Itaú BBA - Copom: reconhecendo uma economia mais fraca, mas sem reação iminente

Macro Brasil

< Voltar

Copom: reconhecendo uma economia mais fraca, mas sem reação iminente

Maio 8, 2019

O comunicado pós-reunião sugere que as autoridades estão menos otimistas quanto ao ritmo de recuperação da economia

O Copom manteve a taxa Selic inalterada, em 6,5% a.a., em decisão amplamente esperada. Alterações no comunicado pós-reunião sugerem que as autoridades estão (corretamente, a nosso ver) menos otimistas quanto ao ritmo de recuperação da atividade econômica. Embora insistindo na necessidade de esperar por mais clareza no fronte de reformas, as autoridades parecem inclinadas a reavaliar a adequação do atual estímulo monetário na economia, caso a atividade não se fortaleça nos próximos meses. Acreditamos que os riscos de baixa para a trajetória de inflação tendem a prevalecer, após a aprovação da reforma da Previdência, o que levará as autoridades a retomar a flexibilização monetária, mas não antes de setembro. Teremos mais detalhes sobre o racional do Copom com a divulgação da ata da reunião na terça-feira, 14 de maio, às 08:00, horário de Brasília.
 

Detalhes

No comunicado, o comitê afirmou que os indicadores recentes de atividade econômica sugerem que o arrefecimento da atividade observado no final de 2018 continuou no início de 2019 (antes a economia era descrita como em recuperação gradual, ainda que em ritmo aquém do esperado). Frente a essa piora, o Copom afirma que seu cenário contempla retomada do processo de recuperação gradual da atividade econômica.

O cenário externo permanece desafiador, com riscos associados à normalização das taxas de juros nas economias avançadas reduzidos no curto e médio prazo, mas, por outro lado, com a permanência dos riscos associados a uma desaceleração global.

O comitê avalia que medidas de inflação subjacente estão em níveis apropriados, inclusive os componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária.

As expectativas de inflação apuradas pela pesquisa Focus subiram de 3,9% para 4,0% em 2019 e se mantiveram em  4,0% e 3,75% para 2020 e 2021, respectivamente.

No que diz respeito às projeções do próprio Copom, no cenário com juros constantes a 6,50% a.a. e taxa de câmbio constante em R$/US$ 3,95 (valor médio arredondado dos cinco dias úteis até a sexta-feira anterior à reunião), as projeções aumentaram para 4,3% (de 4,1%) para 2019 e permaneceram em 4,0% para 2020. No cenário com trajetórias para as taxas de juros e câmbio extraídas da pesquisa Focus, as projeções do Copom subiram para 4,1% em 2019 (de 3,9%) e permaneceram em 3,8% para 2020. Esse cenário supõe trajetória de juros que encerra 2019 em 6,50% a.a. e atinge 7,50% a.a. em 2020, além de uma taxa de câmbio que termina 2019 em R$/US$ 3,75 e 2020 em R$/US$ 3,80.

O balanço de riscos para a inflação continou a ser descrito como simétrico. No entanto, o comitê agora avalia que o risco associado à ociosidade dos fatores de produção se elevou na margem. Não houve nenhuma mudança no que diz respeito à descrição dos riscos de alta, que consistem na possibilidade de frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira e a uma deterioração do cenário para economia emergentes.

Como nos comunicados recentes, o Copom repetiu que a continuidade do processo de reformas é essencial para a manutenção da inflação baixa no médio e longo prazos, para a queda da taxa de juros estrutural e para a recuperação sustentável da economia. A percepção quanto à continuidade desta agenda afeta, segundo o comitê, expectativas e projeções macroeconômicas correntes. Também foi reiterado que a conjuntura econômica prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo do patamar neutro.

Os próximos passos da política monetária seguem descritos como condicionais à evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação. O comitê manteve a afirmação de que é importante observar o comportamento da economia brasileira ao longo do tempo, na ausência dos efeitos remanescentes dos choques observados em 2018 e – agora com maior ênfase – com a redução do grau de incerteza a que a economia ainda está exposta. O Copom considera que esta avaliação demanda tempo e não deverá ser concluída no curto prazo.

Dessa forma, o Copom manteve a taxa Selic inalterada, em 6,5% a.a., em decisão amplamente esperada. Alterações no comunicado pós-reunião sugerem que as autoridades estão (corretamente, a nosso ver) menos otimistas quanto ao ritmo de recuperação da atividade econômica. Embora insistindo na necessidade de esperar por mais clareza no fronte de reformas, as autoridades parecem inclinadas a reavaliar a adequação do atual estímulo monetário na economia, caso a atividade não se fortaleça nos próximos meses. Acreditamos que os riscos de baixa para a trajetória de inflação tendem a prevalecer, após a aprovação da reforma da Previdência, o que levará as autoridades a retomar a flexibilização monetária, mas não antes de setembro. Teremos mais detalhes sobre o racional do Copom com a divulgação da ata da reunião na terça-feira, 14 de maio, às 08:00, horário de Brasília.



< Voltar