Itaú BBA - Impulso global

Macro Latam Mensal

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Impulso global

Abril 4, 2016

Políticas expansionistas voltaram a dar suporte à economia global e geraram um ambiente favorável para os mercados emergentes.

Para os demais textos, acessar o pdf em anexo.

Economia global
Ambiente favorável para mercados emergentes

A política monetária global e uma recuperação nos preços das commodities geram um ambiente favorável para os mercados emergentes. Mas importantes desafios permanecem.

América Latina
Alívio vindo do exterior

O ambiente externo melhorou para as moedas da América Latina, e esperamos agora taxas de câmbio mais apreciadas do que as previstas em nosso cenário anterior. O crescimento baixo e a pressão menor sobre as taxas de câmbio criam espaço para uma política monetária mais expansionista.

Brasil
No compasso de espera doméstico, cenário externo favorável

O Brasil convive com um cenário binário. Por um lado, na ausência de ajustes e reformas, a economia conviveria com piora fiscal, confiança baixa e dificuldade de retomar o crescimento.  Por outro, com mudanças e reformas, as perspectivas fiscais melhorariam, recuperando a confiança e permitindo a retomada da economia.

Argentina
Volta aos mercados

O Congresso aprovou o projeto de lei que permite um acordo com os holdouts. Com isso, a Argentina emitirá US$ 12,5 bilhões em títulos. Os custos dos ajustes, no entanto, aparecem. Esperamos agora uma recessão mais intensa esse ano.

México
Sem novos aumentos de juros em 2016

A capacidade ociosa na economia continua contendo as pressões sobre a inflação. Ao mesmo tempo, o foco do banco central sobre a taxa de câmbio sugere que o comitê não deve reagir automaticamente a aumentos dos juros nos EUA.

Chile
Perdendo o ritmo de crescimento

A confiança em baixa e a queda dos preços do cobre pesam sobre a atividade. Projetamos o crescimento do PIB em 1,8% em 2016, e uma recuperação moderada para 2,3% em 2017. Diante da atividade fraca, não projetamos aumentos adicionais dos juros em 2016 e em 2017.

Peru
Rumo à eleição

Keiko Fujimori, que lidera as pesquisas eleitorais, foi autorizada pelo tribunal eleitoral a participar das eleições presidenciais. A candidata provavelmente enfrentará Pedro Pablo Kuczynski em um segundo turno. As pesquisas de intenção de voto ainda não indicam um vencedor.

Colômbia
Ainda resiliente

Os indicadores de atividade recentes mostram que o crescimento segue moderado, apesar da forte deterioração nos termos de troca. Como a inflação segue pressionada, esperamos aumentos adicionais da taxa de juros à frente.

Commodities
Dólar fraco, preços em alta       

Os preços de commodities subiram em março, influenciados pelo ambiente macroeconômico favorável. Elevamos as projeções de metais básicos e de agrícolas para o fim do ano, e projetamos continuidade na alta de petróleo, com os preços atingindo US$ 55 por barril no fim do ano.


 


Impulso global

Políticas expansionistas voltaram a dar suporte à economia global. O Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) sinalizou que deve subir menos os juros este ano, e o Banco Central Europeu (BCE) anunciou novas medidas de expansão de crédito. Na China, em resposta ao risco de desaceleração, o governo também sinalizou com políticas econômicas (monetária e fiscal) mais expansionistas.

Ao mesmo tempo, o crescimento nas principais economias está se estabilizando, reduzindo os riscos de recessão.

Esse ambiente impulsionou as condições financeiras globais e os preços das commodities, gerando um ambiente favorável para a América Latina. Esperamos agora taxas de câmbio mais apreciadas nos principais países do continente, comparado ao nosso cenário anterior.

O crescimento baixo e a pressão menor sobre as taxas de câmbio criam espaço para uma política monetária mais expansionista na região. Não projetamos aumentos na taxa de juros no Chile e no México neste ano, e esperamos um ciclo de corte no Brasil, a partir de julho. No Peru, esperamos apenas um aumento adicional.  A única exceção é a Colômbia, onde aumentos adicionais são esperados devido à inflação ainda em alta.

O Brasil convive com um cenário binário. Por um lado, num cenário de ausência de ajustes e reformas, a economia conviveria com piora fiscal, confiança baixa e dificuldade de retomar o crescimento.  Por outro, num cenário que leve a mudanças e reformas, as perspectivas fiscais melhorariam, recuperando a confiança e permitindo a retomada da economia. No compasso de espera desse cenário binário, a recessão econômica e a dinâmica desfavorável das contas públicas continuam. A inflação parece finalmente entrar em trajetória de baixa o que, combinado com a recessão prolongada e o câmbio mais estável, deve abrir espaço para que o Banco Central inicie um ciclo de corte de juros antes do que esperávamos (em julho, em vez de agosto).

Na Argentina, o governo conseguiu negociar um acordo com os holdouts e será capaz de acessar os mercados de capitais em breve. Enquanto isso, os custos dos ajustes econômicos aparecem. Esperamos agora uma contração do PIB de 1,0% este ano.


 


Economia global
Ambiente favorável para mercados emergentes

O Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) sinalizou apenas dois aumentos das taxas de juros em 2016, em linha com o nosso cenário. Juntamente com as medidas de expansão de crédito adotadas pelo Banco Central Europeu (BCE), essa abordagem gradual contribui positivamente paras as condições financeiras globais. 

O crescimento nas economias avançadas está se estabilizando, reduzindo os riscos de recessão. Mantemos nossa projeção para o PIB de 2016 para EUA, zona do euro e Japão em 2,0%, 1,5% e 0,4%, respectivamente.   

Na China, esperamos menor preocupação com uma desvalorização do renminbi, e o crescimento da atividade permanecendo estável no 2T16, devido a uma postura mais expansionista de política monetária.

Acreditamos que os preços das commodities atingiram seu menor nível, e, apesar de vermos alguma diferenciação dos preços das commodities, esperamos que o nosso Índice de Commodities Itaú (ICI) aumente 12% até o fim do ano.

Alguns dos fundamentos que justificam a tendência de fortalecimento do dólar vêm perdendo força.  Esperamos que a moeda norte-americana permaneça relativamente estável nos níveis atuais.

O dólar estável e o pequeno aumento nos preços das commodities produzem um ambiente favorável para os mercados emergentes. Isso não significa que as dificuldades acabaram, uma vez que alguns desafios permanecem.

EUA - Fed sinaliza apenas dois aumentos de juros em 2016

Os membros do comitê de política monetária (Fomc, na sigla em inglês) sinalizaram uma postura mais cautelosa para os aumentos dos juros em 2016. Em sua reunião de março, a projeção mediana para a taxa básica de juros (Fed Funds Rate) sugere apenas dois aumentos das taxas de juros este ano, em linha com o nosso cenário, comparados a quatro aumentos na reunião de dezembro.

Essa postura do Fed contribui positivamente para as condições financeiras e para o crescimento global, em meio a uma perspectiva de consumo já favorável. Em nossa visão, o Fed está disposto a assumir riscos de aquecer um pouco a economia em meio a um cenário global mais incerto. Isso favorece as condições financeiras e o consumo das famílias. Com a criação de empregos acima de 200 mil por mês, em média, a confiança dos consumidores em patamar alto e a sondagem com os gerentes de bancos indicando aumento da oferta de crédito para as famílias, esperamos que o crescimento do consumo permaneça em torno de 3%.

As condições de financiamento positivas podem impulsionar o investimento nos próximos trimestres. As condições de financiamento corporativo progrediram significativamente com a maior equidade e melhora na percepção de crédito. Além disso, uma trajetória mais gradual dos aumentos da taxa de juros pelo Fed pode levar a um dólar mais depreciado do que o esperado. O índice ISM de manufatura aumentou para 51,8 em março a primeira leitura acima de 50 desde setembro. Consideremos esse resultado como um primeiro sinal de melhora do setor industrial.

O dólar mais depreciado e os preços mais altos do petróleo devem reduzir os riscos de inflação persistentemente baixa durante a primeira metade do ano. O núcleo do deflator dos gastos de consumo registrou uma média de 0,22%, sobre o mês anterior, nos dois primeiros meses do ano, atingindo 1,7% sobre o ano anterior pela primeira vez desde 2012. Além de alguns ruídos de curto prazo, a inflação de serviços vem se estabilizando gradualmente, em linha com o esperado. Além disso, o dólar depreciado deve limitar os riscos de um núcleo da inflação mais baixo por conta dos repasses de câmbio. Por fim, o aumento recente dos preços do petróleo também deve pressionar os índices de inflação.  

Mantemos nossas projeções para o crescimento do PIB dos EUA em 2,0% para 2016 e 2017.

Europa - Mudança de foco de riscos financeiros para riscos políticos

As medidas de expansão de crédito adotas pelo BCE em março contribuíram para mitigar os riscos para a atividade econômica. De fato, os spreads de crédito corporativo e soberano melhoraram substancialmente desde seu pico no fim de fevereiro (ver gráfico). O aumento de 20 bilhões de euros nas compras mensais de ativos pelo BCE e as novas operações direcionadas de refinanciamento de longo prazo para os bancos em condições bastante atraentes contribuíram para essa melhora.

As medidas do BCE colaboram para manter a atividade econômica em um ritmo de crescimento estável, apesar de moderado. Na zona do euro, a produção industrial subiu 2,1% sobre o mês anterior, enquanto as vendas no varejo aumentaram 0,4% em janeiro. O crescimento das vendas no varejo foi particularmente importante, devido à desaceleração observada no segundo semestre do ano passado. As sondagens estão abaixo das altas observadas em meados de 2015, mas os índices PMI mostraram alguma recuperação em março e continuam apontando para um crescimento do PIB de 0,4% na comparação trimestral, em linha com o nosso cenário.

Mantemos nossas projeções do PIB em 1,50% para 2016, e 1,60% para 2017.

Os principais riscos para a Europa neste momento são o impacto dos fluxos de imigração e a votação sobre a saída do Reino Unido da União Europeia (UE). Um acordo recente da UE para reenviar imigrantes para a Turquia traz algum alívio no curto prazo, mas a maioria permanece cética a respeito de sua eficácia. Quando as temperaturas começarem a subir nos próximos meses, o fluxo de refugiados deve aumentar e poderá fortalecer ainda mais os partidos mais extremistas. O referendo do Reino Unido sobre sua saída da UE também é motivo de preocupação, com as pesquisas sugerindo chances bastante equilibradas. A votação ocorrerá em 23 de junho e representa o principal risco para a Europa.

Japão - Sinais preliminares de estabilização no crescimento

Os dados de atividade vêm mostrando sinais de estabilização no Japão. O consumo, que recuou, com ajuste sazonal, 3,4% no 4T15, em relação ao trimestre anterior, está começando a mostrar uma pequena recuperação. O índice de consumo real CAO subiu 0,6% em janeiro, em relação ao mês anterior. Por outro lado, o investimento segue em tendência de expansão. Nesse ambiente, esperamos que o PIB cresça 0,5% no 1T16 sobre o trimestre anterior, com ajuste sazonal, evitando dois trimestres consecutivos de contração no PIB.

Mantemos nossas projeções do PIB em 0,4% para 2016, e 0,7% para 2017.

China - Crescimento deve permanecer estável no 1S16, dada a postura de mais expansionista política monetária

As preocupações dos investidores em relação à taxa de câmbio diminuíram em março. Acreditamos que os fundamentos continuarão apoiando um sentimento melhor à frente, dadas as repetidas promessas por parte de vários formuladores de políticas de que a China não buscará uma desvalorização competitiva, os superávits em conta corrente consideráveis e a composição benigna das saídas de capital (em grande parte pagamento de dívida). Além disso, uma tendência de dólar estável colocaria menos pressão sobre a taxa de câmbio da China (veja gráfico).

Com as preocupações sobre a taxa de câmbio diminuindo, as atenções se voltarão para a atividade econômica.

O governo busca uma desaceleração bem suave do PIB em 2016, com uma postura mais pró-crescimento. A meta de crescimento do PIB foi definida no intervalo de 6,5% - 7,0% em 2016, comparado a cerca de 7% em 2015. Ao mesmo tempo, as metas para o déficit fiscal e para o crescimento de M2 foram definidas em patamares acima do ano anterior, sinalizando uma postura mais expansionista das políticas monetária e fiscal.

Essa postura de política monetária deve ajudar a trazer estabilidade à atividade econômica no 1S16, após um início de ano mais fraco do que o esperado. O crescimento anual da produção industrial desacelerou para 5,4% em janeiro-fevereiro, vindo de 5,9% em dezembro, e o das vendas no varejo diminuiu de 11,1% para 10,2%.

Os indicadores antecedentes já estão dando alguns sinais de estabilização, como crescimento anual do investimento fixo, que passou de 6,8%, em dezembro, para 10,2%, em janeiro e fevereiro. A melhora foi disseminada entre os setores imobiliário, de infraestrutura e manufatura. Esperamos que esse crescimento do investimento fixo permaneça relativamente forte ao longo do 1S16, impulsionado pelo início dos projetos após o Congresso Nacional do Povo e por uma leve aceleração do investimento imobiliário em cidades de médio porte. Além do consumo forte, a melhora do investimento fixo deve manter o crescimento anual da produção industrial em torno de 5,5% ao longo do semestre.  O PMI oficial de manufatura já melhorou em março, avançando de 49,0 para 50,2.

Apesar do primeiro semestre mais forte, esperamos que os desafios estruturais da China continuem.

Mantemos nossas projeções de crescimento do PIB em 6,3% em 2016, e 6,0% em 2017.

Mercados Emergentes – Ambiente favorável

Os mercados emergentes enfrentaram um ambiente externo adverso nos últimos anos, devido à queda nos preços das commodities e à tendência de fortalecimento do dólar. De fato, as commodities (de acordo com o nosso índice ICI) caíram 50%, e o índice do dólar ponderado pelo volume negociado apreciou 25% desde 2012. Ambos os fatores contribuíram para uma alta de 35% no valor do dólar contra uma cesta igualmente ponderada de moedas de mercados emergentes no período.

Em nossa visão, o ambiente externo será menos adverso à frente, podendo até mesmo se tornar favorável.

Alguns dos fundamentos que levaram à apreciação do dólar estão perdendo força, e esperamos que o dólar norte-americano se mantenha relativamente estável em relação aos níveis atuais. A divergência de política monetária entre as economias avançadas está se tornando cada vez menos severa, com o Fed sinalizando um ritmo ainda mais gradual de aumento dos juros. Além disso, o BCE direcionou o foco de sua última reunião para a expansão das condições domésticas de crédito, em vez do valor do euro. Por fim, há menos temores relacionados à depreciação do renminbi.

Todos esses fatores devem adicionar menos pressão de alta sobre o dólar à frente. Revisamos nossas projeções para o euro, iene e renminbi no fim do ano, respectivamente, de 1,05, 120 e 6,75 para 1,08, 115 e 6,60.

Além disso, apesar de esperarmos a permanência dos preços em níveis historicamente baixos, acreditamos as commodities que tenham passado de seu ponto mais baixo e alguns preços devem continuar a se recuperar. Esperamos preços mais altos para o petróleo, preços mais baixos para o minério de ferro e preços estáveis para os metais básicos e itens agrícolas até o fim do ano. Com isso, nosso índice ICI deve subir 12% no fim do ano em relação aos níveis atuais (ver gráfico).

Esses fatores não significam que os mercados emergentes tenham superado todas as dificuldades, e os desafios permanecem. Mas, pelo menos, o ambiente adverso externo parece cada vez menos adverso.

Commodities - Dólar fraco, preços em alta

O Índice de Commodities Itaú (ICI) subiu 7% em março, com todos os seus componentes registrando ganhos: agrícolas (4%), metais (4%) e energia (12%). O aumento generalizado foi consequência do ambiente macroeconômico favorável, com menor aversão ao risco e dólar mais fraco.

Os preços de petróleo e de minério de ferro subiram mais do que a média, devido a fatores específicos. Os preços do petróleo mantiveram-se acima de US$ 40/bbl, apesar do excesso de oferta (observável no aumento de estoques). Acreditamos que essa resiliência tenha sido causada por investidores antecipando o fim do excesso de oferta, uma vez que o investimento do setor petrolífero continua muito baixo e a produção semanal de petróleo dos EUA continua mostrando uma tendência de queda. Já os preços de minério de ferro aumentaram no início de março, ficando entre US$ 55 e US$ 60 por tonelada, em meio a uma falta temporária na China, que deve ser suprida em breve.

Revisamos para cima nossas projeções de preços de fim de ano para açúcar (7%), café (7%) e metais básicos (2%), levando em conta o dólar mais fraco no cenário. O efeito liquido é uma revisão de alta de 0,7 ponto percentual para o ICI no fim do ano.

Esperamos que os preços do petróleo subam para US$ 55/bbl (Brent) ao fim de 2016. O ajuste no setor de energia está acontecendo. O investimento caiu muito desde o fim de 2014 e vai começar a afetar a produção com mais força no 3T16. A menor oferta dos EUA deve compensar as maiores exportações do Irã, equilibrando o mercado global em meados de 2016.

Por outro lado, os preços de minério de ferro devem cair em breve, à medida que o ciclo de recomposição dos estoques terminar. Projetamos que o excedente global deve aumentar em 2016, com a oferta global estável (aumento da produção na Austrália compensando empresas enfrentando questões ambientais no Brasil e cortes de capacidade na China) e um crescimento negativo da demanda global. Portanto, mantemos nossa projeção para os preços de minério de ferro em US$ 42/ton para o fim de 2016.

A combinação de cenário de petróleo em alta, minério de ferro em queda e estabilidade dos preços de agrícolas e metais básicos implica que o ICI deve aumentar 12% até o fim do ano, a partir do nível atual.


 


América Latina

Alívio vindo do exterior

• O ambiente externo melhorou para as moedas da América Latina, e esperamos agora taxas de câmbio mais fortes, em toda a região, do que as previstas em nosso cenário anterior.

• O crescimento baixo e a pressão menor sobre as taxas de câmbio criam mais espaço para uma política monetária mais expansionista. Não esperamos aumentos na taxa de juros no Chile e no México neste ano, e esperamos um ciclo de cortes começando em julho no Brasil. No Peru, esperamos apenas um aumento adicional.  A única exceção é a Colômbia, onde a expectativa é de aumentos adicionais por causa da inflação. 

• Crescimento econômico baixo é a norma (com recessões na Argentina e no Brasil). Não esperamos recuperação este ano.   

• A Argentina conseguiu negociar um acordo com os “holdouts” e será capaz de acessar os mercados de capitais em breve. No entanto, os custos econômicos dos ajustes são altos. Esperamos agora uma contração do PIB de 1,0% este ano.

Um ambiente externo mais favorável

O ambiente externo tornou-se mais favorável para as moedas da América Latina. Os fatores que levaram à melhora – não totalmente independentes um do outro – foram: a postura de política monetária mais expansionista nos EUA, a percepção de menores riscos para o sistema financeiro na Europa, a estabilização/recuperação dos preços do petróleo e as menores preocupações sobre as saídas de capital da China. As moedas mais frágeis foram as que mostraram melhor desempenho. Em março, o real foi a que mais se apreciou na região, influenciada pelo ambiente político. O peso colombiano também esteve entre as moedas de melhor desempenho, apesar das notícias idiossincráticas, que não ajudaram (o adiamento do acordo de paz e a possibilidade de racionamento de energia). No México, o ambiente externo corroborou as políticas anunciadas em meados de fevereiro.  

Na maioria dos países, esperamos agora taxas de câmbio mais apreciadas do que em nosso cenário anterior. Projetamos que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) eleve os juros duas vezes este ano (em 0,25 ponto percentual em cada movimento). Esses aumentos são esperados no mercado e só ocorrerão se o comitê perceber que os mercados globais terão condições de reagir de forma ordenada. No Brasil, a probabilidade de a moeda permancer estável está aumentando, em conjunto com as perspectivas de um novo cenário de ajustes e reformas. No entanto, o banco central já está agindo no sentido de reduzir sua posição vendida em dólar no mercado de swaps, limitando apreciações adicionais. Devido ao amplo déficit em conta corrente da Colômbia, esperamos que o peso colombiano se deprecie mais do que as moedas de Chile, México e Peru, apesar de anteciparmos uma recuperação dos preços do petróleo antes do fim do ano.  

Ciclo de alta dos juros chegando ao fim em quase toda a região

Aumentos das taxas básicas de juros na região estão se tornando raros. O banco central do Peru manteve a taxa básica de juros inalterada em março, após três aumentos consecutivos de 0,25 p.p.  No Chile, o banco central não fez nenhum movimento desde dezembro de 2015 e sinalizou no relatório de política monetária mais recente um aperto adicional bem modesto à frente. O banco central do México também manteve a taxa de juros inalterada, consistente com a sua sinalização de que o aumento ocorrido na reunião extraordinária em fevereiro não representava o início de um ciclo. Por outro lado, o banco central da Colômbia não está dando sinais de que o ciclo de alta dos juros esteja próximo do fim, tendo em vista que alguns membros do comitê mantiveram o voto a favor de um ritmo de aumentos mais rápido. Por fim, no Brasil, cortes da taxa de juros são o cenário mais provável, mas o banco central está segurando as expectativas de reduções da taxa básica no curto prazo.

O crescimento baixo e a pressão menor sobre as taxas de câmbio criam mais espaço para uma política monetária expansionista. Mantemos nossa expectativa de que não haverá aumentos das taxas de juros no Chile e no México este ano, enquanto, no Peru, esperamos agora apenas um aumento adicional dos juros. No Brasil, esperamos que o ciclo de cortes comece mais cedo do que em nosso cenário anterior, de modo que a taxa Selic terminaria 2016 em 12,25% (em vez de 12,75% anteriormente), 2 pontos percentuais  abaixo do seu nível atual. No entanto, as perspectivas para a inflação na Colômbia continuam desafiadoras e, portanto, continuamos esperando dois aumentos adicionais nos juros, trazendo a taxa básica de juros para 7%.

Sem recuperação à vista

O crescimento econômico continua baixo em quase toda a região, mas os indicadores recentes mostram diferenciação na evolução das economias na margem. No Brasil, a recessão profunda continua, enquanto no Chile a economia teve nova desaceleração. Ao mesmo tempo, os indicadores de atividade recentes no México reduziram os riscos para o crescimento este ano, enquanto os dados na Colômbia mostram que a economia permanece surpreendentemente resistente ao choque dos preços do petróleo. No Peru, o crescimento melhorou, incentivado pela maior produção mineira e a estabilização do investimento.

Não esperamos recuperação este ano na maioria dos países. A exceção é o Peru, onde o crescimento provavelmente continuará sendo impulsionado pelo número de projetos de mineração entrando em maturação. A economia brasileira deverá sofrer uma contração acentuada novamente este ano (4,0%), uma vez que os desequilíbrios macro e a incerteza sobre sua correção permanecem. A economia do Chile deve crescer um pouco menos do que a taxa já baixa registrada no ano passado (esperamos 1,8%), uma vez que a confiança vem sendo influenciada negativamente pela longa e turbulenta discussão sobre as reformas. Na Colômbia, os menores investimentos no setor petrolífero, os salários reais mais baixos e as políticas fiscal e monetária mais apertadas provavelmente levarão a uma desaceleração (para 2,5%), mas existem fatores que irão atuar na outra direção (como o programa de infraestrutura 4G PPP e a moeda mais competitiva). Em contraste com outros países da região, o México continuará crescendo a um ritmo semelhante ao observado ao longo da última década (esperamos uma expansão de 2,5%), mas esse número é decepcionante, considerando as altas expectativas criadas ao longo dos últimos anos.     

Boas políticas, mas recessão na Argentina

A Argentina deverá acessar os mercados de capitais globais em breve. O Congresso aprovou a legislação que permite ao governo oferecer um acordo melhor aos holdouts do que os termos oferecidos nas reestruturações de dívida anteriores. Agora, o governo irá emitir títulos no valor de US$ 12,5 bilhões. Depois que os holdouts forem pagos, o governo ficaria livre para retomar o serviço da dívida reestruturada, embora o Tribunal de Apelação dos EUA deva primeiro confirmar a decisão do juiz Thomas Griesa (que libera o serviço da dívida reestruturada após o pagamento dos holdouts).

Esperamos agora que a economia contraia 1,0%. Em nosso cenário anterior, esperávamos uma queda de 0,5%. Os ajustes de preços relativos estão reduzindo os salários reais e levando a taxas de juros mais altas. Os indicadores de atividade recentes já estão refletindo os custos das mudanças. Do lado positivo, os aumentos recentes da taxa de juros, associados ao ambiente externo mais favorável, trouxeram um alívio para o peso argentino, o que ajudará o banco central no controle da inflação, especialmente considerando que a política fiscal não está contribuindo muito para aliviar a pressão sobre os preços.


 

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