Itaú BBA - Crescimento menor no mundo e na América Latina

Macro Latam Mensal

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Crescimento menor no mundo e na América Latina

Julho 8, 2016

Os principais fatores determinantes de um ambiente externo mais estável para os mercados emergentes permanecem presentes.

Para os demais textos, acessar o pdf em anexo.

Economia global
Brexit não prejudica as perspectivas para os mercados emergentes

Apesar do menor crescimento global devido ao Brexit, os principais fatores determinantes de um ambiente externo mais estável para os mercados emergentes permanecem presentes.

América Latina
Digerindo o impacto do Brexit

As taxas de câmbio da região têm tido um comportamento volátil desde o Brexit, mas sem uma tendência clara. A evolução mais favorável das taxas de câmbio, em comparação ao ano anterior, continuará aliviando as pressões inflacionárias.

Brasil
Fundamentos melhores, mas falta o fiscal

A economia segue se ajustando, mas as contas públicas continuam em deterioração. Uma retomada mais intensa e sustentável da economia depende da aprovação de reformas fiscais, especialmente do lado das despesas.

Argentina
Recessão se aprofunda

Os indicadores coincidentes mostram que a recessão se intensificou no segundo trimestre do ano. Esperamos agora uma contração do PIB de 1,6% em 2016. Mantemos inalterada nossa projeção de crescimento de 3% para 2017.

México
Políticas econômicas mais contracionistas, em meio à atividade mais fraca

Reduzimos nossas projeções para o crescimento do PIB para 2016 e 2017. Além dos dados recentes mais fracos, nossas revisões incorporam novas projeções para os EUA e políticas fiscal e monetária mais contracionistas.

Chile
Atividade decepciona ainda mais

A atividade enfraqueceu além do esperado. Projetamos agora o crescimento do PIB em 1,5% este ano e 2,0% em 2017. A política fiscal mais apertada, os preços baixos das commodities e a confiança em baixa estão prejudicando a atividade.

Peru
À espera do investimento privado

O Peru é o único país da região com uma aceleração visível da atividade econômica. Esperamos que o investimento privado acelere, estimulado por uma maior confiança dos empresários e programas de infraestrutura.

Colômbia
Acordo de paz está próximo

O governo e as Farcs estão próximos de um acordo de paz, após a assinatura de um cessar-fogo. O presidente Santos está pressionando por um acordo final este mês, liberando a agenda política para o debate sobre a reforma tributária.

Commodities
Fundamentos sustentam preços

Oferta menor e demanda robusta seguem contribuindo para a alta dos preços das commodities. Revisamos para cima as projeções de soja e açúcar para o fim de 2016 e reduzimos ligeiramente as projeções de petróleo, incorporando os impactos do Brexit.


 


Crescimento menor no mundo e na América Latina 

Poucos acreditavam, mas os britânicos votaram por sair da União Europeia. O Brexit deve demorar para completar-se, mas seu impacto negativo sobre a economia da Europa e, em menor intensidade, sobre o resto do mundo são imediatos. A resposta expansionista dos bancos centrais mundiais, no entanto, deve limitar o seu contágio financeiro. Esperamos que o Banco Central Europeu (BCE) aumente seu programa de expansão quantitativa e que o Fed desista de subir os juros este ano. Além do Brexit, a capacidade de a China rebalancear sua economia sem uma desaceleração abrupta continua representando um risco importante para as economia emergentes. ‎‎

Na América Latina, as taxas de câmbio se tornaram mais voláteis desde o Brexit, mas sem uma tendência clara. Independentemente dos eventos globais, o crescimento na região vem decepcionando, o que nos levou a reduzir nossa projeção de crescimento do PIB este ano em México, Chile e Argentina. Para o ano que vem, esperamos uma retomada, especialmente no Brasil e na Argentina.

A evolução do câmbio mais favorável, em comparação ao ano passado, e o crescimento fraco reduzem as pressões inflacionárias na região, permitindo uma postura menos conservadora da política monetária. Os bancos centrais do Chile e do Peru estão gradativamente abandonando o viés de aperto monetário. Na Argentina, o banco central vem reduzindo as taxas de juros, depois da forte elevação no início do ano. Na Colômbia, onde o cenário para a inflação está mais desafiador, esperamos mais uma alta de juros antes do fim do ciclo. Já no México, o banco central promoveu novo aperto da política monetária, em resposta à forte depreciação da moeda. Não esperamos altas de juros adicionais no México este ano, a não ser que a má performance da moeda continue.

No Brasil, a economia segue se ajustando, com as contas externas melhorando e os estoques na indústria em queda. As pressões inflacionárias e as expectativas de inflação vêm recuando, movimento reforçado pela postura mais cautelosa do banco central. A confiança de empresários e consumidores começou a melhorar. No entanto, as contas públicas seguem em deterioração. Uma retomada mais intensa e sustentável da economia depende da aprovação de reformas fiscais, especialmente do lado das despesas.


 


Economia global
Brexit não prejudica as perspectivas para os mercados emergentes

A saída dos britânicos da União Europeia, o Brexit, aumenta a incerteza na Europa. Reduzimos nossa projeção do PIB para a zona do euro para 1,3%, de 1,7% em 2017. O impacto em outras regiões é moderado: reduzimos nossas projeções do PIB dos Estados Unidos, em 2016 e 2017, para 1,9%, vindo de 2,0% e 2,1%, respectivamente. No Japão, esperamos agora o crescimento do PIB em 0,3%, em 2016, e 0,7%, em 2017, contra 0,4% e 0,9% no cenário anterior. 

Para a China, os desafios seguem vindo do lado doméstico. Acreditamos que um cenário de desaceleração gradual do crescimento exige estímulos adicionais da política monetária. Mantemos nossa projeção de crescimento do PIB em 6,5% para 2016, e em 6,0% para 2017.

Reduzimos nossas projeções do PIB para a economia mundial de 3,2% para 3,1%, em 2016, e de 3,6% para 3,3%, em 2017. 

Apesar do menor crescimento global, esperamos que o contágio financeiro do Brexit siga contido, em virtude da política monetária expansionista. Esperamos que o Banco Central Europeu (BCE) estenda seu programa de compra de ativos e que o Fed, o banco central dos EUA, mantenha as taxas de juros inalteradas em 2016.

Embora o menor crescimento global não seja positivo para os mercados emergentes, o impacto do Brexit parece administrável. Os principais fatores determinantes de um ambiente externo mais estável para os mercados emergentes permanecem presentes: taxas de juros baixas por um tempo maior nos países desenvolvidos, cenário de desaceleração gradual na China e preços de commodities estáveis.

Europa - Maior incerteza política e econômica afetará o crescimento

Após o resultado do referendo do Reino Unido, o Brexit irá avançar. Apesar da demanda por um segundo referendo, as chances de que ele realmente ocorra são baixas. Provavelmente, o sucessor de David Cameron será a favor da saída, uma vez que o partido Tory é, em sua maioria, favorável a essa opção. O anúncio do próximo primeiro-ministro do Reino Unido deverá ser feito em 9 de setembro, e o escolhido provavelmente ativará o artigo 50 do Tratado de Lisboa até o início do próximo ano. A partir de então, começa um processo de dois anos para retirar o Reino Unido da União Europeia (UE). Por fim, a UE provavelmente não fará concessões para manter o Reino Unido dentro do bloco, pois isso abriria uma janela de oportunidade para que membros insatisfeitos ameacem sair para alcançar benefícios similares.

O Brexit aumenta a incerteza política e econômica na Europa para os próximos dois a três anos. A saída do Reino Unido da UE é importante para ambos os lados. Dois cenários são possíveis ao longo dos próximos anos. No primeiro, a UE pode se tornar mais forte, com uma união fiscal e bancária mais profunda, seguindo o projeto europeu original. Ou, no segundo cenário, os desequilíbrios políticos podem aumentar devido ao Brexit, abrindo caminho para que mais partidos eurocéticos/antiausteridade ganhem apoio, o que, por sua vez, aumenta as barreiras políticas já existentes que vêm bloqueando reformas e aumentando o sentimento anti-integração em toda a Europa. Acreditamos que o cenário de uma UE mais fraca é o mais provável. O referendo constitucional da Itália e as novas eleições presidenciais na Áustria, ambos em outubro, serão os próximos testes.

A incerteza maior será um entrave ao crescimento da zona do euro. Incorporamos os dois choques em nosso modelo econométrico para a região. Em primeiro lugar, adicionamos uma desaceleração no Reino Unido para um ritmo de crescimento trimestral médio de cerca de 0,8-1,0%, com ajuste sazonal, vindo de 2,0-2,5% no 1S16. As exportações da zona do euro para o Reino Unido representam em torno de 3,5% do PIB da região. Portanto, a desaceleração no Reino Unido subtrai perto de 0,10 ponto percentual do ritmo de crescimento trimestral da zona do euro. Em segundo lugar, os riscos políticos e econômicos mais elevados devem reduzir a confiança e aumentar a volatilidade na Europa. Supomos que esse choque corresponda em torno de 25% do impacto sobre a confiança gerado pela crise da zona do euro de 2011-13. De acordo com os nossos cálculos, isso subtrai mais 0,05 p.p. do ritmo de crescimento trimestral do PIB da zona do euro.

No entanto, esperamos que o stress financeiro seja contido pelo BCE. Os principais riscos financeiros são os spreads soberanos mais elevados na periferia e uma contração do crédito bancário em toda a região. Ambos parecem estáveis. Os programas de relaxamento quantitativo (QE, na sigla em inglês) e de transações monetárias diretas (OMT, na sigla em inglês) do BCE mitigam os riscos para a periferia (ver gráfico) e títulos corporativos. A provisão de liquidez ampla do banco central, incluindo empréstimos de longo prazo a taxas negativas, limita os riscos para o setor bancário. A melhor capitalização dos bancos em relação à crise de 2011-2013 também ajuda. Por outro lado, é verdade que as ações dos bancos na Europa estão em níveis mínimos históricos (ver gráfico). Mas acreditamos que isso seja um reflexo natural de uma deterioração das perspectivas macroeconômicas na região, e não um sinal de crise bancária. No entanto, para o longo prazo, há uma preocupação de que a falta de reformas possa sobrecarregar o BCE, levando o banco a alcançar os limites da política monetária.

Reduzimos nossa projeção do PIB para 2017 para 1,3% (de 1,7%), mas mantivemos nossa expectativa de 1,5% para 2016.

EUA – Sem altas de juros em 2016

O choque do Brexit parece administrável, mas o Fed deverá levar mais tempo para retomar seu processo de normalização gradual da política monetária. 

Mesmo antes do referendo no Reino Unido, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) vinha sinalizando que pretendia verificar se a recente desaceleração na criação de emprego é temporária. Acreditamos que este seja o caso e que o crescimento da criação de empregos deve se recuperar para uma média de 150-175 mil por mês no 2S16. No entanto, o Fed vai precisar de mais alguns meses para ter certeza de que o mercado de trabalho não está se deteriorando.

O impacto direto do Brexit na economia dos EUA é pequeno. Estimamos uma redução de 0,3 p.p. para o nível do PIB, no fim de 2017, refletindo um crescimento menor na zona do euro e uma apreciação de 5% do dólar ponderado pela pauta comercial. Além disso, acreditamos que o efeito sobre o mercado de trabalho é modesto, uma vez que o crescimento menor da demanda externa prejudica principalmente o setor manufatureiro, que tem um impacto baixo sobre a demanda de trabalho. Mantemos nossa projeção de que a taxa de desemprego recue para 4,6% no fim de 2016. Reduzimos a projeção do núcleo do deflator dos gastos do consumo em 0,1 p.p., para 1,7%, em 2016, mas mantivemos a projeção de 1,9% para 2017. Por fim, o nosso cenário de apreciação do dólar de cerca de 5% deve ocorrer principalmente em 2017, pois acreditamos que o Fed vá elevar as taxas de juros duas vezes no próximo ano, enquanto outros grandes bancos centrais, como o BCE, devem continuar adotando políticas expansionistas.

No entanto, o Brexit é mais um elemento de risco global maior, em meio a uma recuperação econômica lenta nos EUA, levando a um aperto indesejado das condições financeiras. O Fed está perto do limite inferior de zero para a taxa de juros nominal. Como há pouco espaço para acomodar choques negativos, a única alternativa tem sido a de atrasar aumentos de juros. Acreditamos que o Fed deve responder mais uma vez dessa mesma forma.

Reduzimos nossas projeções do PIB dos Estados Unidos, em 2016 e 2017, para 1,9%, vindo de 2,0% e 2,1%, respectivamente. Também reduzimos nossa projeção para as taxas de juros dos Fed funds de 0,63% para 0,38%, em 2016, e de 1,13% para 0,88%, em 2017.

Japão – Apreciação do iene é um risco para o "Abenomics"

O Brexit afeta a economia do Japão principalmente por levar a uma apreciação do iene. Com o aumento da incerteza econômica e política na Europa, a própria economia global se torna mais frágil. Como consequência, a demanda por ativos seguros, como o iene, aumenta.  A taxa de câmbio já estava sob pressão de apreciação por conta do superávit em conta corrente forte e da demanda por hedge por parte de investidores domésticos e corporativos – a posição de investimento internacional líquido no Japão aumentou para 70%, de 50% do PIB nos últimos cinco anos. Historicamente, o iene também está em níveis muito fracos em termos reais. Por fim, parece que o Banco do Japão (BoJ) não tem muito espaço para adicionar mais impulso à sua política monetária extremamente expansionista. 

Revisamos nossa projeção para o iene frente ao dólar para 100 e 105, em 2016 e 2017, respectivamente, vindo de 115 nos dois anos.    

Um iene forte adiciona dois principais riscos de baixa para a economia japonesa. 

Primeiro, o movimento pode trazer de volta a mentalidade de deflação, que o presidente do BoJ, Haruhiko Kuroda, e o primeiro-ministro Shinzo Abe vêm lutando contra. Um iene mais apreciado pode, de fato, reverter o aumento da inflação observado nos últimos anos. E isso pode contribuir para reduzir as expectativas de inflação, já em queda, para os consumidores e empresas.

Em segundo lugar, um iene mais apreciado pode reduzir os lucros corporativos e o investimento. Pesquisas recentes mostram que a confiança do setor manufatureiro no cenário econômico está caindo em conjunto com o iene mais forte (ver gráfico).

Reduzimos nossa projeção de PIB, de 0,4% para 0,3%, em 2016, e de 0,9% para 0,7%, em 2017.

China – Desaceleração gradual exige mais estímulos

Em nosso cenário, consideramos uma desaceleração gradual na economia chinesa, consistente com a estabilidade dos preços de commodities, nenhuma grande saída de capital do país e o renmimbi não representando uma fonte de incerteza para os mercados globais. A produção industrial e as vendas no varejo têm sido consistentes com esse cenário, permanecendo praticamente estáveis em abril-maio, em 6,0% e 10%, respectivamente. Além disso, os índices de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) sugerem que essa estabilidade continuará em junho.

No entanto, esse cenário requer estímulos adicionais de política. O investimento fixo decepcionou e desacelerou consideravelmente (ver gráfico), devido ao enfraquecimento do investimento privado. A menos que o governo ofereça estímulos adicionais, tal fraqueza poderá prejudicar a produção industrial no 2S16.

Acreditamos que a taxa de juros represente uma forma mais eficaz de fornecer esse estímulo a empresas privadas. Outros estímulos como gastos fiscais, que ampliam os investimentos em infraestrutura, ou cortes de depósitos compulsórios, que aumentariam a liquidez já adequada dos bancos, parecem menos apropriados para ajudar a manufatura privada. Também vale mencionar que a inflação acumulada em 12 meses, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC), caiu para 2,0% em maio, conforme o aumento acentuado nos preços de alimentos está se dissipando. Assim, não há pressão inflacionária no curto prazo que possa preocupar o banco central chinês (PBoC).

Dessa forma, projetamos um corte (0,50 p.p.) na taxa de juros em julho. Anteriormente, esperávamos cortes de 0,50 p.p. na taxa básica de juros perto do fim do ano (0,25 p.p., no fim do 3T; 0,25 p.p., em meados do 4T). No entanto, acreditamos agora que o estímulo pode vir já em julho. O banco central já ordenou que os bancos emprestem a empresas privadas sob as diretrizes do Conselho de Estado. Não acreditamos que essa medida seja suficiente, uma vez que a orientação pode afetar a disposição dos bancos para emprestar, mas não a demanda das empresas privadas. A demanda por empréstimos aumentaria, de fato, com custos menores de financiamento. Portanto, esperamos um corte de 0,50 p.p., para 3,85% (taxa básica de empréstimo, um ano) até o fim de julho.

Mantemos nossas projeções do PIB em 6,5% e 6,0%, para 2016 e 2017, respectivamente.

Mercados Emergentes - Um ambiente externo favorável, apesar do menor crescimento global

Em nossa visão, o ambiente externo se encontra mais estável para os mercados emergentes em 2016, comparado à pressão intensa dos últimos anos. Em primeiro lugar, as taxas de juros globais permanecem em níveis baixos, e o Fed vem reconhecendo de maneira consistente que seu ciclo de normalização será gradual e de menor intensidade. Em segundo lugar, os riscos de baixa permanecem na China, o ritmo de desaceleração, as saídas de capital e o desalinhamento da taxa de câmbio parecem mais moderados este ano. Por fim, os preços das commodities estão estáveis ou em alta no ano, após um declínio generalizado em 2013-2015. Como consequência, os termos de troca estão se estabilizando nas regiões exportadoras de commodities (ver gráfico).

Nesse ambiente, as taxas de câmbio nos mercados emergentes estão mais estáveis, ou mesmo apreciando, em 2016. Este ano, de acordo com nossas estimativas, o dólar recuou 3,5%, contra uma cesta igualmente ponderada de moedas de mercados emergentes no 1S16, depois de ter registrado uma alta de 35% entre 2013 e 2015.

Com menor pressão externa, as condições financeiras estão começando a melhorar nos mercados emergentes. Em 2014 e 2015, a média das taxas de juros de longo prazo (cinco anos) nos mercados emergentes estavam subindo, apesar da queda observada nos países desenvolvidos. Este ano, com a estabilidade das taxas de câmbio, os juros de longo prazo começaram a cair nos mercados emergentes, após nova queda nas economias avançadas (ver gráficos).

A maioria das economias emergentes ainda enfrenta desafios domésticos consideráveis, mas, pelo menos, o ambiente externo, embora ainda volátil, parece mais favorável no momento. 

Commodities - Resiliência devido aos fundamentos construtivos

Os preços das commodities subiram ainda mais em junho (3%, de acordo com o Índice de Commodities Itaú - ICI), estendendo a melhora para 18% no acumulado do ano. Os metais apresentaram o melhor desempenho do mês (com uma alta de 8%), sem nenhum motivo aparente (conforme os nossos modelos). Enquanto isso, os preços dos produtos relacionados ao petróleo subiram 3%, e as commodities agrícolas mantiveram o mesmo nível durante o mesmo período.

Revisamos para cima algumas projeções de preços agrícolas e, para baixo, nosso cenário para o preço do petróleo para o fim de 2016; as projeções dos preços de metais seguem inalteradas. O ajuste nas commodities agrícolas leva em consideração as perdas de safra no Brasil, as perspectivas de condições mais secas nos EUA, reduzindo a produção a partir de agora, e uma área plantada menor do que o esperado para a soja nos EUA, fatores que reforçam a perspectiva de queda dos estoques globais para o ano-safra 2016/17. Ajustamos nossos preços para o Brent para US$52/bbl, de US$55/bbl, devido ao crescimento mais fraco nas economias avançadas e ao dólar mais forte, como reflexo do Brexit.

Nosso cenário implica que o ICI permanecerá estável em relação aos níveis atuais, com os preços agrícolas aumentando 4%; energia, até 3%; e metais, com queda de 9%.



América Latina
Digerindo o impacto do Brexit

As taxas de câmbio da América Latina têm tido um comportamento volátil desde a votação da saída do Reino Unido da União Europeia, o Brexit, mas sem uma tendência clara. Esperamos agora que o real termine este ano em 3,25 por dólar. Para o peso mexicano, continuamos esperando uma apreciação em relação aos níveis atuais, dado que acreditamos que a moeda está subvalorizada.

Os dados de atividade recentes na América Latina decepcionaram. Reduzimos nossas projeções de crescimento para Chile, México e Argentina. No entanto, continuamos esperando que o crescimento na região melhore em 2017 em relação a este ano, liderado por Brasil e Argentina.  

A evolução mais favorável das taxas de câmbio, em comparação ao ano anterior, continuará aliviando as pressões inflacionárias. Nesse contexto, a postura de política monetária está se tornando mais expansionista em muitos países: os bancos centrais do Chile e do Peru estão abandonando gradualmente o viés de aperto, enquanto o debate na Argentina e no Brasil gira em torno do tamanho e/ou momento em que o ciclo de corte de juros deve ocorrer.

Digerindo o impacto do Brexit

As taxas de câmbio da América Latina têm tido um comportamento volátil desde a votação do Brexit, mas sem uma tendência clara. A saída do Reino Unido da União Europeia significa menor crescimento global, mas esperamos que o contágio financeiro permaneça contido devido à política monetária expansionista no exterior. De fato, comparando com os níveis de início de junho, a maioria das moedas latino-americanas estão se apreciando, com o real mostrando um desempenho superior aos seus pares. O real está sendo impulsionado pela expectativa de política monetária contracionista por mais tempo e por um maior otimismo em relação às reformas fiscais. O resultado das eleições presidenciais no Peru beneficiou a moeda do país. Por outro lado, o peso mexicano continua mostrando desempenho ruim. A fraqueza da moeda do México está provavelmente relacionada a uma combinação de carrego baixo, liquidez elevada, riscos associados às eleições nos EUA e às preocupações sobre as contas fiscais do país.

Esperamos agora que o real termine este ano em 3,25 por dólar. Para o peso mexicano, continuamos esperando uma apreciação em relação aos níveis atuais, uma vez que acreditamos que a moeda está subvalorizada. O compromisso das autoridades do México com a moeda (através de políticas fiscal, monetária e cambial), combinado a uma política monetária expansionista no exterior, deve ajudar a trazer o peso mexicano a um nível mais consistente com seus fundamentos. Para o restante das moedas, esperamos que terminem este ano um pouco mais fracas em relação aos níveis atuais. Para 2017, uma pequena depreciação é provável em toda a região, à medida que o Fed, o banco central dos EUA, retome os aumentos nos juros.

Atividade permanece instável

Os dados recentes de atividade na América Latina decepcionaram e o crescimento permanece fraco. A economia da Argentina continua sofrendo o impacto negativo dos ajustes de preços relativos, e a recessão está se aprofundando. Na Colômbia, a economia também está perdendo força, apesar de uma recuperação da produção manufatureira impulsionada pelo setor de refino de petróleo. Houve também uma desaceleração na margem no México, uma vez que as exportações de manufaturados continuam fracas, contrastando com uma tendência ainda forte do consumo. A incerteza sobre as reformas domésticas e os preços baixos do cobre continuam pesando negativamente sobre a economia do Chile. Por outro lado, os indicadores antecedentes no Brasil tiveram uma melhora adicional, e a atividade no Peru continua se beneficiando da expansão da mineração e da recuperação do investimento público. Reduzimos nossas projeções de crescimento para Chile, México e Argentina. 

Mantemos nossa visão de que o crescimento na região irá melhorar em 2017 em relação a este ano, impulsionado por Brasil e Argentina. Os preços mais altos do petróleo deverão beneficiar a atividade no México e na Colômbia. A recuperação da indústria nos EUA (à medida que o impacto negativo do dólar forte e dos preços baixos do petróleo se dissipem) também beneficia o México. Com a incerteza sobre as reformas no Chile diminuindo, espera-se alguma recuperação nos níveis de confiança, em meio a taxas de juros reais baixas, puxando o investimento para cima. A economia do Peru também pode crescer mais rapidamente no próximo ano, uma vez que o investimento privado deixe de ser um entrave, compensando a desaceleração esperada na mineração. Nos dois países que estão atualmente enfrentando recessão – Brasil e Argentina –, a melhora da atividade será mais significativa. Esperamos que a economia brasileira cresça 1,0% (comparado a uma contração de 3,5% este ano) devido ao ajuste de estoques em curso na indústria, à desalavancagem e à menor incerteza sobre o cenário fiscal. A economia da Argentina deve crescer 3% em 2017 (contra uma queda de 1,6% do PIB este ano), com os ajustes econômicos implementados neste ano começarem a gerar resultados.

Postura da política monetária mais expansionista em quase toda a região

A evolução mais favorável das taxas de câmbio relativamente ao ano anterior continuará aliviando as pressões inflacionárias. A inflação no Chile, Peru e Brasil permanece acima do limite superior da meta, mas já mostra tendência de queda. A fraqueza da atividade também ajuda a trazer a inflação para baixo na região, mesmo que a desaceleração em muitos países seja estrutural e, assim, não venha acompanhada de fortes aumentos das taxas de desemprego. Este certamente não é o caso do Brasil, onde a taxa de desemprego está muito acima dos níveis mais baixos atingidos em 2014, com forte queda do emprego. No entanto, na Colômbia, a inflação ainda não atingiu seu pico e está agora em 4,6 p.p. acima do teto do intervalo da meta, devido ao impacto do fenômeno climático El Niño sobre os preços de alimentos, além da depreciação passada do peso. Na Argentina, a inflação também vem surpreendendo para cima: além da pressão dos preços administrados, o núcleo da inflação (que exclui itens com preços regulados) também está mais alto do que o esperado.

Nesse contexto, aumentos das taxas de juros na região estão cada vez mais improváveis. Embora os bancos centrais do Chile e do Peru mantenham oficialmente um viés de aperto, o texto do comunicação oficial sugere que a probabilidade de aumentos adicionais das taxas de juros em ambos os países é baixa, dada a inflação em queda e a demanda interna fraca. Em nossa visão, ambos os bancos centrais devem manter a taxa básica de juros inalterada pelo menos até o fim de 2017. No Brasil, o novo presidente do banco central, Ilan Goldfajn, sinalizou o objetivo de trazer a inflação para o centro da meta já em 2017. Apesar de mantermos nosso cenário de cortes de juros no Brasil a partir do segundo semestre deste ano, o ciclo de afrouxamento provavelmente começará um pouco mais tarde, e com uma cautela maior do que em nosso cenário anterior (esperamos agora cortes da taxa de juros a partir de outubro, com uma redução inicial de 0,25 ponto percentual). Na Argentina, que, como o Brasil, está em recessão com uma política monetária contracionista, o banco central continuará cortando as taxas de juros, apoiado pela expectativa (compartilhada por analistas econômicos) de queda acentuada da inflação no curto prazo. Em nossa visão, a atividade econômica fraca e a apreciação do peso argentino (especialmente em termos reais) também estão pesando sobre as decisões de política monetária. Assim, esperamos mais cortes nas taxas de juros à frente. Por outro lado, as perspectivas para a inflação na Colômbia continuam desafiadoras, e esperamos agora um aumento adicional dos juros em julho, antes de o ciclo (que já totaliza 3 p.p.) terminar. Caso a inflação na Colômbia continue surpreendendo para cima, aumentos adicionais da taxa de juros são possíveis. Finalmente, o banco central do México continua concentrado em conter a depreciação do peso e aumentou a taxa básica de juros em 0,50 p.p., em junho, deixando as portas abertas para mais aumentos. Não esperamos novos aumentos das taxas de juros neste ano no México, a menos que o desempenho fraco da moeda persista.


 

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