Itaú BBA - Amortecendo a queda

Macro Latam Mensal

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Amortecendo a queda

Março 6, 2020

Respostas de política econômica podem mitigar a piora das condições financeiras ante a difusão global do coronavírus, mas riscos permanecem.


Para os demais textos, acessar o pdf em anexo.

 

Economia global
Choque no crescimento
Revisamos nossa projeção de crescimento global de 3,1% para 2,7%, ante a difusão global do coronavírus. Respostas de política econômica podem mitigar a piora das condições financeiras, mas os riscos permanecem elevados.

Brasil
Copom: reagindo às incertezas
O BC sinalizou que poderá tomar medidas para mitigar os efeitos do coronavírus. Assim, revisamos nossa projeção para a taxa Selic de 3,75% em 2020 e 4,0% em 2021. Também esperamos um menor crescimento do PIB em 2020 (1,8%, ante 2,2%), em decorrência de dados mais fracos no 1T20 e da desaceleração global.

Argentina
Jogando duro
O governo sinalizou que a proposta para renegociação de dívida significará perda significativas aos credores. Acreditamos que as negociações devem se prolongar, aumentando o risco de inadimplência.

México
Antecipando cortes
Esperamos que o Banxico reduza a taxa de juros em 0,50 p.p. neste mês, em decorrência do corte do Fed e de um menor crescimento global. 

Chile
Calmaria antes de outra tempestade?
Além da desaceleração global, incertezas domésticas (como sinalizado pelos apelos por mais protestos em março) devem pesar sobre o crescimento este ano. 

Peru
Mais estímulos monetários
Crescimento mais fraco no Peru e no mundo, inflação abaixo da meta e o corte do Fed aumentam a chance de mais afrouxamento monetário pelo BCRP. Esperamos agora dois cortes de 0,25 p.p., levando a taxa de juros para 1,75%. 

Colômbia
Cenário global põe em risco a recuperação
Esperamos crescimento de 3,1% neste ano, mas a desaceleração global é um risco de baixa relevante, aumentando também a chance de cortes de juros.


 


Amortecendo a queda 

Antes concentrado na China, o novo coronavírus continua a se difundir pelo globo, atingindo mais de 80 países em todas as regiões. Além de um grande problema de saúde pública, a epidemia segue afetando preços de ativos e as cadeias de produção global. Para mitigar os impactos da epidemia na economia e nas condições financeiras, também crescem apelos por políticas econômicas mais estímulativas. O Fed reduziu a taxa de juros básica da economia americana em reunião extraordinária, e uma nova redução provavelmente está a caminho. Outros bancos centrais também seguiram ou ainda devem seguir na mesma direção.

Neste contexto, revisamos nossa projeção de crescimento mundial para 2,7%, ante 3,1% no cenário anterior. As respostas de política econômica ajudarão a amortecer a queda, mas os riscos adversos para o cenário permanecem. Reduzimos nossas expectativas de crescimento econômico para a China, Europa e América Latina. Os Estados Unidos parecem, a nosso ver,mais resilientes neste momento e, apesar de uma pequena desaceleração no curto prazo, devem se recuperar de maneira mais rápida nos trimestres à frente devido aos estímulos monetários.

Na América Latina, os impactos da epidemia ocorrerão em contexto em que o crescimento econômico já se mostrava frustrante. Reduzimos nossas projeções de crescimento para Brasil, México e Peru. Poucos países na região contam com espaço para estímulos fiscais, mas há espaço para mais afrouxamento monetário. Esperamos cortes de juros no Brasil, México, Chile, Peru, e, apesar de projetarmos taxas de juros constantes na Colômbia, reconhecemos que as chances de um corte no país aumentaram substancialmente com as novas perspectivas para a economia global.

No Brasil, o Banco Central sinalizou que poderá tomar medidas para mitigar os efeitos do coronavírus, o que abre espaço para novos cortes de juros à frente. Assim, esperamos que a taxa Selic seja cortada novamente em 0,25 p.p. em março e que encerre este ano no nível de 3,75% a.a. e 2021 em 4,0% a.a. (ante 4,25% e 4,5% no cenário anterior, respectivamente). Quanto à atividade econômica, em decorrência de dados mais fracos no primeiro trimestre deste ano e da desaceleração global, projetamos crescimento de 1,8% em 2020 (ante 2,2%).


 


Economia global
Choque no crescimento 

• O contágio do coronavírus se estabilizou na China, mas a doença se espalhou globalmente.

• Revisamos nossas previsões de PIB: de 3,1% para 2,7% em nível global; de 5,8% para 5,3% na China; de 1,0% para 0,6% na Europa; e de 1,1% para 0,8% na América Latina. A projeção para o PIB dos EUA permaneceu inalterada em 2,0%.

• As respostas de política econômica atenuam o aperto financeiro, mas ainda existem riscos negativos para o cenário.

• América Latina: BCs estão utilizando uma parcela considerável do espaço de política monetária.


Para os demais textos, acessar o pdf em anexo.



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