Itaú BBA - Copom: riscos simétricos, sem pressa para agir

Macro Brasil

< Voltar

Copom: riscos simétricos, sem pressa para agir

Março 20, 2019

O Copom decidiu manter a taxa Selic inalterada em 6,5% ao ano, como amplamente esperado, e agora enxerga o balanço de riscos para a inflação como simétrico

O Copom decidiu manter a taxa Selic inalterada em 6,5% ao ano, como amplamente esperado, em votação unânime. Apesar das incertezas sobre a continuidade das reformas, o comitê agora enxerga o balanço de riscos para a inflação como simétrico, reconhecendo que os indicadores recentes apontam para um ritmo de recuperação econômica aquém do esperado, mas que uma avaliação desse comportamento exigirá tempo. Em particular, o comitê sinalizou que tal avaliação não será concluída no curto prazo, já que requer mais observações sobre o comportamento da economia sob menor incerteza e livre dos efeitos dos vários choques sofridos no último ano. Saberemos mais detalhes sobre o racional do Copom com a divulgação da ata da reunião na terça-feira, 26 de março, às 08:00, horário de Brasília.
 

Detalhes

No comunicado, o comitê avaliou que os indicadores recentes de atividade econômica apontam para um ritmo aquém do esperado, ainda que em processo de recuperação gradual. O cenário externo permanece desafiador – por um lado, os riscos associados à normalização das taxas de juros nas econômicas avançadas recuaram, enquanto, por outro lado, elevaram-se os riscos associados a uma desaceleração global.

O comitê segue avaliando que medidas de inflação subjacente estão em níveis apropriados ou confortáveis, inclusive os componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária.

As expectativas de inflação apuradas pela pesquisa Focus para 2019, 2020 e 2021 se mantiveram em 3,9%, 4,0% e 3,75%, respectivamente.

No que diz respeito às projeções do próprio Copom, no cenário com juros constantes a 6,50% a.a. e taxa de câmbio constante em R$/US$ 3,85 (valor médio arredondado dos cinco dias úteis até a sexta-feira anterior à reunião), as projeções aumentaram para 4,1% (de 3,9%) para 2019 e permaneceram em 4,0% para 2020. Tomadas a valor de face, essas projeções não mostram nem espaço para cortes, nem necessidade de aumentos de juros. No cenário com trajetórias para as taxas de juros e câmbio extraídas da pesquisa Focus, as projeções do Copom se mantiveram em torno de 3,9% para 2019 e 3,8% para 2020. Esse cenário supõe trajetória de juros que encerra 2019 em 6,50% a.a. e atinge 7,75% em 2020, além de uma taxa de câmbio que termina 2019 em R$/US$ 3,70 e 2020 em R$/US$ 3,75.

Houve uma alteração importante na avaliação do comitê a respeito do balanço de riscos, que passou a ser descrito como simétrico. De forma consistente com essa mudança, foi removida da discussão a ênfase que vinha sendo dada para os riscos de alta, relacionados à possível frustração das expectativas de reformas e a possíveis mudanças no cenário externo para economias emergentes.

Como nos comunicados recentes, o Copom reiterou que a conjuntura econômica prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural. Também foi repetido que a continuidade do processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira é essencial para a manutenção da inflação baixa no médio e longo prazos, para a queda da taxa de juros estrutural e para a recuperação sustentável da economia. A percepção quanto a continuidade desta agenda de reformas afeta, segundo o comitê, expectativas e projeções macroeconômicas correntes.

Os próximos passos da política monetária seguem descritos como condicionais à evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação. Nesse contexto, o comitê agora destaca que é importante observar o comportamento da economia brasileira ao longo do tempo, para avaliar sua evolução diante de menores níveis de incerteza e na ausência dos choques observados em 2018. O Copom considera que esta avaliação demanda tempo e não deverá ser concluída no curto prazo.

Dessa forma, o Copom decidiu manter a taxa Selic inalterada em 6,5% ao ano, como amplamente esperado, em votação unânime. Apesar das incertezas sobre a continuidade das reformas, o comitê agora enxerga o balanço de riscos para a inflação como simétrico, reconhecendo que os indicadores recentes apontam para um ritmo de recuperação econômica abaixo do esperado, mas que uma avaliação desse comportamento exigirá tempo. Em particular, o comitê sinalizou que tal avaliação não será concluída no curto prazo, já que requer mais observações sobre o comportamento da economia sob menor incerteza e livre dos efeitos dos vários choques sofridos no último ano. Saberemos mais detalhes sobre o racional do Copom com a divulgação da ata da reunião na terça-feira, 26 de março, às 08:00, horário de Brasília.



< Voltar