Itaú BBA - Contração maior, com mais riscos

Macro Latam Mensal

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Contração maior, com mais riscos

Maio 11, 2020

Com novas perspectivas para EUA, Zona do Euro e América Latina, revisamos para baixo nossa previsão para o PIB global.


Para os demais textos, acessar o pdf em anexo.

 

Economia global
Economias vão reabrindo, mas riscos de piora persistem
A onda de infecção por COVID-19 foi mais profunda e duradoura na Europa e nos EUA que na China, mas parece ter começado a recuar em ambas as regiões, permitindo a reabertura das economias de forma cautelosa. Reduzimos as previsões para o crescimento do PIB nos EUA (de -1,5% para -3,3%), Europa (de -3,2% para -8,0%) e China (de 2,5% para 2,0%), mas os riscos ainda pendem para o lado negativo.

Brasil
Economia mais fraca em meio a desafios fiscais ainda maiores
Pioramos nossa estimativa de déficit primário de 8,0% para 10,2% do PIB em 2020, devido ao maior impacto de medidas de combate à crise do coronavírus sobre as contas públicas, e reduzimos nossa projeção para o PIB em 2020 para -4,5% (ante -2,5%), incorporando o menor crescimento global, a propagação do vírus ainda intensa e maiores incertezas fiscais, que impactam as condições financeiras. Também esperamos que a taxa Selic encerre 2020 em 2,25% a.a. (ante 2,50%), incorporando o recente aumento do hiato do produto, mas reconhecemos que o ambiente requer cautela. 

América Latina
Nossas Projeções


 


Contração maior, com mais riscos

A onda de infecção por COVID-19 foi mais profunda e duradoura na Europa e nos EUA do que na China, mas finalmente atingiu um pico e começou a recuar, permitindo que ambas as regiões comecem a reabrir suas economias – algumas medidas de flexibilização já estão em vigor e outras devem ser colocadas em prática durante (e possivelmente após) o mês de maio. O prolongado período de crise aguda nos levou a reduzir nossas previsões de crescimento para 2020. Agora, esperamos que o PIB global caia 3,2% este ano (ante -1,1% no último cenário), impulsionado principalmente pelo menor crescimento nos EUA (-3,3%, de -1,5%) e na Europa (-8,0%, de -3,2%). No entanto, acreditamos que a atividade econômica em ambas as regiões atingiu o pior momento em abril, e se normalizará gradualmente (embora de forma desigual) a partir de agora.

Os riscos globais ainda pendem para o lado negativo. Primeiro, há chances de uma segunda onda de contágio. Até agora, a atividade na China está normalizando sem desencadear um novo surto, mas, nesse momento, a possibilidade de reincidência não pode ser descartada em escala global. Segundo, os danos econômicos podem ser mais profundos e mais difíceis de curar do que o previsto. Finalmente, os riscos fiscais/políticos podem aumentar, dificultando a recuperação.

Na América Latina, as autoridades econômicas estão reagindo como podem ao choque. A política monetária está sendo ajustada mais rapidamente em países com melhores fundamentos – Chile e Peru já cortaram juros para suas mínimas efetivas – mas as taxas estão caindo de maneira generalizada. Ao mesmo tempo, as métricas fiscais estão se deteriorando à medida que os governos agem para preservar empregos e empresas, mas também devido à perda de receitas. Qualquer falha no apoio à economia agora pode se mostrar mais dispendiosa nos próximos anos, com a perda de empregos e a falência de empresas – mas, em países como o Brasil, é fundamental que qualquer gasto extra seja visto como uma medida temporária, em vez de uma reversão para práticas insustentáveis. Apesar do estímulo macroeconômico, a contração no primeiro semestre do ano provavelmente será mais profunda do que esperávamos anteriormente e a recuperação deve ser mais gradual, pois o surto deixa cicatrizes no mercado de trabalho e nos balanços dos setores público e privado. Agora, esperamos que o PIB da América Latina caia 6,1% este ano (em relação aos -3,5% anteriores).

No Brasil, agora vemos uma contração de 4,5% em 2020 (anteriormente, -2,5%), devido à propagação continuada do vírus. Para 2021, esperamos um crescimento de 3,5% (ante 4,7%), não apenas devido à menor herança estatística deste ano, mas também devido a condições financeiras menos favoráveis que resultam das crescentes preocupações sobre a dinâmica das contas públicas. A crise cria pressão por gastos mais altos (déficit de 10,2% este ano), algo compreensível neste momento, mas que pode prejudicar a trajetória de ajuste dos próximos anos, caso as medidas de estímulo assumam um caráter mais permanente. De fato, passamos a projetar um déficit primário maior em 2021, impulsionado por mais gastos sociais. A deterioração fiscal aumenta o risco-país e reduz o espaço para uma apreciação do real. Junto com juros mais baixos e uma contração econômica mais acentuada, isso resulta em previsões mais fracas para a taxa de câmbio, agora em R$ 5,75 por dólar no final deste ano e R$ 4,50 por dólar no próximo (anteriormente, 4,60 e 4,15). Finalmente, embora esse ambiente exija cautela, acreditamos que o recente aumento do hiato do produto permitirá um corte adicional da taxa de juros, levando a taxa Selic para 2,25% até o final do ano (2,50% anteriormente).


 


Economia global
Economias vão reabrindo, mas riscos de piora persistem 

• A onda de infecção por COVID-19 foi mais profunda e duradoura na Europa e nos EUA do que na China, mas finalmente atingiu um pico e começou a recuar, permitindo que ambas as regiões começassem a reabrir suas economias cautelosamente.

• Reduzimos as previsões para o PIB dos EUA em 2020 de -1,5% para -3,3%, e de -3,2% para -8,0% na Europa. A nosso ver, a economia em ambas as regiões atingiu o pior momento em abril, e se normalizará gradualmente (e erraticamente) a partir de agora.

• Reduzimos nossas projeções de crescimento de China para 2,0% (ante 2,5%) em 2020 e para 7,5% em 2021 (ante 8,0%), uma vez que as incertezas em torno da meta de crescimento permanecem.

• Os riscos ainda pendem para o lado negativo. Primeiramente, há chances de uma segunda onda de contágio. Em segundo lugar, os danos econômicos (por exemplo, inadimplência) podem ser mais profundos do que o previsto. Por fim, os riscos fiscais/políticos podem aumentar, dificultando a recuperação. A Europa parece mais exposta a vários desses riscos atualmente.

• Na América Latina, a deterioração mais acentuada da atividade reduz as pressões inflacionárias na maioria dos países.


Para os demais textos, acessar o pdf em anexo.



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