Itaú BBA - O rali resiste a um aumento dos juros nos EUA?

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O rali resiste a um aumento dos juros nos EUA?

Agosto 11, 2016

Um aumento de juros pelo Fed em 2016 não deve mudar o ambiente favorável para os mercados emergentes.

Para os demais textos, acessar o pdf em anexo.

Economia global
Foco volta ao Fed

Após bons resultados no mercado de trabalho, as chances de uma elevação de juros nos EUA este ano aumentaram. Mas um aumento isolado pelo Fed não deve mudar o ambiente favorável para os mercados emergentes.

América Latina
Ambiente externo ajuda bancos centrais da região

As moedas continuam apresentando bom desempenho. A evolução mais favorável das taxas de câmbio e a atividade fraca estão proporcionando alívio aos bancos centrais da região.

Brasil
Sinais mais claros de recuperação

A atividade econômica vem mostrando sinais de recuperação. No entanto, a retomada só será sustentável se as reformas fiscais propostas forem aprovadas.

Argentina
Desinflação não vem facilmente

A inflação está caindo, mas a um ritmo mais lento do que o esperado. Esperamos agora que a inflação ao consumidor termine este ano em 44%.

México
Desacelerando em meio a fundamentos mais frágeis

Os fundamentos estão piorando devido aos preços mais baixos do petróleo. O peso mexicano teve forte depreciação, influenciado também pelas incertezas sobre as eleições americanas.

Chile
Remoção do viés de alta de juros mais próxima

O banco central vem mantendo a taxa de juros inalterada desde o início deste ano. Acreditamos que esta postura continuará frente, mas não descartamos um cenário alternativo de cortes em 2017.

Peru
Ganhando tração

Após dois anos de crescimento fraco, principalmente devido à queda do investimento, a economia está acelerando em 2016. Esperamos um crescimento do PIB de 4,0% em 2017, à medida que a melhora da confiança impulsione o investimento privado.

Colômbia
Mais uma alta de juros adiante

No último relatório de inflação, o banco central expressou maior preocupação com a perspectiva de inflação. Esperamos agora uma alta final de 0,25 p.p. na taxa de juros, para 8%.

Commodities
Queda do petróleo deve ser temporária

Projetamos elevação dos preços de petróleo para US$ 50 por barril. Entendemos que o mercado precisa de uma reação dos produtores dos EUA para ficar em equilíbrio, o que só deve ocorrer de forma persistente com preços mais elevados.


 


O rali resiste a um aumento dos juros nos EUA?

Após dois meses de forte criação de emprego, aumentaram as chances de alta de juros nos Estados Unidos em 2016. Setembro parece ser cedo demais, tendo em vista o balanço de riscos, mas esperamos agora que o Fed eleve os juros em 0,25 ponto percentual em dezembro.

Os mercados emergentes vêm desfrutando de um ambiente global favorável, ainda com ampla liquidez global, e alguns sinais de recuperação econômica estão começando a aparecer. Os preços dos ativos, em sua maioria, se apreciaram, acumulando altas significativas no ano. Em nossa visão, um aumento isolado da taxa de juros pelo Fed não deve mudar esse quadro. No entanto, o movimento pode sustentar o dólar no segundo semestre de 2016, impedindo uma maior apreciação das taxas de câmbio dos mercados emergentes e ajudando a depreciar as que estão sobrevalorizadas.

Na América Latina, as moedas continuam apresentando bom desempenho, sustentadas por um ambiente global estável. A atividade na região permanece fraca, mas esperamos uma recuperação em 2017, com o Brasil e a Argentina saindo da recessão. As taxas de câmbio mais apreciadas e a atividade fraca estão favorecendo a desinflação, deixando os bancos centrais em uma posição mais confortável. A exceção é a Colômbia, onde as perspectivas para a inflação continuam bastante desafiadoras, o que nos leva a esperar um aumento final da taxa de juros em agosto. Embora a inflação permaneça baixa no México, também esperamos que o banco central aumente as taxas de juros em dezembro de 2016 (em 0,25 p.p.), em conjunto com o Fed.

No Brasil, a atividade econômica, particularmente na indústria, vem mostrando sinais de recuperação. Isso sugere que o crescimento econômico no segundo semestre poderá ser mais forte do que o esperado. No entanto, a retomada só será sustentável se as reformas fiscais propostas forem aprovadas, como o teto de gastos e a reforma da Previdência. Uma perspectiva fiscal melhor, aliada á tendência atual de queda da inflação, deve criar espaço para um ciclo de corte de juros a partir do último trimestre deste ano.


 


Economia global
Foco volta ao Fed

Após dois meses de bons resultados no mercado de trabalho, as chances de uma elevação de juros nos EUA este ano voltaram a aumentar. Setembro nos parece cedo, tendo em vista o balanço de riscos e a sinalização recente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano). Mas acreditamos agora em um aumento de 0,25 ponto percentual nos Fed Funds em dezembro.

Na Europa, o “Brexit” afetou a economia do Reino Unido, mas até o momento tem causado impacto limitado na zona do euro.

O governo japonês anunciou um pacote fiscal modesto e o Banco do Japão (BoJ, na sigla em inglês) anunciou medidas de estímulo mais leves que o esperado. Ainda assim, considerando os dados recentes, aumentamos marginalmente nossa projeção do Produto Interno Bruto (PIB) de 0,3% para 0,4%, em 2016, e mantivemos a estimativa de 0,7% para 2017. 

Os dados da China permanecem consistentes com um cenário sem mudanças relevantes frente à situação atual. Com o crescimento estável, o governo mudou seu foco para conter bolhas de preços de ativos.   

Os mercados emergentes enfrentam um ambiente favorável, com liquidez global ainda ampla, interrupção na tendência de fortalecimento do dólar, recuperação dos preços de commodities e estabilidade na China. Há sinais de retomada em algumas das principais economias emergentes ex-China.

Um aumento dos juros nos EUA não deve mudar esse quadro. No entanto, o movimento pode dar algum suporte ao dólar no segundo semestre, limitando uma apreciação adicional das moedas de mercados emergentes e ajudando a depreciar moedas sobrevalorizadas.

EUA – Foco volta ao Fed

As condições para um novo aumento da taxa de juros estão se consolidando, conforme o mercado de trabalho se fortalece, o ciclo de ajuste de estoques se aproxima de seu fim e as condições financeiras melhoram. 

O mercado de trabalho está melhorando. A criação de postos de trabalho atingiu uma média de 190 mil nos seis meses até julho. Mesmo considerando que a geração de empregos no setor público (30 mil por mês nos últimos três meses) possa estar acima do previsto, a tendência de criação de emprego parece estar em torno do limite superior das nossas expectativas (150-175 mil postos). A taxa de desemprego permaneceu em 4,9%, o que significa que a economia está próxima do pleno emprego. O crescimento dos salários vem acelerando gradualmente.

A decepção do PIB do 2T16 (1,2%, na comparação trimestral, contra nossa projeção de 2,8%) se deveu principalmente ao ciclo de estoques. O consumo continua avançando em bom ritmo. Os estoques subtraíram 1,2 p.p. do crescimento no segundo trimestre. É importante ressaltar que o consumo registrou uma expansão sólida de 4,2%, na mesma comparação.

Reduzimos nossa projeção do PIB de 1,9% para 1,5%, em 2016, mas aumentamos nossa estimativa de 1,9% para 2,1%, em 2017. Esperamos agora um crescimento mais forte no 2S16 (até 2,5%, de 2,0%, anteriormente), devido à recomposição de estoques.

As condições financeiras melhoraram além do que esperávamos desde o referendo do Brexit.  O índice S&P 500 atingiu novos picos, e os spreads de crédito corporativo permanecem baixos, apesar da queda recente nos preços do petróleo. A sustentabilidade dessa melhora, no entanto, é incerta. Os efeitos econômicos do Brexit ainda podem se espalhar pela economia mundial, e o Fed deve, em algum momento, sinalizar mudança em sua postura de política monetária.  

Os riscos ainda são de crescimento menor do que o cenário base. A economia global permanece fraca, o que poderia impactar os EUA. Internamente, o investimento não residencial recuou nos últimos três trimestres (ver gráfico) e poderia impactar a criação de empregos e o consumo. Esperamos que o investimento não residencial melhore à frente, apoiado por condições financeiras ainda frouxas, preços do petróleo e dólar estáveis. Mas esses fatores dependem da postura do Fed. Particularmente, as taxas de câmbio globais continuam muito sensíveis as mudanças nos juros dos títulos do Tesouro dos EUA (ver gráfico).  

Ao mesmo tempo, os riscos para a inflação e estabilidade financeira ainda parecem baixos. As medidas de inflação estão em trajetória de alta gradual, mas ainda em níveis modestos. O núcleo do deflator do consumo está em torno de 1,6% sobre o ano anterior, e a remuneração horária média em 2,6%, na mesma comparação. Existem alguns casos de sobrevalorização de preços de ativos; mas a alavancagem geral mais baixa no sistema financeiro reduz o risco de instabilidade sistêmica. Ainda assim, o Fed não deve permitir que outra bolha se forme tão próximo da anterior, de efeitos bastante negativos sobre a economia.  

Consequentemente, um cenário de aumento da taxa de juros em dezembro tornou-se mais provável, mas o balanço de riscos favorece a paciência e taxas de juros inalteradas em setembro. Revisamos nossa estimativa de taxas de juros inalteradas para um aumento de 25 pontos-base em dezembro, levando a taxa de juros dos Fed Funds para 0,63%. Para 2017, mantemos a expectativa de um movimento de 50 p.b. com os juros chegando a 1,13% no fim do ano. As taxas de juros provavelmente subirão, porém permanecendo em níveis historicamente muito baixos até o fim de 2017.

Europa – Efeitos do Brexit limitados ao Reino Unido, pelo menos por enquanto

Os dados iniciais mostram uma desaceleração acentuada no Reino Unido após o referendo relativo à permanência na União Europeia  A sondagem com o setor industrial (PMI, na sigla em inglês), um indicador preliminar de atividade importante, caiu para 48,2 em julho, seu nível mais baixo desde a crise do euro (ver gráfico). Em resposta, o Banco da Inglaterra cortou a taxa de juros em 0,25 p.p., para 0,25%, aumentou seu programa de compra de ativos (QE) em 70 bilhões de libras esterlinas e criou uma nova linha de crédito para os bancos. O banco central pode atuar mais nessas três frentes se os dados continuarem mostrando deterioração.

Até agora, o efeito do Brexit para a Zona do Euro parece modesto. O índice PMI de manufatura da região caiu para 52,0, em julho, de 52,8, em junho. Outros indicadores também se mostraram resilientes.

Porém, não se deve concluir que a Europa está segura. Vemos o impacto do Brexit e outros riscos na Europa como eventos de baixa frequência, que combinam fraqueza da atividade com a crescente fragmentação política. As negociações para a saída do Reino Unido da União Europeia somam-se a esses riscos. O fato de a queda no índice PMI ter sido maior na periferia do que nos países centrais (ver gráfico) é um sinal de que o choque do Brexit ainda pode se espalhar para a zona do euro.  

Mantemos nossa projeção do PIB da zona do euro em 1,5% e 1,3% para 2016 e 2017, respectivamente.

Japão – Em busca da combinação certa de estímulos

O Banco Central do Japão (BoJ) decepcionou com um pacote de estímulo mais fraco do que o esperado em julho. O banco central dobrou suas compras de fundos negociados em bolsa, mas os investidores também esperavam cortes nas taxas de juros e maior expansão do QE. De fato, há motivos para estímulos maiores, uma vez que as expectativas de inflação estão recuando, em parte, devido a apreciação do iene (ver gráfico).

O fato é que o BoJ está encontrando dificuldades para expandir sua postura já muito acomodatícia. Taxas de juros negativas podem prejudicar a rentabilidade do setor bancário, mais no Japão do que em outras regiões, e o ritmo de compra de títulos do governo pode ser insustentável.

O banco central vai publicar uma avaliação abrangente de sua política monetária em setembro. As expectativas dos investidores sobre o conteúdo dessa avaliação são variadas: desde a introdução de “políticas de distribuição por helicoptero”, em um extremo, até o abandono do QE e taxa negativa, no outro. Autoridades do BoJ esclareceram, no entanto, que a revisão abrangente visa estudar os canais de transmissão dos instrumentos de política monetária atuais para encontrar o melhor caminho para atingir a meta de inflação de 2% o mais rapidamente possível. Um sistema de câmbio administrado não está aparentemente sendo discutido, pelo menos não no debate público, mas pode ser uma maneira de apoiar-se sobre a credibilidade do Fed para chegar a uma inflação baixa, mas positiva.  

Enquanto isso, o governo anunciou um novo pacote fiscal. O tamanho total parece grande: 28 trilhões de ienes (US$ 275 bilhões; 5,6% do PIB). No entanto, o valor realizado da nova despesa é mais modesto: 7,5 trilhões de ienes (US$ 74 trilhões; 1,5% do PIB). Esperamos uma maior coordenação entre as políticas monetária e fiscal no Japão, conforme o primeiro-ministro Shinzo Abe tenta revitalizar seus planos para livrar o Japão de deflação.

Aumentamos modestamente nossa projeção do PIB de 0,3% para 0,4%, em 2016, mas mantivemos a expectativa de 0,7% para 2017.

China – Com o crescimento mais estável, governo passa a focar na contenção de bolhas de ativos

Os dados da China permanecem consistentes com um cenário de desaceleração gradual.

O investimento fixo permanece fraco (7,3% em junho sobre o ano anterior, contra 10,7% no 1T16) e representa um risco de baixa à atividade. A composição por setor mostra a mineração e a manufatura como as principais fontes de fraqueza, e apenas uma pequena parte é atribuível a setores que enfrentam excesso de capacidade (nos quais um declínio é positivo para o médio prazo). O ritmo de crescimento forte da infraestrutura e a estabilidade no setor imobiliário não foram suficientes para compensar a desaceleração na manufatura.

Mas os dados de maneira geral mostram alguma estabilidade de curto prazo no crescimento. O PIB do 2T ficou estável em 6,7% sobre o ano anterior, ligeiramente acima das expectativas. A produção industrial e as vendas no varejo em junho também surpreenderam para cima. Por fim, os índices PMI de julho vieram mistos e sugerem que a dinâmica de crescimento deverá permanecer relativamente estável ao longo do 3T16.

Com os riscos de queda contidos no momento, o governo mudou seu foco para a contenção de bolhas de ativos. O governo emitiu um comunicado prometendo conter "bolhas de ativos", sugerindo que podem ser tomadas medidas para apertar regulamentos sobre produtos de gestão de riqueza e preços de ativos (mercados imobiliário, de ações e futuros de commodities). O comunicado foi divulgado após a reunião econômica semestral do Politburo (grupo que lidera o Partido Comunista da China) e também mantém uma postura de política equilibrada em relação às reformas do lado da oferta de médio prazo (enfatizadas pelo presidente Xi Jinping) e a pressão de queda de curto prazo (destacada pelo primeiro-ministro Li Keqiang).

Mantemos nossas projeções de crescimento do PIB em 6,5%, em 2016, e em 6,0%, em 2017.

Mercados emergentes – Menos espaço para apreciação cambial

Com o foco de volta sobre o Fed, os juros dos títulos do Tesouro dos EUA devem voltar a subir, levando ao reapreçamento da probabilidade de aumentos dos juros dos Fed Funds. O mercado atualmente apreça uma probabilidade de 70% de um aumento dos juros em dezembro de 2017 (sim, 2017!). À medida que os dados confirmem que o Fed deve realmente aumentar as taxas de juros em 2016, acreditamos que os juros podem subir 0,20-0,30 p.p.

Isso deve fornecer algum apoio ao dólar e limitar o espaço para mais apreciação das moedas dos mercados emergentes. De fato, nossa análise mostra que a sensibilidade às taxas de juros norte-americanas do Dollar Index (DXY) e de uma cesta de moedas de mercados emergentes aumentou nos últimos anos (ver gráfico acima). Tal fato decorre, provavelmente, de taxas de juros zero ou negativas, aumento da alavancagem corporativa nos mercados emergentes, crescimento global fraco e falta de tendência dos preços de commodities. No momento, estimamos que um aumento de 1 p.p. nas taxas de juros norte-americanas levaria a um aumento de 8% no dólar contra as moedas de mercados desenvolvidos (medidas pelo DXY) e também as moedas de mercados emergentes.

Dentro dos mercados emergentes, as moedas da América Latina e da região da CEMEA (acrônimo de Central and Eastern Europe, Middle East and Africa) são mais sensíveis às taxas de juros norte-americanas do que as asiáticas. Vale notar, contudo, que a sensibilidade diminuiu na América Latina (ver gráfico), provavelmente refletindo algum avanço no ajuste externo na região (por exemplo, no Brasil).

Commodities - Preços do petróleo devem se recuperar à frente

O Índice de Commodities Itaú (ICI) caiu 4% desde o fim de junho, puxado pela queda nos preços agrícolas (-5%) e nos preços relacionados ao petróleo (-9%). Os preços dos metais se moveram na direção oposta, subindo 4,2% durante o mesmo período.

Esperamos que os preços do petróleo se recuperem no fim de 2016 (Brent: US$ 52/por barril; WTI: US$ 50/por barril), tendo em vista que o mercado parece ter reagido de forma exagerada ao fluxo de notícias.  O saldo do mercado de petróleo foi deficitário no 2T16, após vários trimestres de superávit amplo, levando os preços a ultrapassar US$ 50. A queda dos preços do petróleo observada desde meados de junho foi motivada pelas expectativas de que vários choques de oferta e demanda levariam o mercado de volta a um excesso de oferta no 2S16. Em nossa visão, isto é um erro e a situação geral do setor não mudou: após o corte profundo no investimento e na oferta, os produtores norte-americanos de xisto precisam agora aumentar a oferta para que o mercado global de petróleo permaneça equilibrado no quarto trimestre de 2016. Não vemos sinais de que essa reação será forte o suficiente, com os preços do petróleo a US$ 40. É mais provável que os preços precisem se aproximar de US$ 50 para que uma reação consistente ocorra.

Mantemos o sentimento baixista em relação aos preços dos metais, já que a demanda permanece fraca e a capacidade da oferta continua subindo. Revisamos para cima nossas projeções de preços no fim de 2016 para o minério de ferro (para US$ 45/t, de US$ 42/t) e alguns metais básicos, reconhecendo riscos de oferta no mercado de níquel (que podem se prolongar e afetar outros metais básicos) e uma forte demanda aparente por aço na China. Mas nossas projeções ainda implicam uma correção nos preços no 2S16.  

Os preços agrícolas caíram devido a condições climáticas melhores do que o esperado nos EUA. O clima favorável reverteu a especulação anterior de que uma seca ou uma onda de calor reduziriam o rendimento das safras no país. Reduzimos nossas projeções de preços para milho, soja e trigo, incorporando a oferta mais forte.

Nosso cenário implica que o ICI aumentará 2% em relação aos níveis atuais, com os preços agrícolas subindo 1%; os preços de energia, 13%; e os preços dos metais diminuindo 12%. Isso significa que o índice ficará 15% acima do nível registrado no ano anterior. 


 


América Latina
Ambiente externo ajuda bancos centrais da região

O ambiente favorável para as moedas latino-americanas continua. À medida que o Fed retomar o aumento das taxas de juros (em dezembro de 2016), é provável que ocorra alguma depreciação das taxas de câmbio em relação aos níveis atuais, porém bem menor do que o enfraquecimento observado ao longo dos últimos dois anos. 

A atividade na região permanece fraca, mas esperamos recuperação em 2017, com o Brasil e Argentina saindo da recessão.

A evolução mais favorável das taxas de câmbio e a atividade fraca estão favorecendo a desinflação, proporcionando alívio aos bancos centrais regionais. A exceção é a Colômbia, onde as perspectivas para a inflação continuam desafiadoras, levando-nos a esperar mais um aumento adicional da taxa de juros em agosto, antes do fim do ciclo de aperto. Embora a inflação permaneça baixa no México, esperamos agora que o banco central suba a taxa de juros novamente em dezembro de 2016 (em 0,25 ponto percentual), juntamente com o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA). No Brasil, continuamos esperando um ciclo de corte de juros a partir de outubro.  

O ambiente favorável para ativos de risco continua

As economias latino-americanas continuam se beneficiando de um ambiente externo melhor, com política monetária expansionista nas principais economias, alguma recuperação dos preços das commodities e menor incerteza sobre a China. No entanto, após dois meses de forte criação de emprego nos EUA, as chances de elevação da taxa de juros pelo Fed aumentaram. Esperamos agora que o Fed aumente os juros em 0,25 p.p. em dezembro (e continuamos esperando dois aumentos dos juros em 2017) e que ocorra alguma depreciação das moedas latino-americanas em relação aos níveis atuais. A exceção é o peso mexicano. Apesar de reconhecermos que os fundamentos macroeconômicos do México estão mais frágeis, acreditamos que a desvalorização da moeda tenha sido excessiva e indevidamente influenciada pelas incertezas com relação às eleições nos EUA. Sendo assim, esperamos apreciação à frente. Uma maior recuperação dos preços do petróleo, associada a uma menor probabilidade de vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais dos EUA, poderia desencadear uma reversão parcial da tendência de enfraquecimento.   

Ainda à espera da recuperação

A atividade na região enfraqueceu no 2T16. Na Argentina e no Brasil a recessão se aprofundou. Na Colômbia, a economia está agora sentindo mais claramente o impacto negativo dos preços mais baixos do petróleo, que vem prejudicando a atividade através de políticas fiscal e monetária mais apertadas e salários reais mais baixos, além do fato de as empresas de petróleo estarem cortando investimentos. No Peru, onde a economia está se recuperando em relação a 2015, também houve uma desaceleração em relação ao 1T16, com a produção mineira e o investimento público perdendo ímpeto. Embora o México não seja exatamente um exportador de commodities, os preços baixos do petróleo também estão afetando negativamente a economia, principalmente ao forçar o governo a reduzir os gastos para compensar a queda das receitas provenientes dessa commodity. Por fim, no Chile, a atividade caiu na margem entre o primeiro e o segundo trimestre deste ano: além do enfraquecimento dos termos de troca, a incerteza sobre as reformas internas estão pesando negativamente sobre a confiança e o investimento.

Esperamos recuperação da atividade em 2017. A Argentina e o Brasil provavelmente sairão da recessão. De fato, na Argentina, esperamos uma melhora na margem já no segundo semestre, já que os salários reais estão melhorando, e o ambiente mais favorável aos negócios aliado ao  acesso a mercados de capitais internacionais devem impulsionar o investimento. No Brasil, a confiança está se recuperando em conjunto com outros indicadores antecedentes. De fato, com as reformas fiscais, o crescimento no Brasil no próximo ano pode ser maior do que estamos esperando atualmente (1,0%, em 2017). No Peru, projetamos um crescimento ligeiramente maior no próximo ano também em virtude dos desdobramentos políticos. Desde a eleição de Pedro Pablo Kuczynski (PPK), a confiança está em alta, com potencial de impulsionar o investimento privado. A recuperação em curso da indústria norte-americana deve aumentar as exportações de manufaturados do México, mais do que compensando a desaceleração esperada do consumo. Na Colômbia e no Chile, a melhora no crescimento que esperamos no próximo ano é limitada, e os dados recentes sugerem riscos de queda para a nossa projeção.

As taxas de câmbio estão ajudando os bancos centrais

Diante da evolução mais favorável das taxas de câmbio e da atividade fraca, a inflação segue em queda na maioria dos países. A inflação acumulada em 12 meses no Chile e no Peru atingiu recentemente o limite superior ao redor da meta. A inflação no Brasil permanece muito acima da meta, mas também está em queda. Por outro lado, na Colômbia, a inflação foi atingida por outro choque do lado da oferta (uma greve de caminhoneiros que contribuiu para aumentar ainda mais a inflação dos alimentos). Na Argentina, apesar da queda na margem, a inflação acumulada em 12 meses atingiu 47,1%, em junho, na cidade de Buenos Aires, refletindo os aumentos tarifários e o impacto da depreciação passada. Esperamos que a tendência de desinflação na região continue, embora os dados recentes na Colômbia e na Argentina tenham levado a uma revisão para cima de nossas projeções para o IPC em ambos os países.

Nesse contexto, esperamos altas adicionais de juros apenas no México e na Colômbia. Esperamos agora um aumento adicional dos juros no México (de 0,25 p.p.) em dezembro, em conjunto com o Fed, com dois aumentos adicionais das taxas de juros no próximo ano (também acompanhando os movimentos esperados do Fed). Também esperamos agora um aumento adicional da taxa de juros na Colômbia em agosto, antes do fim do ciclo, considerando as perspectivas para a inflação ainda desafiadoras e a comunicação recente do banco central sugerindo a necessidade de  uma resposta adicional da política monetária para trazer a inflação para menos de 4% (o limite superior do intervalo em torno da meta) em 2017. No próximo ano, com a inflação em queda, crescimento baixo e uma taxa de juros elevada (em termos reais), ainda acreditamos que um ciclo de corte de juros na Colômbia é provável. No Chile e no Peru, estimamos taxas de juros inalteradas durante o restante deste ano e no próximo, e vemos risco de cortes da taxa de juros no Chile, em 2017. Enquanto isso, no Brasil, o ciclo de corte de juros deve começar em outubro (com um corte de 0,25 p.p. nos juros), estendendo-se até 2017 (com a taxa Selic terminando o próximo ano em 10%). O Banco Central (BC) vem enfatizando que está orientando suas decisões de política monetária com o objetivo de trazer a inflação para a meta até o fim de 2017, descartando a possibilidade de cortes imediatos na taxa de juros. No entanto, conforme o horizonte relevante de política monetária se desloque para 2018, haverá espaço para corte de juros.


 

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