Itaú BBA - Mais um passo à frente

Macro Latam Mensal

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Mais um passo à frente

Fevereiro 8, 2013

No Brasil, a retomada é lenta. E o espaço para mais estímulos se esgota. Na América Latina, o crescimento segue robusto, na maioria dos países.

Economia global
Balanço de riscos segue melhorando
A perspectiva de recuperação econômica se mantém

Brasil
Lenta melhora da confiança
Retomada dos investimentos depende da confiança

Argentina
Adeus ao alto crescimento
A diferença entre as taxas de câmbio no mercado paralelo e no oficial aumentou para mais de 50%. Negociações salariais conflituosas tiveram início. Esperamos que a economia registre um crescimento lento e inflação ainda mais alta

México
Juros mais baixos à frente
As perspectivas favoráveis para a inflação provavelmente levarão a taxas de juros menores neste ano

Chile
Neutro por quanto tempo?
Crescimento moderado e inflação baixa em 2013 podem levar o banco central a introduzir um viés de cortes

Peru
Confiança estimula crescimento
A economia continua se expandindo, sustentada por um ambiente favorável aos negócios, apesar do ressurgimento de manifestações contra mineradoras      

Colômbia
Lenta retomada
Esperamos que a queda de juros estimule o crescimento no segundo semestre do ano

Commodities
Demanda mais forte
Menor volatilidade nos preços

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Mais um passo à frente

Outro mês de avanço da economia global. Sem sinais de crescimento vigoroso, o mundo continua a distanciar-se dos cenários de desastre. É um passo importante. Mas a volatilidade não foi abolida e haverá solavancos eventuais.

Após desviar do abismo fiscal, os Estados Unidos estão, aos poucos, negociando a elevação do teto da dívida pública. Na Europa, os países periféricos têm acessado o mercado com mais facilidade, sinal de confiança no ajuste, e os bancos da região estão repagando os empréstimos contraídos no calor da crise. A economia chinesa continua a ganhar tração, afastando de vez temores da parada brusca, ajudada pelos impulsos dados pela nova liderança política.

O pano de fundo é favorável às commodities. Metais e energia estão em alta, e os preços das commodities agrícolas sobem, apesar de maior oferta, beneficiando-se da forte demanda.

Na América Latina, o crescimento segue robusto, na maioria dos países. E a queda da inflação se acentua em alguns.  É o caso de Colômbia, México, Chile e Peru, alguns com taxas de inflação abaixo do centro de suas metas. Naturalmente, aumenta a perspectiva de queda das taxas de juros. O banco central da Colômbia já baixou sua taxa básica, sendo provavelmente seguido pelo do México. O banco central do Chile poderá sinalizar cortes também. O do Peru não indicou redução, mas dificilmente elevará a taxa.

Na Argentina, a política monetária já é bastante expansionista, mas a inflação caminha para exceder os 30%.

No Brasil, a retomada é lenta. E o espaço para mais estímulos se esgota. Mesmo com a queda dos preços administrados, a inflação está alta. Isso coloca limites para novos cortes de juros ou significativa depreciação do câmbio.  Desonerações de impostos devem continuar, mas o espaço fiscal também se esgota. A chave para a recuperação será a retomada dos investimentos induzida pelos projetos de infraestrutura. A ver.

Economia global
Balanço de riscos segue melhorando
A perspectiva de recuperação econômica se mantém

O balanço de riscos para a economia global segue melhorando. Com menos chance de acidentes, o PIB mundial deve expandir 2,9%, em 2013, e acelerar para 3,5%, em 2014 (comparado com 2,8%, em 2012).

Nos EUA, o Congresso evitou o abismo fiscal e suspendeu temporariamente (até maio) o teto da dívida. Existem riscos fiscais remanescentes para o crescimento em 2013. No entanto, o risco de uma contração fiscal muito intensa tornou-se bem menos provável.

Na Europa ainda falta crescimento, mas as condições financeiras continuam se normalizando, com os fluxos de capitais voltando aos países periféricos: a demanda dos investidores estrangeiros por títulos espanhóis e portugueses foi forte no mês passado. O sistema financeiro melhora também: os bancos começaram a repagar os empréstimos tomados do Banco Central Europeu (BCE) durante o período de estresse.

Mesmo com a estabilização, os riscos permanecem na zona do euro e momentos de volatidade devem ocorrer. Em fevereiro, os focos são as eleições na Itália e o escândalo de corrupção envolvendo o primeiro ministro espanhol.

A China permanece em trajetória de recuperação modesta, sustentada pela demanda doméstica robusta. O investimento público, que geralmente acelera após transições no comando do governo, também contribui para a retomada do crescimento.

O balanço de riscos para o crescimento global melhorou, mas a recuperação ainda é incipiente. Esperamos que os bancos centrais ainda mantenham as condições monetárias frouxas, mas não tomem ações de estímulo adicionais, por ora. O Banco do Japão (BoJ) é a exceção e provavelmente continuará aumentando os estímulos em resposta a pressões políticas.

EUA – a política fiscal ainda ameaça o crescimento no primeiro semestre, mas os riscos de recessão foram evitados

O Congresso americano superou o abismo fiscal e suspendeu (temporariamente) o limite do teto da dívida, reduzindo o risco de recessão em 2013. A maioria dos cortes de imposto que iria vencer no fim do ano passado foi prorrogada permanentemente, evitando o abismo. Os republicanos não veem mais o teto da dívida como moeda de barganha política e, portanto, devem elevá-lo novamente antes do fim da suspensão temporária.

Porém, restam alguns riscos ao crescimento em 2013.

O Congresso ainda precisa reduzir o déficit federal em mais US$ 1,3 trilhão na próxima década para estabilizar a relação dívida/PIB. Parlamentares republicanos podem permitir cortes automáticos de gastos se o presidente Barack Obama insistir em novos aumentos de impostos. Se os cortes automáticos de gastos ocorrerem conforme programado, em 1º de março, o crescimento dos EUA em 2013 será reduzido em 0,5%.

Além disso, a legislação adotada em 2 de janeiro, que evitou a maior parte do abismo, também permitiu o fim de alguns incentivos fiscais, equivalentes a 1,2% do PIB. O fim dos incentivos tributários tende a pesar sobre a demanda doméstica, especialmente no primeiro semestre.

Passados os riscos de curto prazo, os fundamentos indicam que o crescimento deve melhorar a partir do segundo semestre deste ano. Ainda assim, dado o efeito negativo da política fiscal, esperamos que o crescimento do PIB desacelere para 1,7% em 2013, frente à estimativa preliminar de 2,2% no ano passado.

Os obstáculos ao crescimento devem gradualmente sair de cena em 2014. O investimento em imóveis residenciais deve aumentar, uma vez que o excesso de estoque parece finalmente ter sido eliminado. Adicionalmente, as condições financeiras devem continuar impulsionando o crescimento nos próximos anos, amparadas pela política monetária. Assim, projetamos aceleração do PIB real para 2,3% em 2014.

Europa – condições financeiras continuam se normalizando, com fluxos de capital retornando aos países periféricos

A Espanha emitiu €17 bilhões (US$ 23 bilhões) em dívida de longo prazo em janeiro, 14% da emissão total planejada para 2013. Na última venda, o país colocou no mercado €7 bilhões em títulos de 10 anos, sendo 60% para investidores estrangeiros. Portugal também captou €2,5 bilhões com títulos de cinco anos, pela primeira vez desde que credores oficiais resgataram o país em 2011. Investidores estrangeiros ficaram com 90% da colocação.

Instituições financeiras começaram a repagar os empréstimos com prazo de três anos que tomaram do BCE em dezembro de 2011 e fevereiro de 2012. Bancos, provavelmente dos países centrais, já pagaram €137 bilhões do total emprestado de €1 trilhão. A quantia ainda é pequena, mas esperamos que aumente ao longo do ano.

Mesmo com estabilização, riscos permanecem na zona do euro e momentos de volatidade devem ocorrer. Em fevereiro, os focos são as eleições na Itália e o escândalo de corrupção envolvendo o primeiro ministro espanhol. Em ambos os casos, vemos riscos, mas não esperamos resultados que afetem a tendência de normalização financeira na região.

Acreditamos que a melhora das condições financeiras e a retomada da confiança de empresários e consumidores vão estimular a economia ao longo do ano. A consolidação fiscal continuará limitando o crescimento, mas menos do que em 2012. O Índice dos Gerentes de Compras (PMI) mostra sinais de retomada desde novembro.

No entanto, em geral, o ambiente mais positivo ainda não se traduziu em melhor crescimento. O PIB provavelmente encolheu 0,5% no quarto trimestre, e não esperamos sinais de melhora no curto prazo.

Revisamos nossas projeções de crescimento para a zona do euro de -0,4% para -0,5%, em 2012, e de -0,1% para -0,2%, em 2013. Em 2014, prevemos expansão do PIB de 0,9%.

Refletindo expectativa de melhora econômica, o BCE indicou na reunião de janeiro que pretende manter os juros nos patamares atuais. Assim, mudamos nossa expectativa de corte de 0,25% para manutenção.

China – recuperação modesta continua

A economia chinesa cresceu 7,8% em 2012, um pouco acima da nossa estimativa de 7,7%. Estimamos que o crescimento do consumo tenha superado o investimento pelo segundo ano seguido. Acreditamos que essa tendência deva continuar, à medida que a China reequilibre sua economia aumentando o consumo doméstico.

A atividade melhorou no final de 2012. A produção industrial cresceu 10,3% em relação ao ano passado, comparado a 10,1% em novembro. As vendas no varejo, em termos nominais, subiram 15,2% na comparação anual, após a alta de 14,9% no mês anterior. As exportações também aceleraram de 2,9% em bases anuais em novembro, para 14,1%. A exceção foi o investimento nominal em ativos fixos, que recuou de 20,7% para 19,9% na comparação anual.

Vemos essa recuperação continuando neste ano. A demanda doméstica deve se manter, em parte, sustentada pelos investimentos públicos – que normalmente aumentam após transições no comando do governo. A melhora no crescimento global também deve beneficiar as exportações. Revisamos nossa projeção para a expansão do PIB em 2013 de 7,9% para 8,0%.

Para 2014, esperamos ligeira desaceleração para 7,7%, em linha com nossa visão de que o crescimento de longo prazo na China está diminuindo.

Japão – novos estímulos fiscais e monetários melhoram perspectiva de crescimento

Desde que Shinzo Abe se tornou primeiro-ministro do Japão, no fim de dezembro, o novo governo anunciou estímulo fiscal e, em ação coordenada com o banco central, mais afrouxamento monetário.

O pacote fiscal aumentou o gasto do governo central em 10 trilhões de ienes (US$ 110 bilhões ou 2,1% do PIB). A autoridade monetária introduziu formalmente uma meta de inflação de 2%, substituindo a anterior de 1%. Também foi anunciado que o Programa de Compra de Ativos continuará por um prazo indefinido a partir do ano que vem.

Acreditamos que a tendência é de afrouxamento monetário adicional nos próximos meses. O Conselho de Política Econômica e Fiscal, liderado pelo primeiro-ministro, passará a monitorar regularmente a política monetária até a meta de 2% ser atingida. Adicionalmente, Abe deve escolher em abril um novo comandante para o banco central, mais alinhado com suas visões expansionistas, quando o mandato do atual ocupante do posto termina.

Em face aos estímulos adicionais, aumentamos nossa projeção de crescimento do PIB em 2013 de 0,4% para 0,8%. Como as políticas expansionistas devem continuar no ano que vem, esperamos crescimento de 1,0% em 2014. Também elevamos a estimativa para 2012 de 2,0% para 2,1% por causa de dados melhores referentes ao quarto trimestre.

Commodities –demanda mais forte e baixa volatilidade

A demanda mais forte ajudou a manter os preços de commodities praticamente estáveis em janeiro (e dezembro), mesmo com a melhora na perspectiva de oferta. O Índice de Commodities Itaú (ICI) ficou estagnado em janeiro. Para frente, mantemos nossas projeções para o fim do ano e continuamos esperando alta de 0,8% no ICI em 2013 em relação ao ano passado.

Os preços dos grãos foram fortemente afetados pelo relatório de janeiro do Departamento de Agricultura americano (USDA). A demanda por milho nos EUA ficou acima do esperado, o que mais do que compensou as revisões para cima nos cálculos para a produção mundial. Como resultado, os preços agrícolas registraram recuperação de 4,3% desde 9 de janeiro.

Os preços dos metais básicos subiram 1,2% em janeiro, ainda puxados por uma perspectiva melhor para a economia chinesa. O forte aumento nos preços à vista do minério de ferro, devido ao novo ciclo de reposição de estoques em usinas na China, deve ser revertido ao longo de 2013, à medida que preços maiores incentivam minas ineficientes na Índia e China a produzir mais.

Os preços de energia subiram 2,2%, influenciados pela melhor demanda e pela percepção de menores gargalos de infraestrutura nos EUA. A Agência Internacional de Energia (AIE) revisou para cima o cenário de demanda para o quarto trimestre de 2012 e para 2013. Nos EUA, o inverno mais gelado leva a um aumento na demanda por óleo para aquecimento, em contraste com as temperaturas amenas do ano passado.

Brasil
Lenta melhora da confiança
Retomada dos investimentos depende da confiança

A recuperação da economia continua mais modesta do que o esperado. Revisamos a projeção de crescimento do PIB de 3,2% para 3,0% em 2013, e de 4,0% para 3,5% em 2014. Elevamos a projeção de inflação ao consumidor (IPCA) de 5,6% para 5,7% este ano. Para 2014, esperamos 6,0% de variação no IPCA. Após a divulgação da ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de janeiro, alteramos nossa estimativa para a taxa de juros Selic para manutenção em 7,25% ao ano até o final de 2014 (antes, 6,25%).

Projetamos 2,10 para a taxa de câmbio em dezembro (antes, 2,15), mesmo patamar que esperamos para 2014. Revisamos nossa projeção de saldo comercial de US$ 18 bilhões para US$ 14 bilhões este ano, especialmente devido à perspectiva de aumento das importações de gás e combustíveis e de uma trajetória de câmbio mais apreciada. Reduzimos nossa projeção para o superávit primário de 2,1% para 1,9% do PIB em 2013, e projetamos 0,9% do PIB em 2014.

Fraqueza da indústria e lenta melhora da confiança sugerem crescimento mais baixo em 2013

A atividade econômica continua surpreendendo para baixo. A produção industrial ficou estável em dezembro de 2012 e recuou no quarto trimestre, revertendo parte do avanço do trimestre anterior. Após crescer 1,0% no terceiro trimestre, em grande parte devido ao setor automobilístico, a atividade industrial não se sustentou e caiu 0,3% no quarto trimestre. Com a base baixa do final do ano passado, somente uma recuperação forte nos primeiros meses de 2013 levará a um crescimento da indústria no primeiro trimestre do ano.

Existem sinais mistos na indústria. A Sondagem Industrial da FGV mostra que os estoques estão mais ajustados e a perspectiva de aumento da produção tem tido um avanço firme. Porém, a mesma pesquisa revela que o aumento da confiança é o mais lento entre todos os ciclos de retomada dos últimos 20 anos. Baixa confiança resulta em menos investimento. E sem uma aceleração do investimento a expansão não se fortalece. Mesmo uma melhora imediata da aquisição de máquinas e equipamentos não deverá impulsionar rapidamente a produção de bens de capital. Esse setor é um dos que ainda possuem estoques elevados.

O que deve ajudar o desempenho do PIB no primeiro trimestre deste ano é a agropecuária. As perspectivas de safra para culturas com peso relevante nos primeiros três meses do ano são positivas. O maior destaque deve ser a soja. As estimativas do IBGE apontam para um aumento de 25% na safra de 2013 em relação a 2012. Para as culturas de milho e fumo, que também são relevantes no primeiro trimestre, as projeções são de alta de 7,2% e 5,8%, respectivamente.

A agropecuária ajuda, mas não deve evitar que o crescimento do PIB no primeiro trimestre seja um pouco mais baixo do que o esperado anteriormente. Revisamos de 0,9% para 0,8% a projeção de crescimento do PIB do primeiro trimestre em relação ao quarto trimestre do ano passado, após ajuste sazonal. Com a recuperação lenta da confiança, os investimentos devem se expandir com menos vigor. Além disso, nosso cenário não contempla mais uma queda adicional dos juros este ano.

Portanto, estimamos que o ritmo de crescimento do PIB ao longo dos próximos trimestres deve ficar mais próximo de 0,8% do que de 0,9% que projetávamos antes. Diante dessas perspectivas, revisamos de 3,2% para 3,0% a projeção de crescimento do PIB para este ano. Para 2014, revisamos de 4,0% para 3,5%. Grande parte do efeito da queda adicional dos juros que tínhamos no cenário ocorreria no crescimento de 2014.

No mercado de crédito, houve aumento das concessões tanto à pessoa física quanto à pessoa jurídica. As concessões à pessoa física subiram 3,5% em dezembro na comparação com novembro (ajustado para inflação e sazonalidade), segundo mês consecutivo de alta (1,1% em novembro). A média móvel de três meses das concessões ao segmento cresceu 1,0%, maior valor desde junho. Já as concessões a empresas aumentaram 4,6% no mês, recuperando-se da queda dos dois meses anteriores (-4,8% no acumulado entre outubro e novembro). A média móvel de três meses das concessões ao segmento segue essencialmente estável.

As taxas de inadimplência não caíram como esperado. A taxa dessazonalizada acima de 90 dias à pessoa física subiu 0,1 ponto percentual em dezembro, para 7,9%, e ao segmento pessoa jurídica ficou estável em 4,1%. As taxas de juros e os spreads voltaram a diminuir, especialmente no segmento pessoa jurídica.

Câmbio: vários objetivos

Ao fim de janeiro, o câmbio rompeu o patamar de 2,00 reais por dólar, algo que não ocorria desde julho de 2012. Esse nível foi ultrapassado após o Banco Central (BC) rolar um swap cambial quando o dólar era cotado a 2,03 reais. A opção pela rolagem demonstrou conforto com um movimento de apreciação da moeda a partir daquele nível.

Em nossa visão, a política cambial continua buscando promover maior competitividade à indústria e fomentar um superávit comercial mais elevado. Entretanto, no curto prazo, combater a inflação é um objetivo adicional. A alta dos preços ao consumidor acelerou entre o final do ano passado e o início deste ano, o que deve levar a inflação acumulada em 12 meses para próximo da banda superior da meta de inflação. Contudo, a inflação mensal deve ceder nos próximos meses, algo que pode dar um conforto à busca gradual por uma taxa de câmbio mais depreciada.

Portanto, mantemos nossa projeção de um câmbio mais desvalorizado ao fim de 2013, embora em patamar ligeiramente menor do que em nosso último cenário (projetamos uma taxa de câmbio de 2,10 reais por dólar em dezembro deste ano; antes, 2,15).

Importação de gás e combustíveis reduz projeção de saldo para 2013

O déficit em conta corrente de dezembro atingiu US$ 8,4 bilhões, com uma contribuição relevante da conta de serviços. Com isso, o déficit em transações correntes de 2012 somou 2,4% do PIB, resultado financiado com folga pelo investimento estrangeiro direto (IED), que atingiu 2,9% do PIB ou US$ 65,3 bilhões. Para este ano, mantemos nossa visão de investimentos estrangeiros diretos ainda fortes, somando US$ 64 bilhões (2,8% do PIB).

O déficit comercial de janeiro alcançou US$ 4 bilhões, influenciado por operações de importação de combustíveis realizadas em 2012, mas apenas registradas este ano, devido a uma alteração na legislação. De acordo com órgãos oficiais, esse efeito deve se estender até março deste ano. Entretanto, há uma tendência de aumento das importações de combustíveis devido à demanda crescente. Somando-se esse efeito à nossa projeção de utilização da capacidade integral das usinas termelétricas este ano, o que demanda a importação de gás, e ao câmbio um pouco mais apreciado, revisamos nossa projeção para o saldo comercial de 2013. Agora, esperamos superávit de US$ 14 bilhões (antes, US$ 18 bilhões). Com isso, a projeção de déficit em transações correntes se altera ligeiramente, de 2,4% para 2,5% do PIB. Para 2014, projetamos US$ 15 bilhões de saldo comercial.

Política fiscal: superávit primário menor em 2013

O superávit primário alcançou 2,4% do PIB em 2012, abaixo do saldo de 3,1% registrado em 2011. O resultado de dezembro evitou um superávit ainda menor. No último mês de 2012, o setor público registrou um superávit primário de 22,3 bilhões de reais, o maior resultado mensal desde setembro de 2010. Houve a influência de um expressivo volume de receitas atípicas, utilizadas para garantir o alcance da meta ajustada proposta pela LDO de 2012. Além disso, o governo lançou mão também de uma forte (mas temporária) contenção de gastos, além de uma reclassificação de despesas do PAC (permitindo maiores deduções).

Nossas estimativas para o superávit primário recorrente – que exclui receitas e despesas atípicas – aponta para um saldo de 1,8% do PIB em 2012, inferior aos 2,7% registrados no ano anterior. Os números mostram uma postura fiscal mais expansionista, conclusão que é reforçada por nossas estimativas (ainda preliminares) de superávit estrutural, que indicam um resultado entre 1,0–1,5% do PIB para 2012.

Novas reduções no esforço fiscal deverão ocorrer ao longo de 2013–2014, com foco nas desonerações. Até o momento, as desonerações já anunciadas ou orçadas para 2013 totalizam cerca de 1,0% do PIB para este ano. Projetamos para 2013 um superávit primário de 1,9% do PIB (projeção anterior: 2,1%). Para 2014, projetamos 0,9% do PIB, com o menor resultado refletindo novas isenções tributárias. O superávit primário recorrente provavelmente ficará na faixa de 1,0–1,5% do PIB no período.

Nossa revisão para o resultado fiscal deste ano incorpora uma retomada mais lenta na arrecadação, em função dos dados recentes de atividade econômica e receitas tributárias. Também estamos esperando gastos um pouco mais elevados no início do ano, como compensação à retenção repentina de despesas em dezembro.  

Reduções de impostos limitarão o espaço para expandir gastos. Projetamos assim um crescimento real de 5% para as despesas do governo central em 2013, ritmo semelhante ao observado em 2012. Nos anos de 2004 a 2010, a rápida expansão das receitas permitiu manter crescimento das despesas da ordem de 8–9% ao ano.

Menores reajustes do salário mínimo esperados para o biênio 2013–14, em função da regra de reajustes reais baseadas no PIB de dois anos antes (válida até 2015), devem criar espaço para uma melhora qualitativa no gasto. Avaliamos que há espaço para o gasto crescer menos nas contas de transferências e custeio, e mais nas linhas de investimento público. 

 Inflação começa o ano pressionada, mas deve recuar a partir de fevereiro

Em dezembro, a inflação foi acima do esperado e seguiu pressionada no início do ano. Em janeiro, o IPCA subiu 0,86%, mesmo sendo beneficiado pelo adiamento de alguns reajustes de preços (ônibus urbano no Rio de Janeiro e em São Paulo) e pela antecipação da queda na tarifa da conta de luz. Acumulado em 12 meses, o IPCA subiu para 6,15%.

Esperamos algum alívio no curto prazo. A inflação deve desacelerar em fevereiro. Apesar da pressão a ser exercida pelo reajuste das mensalidades escolares e da gasolina, esperamos alívio da pressão nos preços de alimentos e a apropriação da maior parte do desconto na energia elétrica (contribuição estimada de -0,50 p.p. no IPCA de fevereiro). Não obstante, para o primeiro trimestre deste ano, projetamos variação de 1,8% do IPCA, ante 1,2% no mesmo período de 2012.

Para este ano, elevamos ligeiramente a projeção do IPCA de 5,6% para 5,7%. Incorporamos nas projeções a utilização das térmicas para geração de energia ao longo de todo o ano (Ver Macro Visão - Racionamento: riscos dependem da chuva e dos preços), o que compensa parte da redução inicial na conta de luz (-18,4%). Projetamos alta de 6,6% dos preços livres (também 6,6% em 2012), e de 2,9% dos preços administrados (3,7% em 2012).

Esperamos altas menores nos preços da alimentação neste ano, diante da perspectiva de uma boa safra agrícola e da provável queda nos preços de grãos. Por outro lado, devemos observar pressão de alta do grupo transportes, como reflexo do fim da redução de IPI para automóveis, do reajuste da gasolina e da tarifa de ônibus em São Paulo.

Para o IGP-M, nossa projeção foi ajustada de 4,8% para 4,7%. Os preços agrícolas devem apresentar baixa variação de preços neste ano, após forte alta no ano passado (19%). Grande parte desse movimento virá da devolução de parte das altas nos preços da soja (67%) e do milho (27%) verificadas em 2012.

Queda de juro não é mais a solução

A taxa de juros deve permanecer no atual patamar por um período prolongado. Na ata da última reunião, o Copom reconheceu a piora no balanço de riscos para a inflação e que estímulos adicionais de política monetária teriam efeito limitado sobre a economia (devido a “limitações no campo da oferta”). Em compensação, o Copom reforçou sua visão de que a queda do juro real foi estrutural e que as pressões de inflação recentes são de curto prazo.

Após a divulgação da ata, revisamos nossa projeção para a taxa de juros nos próximos meses. Diante do reconhecimento do Copom de que o baixo crescimento está relacionado com fatores de oferta, com implicações sobre a eficácia dos instrumentos de estímulo à demanda, inclusive os monetários, e da inflação acima do esperado neste início do ano, esperamos agora que a Selic permaneça estável em 7,25% ao ano até o final de 2014.

Para os demais textos, acessar o pdf em anexo.



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