Itaú BBA - A recuperação global se inicia

Macro Latam Mensal

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A recuperação global se inicia

Junho 5, 2020

Com sinais de desaceleração do surto de covid-19, economias estão começando a se recuperar.


Para os demais textos, acessar o pdf em anexo.

 

Economia global
Depois da queda
Dados recentes indicam que uma recuperação já começou em diversas economias, à medida que governos flexibilizam restrições à mobilidade e riscos de novas ondas da pandemia seguem contidos. Mantivemos nossas expectativas de crescimento do PIB para 2020 em 2,0% na China e -8,0% na Europa, embora neste último caso perspectivas de coordenação fiscal tendam a reduzir riscos negativos. Nos Estados Unidos, revisamos nossa projeção para -5,0% (de -3,3%) em 2020, mas já há sinais de recuperação da atividade. 

Brasil
Sinais iniciais de estabilização
Uma retomada econômica gradual teve início em maio, mas os riscos de uma piora do surto de coronavírus permanecem. Mantivemos nossas projeções de crescimento do PIB em -4,5% e 3,5% em 2020 e 2021, respectivamente. Revisamos nossas expectativas de inflação em 2020 para 1,8% – abaixo do piso da meta de inflação – e para 2,8% em 2021, incorporando preços menores de energia elétrica este ano. Também mantivemos nossa expectativa que o Copom realize um novo corte de 0,75 p.p. na taxa Selic em sua próxima reunião, levando-a para o nível final de 2,25% a.a. em 2020 (3,0% a.a. em 2021).

América Latina
Nossas projeções


 


A recuperação global se inicia

À medida que a pandemia começa a mostrar sinais mais consistentes de desaceleração nos países desenvolvidos, dados preliminares de maio indicam que essas economias estão começando a se recuperar. Os governos seguem diminuindo gradualmente as medidas de distanciamento social, sempre cautelosos com os riscos de ondas adicionais da doença – que parecem estar contidos, por ora –, enquanto fortes estímulos monetários e fiscais feitos em meio à crise seguem reforçando o movimento de normalização. Certamente, a recessão será profunda, mas o pior parece ter ficado para trás – desde que a pandemia seja contida.

Na China, uma recuperação em V em alguns setores importantes reforça nossa expectativa de crescimento de 2,0% do PIB para 2020 e 7,5% em 2021, além de sustentar os preços das commodities nos mercados globais. Nos EUA, revisamos nossa projeção de crescimento do PIB para -5,0% em 2020 (de -3,3% no cenário anterior) e para 4,0% em 2021 (de 4,5%), devido ao recuo da atividade econômica maior do que o esperado nos últimos meses e perspectivas de uma normalização mais branda até o final do ano. No entanto, a economia já mostrou sinais de recuperação em maio, e será apoiada por amplos pacotes de estímulos das autoridades. Na Europa, a reabertura levou a uma melhora significativa da mobilidade, ainda maior nos últimos dias, à medida que os riscos de uma segunda onda parecem cada vez menores. Mantemos nossa projeção de queda de 8,0% do PIB em 2020 e aumento de 5,0% em 2021, mas uma perspectiva de melhor coordenação fiscal, após a proposta da Alemanha e França para um fundo de recuperação, tende a reduzir os riscos negativos.

O número de casos de COVID-19 segue aumentando na América Latina, embora uma maior taxa de testagem seja parcialmente responsável por isso. Devido a dados econômicos mais fracos do que o previsto, revisamos nossa projeção de crescimento do PIB da região em 2020 de -6,1% para -6,4%, mas agora esperamos um crescimento ligeiramente maior em 2021, de 3,8%, comparado com 3,7% anteriormente. O amplo hiato do produto e os preços de petróleo ainda baixos devem manter a inflação reduzida em quase todos os países, permitindo mais estímulos monetários no México, Brasil e Colômbia, enquanto Peru e Chile devem manter as taxas próximas de zero por algum tempo.

No Brasil, enquanto um alívio gradual das medidas de distanciamento social pode auxiliar, em tese, na recuperação econômica (que parece ter começado em maio), os riscos de uma piora do surto de coronavírus permanecem. Mantemos nossas projeções de PIB para 2020 e 2021 em -4,5% e 3,5%, respectivamente. Revisamos nossas expectativas de inflação em 2020 para 1,8% – abaixo do piso da meta de inflação – e para 2,8% em 2021, incorporando preços menores de energia elétrica neste ano. É importante ressaltar que o Conselho Monetário Nacional estabelecerá a meta de inflação para 2023 até o final do mês, e esperamos que esta seja de 3,25% ou até mesmo 3,00%. Por fim, mantivemos nossa previsão de taxa Selic chegando a um novo valor mínimo de 2,25% para 2020 e 3,0% para 2021. Acreditamos que, por se tratar de um território inexplorado, o Banco Central deve atuar com cautela para evitar o risco de flexibilização monetária excessiva, o que poderia afetar preços de ativos de forma que restrinja as condições financeiras, tornando-se contraproducente.


 


Economia global
Depois da queda


 

• A China passa por uma recuperação em forma de V no mercado imobiliário residencial e nos investimentos em infraestrutura, dando sustentação a preços de commodities.

• EUA: Reduzimos a previsão para o crescimento do PIB em 2020 de -3,3% para -5,0%, mas acreditamos que uma recuperação já começou, impulsionada por estímulos monetários e fiscais.

• Europa: A reabertura com transmissão do vírus bem contida e progresso no projeto de coordenação fiscal (com o fundo de recuperação) devem melhorar a perspectiva desfavorável para a economia da região.

• Uma vez que os riscos de uma segunda onda de contágio pelo coronavírus ainda não se concretizaram, as preocupações migraram para questões políticas nos EUA e geopolíticas.

• América Latina: Reabertura gradual em um ambiente arriscado.


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