a uma taxa de desemprego abaixo de 4% ou uma aceleração da produtividade poderiam exigir um quarto aumento de juros em 2018. A primeira hipótese seria negativa para os ativos de risco, já que o Fed precisaria desacelerar a economia. Mas a segunda seria positiva, uma vez que um ritmo mais rápido de aumento dos juros não ocorreria a menos que o crescimento global melhorasse ainda mais.

Em relação aos riscos de baixa, as expectativas de inflação persistentemente baixas podem ser um entrave e levar o Fed a implementar apenas dois aumentos dos juros em 2018. Nesse cenário, a taxa de desemprego ficaria ainda mais abaixo da taxa neutra, mas o Fed usaria isso para tentar aumentar as expectativas de inflação para cima. Observamos que esse cenário pode se realizar mesmo com a inflação se normalizando, pois o Fed poderia adotar, por exemplo, um regime de Meta de Nível de Preço para se preparar para a próxima recessão – este é um debate em curso no banco central.

Europa – BCE deve encerrar o “quantitative easing” (QE) em setembro de 2018, mas aumentar juros somente em 2019

O PIB da zona do euro cresceu 0,6% no 3T17 sobre o trimestre anterior, após ajuste sazonal sazonal, mantendo um ritmo de crescimento sólido. As políticas monetária e fiscal expansionistas, sinais preliminares de reformas estruturais, e uma redução do risco político estão impulsionando o crescimento da região. 

Esperamos que o PIB na região cresça 2,3%, 2,1% e 2,1% em 2017, 2018 e 2019, respectivamente.

Diante das perspectivas econômicas mais favoráveis, o banco central provavelmente encerrará seu programa de compras de ativos em 2018, mas aumentará as taxas de juros somente em 2019. Acreditamos que o maior crescimento justificará o fim do QE. No entanto, será necessário um aumento mais sustentado da inflação (o núcleo da inflação está atualmente em 0,9%) antes que o banco central eleve as taxas de juros.

Riscos políticos parecem equilibrados. É improvável que as eleições regionais da Catalunha no dia 21 de dezembro consigam reavivar a declaração de independência unilateral. As negociações do Brexit entre a União Europeia (UE) e o Reino Unido podem avançar no próximo ano. A eleição na Itália é um risco negativo importante, enquanto a possibilidade de uma reedição da Grande Coalizão (pró-Europa) na Alemanha poderia fornecer impulso à agenda pró-UE do presidente da França, Emmanuel Macron, o que seria positivo para a região.

Japão – BoJ deve seguir Fed e BCE e ajustar a política monetária em 2018

Acreditamos que o BoJ aumentará a meta para os juros dos títulos de 10 anos para 0,2% (de 0,0%) no 2S18, sem prejudicar as perspectivas positivas de crescimento e inflação. 

Com as condições financeiras atuais e uma perspectiva global positiva, esperamos crescimento do PIB de 1,4% em 2018. Esse ritmo deve seguir uma expansão de 1,8% em 2017 e manter o crescimento acima do nível potencial do país. A taxa de desemprego deve cair para 2,5% no 4T18, de 2,8% no 4T17, elevando os salários e o núcleo do índice de preços ao consumidor (excluindo alimentos e energia) para 1,0% no 4T18, vindo de 0,2% no 4T17.

Um aumento do núcleo de inflação pode elevar as expectativas de inflação e permitir um aumento na meta de juros para dez anos. O banco central indicou uma meta de manter os juros reais de 10 anos em torno de -1,0%. À medida que a inflação melhore, o BoJ provavelmente ajustará sua meta de juros de 10 anos. Em um contexto de aumentos dos juros pelo Fed e término do programa de QE pelo BCE, o aumento do BoJ não levaria a uma apreciação do câmbio. Portanto, o BoJ tentaria apenas evitar um afrouxamento adicional das condições financeiras, conforme a recuperação econômica leve a economia japonesa para perto das metas monetárias do BoJ.

China – Cenário de desaceleração gradual

A atividade econômica na China segue moderando. Em outubro, o crescimento da produção industrial caiu 0,4 p.p., para 6,2%, o investimento fixo acumulado no ano atingiu 7,3% e o crescimento das vendas no varejo desacelerou para 10,0%, na comparação contra o ano anterior. Em relação ao mercado imobiliário, as vendas e as novas construções continuaram desacelerando no mês. Em novembro, o índice de sondagem industrial (PMI, na sigla em inglês) aumentou para 51,8, permanecendo dentro de um bom intervalo e apontando para uma atividade econômica estável.

Esperamos crescimento menor em 2018, em linha com um cenário de desaceleração gradual. Em primeiro lugar, a economia está desacelerando a partir de uma posição positiva no ciclo. Em segundo, a desaceleração é resultado de uma política econômica mais contracionista, que pode ser ajustada para suavizar o processo. Em terceiro, a relação crédito/PIB continua em nível alto, mas começou recentemente a se estabilizar devido a uma regulação mais rígida focada em produtos de crédito "alternativos". Além disso, a dívida elevada está concentrada em empresas estatais, e o governo sinalizou seu foco na desalavancagem de tais empresas. Em quarto lugar, o crescimento econômico chinês atualmente é mais impulsionado por consumo/serviços e menos dependente do investimento. Finalmente, o setor imobiliário está mais equilibrado, e os estoques seguem em tendência de queda. 

Mantivemos nossas projeções de crescimento em 6,8% para 2017 e 6,3% para 2018. Para 2019, esperamos que o crescimento modere ainda mais, para 5,9%.

Mercados Emergentes – Condições financeiras globais favoráveis ajudam mercados emergentes

As condições financeiras globais mais relevantes para os países emergentes devem continuar expansionistas. Através de um método estatístico (análise de componente principais), calculamos indicadores que resumem as condições financeiras para economias desenvolvidas e em desenvolvimento. Para as primeiras, obtivemos dois fatores — um, que resume os rendimentos dos títulos soberanos (que dependem principalmente da política monetária), e, outro, para as condições de crédito, volatilidade e do mercado de ações. Concluímos que as condições mais relevantes para os mercados emergentes estão na segunda categoria, que tem se comportado bem (ver gráfico), refletindo a melhora do crescimento global e a alta de preços das commodities.

Commodities – Preços estáveis em 2018

O Índice de Commodities Itaú (ICI) subiu 2,1% desde o fim de outubro, impulsionado pelos subíndices de energia e metais. Acumulado no ano, o indicador subiu 2,7%.

Esperamos preços de commodities perto da estabilidade em 2018. O crescimento global mais forte limita os riscos de baixa para os preços das commodities, mesmo com uma desaceleração na China. Por outro lado, o crescimento chinês é hoje mais dependente do setor de serviços e do consumo e menos do investimento, o que limita o risco de um boom de commodities.

Os preços de energia subiram 2,6% em novembro, mas esperamos uma correção em relação às altas recentes. Os estoques mais baixos e a extensão do acordo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) até o fim de 2018 sustentaram os preços do petróleo em novembro. No entanto, os preços acima de US$ 50/bbl nos últimos meses já começaram a estimular o investimento em shale oil nos EUA. Em nossa visão, o preço do barril do tipo WTI na faixa de US$ 45 a US$ 50 pode estabilizar a produção nos EUA e ajudar a equilibrar o mercado em 2018 como resultado, mantemos nossas projeções em US$ 45/bbl para o WTI e US$ 47/bbl para o Brent. 

Preços de metais estáveis em 2018. O subíndice ICI de metais subiu 3,2% no mês passado, devido ao forte desempenho do minério de ferro. Esperamos que os preços de metais permaneçam próximos dos níveis registrados no fim de 2017 durante 2018. Projetamos os preços do cobre em US$ 6200/t e os preços do minério de ferro em US$ 57/t no fim do próximo ano.

Para 2018, esperamos um cenário de estabilidade para os preços agrícolas. No entanto, os riscos associados ao fenômeno climático La Niña para as regiões agrícolas na Argentina e na Região Sul do Brasil aumentaram, ampliando as chances de perdas nas safras de grãos.


 


América Latina
Ambiente externo favorável ajuda a enfrentar riscos políticos domésticos

• Com a normalização gradual da política monetária nos mercados desenvolvidos, a maioria das taxas de câmbio na região deve registrar um enfraquecimento moderado em relação ao dólar em 2018. Os fatores domésticos podem desempenhar um papel importante na trajetória das taxas de câmbio, especialmente nos países onde haverá eleições (como Brasil, México e Colômbia).

• O ambiente externo favorável está beneficiando a atividade na região, e observa-se recuperação na maioria dos países que cobrimos. Esperamos taxas de crescimento maiores em 2018 (em relação a 2017) em Argentina, Brasil, Chile, Colômbia e Peru. O México provavelmente crescerá ao mesmo ritmo estimado para este ano.

• A política monetária na região continua sem tendência clara. Os bancos centrais da Argentina e do México provavelmente apertarão a política monetária, enquanto cortes adicionais nas taxas de juros são prováveis no Brasil e na Colômbia. No Chile e no Peru, os bancos centrais ainda mantêm um viés de flexibilização, mas reduções de juros são improváveis em nosso cenário base.

O ambiente global positivo – incluindo taxas de crescimento robustas e taxas de juros baixas nos países desenvolvidos – continuou beneficiando as moedas latino-americanas em novembro. O peso mexicano apresentou desempenho superior aos pares no mês, com a última rodada de renegociação do Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta, na sigla em inglês) terminando com um tom mais positivo. Por outro lado, o peso chileno enfraqueceu em relação ao dólar, em parte devido a uma queda nos preços do cobre (para níveis ainda altos) e, em parte, por conta de incertezas no cenário político doméstico. Ainda assim, a evolução recente dessas duas moedas não deve ser interpretada como o início de uma tendência. No México, as perspectivas para o Nafta permanecem pouco claras, ainda sem acordos sobre as questões mais delicadas, e o candidato de esquerda López Obrador continua liderando a corrida presidencial. Enquanto isso, no Chile, os sólidos fundamentos macroeconômicos e a composição do novo Congresso (que tende a propostas moderadas) impedem uma depreciação cambial acentuada. 

Com a normalização gradual da política monetária nos mercados desenvolvidos, a maioria das taxas de câmbio na região irá enfraquecer moderadamente em relação ao dólar em 2018. Ainda assim, os fatores domésticos podem desempenhar um papel importante na trajetória das taxas de câmbio, especialmente em países onde haverá eleições (como Brasil, México e Colômbia). Na Argentina, a evolução da agenda de reformas e uma política monetária apertada apoiam o peso, mas o elevado déficit em conta corrente limita o espaço para apreciação adicional do câmbio real.  

O ambiente externo favorável está beneficiando a atividade na região, e observa-se recuperação na maioria dos países que cobrimos. Na Argentina, o crescimento da atividade continua ganhando força e a recuperação é disseminada entre os setores. No Brasil, o PIB do 3T17 cresceu apenas 0,1% em relação ao trimestre anterior, mas a composição é positiva, mostrando uma expansão robusta do consumo e da formação bruta de capital fixo. Por outro lado, no México, a economia enfraqueceu no 3T17, mas principalmente devido ao impacto dos desastres naturais. À frente, uma economia sólida nos EUA e um mercado de trabalho robusto devem sustentar o crescimento econômico do país em torno do potencial, já que esses fatores compensam a influência negativa que a incerteza em torno das renegociações do Nafta e da eleição presidencial tem sobre o investimento. 

Esperamos melhores taxas de crescimento em 2018 (em relação a 2017) em Argentina, Brasil, Chile, Colômbia e Peru. O México provavelmente crescerá ao mesmo ritmo que o estimado para este ano. Como é o caso das projeções cambiais, observamos que as eleições e o debate sobre as reformas são uma fonte de risco para as nossas projeções de crescimento em Brasil, Chile, Colômbia e México.  

A política monetária na região continua sem tendência clara. Os países com inflação significativamente acima do intervalo de tolerância em torno da meta provavelmente apertarão mais a política monetária. O banco central da Argentina aumentou recentemente a taxa básica de juros em 2,5 pontos percentuais (p.p.), e esperamos aumentos adicionais (de 1,0 p.p.) antes do fim do ano, uma vez que as expectativas de inflação continuam subindo no período que antecede a importante temporada de negociações salariais. No México, a inflação na margem (e sazonalmente ajustada) já recuou consideravelmente, mas está caindo mais lentamente do que o esperado. Além disso, frente às incertezas sobre o Nafta e a eleição presidencial, o banco central do México não parece pronto para se desassociar do Fed,o banco central dos EUA, e, portanto, esperamos alta de 0,25 p.p. dos juros em dezembro, acompanhando o movimento do Fed. Outro aumento de 0,25 p.p. no início de 2018 – junto com o Fed – também é provável. Enquanto isso, à medida que o crescimento decepciona e a inflação apresenta um desempenho melhor do que o esperado, o banco central colombiano continua reduzindo as taxas de juros, e esperamos três cortes adicionais de 0,25 p.p. Notamos que o elevado déficit em conta corrente, combinado à normalização da política monetária nos EUA, não está se provando uma restrição à flexibilização monetária adicional na Colômbia. No Brasil, esperamos que o ciclo de flexibilização termine no início do ano, com cortes de 0,25 p.p. em fevereiro e março, trazendo a taxa Selic para o nível mínimo histórico de 6,5%. Considerando o grande hiato do produto, não esperamos aumentos de juros antes de 2019. Evidentemente, a evolução das reformas fiscais será uma variável fundamental para a política monetária nos próximos anos. No Chile, o banco central mantém um viés de flexibilização, mas a sinalização deve ser lida como uma garantia contra desvios da atividade ou da inflação em relação ao cenário base. Nesse contexto, não esperamos cortes da taxa de juros no Chile. No entanto, como acreditamos que a incerteza em torno de reformas possa penalizar mais a confiança/crescimento do que a taxa de câmbio/inflação, não podemos descartar flexibilizações adicionais. Por fim, no Peru, o banco central provavelmente concluiu seu ciclo de cortes em novembro. Como a atividade está ganhando força, não esperamos que o banco central ofereça mais estímulos, mas – como ocorre no Chile – a inflação baixa permite que a autoridade monetária reaja caso o crescimento decepcione. Nesse sentido, o banco central ainda mantém um viés de baixa para os juros.


 

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