Itaú BBA - Crescimento forte e inflação ainda baixa em 2018

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Crescimento forte e inflação ainda baixa em 2018

Janeiro 12, 2018

Efeito favorável resultante do crescimento global disseminado e inflação moderada.

Para os demais textos, acessar o pdf em anexo.
 

Economia global
Cenário segue em condições ideais
Crescimento global disseminado, inflação moderada e bancos centrais cautelosos amparam preços de ativos de risco, volatilidade baixa e fluxos para mercados emergentes.

América Latina
Crescimento deve continuar melhorando em 2018
Com o ambiente externo ainda favorável, o quadro de crescimento na América Latina está melhorando e esperamos aceleração na maioria dos países sob nossa cobertura, à exceção do México.

Brasil
Resultado fiscal melhor, temporariamente
Revisamos nossa projeção de déficit primário em 2017 de 2,3% para 1,9% do PIB, mas o rebalanceamento estrutural da política fiscal segue dependente de reformas.

Argentina
Guinada na política monetária
O governo anunciou metas mais altas de inflação para 2018 e 2019. Ainda que as novas metas pareçam mais críveis que as anteriores, o seu aumento deve dificultar ainda mais o processo de desinflação, dado que as expectativas de inflação devem subir novamente.

México
Retomando o ciclo de alta dos juros
O Banxico voltou a subir juros em dezembro e uma nova alta em fevereiro é provável. Esperamos que a taxa de juros suba até 7,5%. Projetamos crescimento do PIB de 2,1% em 2017 e 2018 – desacelerando de 2,9% em 2016 – com aceleração moderada para 2,4% em 2019.

Chile
Virando a página
O ex-presidente Sebastian Piñera retorna à La Moneda em março com a promessa de levar o Chile de volta para um caminho de crescimento sustentável, enquanto realiza ajustes finos em algumas reformas cruciais implementadas pelo governo Bachelet. Preços mais altos do cobre fortalecem o CLP e ajudam a acelerar o crescimento para 3.0% neste ano e 3.5% no próximo.

Peru
Crise política traz risco negativo para o crescimento
Revisamos nossa projeção de crescimento do PIB em 2018 para baixo, de 4,2% para 4,0%, como consequência da crise política, que deve reduzir a velocidade de crescimento do investimento. Inflação baixa, aliada aos riscos para a atividade, leva a mais flexibilização monetária.

Colômbia
Mais cortes de juros à frente
Leituras de atividade piores que o esperado e fraqueza no mercado de trabalho ressaltam os riscos para a recuperação esperada e devem fazer com que o banco central volte a cortar juros. Projetamos uma taxa final de 4,0%, antes do 2S18.

Commodities
Preços de petróleo mais altos em 2018
Diante da queda recente de estoques, elevamos nossas projeções para a cotação do petróleo no fim do ano de USD 45 para USD 52 para o barril do tipo WTI e de USD 47 para USD 55 para o barril do tipo Brent.


 

 


Crescimento forte e inflação ainda baixa em 2018

Condições monetárias estimulativas nos países desenvolvidos, riscos políticos menores na Europa e desaceleração suave na China dão suporte a uma recuperação global mais sincronizada. Esperamos que o PIB global repita o desempenho de 2017 e cresça 3,8% em 2018, com apenas uma leve desaceleração em 2019, para 3,6%.

Como o crescimento continua acima do potencial nos países desenvolvidos, o hiato do produto nessas economias deve gradualmente se tornar positivo (PIB acima do potencial) e começar a pressionar a inflação, principalmente nos EUA, mas vemos pouco risco de que as taxas da inflação acelerem para além das metas dos bancos centrais em 2018. De forma mais geral, bancos centrais dos países desenvolvidos devem usar a recuperação global para garantir a convergência da inflação para 2% (ou um pouco acima) e dessa forma, devem remover os estímulos monetários de forma muito gradual. Um mudança no regime de política monetária tem se tornado cada vez mais plausível nos EUA.

As economias emergentes excluindo a China estão começando a se recuperar e devem acelerar de 3,7% para 4,2% em 2018. O crescimento na América Latina, em particular, deve acelerar de 1,2% em 2017 para 2,5% em 2018, impulsionado pelo efeitos defasados das políticas monetárias dos países na região. Além disso, o ambiente internacional segue favorável, gerando condições positivas para preços de exportações, riscos soberanos e taxas de câmbio. Esperamos aceleração na maioria dos países sob nossa cobertura na América Latina, com exceção do México. Como reflexo da ociosidade das economias e da apreciação das taxas de câmbio, a maioria dos países vêm observando inflação baixa (ou em queda), o que permite novos cortes de juros na região. No entanto, no México – onde a inflação surpreendeu para cima – o banco central voltou a aumentar as taxas de juros. A inflação segue alta na Argentina, mas o governo ajustou as metas de inflação para cima, levando o banco central a um modesto corte de juros. 

No Brasil, a recuperação da atividade continua e as perpectivas de inflação permanecem benignas: projetamos crescimento de 3,0% em 2018 e 3,7% em 2019, com inflação de 3,8% neste ano e 4,0% no próximo. Esperamos corte adicional de 0,25 p.p. na taxa Selic em fevereiro e outro corte de mesma magnitude em março, encerrando o ciclo de flexibilização monetária em 6,5% a.a.. O real deve sofrer alguma depreciação: esperamos câmbio a 3,50 reais por dólar ao final do ano e 3,60 ao final de 2019. Revisamos nossa projeção de déficit primário do governo em 2017 de 2,3% para 1,9%, mas o rebalancemento estrutural da política fiscal continua dependente de reformas.


 

 


Economia global
Cenário favorável continua

O crescimento global deve manter o ritmo de 3,8% em 2018. O crescimento nos países desenvolvidos deve continuar um pouco acima de 2,0%. Na China, a desaceleração deve ser moderada, de 6,8% para 6,3%. Excluindo a China, o crescimento dos mercados emergentes deve se tornar mais disseminado e acelerar para 4,2% (de 3,7%).

Com o crescimento se mantendo acima do potencial nos países desenvolvidos, o hiato do produto se tornará positivo, levando a uma normalização gradual da inflação, particularmente nos EUA, embora haja pouco risco de a inflação ultrapassar as metas do banco central este ano.

Os bancos centrais dos mercados desenvolvidos usarão a recuperação global para garantir a convergência da inflação para 2% (ou um pouco acima disto) e, consequentemente, remover os estímulos monetários de forma gradual. Uma mudança no regime de política monetária é cada vez mais plausível nos EUA.

O crescimento econômico global disseminado, a inflação moderada e a cautela sinalizada pelos bancos centrais dão suporte a preços de ativos de risco, volatilidade baixa e fluxos de capitais para os mercados emergentes. 

Com o apetite de risco ainda alto, os bancos centrais podem eventualmente se sentir compelidos a implantar medidas macroprudenciais para mitigar riscos sistêmicos.

Efeito favorável resultante do crescimento global disseminado e inflação moderada

As condições monetárias flexíveis nos mercados desenvolvidos, os riscos políticos menores na Europa e um pouso suave na China estão apoiando uma recuperação global mais sincronizada. Esperamos o PIB em 3,8% em 2018, o mesmo nível registrado em 2017, com apenas uma modesta desaceleração para 3,6% em 2019.

O crescimento está se tornando mais generalizado nas economias emergentes. A China deve registrar uma desaceleração modesta em 2018, enquanto as demais economias emergentes estão apenas começando a se recuperar e devem acelerar para 4,2%, de 3,7%. O crescimento da América Latina, em particular, pode acelerar para 2,5% em 2018, de 1,2% em 2017, impulsionado pelos efeitos defasados da política monetária. 

O risco de as taxas de inflação em mercados desenvolvidos ultrapassarem as metas permanece baixo e assimétrico, de modo que os bancos centrais das economias desenvolvidas podem e devem continuar bastante cautelosos na redução da acomodação monetária. Após uma década de inflação baixa, as expectativas de inflação no longo prazo estão um pouco abaixo da meta de inflação nas economias dos principais bancos centrais. Os hiatos do produto estão começando a se tornar positivos em 2018, mas é improvável que exerçam muita pressão sobre a inflação. E, mesmo que a inflação suba um pouco mais rapidamente que o esperado, os bancos centrais podem controlar melhor uma inflação mais alta do que uma inflação mais baixa em um ambiente de taxas de juros baixas/neutras (ver discussão sobre os EUA).

Resumindo, a perspectiva econômica dos países avançados, inclusive dos EUA, é benigna para ativos de risco. Nos EUA, dado o crescimento positivo, alavancagem privada moderada e política monetária flexível do Fed, o banco central dos EUA, nosso modelo econométrico indica que o índice de volatilidade VIX deve permanecer baixo e aumentar apenas gradualmente nos próximos dois anos (ver gráfico).

Esse ambiente promove a tomada de riscos, com valuations de ativos atingindo recordes sucessivos (ver gráfico). De fato, os preços de créditos globais encontram-se próximos das máximas dos últimos 30 anos, os preços de ações subiram bastante no último ano, elevando a razão preço/lucro das empresas acima da média histórica. Os preços de imóveis têm se recuperado da crise financeira, mas ainda se encontram na média histórica vis-a-vis a renda das famílias. Nesse ambiente, os bancos centrais podem se sentir compelidos a implantar ou, pelo menos, estudar a implantação de medidas macroprudenciais destinadas a mitigar riscos sistêmicos.

De fato, períodos de crescimento global sincronizado geralmente são associados à volatilidade baixa (ver gráfico), pois ajudam a aliviar os temores de um choque externo negativo sobre o crescimento dos EUA. 

EUA – Fed seguirá cauteloso em 2018

Projetamos o crescimento do PIB norte-americano aumentando para 2,4% em 2018, de 2,3% em 2017, favorecido por condições financeiras flexíveis e um impulso fiscal moderado. Em 2019, o crescimento poderia desacelerar para 2,1%, um ritmo ainda saudável, à medida que o Fed reduz o estímulo monetário e o hiato do produto se torna positivo. 

A política fiscal deve se tornar um impulso positivo para a demanda privada. A reforma tributária aprovada pelo Congresso deve reduzir os impostos em US$ 150 bilhões (0,75% do PIB) em 2018, e os gastos do governo devem aumentar US$ 50 bilhões este ano. Portanto, esperamos uma contribuição de 0,5 ponto percentual (p.p.) da política fiscal para o crescimento do PIB.

A inflação deve aumentar gradualmente para 2%. Dada a perspectiva de crescimento do PIB, projetamos que a taxa de desemprego diminuirá para 3,5% no fim de 2019, um ponto percentual abaixo da estimativa de pleno emprego (4,5%). Uma regressão linear associa um aumento de 0,2 p.p. na inflação a esse nível de hiato do desemprego, mas as expectativas de inflação abaixo da meta e a inércia provavelmente continuarão pressionando a inflação para baixo, em 0,1 p.p.. Em suma, projetamos que o núcleo da inflação poderia avançar gradualmente de 1,5% em 2017 para 2,0% em 2018 e 2,1% em 2019.

Antecipamos três aumentos de 0,25 p.p. das taxas de juros do Fed em 2018, com riscos equilibrados sob o atual regime de metas de inflação. Dada a perspectiva de inflação benigna e o nível baixo das taxas de juros neutras, o Fed pode apertar a política monetária gradualmente.

Poderia, no entanto, haver um quarto aumento de juros em 2018. Em primeiro lugar, poderia haver um impacto maior (não linear) do hiato do desemprego sobre os salários e a inflação. Em segundo lugar, o PIB poderia crescer mais rapidamente como resultado de um melhor crescimento global (condições financeiras) e estímulo fiscal e/ou aumento da produtividade.

A implementação de apenas dois aumentos dos juros em 2018 também é uma possibilidade. O hiato do desemprego pode causar menos impacto na inflação e expectativas de inflação, situação em que o Fed poderia permitir que a taxa de desemprego caia ainda mais.

Além disso, existe uma chance real de que o novo presidente do Fed, Jerome Powell, venha a alterar o regime de política monetária do Fed. Os membros do Fed e os acadêmicos norte-americanos estão estudando: i) o estabelecimento de metas de nível de preço ou de PIB nominal; e/ou ii) o aumento da meta de inflação para 3%. O Fed quer ancorar melhor as expectativas de inflação, já que, em um ambiente de taxas de juros reais baixas, é esperado que a política monetária seja mais frequentemente restrita por um limite inferior da taxa de juros zero. Essencialmente, o novo regime de política monetária do Fed deve envolver mais estímulos monetários, agora ou no futuro. 

Embora considerações macroeconômicas possam sugerir uma normalização ainda mais gradual da política monetária do que já precificado, há preocupações prudenciais na direção oposta. Considerando-se que um instrumento de política monetária, a taxa de juros, não deveria buscar dois objetivos alternativos, o momento em que as medidas macroprudenciais começarão a ser discutidas pode não estar muito longe. 

De qualquer forma, a direção é de taxas de juros modestamente mais altas nos EUA, cujo impacto sobre as condições financeiras deve ser limitado pelo crescimento global mais sincronizado e pelas reduções de impostos. A maior sincronia no crescimento global significa que outros bancos centrais de mercados desenvolvidos provavelmente seguirão os passos do Fed, mantendo os diferenciais de taxas de juros quase inalterados e o dólar estável. E as reduções de impostos recentes compensam a deterioração dos balanços no setor privado advindos das elevações das taxas de juros.

Esperamos que os juros do título do Tesouro dos EUA de 10 anos aumentem 0,50 p.p., para 2,9%, no fim de 2018, o que está 0,30 p.p. acima da curva de juros a termo do Tesouro dos EUA.

Europa – Bom crescimento, baixos riscos inflacionários e políticos

Esperamos que o PIB da zona do euro avance 2,1% em 2018 e 2019, após um crescimento estimado de 2,3% em 2017. Uma política monetária flexível, políticas fiscais mais flexíveis, sinais indicativos de reformas estruturais e uma redução do risco político estão impulsionando o crescimento da região. Os indicadores econômicos correntes, como o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês), indicam até mesmo um pequeno risco de alta relativo a essa projeção econômica.

Com uma melhor perspectiva econômica, o Banco Central Europeu (BCE) provavelmente encerrará suas compras de ativos em 2018, mas somente aumentará as taxas de juros em 2019. Acreditamos que o maior crescimento justificará o fim do programa de compra de ativos. No entanto, será necessário um aumento mais sustentado da inflação, cujo núcleo encontra-se em 0,9%, antes que o banco central eleve as taxas de juros.

Os riscos políticos parecem relativamente baixos. As negociações do Brexit entre a União Europeia (UE) e o Reino Unido têm perspectivas de avançar esse ano. As eleições na Itália podem impedir as reformas no país, mas não devem provocar uma ruptura na zona do Euro, enquanto uma grande coalizão pró-Europa na Alemanha poderia impulsionar a agenda de Emmanuel Macron na França, que reforçaria a União Européia no médio prazo.

Japão – BoJ deve evitar queda nas taxas de juros reais de 10 anos

O PIB do Japão deve crescer 1,4% em 2018, após registrar 1,8% em 2017, estimulado por condições financeiras flexíveis e crescimento global saudável. É provável que a taxa de desemprego diminua para 2,5% no 4T18, de 2,8% no 4T17, elevando os salários e o núcleo do IPC (ex-alimentos e energia) para 1,0% no 4T18, de 0,2% no 4T17.

Acreditamos que o Banco do Japão (BoJ, na sigla em inglês) aumentará a meta de juros dos títulos do governo japonês (JGB, na sigla em inglês) de 10 anos para 0,2% (de 0,0%) no 2S18, sem prejudicar as perspectivas positivas de crescimento e inflação. A melhora da perspectiva de inflação pode permitir que o BoJ ajuste modestamente sua meta de juros de 10 anos para evitar uma queda nos juros reais de longo prazo (atualmente em -0,5%). Além disso, os aumentos dos juros pelo Fed e o fim do programa de compra de ativos do BCE devem manter os diferenciais de taxas de juros, levando o iene a permanecer estável.

China – Cenário de desaceleração gradual

A atividade econômica na China vem desacelerando gradualmente. Em novembro, a produção industrial caiu 0,1 p.p., para 6,1%, em relação ao ano anterior, enquanto o investimento fixo acumulado no ano ficou em 7,2% sobre o ano anterior, e o crescimento das vendas no varejo acelerou para 10,2% na mesma comparação. Em relação ao setor imobiliário, tanto as vendas quanto as novas construções mostraram recuperação durante o mês. Em dezembro, a sondagem industrial (PMI) moderou ligeiramente de 51,8 para 51,6, mas esse nível ainda é consistente com crescimento estável no fim de 2017.

Mantivemos nossas projeções de crescimento em 6,8% para 2017 e 6,3% para 2018. Para 2019, esperamos que o crescimento modere ainda mais, para 5,9%.

O governo da China provavelmente conseguirá administrar uma desaceleração gradual da economia. A razão entre crédito e PIB permanece elevada, mas começou a se estabilizar com a regulamentação financeira mais rígida para produtos de crédito "alternativos". Além disso, o governo vem conseguindo uma redução gradual do endividamento das empresas estatais, que é o principal problema. O baixo nível de dívida pública permite certo grau de liberdade para o governo administrar a dívida das estatais ao longo do tempo. A demanda privada tem sido cada vez mais impulsionada pelo consumo, e as perspectivas do setor imobiliário também melhoraram, com os estoques mais equilibrados. Além disso, as exportações vem se tornando um fator favorável. E, se necessário, o banco central chinês (PBoC, na sigla em inglês) poderia flexibilizar a politica monetária, uma vez que a inflação medida pelo IPC permanece em 2%, um por cento abaixo da meta.

Commodities – Preços mais altos do petróleo em 2018

O Índice de Commodities Itaú (ICI) aumentou 5,0% desde o fim de novembro, com alta para os subcomponentes de agricultura (2,3%), metais (7,1%) e energia (5,4%), conforme a atividade econômica global mantém o ritmo forte. 

Projeção mais alta de preços do petróleo para 2018. Os preços do WTI subiram 8%, para US$ 61/bbl, no mês passado, devido à queda maior do que o esperado nos estoques dos EUA e aos riscos geopolíticos renovados. Estimamos que os preços do petróleo na faixa de US$ 45-55/bbl possam estabilizar o investimento dos EUA em plataformas de petróleo e ajudar a equilibrar oferta e demanda este ano. Dada a queda recente nos estoques, alteramos nossas projeções de fim de ano para US$ 52/bbl (de US$ 45/bbl) para o WTI e para US$ 55/bbl (de US $ 47/bbl) para o Brent, o nível mais alto desse intervalo.

Ajustamos nossa projeção para os preços dos metais. O rali dos preços dos metais continuou em dezembro, mas ainda vemos correção à frente, conforme a economia chinesa desacelera. Aumentamos nossas estimativas de fim de ano para os preços do cobre para US$ 6.500/mt (US$ 6.200/mt anteriormente), e para os preços do minério de ferro para US$ 60/mt (US$ 58/mt anteriormente).

Para os preços agrícolas, não há mudanças importantes em nosso cenário, apesar dos riscos associados ao fenômeno climático La Niña. Para o açúcar, aumentamos nossa projeção de preços para o fim de 2018 de US$ 0,144/lb para US$ 0,152/lb, devido ao ajuste nos preços de petróleo.


 


América Latina
Crescimento maior em 2018

• O ambiente externo para a América Latina continua favorável, apoiando os preços de exportações, o risco soberano e as taxas de câmbio. O crescimento está melhorando na maioria dos países que cobrimos, e uma aceleração é esperada para 2018, exceto no México.

• Em virtude de hiatos do produto negativos e do fortalecimento da taxa de câmbio, a maioria dos países enfrenta inflação baixa (ou em queda), permitindo reduções adicionais nas taxas de juros. No entanto, no México – onde a inflação surpreendeu para cima – o banco central retomou os aumentos das taxas de juros. A inflação na Argentina também é alta, mas o governo estabeleceu metas maiores para a inflação, levando o banco central a reduzir modestamente as taxas de juros no início deste ano. 

Um ambiente externo benigno – abrangendo o crescimento global forte, as taxas de juros baixas nos mercados desenvolvidos, a percepção de menores riscos políticos na Europa e a desaceleração apenas gradual na China – continua beneficiando os preços de ativos latino-americanos. Os preços de commodities importantes para a região (como os de cobre e petróleo) aumentaram ainda mais recentemente. O risco soberano, medido pelo swap de default de crédito (CDS, na sigla em inglês), atingiu recentemente seu nível mais baixo em vários anos. As moedas se fortaleceram em relação ao dólar nos primeiros dias de 2018 (embora em alguns casos a apreciação tenha apenas compensado a depreciação observada no fim de dezembro). O peso argentino foi exceção e enfraqueceu nas últimas semanas, o que se deve, em parte, à incerteza sobre a política monetária e, em parte, ao fato de que o déficit em conta corrente está atingindo níveis desconfortáveis (sugerindo sobrevalorização da moeda). Ainda assim, alguma depreciação à frente é provável, conforme o Fed, o banco central dos EUA, aumenta as taxas de juros e a economia da China desacelera gradualmente (puxando os preços das commodities para baixo).

Em 2018, esperamos que o crescimento melhore em quase todos os países que cobrimos. A única exceção é o México, onde esperamos que a economia cresça no mesmo ritmo dos 2,1% que estimamos para 2017. De qualquer forma, o México deve continuar a se expandir em torno de seu potencial, amparado pelo dinamismo da economia americana e por um mercado de trabalho doméstico sólido. Por outro lado, os riscos relacionados às eleições presidenciais e às políticas comerciais nos EUA continuarão sendo um entrave para o investimento. A recuperação econômica da Argentina perdeu ímpeto no início do 4T17, mas acreditamos que isso seja temporário. Além do ambiente favorável para os mercados emergentes, a sólida vitória obtida pela coalizão governista nas eleições legislativas de meio de mandato (e a rapida aprovação das reformas econômicas) deve impulsionar a confiança e o investimento, levando a uma expansão econômica de 3,5% este ano (em comparação com a estimativa de 2,9% em 2017). No Brasil, o PIB provavelmente permanecerá estável entre o 3T17 e o 4T17, mas ainda consistente com uma expansão de 1,0% em 2017 (muito melhor do que a contração de 3,0% observada no ano anterior). Esperamos que a economia brasileira cresça 3,0% este ano, impulsionada pelo estímulo monetário. Uma âncora fundamental para nossas projeções para o Brasil é a percepção de que o Congresso retomará as reformas fiscais após as eleições presidenciais. No Chile, os preços mais altos do cobre e o resultado favorável das eleições provavelmente estimularão a confiança e o investimento, impulsionando uma recuperação econômica que tem se mostrado incipiente até o momento. Esperamos agora que a economia do Chile se expanda 3,0% este ano. Os preços mais elevados do cobre também são favoráveis para o Peru (de fato, o investimento em mineração já está se recuperando), mas uma grave crise política quase levou ao impeachment do presidente e provavelmente conterá um pouco a recuperação (reduzimos nossa projeção para este ano de 4,2% para 4,0%). Ao contrário de outros países da região andina, na Colômbia ainda não há sinais de melhora econômica. Em nossa visão, isso é, em parte, resultado dos efeitos defasados da política monetária, que apenas recentemente caminhou para a neutralidade.

Apesar do crescimento mais acentuado, os hiatos do produto permanecem negativos e o ambiente externo favorável está puxando a inflação de bens comercializáveis para baixo. Assim, os bancos centrais do Brasil, Colômbia e Peru devem implementar flexibilização monetária adicional. No Brasil, esperamos dois cortes de 0,25 ponto percentual (p.p.), e no Peru prevemos um corte adicional dos juros. O banco central da Colômbia tem atuado de forma dependente dos dados e fez uma pausa em seu ciclo de flexibilização em dezembro, inclusive para observar como os preços dos ativos se comportariam após o rebaixamento do rating soberano pela Standard & Poor’s (S&P). Mesmo assim, considerando o nível fraco de crescimento, a apreciação da taxa de câmbio e a redução do déficit em conta corrente (uma variável importante para as decisões de política monetária), esperamos que o ciclo seja retomado em breve (projetamos três cortes adicionais de 0,25 p.p.). O banco central argentino também implementou um corte de juros recentemente, após o aumento das metas de inflação pelo governo. Mas reduziu as taxas de juros abaixo do esperado (em 0,75 p.p.), uma vez que o ambiente inflacionário é desafiador mesmo quando mensurado sob as novas metas. Conforme (e se) a desinflação progredir, é provável que haja mais flexibilização da política monetária, mas os próximos dados sobre inflação e expectativas limitam substancialmente o espaço para cortes de juros no curto prazo, além do que esta é a época do ano em que ocorrem os ajustes salariais.

Os eventos políticos serão o destaque na região este ano. As eleições presidenciais no Brasil, no México e na Colômbia serão determinantes importantes dos preços de ativos. Além das eleições, os preços dos ativos mexicanos também serão fortemente influenciados pela renegociação do Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta). De fato, como destacamos na seção sobre o México, nosso cenário base assume a continuidade do Nafta e a manutenção do arcabouço de política econômica pela nova administração. Se pelo menos uma dessas premissas não se concretizar, torna-se provável um cenário de menor crescimento, moeda mais fraca, inflação mais alta e política monetária mais apertada. No Peru, a crise política ainda não terminou. No Chile, o forte apoio à candidata de oposição Beatriz Sánchez na corrida presidencial sugere que a pressão por mudanças mais agressivas nos sistemas de previdência e educação deve continuar. Portanto, será importante observar de que forma o presidente eleito, Sebastián Piñera, equilibrará essas pressões com as restrições orçamentárias e sua intenção de promover reformas favoráveis ao mercado. Por fim, a agenda política na Argentina está mais vazia este ano, já que as reformas mais importantes já foram aprovadas pelo Congresso em dezembro. Nesse contexto, o foco dos mercados se voltará para a capacidade do governo de atingir suas metas fiscais.


 

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