Itaú BBA - Queda na taxa de participação evita aumento do desemprego em janeiro

Macro Brasil

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Queda na taxa de participação evita aumento do desemprego em janeiro

Fevereiro 25, 2016

A massa salarial real contraiu 9,9% ante o mesmo mês do ano anterior.

Segundo dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), a taxa de desemprego atingiu 7,6% em janeiro. Usando nosso ajuste sazonal, a taxa diminuiu de 8,1% para 7,8%. O resultado do mês foi puxado por uma queda da taxa de participação, que atingiu o menor nível desde 2002. A fraqueza da atividade econômica deve aumentar o desemprego nos próximos meses.

Os salários reais seguem em retração. A massa salarial real contraiu 9,9% ante o mesmo mês do ano anterior. O quadro segue indicando menor consumo das famílias à frente.

Taxa de participação atinge seu menor nível desde 2002

A taxa de desemprego atingiu 7,6% em janeiro, abaixo de nossa projeção (8,2%) e das expectativas de mercado (8,0%). Usando nosso ajuste sazonal, a taxa recuou de 8,1% para 7,8%. Em relação ao mesmo mês do ano anterior, a taxa aumentou 2.3 p.p. (de 5,3% para 7,6%).

O resultado do mês mostrou estabilidade na população ocupada. A queda do desemprego foi puxada por uma queda da taxa de participação, que atingiu 55,0% ante 55,2% em dezembro (dados dessazonalizados). Se a taxa tivesse permanecido estável, o desemprego teria atingido 8,2% em janeiro, o que representaria um aumento na margem em dados dessazonalizados. O recuo da taxa de participação foi resultado de uma contração de 0,1% na população economicamente ativa (PEA) e uma alta de 0,3% da população em idade ativa (PIA).

Nos últimos seis meses, a taxa de participação diminuiu cerca de 1,0 p.p.. Em janeiro, a taxa de participação atingiu o menor nível desde 2002. Vale notar que esta tendência difere da observada pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua). Esta indica aumento da taxa de participação (tanto nas 6 regiões metropolitanas que compõem a PME quanto em âmbito nacional).

Salários seguem em desaceleração

O salário médio nominal recuou 0,1% em janeiro ante dezembro, após ajuste sazonal. Nos últimos meses a tendência é de desaceleração. Em relação ao mesmo mês do ano anterior, os salários cresceram 3,1% (ante 5,0% em dezembro). Os salários reais contraíram 1,1% na margem e 7,4% ante o mesmo mês do ano anterior. Finalmente, a massa salarial real recuou 1,0% em janeiro ante dezembro, após ajuste sazonal, e 9,9% ante janeiro de 2015.

Conclusão

Embora a Pesquisa Mensal de Emprego tenha mostrado uma taxa de desemprego menor que a esperada, avaliamos que não se trata de uma mudança na tendência. O resultado do mês foi puxado por uma queda na taxa de participação, enquanto na PNAD Contínua é observada uma tendência de alta. Ademais, a atividade econômica em contração deve reduzir o nível de emprego nos próximos meses. Finalmente, os salários nominais seguem em desaceleração, contribuindo para contração da massa salarial real. Esse cenário aponta para novas quedas no consumo das famílias à frente.

Rodrigo Miyamoto


 



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