Itaú BBA - Desaceleração disseminada da atividade econômica na América Latina

Macro Latam Mensal

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Desaceleração disseminada da atividade econômica na América Latina

Maio 13, 2019

A estabilização do crescimento global sob ameaça e a desaceleração econômica generalizada na América Latina em foco.


Para os demais textos, acessar o pdf em anexo.

Economia global
Estabilização do crescimento global sob ameaça
O crescimento global deve desacelerar com novo aumento das tarifas comerciais entre os EUA e China. Países da América Latina parecem estar sentindo os efeitos deste cenário, que se somam a fatores específicos de economias da região.

Brasil
Atividade econômica perde ímpeto
Reduzimos nossa projeção de crescimento do PIB em 2019 (de 1,3% para 1,0%) e 2020 (de 2,5% para 2,0%).

Argentina
Intervenção mais pesada
A autoridade monetária anunciou a possibilidade de mais vendas de dólares, e as taxas de juros continuaram subindo. O governo também recorreu ao congelamento de preços, fixando preços de administrados e de alguns itens de alimentação básica.

México
Caminho difícil para a ratificação do USMCA
A sanção do acordo ainda está em risco, criando uma fonte importante de incertezas para a economia do país.

Chile
Tensões comerciais postergam recuperação
Revisamos nossa projeção de crescimento deste ano para 3,0% e esperamos agora um ciclo de alta de juros ainda mais gradual.

Peru
Consolidação fiscal mais rápida
O Ministério das Finanças espera agora uma trajetória de consolidação fiscal mais acentuada, com a aceleração do crescimento econômico.

Colômbia
Apesar de alguns sinais positivos, recuperação continua lenta
Atividade inicia o ano de forma mais lenta e revisamos para baixo nossa projeção de crescimento para este ano e para o próximo


 

 


Desaceleração disseminada da atividade econômica na América Latina

O processo de estabilização do crescimento global, que já apontava para atividade econômica fraca nos últimos meses, está agora sob ameaça de uma nova piora devido à reescalada das tensões comerciais entre EUA e China. Além disso, o forte crescimento dos Estados Unidos no 1T19 parece apenas transitório, e os estímulos do governo na China devem ser mais contidos desta vez. 

Como consequência da fraqueza econômica global, esperamos um desempenho ruim dos preços das commodities e do comércio internacional – que coloca um risco de baixa para o crescimento nos mercados emergentes – e um crescimento modesto na Europa, que é altamente dependente do ciclo global de manufaturas. Combinados, esses fatores manterão, em última instância, a inflação nos mercados desenvolvidos em patamares baixos, e podem favorecer a discussão de ajustes no arcabouço de política monetária do banco central americano (Fed).

A América Latina está enfrentando uma desaceleração generalizada, e fica evidente que o crescimento na região está sendo contido por fatores específicos de cada país, como as perturbações induzidas pelas eleições na Argentina, desafios fiscais no Brasil e na Colômbia, além das incertezas sobre a direção das políticas domésticas e do acordo comercial entre México e Estados Unidos (USMCA). No entanto, até mesmo o Chile e o Peru, que não apresentam grandes desequilíbrios ou riscos políticos significativos, estão enfrentando problemas, o que entendemos como uma indicação de que o ambiente global também está por trás da fraqueza na região. Considerando a intensificação do conflito comercial entre EUA e China, estamos reduzindo nossas projeções de crescimento para o Chile, Colômbia e Peru.

A desaceleração também acontece no Brasil, onde reduzimos novamente nossas projeções de crescimento do PIB para 1,0% em 2019 e 2,0% em 2020 (de 1,3% e 2,5%, respectivamente). Embora haja uma percepção generalizada de que a economia está em compasso de espera à medida que os tomadores de decisão aguardam pelas reformas, acreditamos que há um fator mais importante por trás da fraqueza atual: nossa taxa de juros de equilíbrio parece ter se reduzido no passado recente, em decorrência de cortes nas despesas e da redução dos subsídios ao crédito. Com base nisso, entendemos que o nível atual de taxas de juros não é baixo o suficiente para acelerar a economia. Portanto, a reforma da previdência, mais do que simplesmente um estímulo ao crescimento induzido pela confiança, é, em nossa opinião, um gatilho para o crescimento por meio do estímulo monetário – não há espaço para cortes nas taxas de juros antes que a reforma seja votada, mas haverá após a sua aprovação.


 

 


Economia global
Estabilização do crescimento global sob ameaça

• A estabilização do crescimento global, que já apontava para uma fraca atividade econômica, está agora sob ameaça, dada a escalada da guerra comercial entre EUA e China.

• A economia global fraca tem três consequências: (1) os preços de commodities e o comércio global permanecerão em patamares fracos, trazendo riscos negativos para emergentes; (2) a economia da Europa ficará para trás; e (3) a inflação nos mercados desenvolvidos deve permanecer moderada, favorecendo o ajuste do arcabouço de política monetária do Fed. 

• América Latina: desaceleração generalizada nas economias da região 


 

Para os demais textos, acessar o pdf em anexo.



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