Itaú BBA - De volta ao conflito

Macro Latam Mensal

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De volta ao conflito

Agosto 9, 2019

As novas tarifas reacenderam preocupações com o crescimento global, e bancos centrais devem reagir com mais cortes de juros.


Para os demais textos, acessar o pdf em anexo.

 

Economia global
Novas tarifas reacendem preocupação com crescimento global
A nova rodada de tarifas entre EUA e China irá trazer mais pressão sobre o crescimento global. Políticas monetárias estão sendo flexibilizadas onde possível, e cortes de juros devem ser a regra na América Latina.

Brasil
Copom inicia ciclo de corte de juros
O Copom cortou os juros em 0,50 p.p. em julho e, em nossa opinião, sinalizou corte de mesma magnitude em setembro. Acreditamos que a taxa Selic chegará a 5,00% a.a. antes do fim de 2019.

Argentina
Esperando as primárias
Pesquisas mostram uma disputa acirrada nas primárias, que podem impactar preços de ativos, uma vez que funcionam como um bom indicador do desfecho das eleições (e suas potenciais implicações para a política econômica).

México
Corte de juros em breve, mas não em agosto
Acreditamos que a taxa de juros irá cair a partir de setembro, alcançando 7.5% até o final deste ano, com três cortes consecutivos de 0,25 p.p.

Chile
Mais um corte de 0,50% em setembro?
Riscos crescentes para crescimento e inflação levaram o banco central a sinalizar maior chance de flexibilização monetária à frente. Esperamos corte de 0,25 p.p. em setembro, mas não descartamos uma redução de 0,50 p.p.

Peru
Aumento da incerteza política
Dado o impasse político, o presidente Vizcarra propôs adiar as eleições gerais, o que deve aumentar a incerteza e afetar o investimento.

Colômbia
Evitando cortes dos juros, por enquanto
Ainda que o banco central tenha afirmado que não deve cortar juros, esperamos que a flexibilização monetária comece até o final deste ano, devido à inflação comportada e à recuperação mais fraca que o esperado da atividade.


 


De volta ao conflito

Após uma trégua de curta duração, as tensões entre EUA e China voltaram a escalar e levaram a reações fortes nos mercados financeiros. A nova rodada de tarifas anunciada pelos EUA coloca os dois países em rota para uma desaceleração mais profunda – e traz de volta as preocupações com o crescimento global. Com uma atividade econômica mais fraca e com mais riscos, as taxas de juros tendem a cair, não apenas nos EUA, mas também na maioria dos países, à medida que os bancos centrais seguem o banco central americano e adicionam estímulos à suas economias.

Isso é especialmente verdadeiro na América Latina, onde os cortes de juros estão se tornando um movimento generalizado. A guerra comercial acrescenta obstáculos à já fraca atividade econômica na região, enquanto os juros em queda nos mercados desenvolvidos abrem espaço para que os bancos centrais forneçam ou adicionem estímulos às economias locais. Naturalmente, os países que têm inflação relativamente baixa (Brasil, Chile e Peru) têm mais espaço para prover tal alento, mas esperamos que os juros sejam reduzidos também no México – onde a inflação ainda está em níveis desconfortáveis – e na Colômbia, onde enxergamos frustrações com o crescimento mais adiante.

No Brasil, nosso cenário permanece praticamente inalterado. A reforma da previdência caminhou em linha com o esperado e concluiu seu trâmite na Câmara dos Deputados. A proposta segue agora para o Senado, onde deve ser aprovada até o início de outubro. O texto não deve sofrer alterações adicionais, gerando uma economia de R$ 865 bilhões em dez anos. Com esse capitulo encerrado, as discussões no Congresso devem se concentrar agora em outros itens da agenda de reformas que possam contribuir para melhor crescimento à frente, como a simplificação tributária. No curto prazo, a economia segue mostrando dificuldade em retomar o ritmo de atividade, de forma que continuamos esperando crescimento apenas modesto de 0,8% em 2019 e 1,7% em 2020. Frente a esse quadro de lentidão e com riscos amenizados pelo avanço da reforma, o banco central deu início ao esperado ciclo de cortes de juros, realizando redução 0,50 p.p. em julho e sinalizando um corte de mesma magnitude para setembro. Também sem grandes surpresas nesse fronte, continuamos projetando que a taxa Selic chegará a 5,00% a.a. até o fim de 2019.


 


Economia global
Novas tarifas reacendem preocupação com crescimento global

• Uma nova rodada de tarifas entre EUA e China aumentará a pressão sobre o comércio mundial.

• Projetamos desaceleração do PIB dos EUA para 1,5% em 2020 e esperamos que o banco central  americano (Fed) corte os juros em 0,75 p.p. em 2019. 

• Reduzimos a projeção de crescimento do PIB chinês em 2020 de 5,9% para 5,7%. Esperamos que a taxa de câmbio permaneça acima dos 7,0 yuan por dólar.

• Na Europa, a tendência é que o crescimento continue fraco, o que pode levar o banco central europeu (BCE) a cortar juros e retomar o programa de compras de ativos (QE).

• Na América Latina, a expectativa é de que cortes de juros se disseminem em breve por toda a região.

• Os preços dos metais devem cair diante do crescimento fraco da economia global.
 

Para os demais textos, acessar o pdf em anexo.



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