Itaú BBA - Novo alivio global

Macro Latam Mensal

< Voltar

Novo alivio global

Junho 10, 2016

O mundo voltou a dar sinais favoráveis, tornando as perspectivas mais estáveis para as taxas de câmbio e inflação na América Latina

Para os demais textos, acessar o pdf em anexo.

Economia global
Ambiente global segue estável

O ambiente global se tornou mais favorável para os mercados emergentes, com recuperação dos preços das commodities, estabilidade na China e dólar mais estável. Os dados mais fracos no mercado de trabalho dos EUA, em maio, adiaram o próximo aumento de juros para setembro.

América Latina
Alguma recuperação à frente

A atividade econômica na América Latina está fraca, mas o crescimento está se estabilizando em quase toda a região. Esperamos alguma melhora do crescimento no próximo ano. O alívio global torna as taxas de câmbio mais estáveis, melhorando a perspectiva para a inflação.

Brasil
Reformas começam a ganhar forma, incertezas continuam

As reformas começam a ganhar contornos. No entanto, ainda há incertezas acerca do consenso político para aprovar as medidas fiscais propostas. A recessão continua, mas a atividade pode se estabilizar no segundo semestre.

Argentina
Ajustes difíceis

O ajuste de preços relativos já se reflete sobre a atividade, e a recessão encontra-se generalizada entre os setores da economia. Uma recuperação impulsionada pelo investimento é provável, auxiliada por políticas pró-mercado e pelo acesso aos mercados internacionais.

México
Volatilidade cambial retorna

Mantemos nossa projeção de que a taxa de câmbio irá encerrar este ano e o próximo em 17,5 pesos por dólar. À medida que a taxa de câmbio volte a refletir os fundamentos, novas altas de juros esse anos são pouco prováveis.

Chile
Sem recuperação ainda

O crescimento econômico continuou baixo no 1T16, e os indicadores de alta frequência mostram que o 2T16 começou pior do que esperado. Os preços baixos do cobre, uma política fiscal contracionista e a confiança do setor privado em terreno pessimista estão afetando a atividade.

Peru
Um novo governo

Pedro Pablo Kuczynski (PPK) foi eleito o novo presidente do Peru. A eleição de PPK é bem acolhida pelo mercado, mas a governabilidade não será fácil de alcançar.

Colômbia
Perto do fim do ciclo de alta de juros

Esperamos uma alta final de 0,25 p.p., para 7,5%. À medida que a inflação recua, esperamos cortes de juros para 6,5% no próximo ano.

Commodities
Alta de agrícolas e petróleo consistente com os fundamentos

Os preços de petróleo e agrícolas mantiveram a tendência de alta em maio em razão de fundamentos mais construtivos, apesar do dólar mais valorizado. Projetamos que a queda do preço do minério de ferro continue.


 


Novo alivio global 

O cenário global voltou a dar sinais favoráveis aos mercados emergentes. Nos Estados Unidos, a economia segue em recuperação, mas os dados mais fracos do mercado de trabalho sugerem que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) não terá pressa para retomar a alta de juros. Na China, o crescimento vem se estabilizando, e a volatilidade da economia deve se reduzir. Nesse ambiente, os preços das commodities subiram, e o fluxo de recursos para emergentes retornou.

Riscos, contudo, remanescem. No curto prazo, o mais evidente é o plebiscito no Reino Unido, em 23 de junho. O cenário mais provável é o de permanência na União Europeia, porém, as chances de saída não são desprezíveis. A eleição presidencial nos EUA é outro risco para a economia global, mas ainda deve demorar alguns meses até que se torne um fator determinante para os preços dos ativos.

O alívio global torna as taxas de câmbio mais estáveis na América Latina, melhorando a perspectiva para a inflação e reduzindo a pressão sobre a política monetária. Os bancos centrais de países que estavam subindo juros devem manter a taxa básica estável nos próximos meses, com exceção da Colômbia, onde esperamos uma última alta de juros este mês, em resposta à inflação corrente elevada. Mesmo na Argentina, que está com uma inflação se aproximando de 40%, a apreciação recente do peso contribui para o banco central cortar juros.

O crescimento continua fraco, mas estável na região. A melhora externa e a possibilidade de manter a política monetária em patamar ainda expansionista devem abrir espaço para alguma retomada do crescimento em 2017. Fatores idiossincráticos, como a menor incerteza sobre as reformas no Chile e a esperada estabilização do investimento privado no Peru, reforçam a perspectiva de aceleração econômica no ano que vem.

No Brasil, as reformas começam a ganhar contornos. A nova equipe econômica anunciou uma proposta de criação de um teto para o crescimento dos gastos públicos e deu início às discussões sobre a reforma da Previdência. No entanto, ainda há incertezas acerca do consenso político para aprovar as medidas fiscais propostas. A recessão continua, mas os dados de alta frequência vêm melhorando, sugerindo que a atividade pode se estabilizar no segundo semestre. A economia fraca deve abrir espaço para reduções de juros, mas devido à pressão na inflação corrente, causada principalmente pela alta dos alimentos, postergamos nossa expectativa para o início do ciclo de queda de juros de julho para agosto.


 


Economia global
Ambiente global segue estável

Após a turbulência do início do ano, o ambiente global se tornou mais favorável para os mercados emergentes, com recuperação dos preços das commodities, estabilidade na China e dólar mais estável. Esperamos continuidade dessa tendência nos próximos meses. Mas ainda podem ocorrer períodos de volatilidade. O crescimento mundial segue contido e, com os juros globais em níveis muito baixos, há pouco espaço na política econômica para reagir a novos choques.

Os dados mais fracos no mercado de trabalho dos EUA, em maio, adiaram o próximo aumento de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) para setembro. Continuamos esperando crescimento moderado nos EUA (subimos nossa projeção para o PIB, em 2016, de 1,9% para 2,0%), compatível com uma alta nos juros pelo Fed, no segundo semestre do ano.

Os dados da China seguem consistentes com crescimento mais estável e menor volatilidade na economia. 

Elevamos nossas projeções de crescimento do PIB, em 2017, de 1,6% para 1,7%, na zona do euro, devido à melhora adicional da demanda doméstica. No Japão, revisamos de 0,7% para 0,9%, em resposta ao aumento do estímulo fiscal do governo. 

O principal risco de curto prazo para a economia global é o plebiscito no Reino Unido, em 23 de junho, sobre sua permanência na União Europeia. O cenário mais provável ainda é o de vitória pela permanência. A eleição presidencial nos EUA é outro risco para a economia global, mas ainda vai demorar alguns meses até que se torne um fator determinante dos preços dos ativos.

EUA – Não há motivo para pânico, mas o Fed precisará esperar

Em maio, foram criados apenas 38 mil postos de trabalho. Mesmo excluindo a distorção causada pela greve de funcionários da operadora de telecomunicação Verizon (-38 mil), o resultado ficaria abaixo da tendência de longo prazo (85 mil empregos por mês). Os números dos dois meses anteriores foram revisados para baixo, em 59 mil. Assim, a criação mensal de empregos, na média dos últimos três meses, recuou para 116 mil.

No entanto, entendemos que os dados fracos do mercado de trabalho em maio não sinalizam importante desaquecimento da economia americana. 

A criação de empregos vem se desacelerando, mas esperamos estabilização em 150-175 mil novas vagas mensais para a frente. O desaquecimento na geração de empregos se explica pelo recuo do crescimento do PIB para 2,0%, em 2016 (2,4% em 2015), supondo que o crescimento da produtividade permaneça lento, em 0,7%, em 2016 (0,5%, em 2015).

Os dados de atividade divulgados até agora apontam para expansão do PIB anualizada de 3,0%, no segundo trimestre de 2016. A recuperação no segundo trimestre aparentemente não deve vir acompanhada de aceleração do emprego, uma vez que deve ser sustentada por um salto pontual na produtividade. O movimento segue o padrão sazonal observado desde 2010 (ver gráfico).

Elevamos nossa projeção de crescimento do PIB neste ano de 1,9% para 2,0%, e mantivemos a estimativa para 2017 em 2,1%.

A fraqueza dos dados do mercado de trabalho não mudou a perspectiva de crescimento moderado da economia americana, mas sugere que há riscos de baixa. No exterior, os riscos são a desaceleração mais acentuada da China e a saída do Reino Unido da União Europeia. Internamente, a eleição presidencial pode criar incertezas e volatilidade no mercado mais adiante. Os lucros corporativos das empresas americanas estão mais fracos por causa da queda dos preços de energia e da apreciação do dólar. Um novo aumento das incertezas pode prejudicar a confiança dos empresários e limitar os investimentos e a geração de empregos.

Nesse ambiente, o Federal Reserve provavelmente vai esperar por mais informações, antes de elevar novamente a taxa básica de juros.

As pressões salariais e de inflação ainda parecem moderadas, e o Fed pode esperar para fazer uma avaliação mais precisa da economia americana. A queda da taxa de desemprego de 5,0%, em abril, para 4,7%, em maio, não indica um mercado de muito mais apertado. Em primeiro lugar, a redução foi causada pela diminuição na taxa de participação para 62,6%, que pode se reverter adiante. Em segundo, a taxa de subemprego, uma medida mais ampla da ociosidade no mercado de trabalho, permaneceu em 9,7%. Em terceiro, o salário médio por hora trabalhada subiu 2,5%, em relação ao ano anterior, ainda abaixo da tendência histórica (3,0-3,5%).

Agora esperamos uma elevação, e não duas, na taxa básica de juros neste ano. Achamos que o próximo acréscimo acontecerá em setembro. Com pouco escopo monetário para estimular a economia, se necessário, os riscos globais pendendo para baixo e risco baixo de inflação, o Fed pode aguardar. Ainda há chance de o banco central agir em julho, se houver recuperação convincente da geração de empregos no mês que vem.

Europa – Crescimento resistente em meio a riscos políticos

O PIB da zona do euro continua na trajetória de expansão de 1,5%, em 2016. O crescimento trimestral foi forte nos primeiros três meses do ano, em 0,6%, embora motivado por fatores transitórios, como o efeito da queda do preço do petróleo e o inverno ameno. Esperamos alguma reversão do movimento, e crescimento trimestral de 0,2% no trimestre atual. Os fundamentos são consistentes com retomada do ritmo de crescimento trimestral de 0,4%, no segundo semestre do ano.

Projetamos uma melhora adicional do crescimento em 2017, com aceleração do consumo e retomada na construção civil. A política monetária expansionista vem se traduzindo em condições de crédito mais favoráveis para famílias e empresas. A construção civil pode começar a se recuperar. Os preços dos imóveis residenciais estão aumentando em toda a região (mesmo em países que enfrentaram bolhas, como Irlanda e Espanha). Além disso, indicadores antecedentes estão melhorando, sugerindo que a retomada pode se sustentar (ver gráfico).

Assim, elevamos nossa projeção para o PIB, em 2017, de 1,6% para 1,7%.

Porém, riscos políticos persistem, com o plebiscito no Reino Unido, em 23 de junho, e eleições parlamentares na Espanha, em 26 de junho. As incertezas em relação à saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit – termo que significa British exit) se intensificaram após as últimas sondagens, mas ainda consideramos pouco provável. A probabilidade de permanência ainda supera 75% (ver gráfico), de acordo com o instituto de estatísticas NC Politics. Na Espanha, o Partido Popular, de centro-direita, lidera as pesquisas de intenção de voto. Mas o partido de radical de esquerda “Podemos” vem tirando espaço do Partido Socialista, de centro-esquerda. As eleições novamente podem resultar em um parlamento dividido, prolongando a incerteza política no país.

Japão – Suporte fiscal ao consumo

A economia japonesa cresceu 1,9% no primeiro trimestre, após contração de 1,1% no último trimestre do ano passado. O consumo aumentou 2,6%, e os investimentos reverteram avanços recentes, recuando 2.6%. As exportações líquidas se mantiveram sólidas, com contribuição de 0,7 ponto percentual no trimestre.

O primeiro-ministro Shinzo Abe anunciou o adiamento da elevação do imposto sobre valor agregado e sinalizou mais estímulos fiscais adiante. O aumento do imposto foi adiado de março de 2017 para outubro de 2019. Ele também avisou que vai apresentar estímulos fiscais adicionais até setembro. As duas medidas visam a proporcionar suporte fiscal à economia, evitando riscos que possam trazer de volta a deflação. Apesar de o consumo ter aumentado 2,0% no primeiro trimestre, não se vê recuperação clara desde a primeira elevação do imposto sobre valor agregado, em 2014. Achamos que essas medidas e o aumento gradual dos salários vão melhorar a tendência de consumo no ano que vem.

Revisamos nossa projeção de crescimento do PIB, em 2017, de 0,7% para 0,9%, mas mantivemos a estimativa para 2016 em 0,4%.

China – Crescimento estável em um cenário de superação de dificuldades 

Os dados de atividade econômica enfraqueceram em abril, devolvendo a forte alta de março. O crescimento forte em março consistente com expansão anualizada do PIB de 7,9%, de acordo com nossas estimativas parecia, de fato, excessivo. É improvável uma reaceleração significativa, diante da necessidade de reequilibrar a economia e do fato de o crescimento ao redor de 6,0% já ser suficiente para manter a criação de empregos e o avanço dos salários.

Mas os resultados de abril tampouco sugerem uma nova tendência de desaceleração. Em primeiro lugar, o recuo em abril seguiu níveis atipicamente elevados em março. Em segundo, a expansão do crédito, ajustada para a emissão de títulos por governos locais (ver gráfico), continua favorável ao crescimento no curto prazo, ainda que preocupe no médio prazo. Em terceiro, o setor imobiliário apresenta melhora disseminada e deve continuar dando sustentação ao crescimento econômico. Em quarto, os temores de fuga de capital se reduziram, e o excesso de endividamento e a capacidade ociosa se mantêm restritos a setores ligados à “velha” China.

Mantemos nossas previsões de expansão do PIB em 6,5%, em 2016, e 6,0%, em 2017. 

Commodities – Alta dos preços agrícolas e do petróleo, apesar do fortalecimento do dólar

O Índice de Commodities Itaú caiu 1,3% em maio, mas acumula alta de 14,5% no ano. Os preços do minério de ferro e dos metais de base recuaram 26% e 7%, respectivamente, à medida que os estoques se ajustaram e as expectativas de aceleração do crescimento na China diminuíram. Já o ICI-Energia subiu 5%, e o ICI-Agrícola avançou 3%, estendendo os ganhos. A alta de preços se concretizou apesar da valorização do dólar (ver gráfico), que geralmente pressiona para baixo os preços das commodities. Em ambos os casos, o balanço global está migrando para um déficit, após 2-3 anos de excesso de oferta.

Previsões maiores para os preços do açúcar, menores para os metais de base. Elevamos a estimativa para o preço do açúcar em 15%, assumindo que a queda dos estoques romperá a correlação com a taxa de câmbio no Brasil, de forma que os preços do açúcar permanecerão acima dos preços equivalentes do etanol no Brasil. Por outro lado, baixamos nosso cálculo para os preços dos metais de base, no fim de 2016, em 1%.

Mantivemos nossas estimativas para os preços de petróleo do tipo Brent (US$ 55/barril) e do minério de ferro (US$ 42/tonelada) no fim do ano.

Nosso cenário implica alta do ICI de 4% a partir dos níveis atuais até o fim do ano (energia subindo 11%; preços agrícolas estáveis; preços dos metais caindo 2%).


 


América Latina
Alguma recuperação à frente

As taxas de juros de mercado dos EUA caíram substancialmente, após a divulgação do número mais recente de mercado de trabalho americano, trazendo alívio para as moedas de países emergentes, que sofreram uma forte desvalorização em maio. Esperamos moedas mais fortes, relativamente ao nosso cenário anterior, na Argentina e no Brasil. Para os demais países, nossas projeções permanecem inalteradas. 

A atividade econômica na América Latina está fraca, mas o crescimento está se estabilizando em quase toda a região. Esperamos alguma melhora do crescimento no próximo ano.

A evolução mais favorável das moedas, em relação a 2015, em meio ao baixo crescimento, está ajudando a reduzir as pressões inflacionárias. Nesse cenário, a pressão sobre os bancos centrais da região diminui. Na Colômbia, esperamos um último aumento de 0,25 ponto percentual da taxa de juros este mês. No Brasil, esperamos agora que o ciclo de afrouxamento tenha início em agosto, em vez de julho. Por outro lado, reduzimos nossa projeção para a taxa de juros na Argentina para o fim deste ano e do próximo.

Fed traz volatilidade de volta

As taxas de câmbio enfraqueceram substancialmente em maio, com o mercado precificando um aumento de juros nos EUA para junho, e a atividade decepcionando na China. Durante o mês passado, o peso colombiano e o peso mexicano mostraram desempenho inferior à maioria das moedas de mercados emergentes, apesar da recuperação dos preços do petróleo. Enquanto o déficit em conta corrente amplo da Colômbia torna a taxa de câmbio do país mais vulnerável a mudanças nas condições financeiras externas, a razão por trás da fragilidade do peso mexicano é menos clara. A situação política nos EUA (leia-se, a ascensão de Donald Trump) pode ter desempenhado um papel, mas muitos participantes do mercado acreditam que a liquidez elevada e os juros baixos da moeda seriam os fatores subjacentes ao desempenho fraco durante episódios recentes de aversão a risco. A exceção foi na Argentina, onde a taxa de câmbio continuou se fortalecendo em maio, devido às elevadas taxas domésticas de juros, recuperação dos preços da soja, volumes de exportação sazonalmente mais elevados e emissão de dívida no exterior por parte de empresas e províncias.

No entanto, as taxas de juros de mercado dos EUA já caíram substancialmente, após a divulgação do número mais recente de mercado de trabalho americano, e agora esperamos apenas um aumento da taxa de juros nos EUA durante o segundo semestre de 2016 (em vez de dois aumentos neste ano no cenário anterior). Também esperamos uma melhora adicional nos preços de petróleo, o que também beneficiaria os exportadores não petrolíferos da região através de condições financeiras externas mais favoráveis. A menor incerteza sobre o crescimento da China também pode contribuir positivamente para as taxas de câmbio latino-americanas.

Esperamos moedas mais fortes, relativamente ao nosso cenário anterior, na Argentina e no Brasil. Para os demais países, nossas projeções permanecem inalteradas. Esperamos que as moedas em Chile, Colômbia e Peru terminem este ano próximas de seus respectivos níveis registrados no fim de maio. Nossa expectativa para o peso mexicano implica uma apreciação em relação ao nível de fim de maio. Em nossa visão, uma melhora dos preços do petróleo antes do fim do ano, a implementação das medidas de consolidação fiscal anunciadas e uma recuperação das exportações de manufaturados deverão contribuir para melhorar o sentimento em relação à moeda mexicana. Para o real, nossa revisão (para 3,65 por dólar, no fim deste ano) ainda é consistente com um quadro fiscal desafiador. Para a Argentina, nossa projeção para a taxa de câmbio está agora em 16,2 pesos por dólar, também beneficiada pela evolução do real brasileiro.

Uma estabilização pré-recuperação?

A atividade econômica na América Latina está fraca, mas o crescimento está se estabilizando em quase toda a região. No México, o crescimento permanece em torno da tendência histórica (o que é frustrante, considerando todas as reformas aprovadas), embora esteja desequilibrado, com um consumo forte e exportações fracas. A economia do Chile segue com uma taxa de crescimento estagnada em torno de 2%, com a incerteza sobre as reformas internas se somando aos preços mais baixos do cobre. No Peru – a única economia dentro da nossa cobertura apresentando recuperação – o crescimento nos próximos trimestres provavelmente será mais baixo que no 1T16. No Brasil, a recessão continua, mas a contração do PIB no 1T16 foi menor do que o esperado, e os indicadores antecedentes estão se estabilizando. Por outro lado, a recessão se aprofundou na Argentina devido ao impacto negativo de curto prazo dos ajustes de preços relativos e a efeitos climáticos. Para 2016, esperamos menos contração econômica no Brasil do que em nosso cenário anterior, mas reduzimos ligeiramente nossa projeção de crescimento para Peru e Colômbia.

Esperamos que o crescimento melhore em 2017, comparado a este ano. Uma recuperação adicional do petróleo mais à frente deve beneficiar a atividade, especialmente no México e na Colômbia. Conforme diminui a incerteza sobre as reformas no Chile, é provável alguma recuperação da confiança, em meio a taxas de juros reais baixas. A economia do Peru também pode crescer mais no próximo ano, na medida em que o investimento privado pare de recuar e a produção do setor de mineração se mantenha forte. Nos dois países enfrentando atualmente uma recessão – Brasil e Argentina – a melhora da atividade será mais significativa. Esperamos que a economia brasileira cresça 1,0% (após uma contração de 3,5% este ano), devido ao ajuste de estoques em curso na indústria, desalavancagem e redução da incerteza sobre a trajetória da dívida pública. A economia da Argentina também deve melhorar no próximo ano, quando os ajustes econômicos implementados este ano começarem a produzir efeitos.

Inflação traz alívio aos bancos centrais

A inflação permanece acima do limite superior da meta, na maioria dos casos, mas está em tendência de queda. A evolução mais favorável das moedas, relativamente a 2015, em meio ao baixo crescimento, está ajudando a reduzir as pressões inflacionárias. A reversão de alguns choques (como os ajustes de preços regulados no Brasil) também está ajudando a trazer a inflação para baixo. Na Argentina, os reajustes tarifários estão puxando a inflação para níveis mais altos do que esperávamos, mas a dinâmica do núcleo da inflação (que exclui itens administrados) na margem já é consistente com uma desinflação. Por outro lado, a inflação na Colômbia ainda não começou a cair. No Brasil, os últimos resultados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mostraram uma reversão temporária na tendência de queda da inflação, levando-nos a revisar para cima nossa projeção para a inflação este ano, embora os números continuem consistentes com uma queda substancial em relação a 2015.

Nesse contexto, a pressão sobre os bancos centrais da região diminui. No Chile, o banco central está abandonando gradualmente seu viés de aperto. O banco central do Peru aumentou a taxa básica de juros pela última vez em fevereiro. Mesmo na Colômbia, onde as perspectivas de inflação são mais desafiadoras, o banco central está indicando que o ciclo de aperto está prestes a terminar, uma vez que as taxas de juros já subiram substancialmente. Na Argentina, o fortalecimento da moeda e os sinais de que a inflação está recuando estão levando o banco central a reduzir a taxa básica de juros muito mais rapidamente do que esperávamos. No Brasil, o debate continua sendo sobre quando e em que magnitude o banco central irá flexibilizar a política monetária. Por outro lado, o enfraquecimento do peso mexicano em maio e a importância da taxa de câmbio na função de reação do banco central trouxeram novamente à tona o debate sobre aumentos da taxa de juros no curto prazo, apesar do nível baixo da inflação.

Nossa visão para a política monetária na região permanece praticamente inalterada. Não esperamos novos aumentos das taxas de juros em Chile, Peru e México (em linha com as nossas projeções para o peso mexicano), enquanto, na Colômbia, esperamos um aumento final de 0,25 ponto percentual este mês. No Brasil, esperamos agora que o ciclo de afrouxamento tenha início em agosto, em vez de julho, devido a números piores do que o esperado para a inflação e à incerteza ainda elevada sobre o apoio político às reformas. Por outro lado, reduzimos nossa projeção para a taxa de juros na Argentina para o fim deste ano e do próximo.


 

Para os demais textos, acessar o pdf em anexo.


 

 



< Voltar