Itaú BBA - Guerra comercial: de mal a pior

Macro Latam Mensal

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Guerra comercial: de mal a pior

Junho 14, 2019

Em nossa visão, a deterioração profunda das tensões comerciais entre os EUA e a China devem piorar as perspectivas para o crescimento global.


Para os demais textos, acessar o pdf em anexo.

Economia global
Desaceleração do crescimento global, cortes preventivos da taxa de juros pelo Fed
A guerra comercial deve pressionar ainda mais o crescimento global, levando a um novo ciclo de estímulo monetário por parte dos principais BCs. 

Brasil
Ventos globais contrários, mas previdência avança
Considerando o cenário externo e o primeiro semestre mais fraco que o esperado no Brasil, reduzimos nossas projeções de crescimento para 2019 (de 1,0% para 0,8%) e 2020 (de 2,0% para 1,7%). 

Argentina
Disputando o centro
Em uma tentativa de conquistar votos do centro e romper a polarização com Macri, Cristina Kirchner anunciou que concorrerá como vice nas eleições presidenciais. Apesar desse movimento, pesquisas até o momento não mudaram muito, e seguem indicando uma disputa apertada. 

México
A guerra comercial temporária de Trump
EUA e México chegaram a um acordo para evitar as tarifas que Trump ameaçou impor como forma de barrar a imigração ilegal, mas a incerteza deve perdurar. 

Chile
Conservador não deve ser confundido com lento
Reagindo ao fraco início de ano e à inflação baixa, o banco central surpreendeu os mercados e reduziu a taxa de juros em 0,50 p.p. em Junho 

Peru
Voto de confiança concedido
O presidente Vizcarra conquistou o voto de confiança do Congresso para conduzir sua reforma política, mas as agitação no meio político deve persistir, dado que os congressistas provavelmente irão propor mudanças. 

Colômbia
Reduções dos juros apesar das vulnerabilidades
Apesar da incerteza fiscal e do elevado déficit em conta corrente, a perspectiva de mudanças na política monetária global, inflação bem comportada e o aumento da capacidade ociosa apontam para mais cortes de juros à frente.


 

 


Guerra comercial: de mal a pior

Em nossa visão, a deterioração profunda das tensões comerciais e tecnológicas entre os EUA e a China nas últimas semanas diminui a chance de que os presidentes Trump e Xi cheguem a um acordo na reunião do G20 (28-29 de junho), no Japão. Assim, consideramos agora uma guerra comercial plena entre EUA e China, cujo impacto direto pode reduzir o crescimento do PIB global em 0,4 pp, levando-o para 2,9% em 2020. Nesse contexto, o banco central americano (Fed) e o banco central europeu (BCE) provavelmente implementarão estímulos para assegurar a continuidade da recuperação, e outros bancos centrais devem seguir na mesma direção. Em particular, esperamos agora que o Fed implemente um ciclo de corte de juros de 75 pb a partir de julho. Na China, a guerra comercial desacelerará o crescimento para 6,0% em 2019 e 5,5% em 2020, e políticas estimulativas devem ocorrer.

Para a América Latina, a intensificação da guerra comercial ocorre em um momento em que a atividade econômica na região já está frágil. A postura mais branda da política monetária do Fed e outros grandes bancos centrais deve reduzir a depreciação das moedas latino-americanas em relação ao dólar. Nesse contexto, os bancos centrais da região terão espaço para aumentar o grau de estímulo monetário. De fato, o banco central do Chile já surpreendeu as expectativas do mercado em junho, cortando sua taxa de juros em 50 pb, e agora vemos cortes nas taxas de juros no Peru e na Colômbia antes do final do ano. No México, o banco central mantém uma postura conservadora, mas, dada a provável desaceleração da economia, esperamos que um ciclo de flexibilização seja iniciado no 4T19. Finalmente, no Brasil, vemos espaço para um ciclo de estímulos maior do que esperávamos anteriormente (150 bps vs. 100 bps em nosso cenário anterior), mas mantemos a visão de que a incerteza sobre a aprovação da reforma da previdência deve ser mais substancialmente reduzida antes de cortes na taxa Selic.

Também reduzimos as projeções de crescimento do Brasil para 2019 (de 1,0% para 0,8%) e 2020 (de 2,0% para 1,7%), incorporando uma desaceleração mais acentuada da economia global. Dadas as perspectivas de menor crescimento das receitas públicas, nossas estimativas para o déficit orçamentário primário pioraram para 0,9% do PIB (de 0,8%) em 2019 e para 1,2% do PIB (de 1,1%) em 2020. Mantivemos nossa projeção de fim de ano para a taxa de câmbio em 3,80 em 2019, mas com a piora do cenário global, revisamos a projeção de 2020 para 4,00 (de 3,90). Nossas estimativas para o índice de preços ao consumidor (IPCA) também foram mantidas em 3,6%, tanto para este ano quanto para o próximo. Finalmente, esperamos que a reforma da previdência seja aprovada em julho na primeira votação na Câmara dos Deputados, com um impacto fiscal de cerca de 60% do projeto originalmente enviado. É importante ressaltar que o cenário é estritamente dependente destas expectativas quanto à reforma da previdência.


 

 


Economia global
Desaceleração do crescimento global, cortes preventivos da taxa de juros pelo Fed

• A guerra comercial provavelmente irá pesar sobre o crescimento global e deve levar bancos centrais a reagir.

• EUA: vemos desaceleração do crescimento para 1,3% em 2020 e implementação de cortes preventivos da taxa de juros pelo Fed (0,75 p.p. em 2019, começando em julho).

• A economia da China deve desacelerar para crescimento de 6,0% (6,2% anteriormente) em 2019 e 5,5% (6,0% anteriormente) em 2020.

• A Europa deve permanecer em ritmo lento, com maior chance de flexibilização pelo BCE.

• LatAm: Flexibilização monetária deve apoiar crescimento em vários países da região.

• Preços de metais mais baixos.


 

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