Itaú BBA - IPCA-15 subiu 0,21% em abril, abaixo do esperado

Macro Brasil

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IPCA-15 subiu 0,21% em abril, abaixo do esperado

Abril 20, 2017

Nossa projeção preliminar aponta alta de 0,15% para o IPCA de abril.

O IPCA-15 registrou variação de 0,21% em abril, resultado abaixo da nossa estimativa e da mediana das expectativas de mercado. Com isso, a taxa em 12 meses recuou para 4,41%, após ter atingido 4,73% em março. As maiores contribuições de alta no mês vieram dos grupos saúde e cuidados pessoais, alimentação e bebidas, e habitação. No sentido contrário, os grupos transportes e artigos de residência registraram taxas negativas. A maior parte do desvio em relação à nossa estimativa veio do subgrupo alimentação no domicílio. Apesar de o resultado abaixo do esperado do IPCA-15, revisamos para cima a nossa previsão para a alta do grupo alimentação, haja vista os resultados das coletas de preços na margem apontarem para preços mais pressionados, especialmente dos alimentos in natura. Dessa forma, ajustamos ligeiramente a projeção para o IPCA do mês fechado de 0,13% para 0,15%, o que resultará em uma queda na taxa em 12 meses para 4,1%.

O resultado do IPCA-15 de abril (0,21%) veio abaixo da nossa estimativa (0,28%) e da mediana das expectativas de mercado (0,27%). No mês passado, o IPCA-15 havia registrado variação de 0,15%, enquanto em abril de 2016, 0,51%. Com isso, o índice acumulou alta de 1,22% no quadrimestre (ante 3,32% no mesmo período do ano passado), com a taxa em 12 meses recuando para 4,41% (4,73% em março).

Os preços livres variaram 0,26% no mês, com a taxa em 12 meses recuando para 4,2% (4,6% no mês passado), enquanto os preços administrados variaram 0,06%, com a taxa em 12 meses cedendo para 5,1% (5,2% no mês passado). As maiores contribuições de alta entre os preços administrados vieram de plano de saúde e gás de botijão, enquanto a maior contribuição de baixa veio da gasolina. No âmbito dos preços livres, a alimentação no domicílio apresentou variação de 0,36%; os preços industriais variaram -0,09%; e os serviços, 0,44%. A maior contribuição de alta entre os serviços veio da passagem aérea, diante da alta mensal de 15,3% nos bilhetes. Na apuração dos últimos 12 meses, a taxa da alimentação no domicílio cedeu para 2,4% (3,8% no mês anterior); a dos preços industriais, para 2,6% (3,0% no mês passado); enquanto a dos serviços subiu para 6,2% (6,0% no mês anterior). No segmento dos serviços, o indicador subjacente – que exclui itens relacionados a turismo, serviços domésticos, cursos e comunicação – mostrou variação de 0,31% no mês, com a taxa em 12 meses recuando de 5,5% para 5,3%.

Por grupos de produtos, as maiores contribuições de alta vieram de saúde e cuidados pessoais (0,10 p.p.), alimentação e bebidas (0,08 p.p.) e habitação (0,06 p.p.). No grupo saúde, as maiores contribuições de alta vieram de plano de saúde, remédios e artigos de higiene pessoal. No grupo alimentação, as maiores contribuições vieram de tubérculos, raízes e legumes (destaque para altas nos preços do tomate e da batata-inglesa), alimentação fora do domicílio, e leite e derivados. Por outro lado, os grupos transportes (-0,08 p.p.) e artigos de residência (-0,02 p.p.) registraram contribuições negativas. No caso de transportes, o resultado ainda reflete o efeito de quedas nos preços da gasolina e do etanol, que mais do compensou o efeito de alta das passagens aéreas.

Os núcleos da inflação também subiram mais do que no mês anterior. Na média das três medidas mais utilizadas (média aparada com suavização, dupla ponderação e exclusão de itens mais voláteis), a variação foi de 0,30%, ante 0,26% em março, com a taxa em 12 meses recuando para 5,6% (5,8% no mês anterior). O índice de difusão – que mede a proporção de produtos com taxa de variação positiva – subiu para 56,7%, ante 53,2% em março. Com ajuste sazonal, a difusão total subiu de 52% para 54% na margem.

Com base nos dados do IPCA-15 e de outras informações correntes, ajustamos ligeiramente a projeção para o IPCA do mês fechado de 0,13% para 0,15%, o que resultará em um recuo na taxa em 12 meses para 4,1% (ante 4,57% em março). Pelas nossas estimativas, as maiores contribuições de alta virão dos grupos alimentação e bebidas – destaque para alimentos in natura – e saúde e cuidados pessoais – destaque para remédios e planos de saúde. No sentido contrário, o grupo habitação apresentará contribuição negativa ao redor de -0,15 p.p., em razão da queda na conta de luz. Esse resultado refletirá o impacto da devolução de uma cobrança indevida atrelada à usina nuclear de Angra III, que mais do que compensará o efeito decorrente do acionamento da bandeira tarifária vermelha, em vigor desde o início do mês, além de outros ajustes ocorridos em tarifas e impostos.

Tabela 1 – IPCA-15


 

Elson Teles
Economista


 

 



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