Itaú BBA - Copom: pronto para retomar ciclo, condicional à reforma

Macro Brasil

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Copom: pronto para retomar ciclo, condicional à reforma

Junho 19, 2019

O comunicado abre caminho para a retomada do ciclo de flexibilização monetária, desde que haja “avanços concretos” na agenda de reformas.

A decisão do Copom de manter a taxa básica inalterada em 6,5% ao ano era amplamente esperada. O comunicado abre caminho para a retomada do ciclo de flexibilização monetária, já na reunião do dia 31 julho, desde que haja “avanços concretos” na agenda de reformas. O comitê admite que a recuperação econômica foi interrompida e apresenta projeções no cenário de referência (câmbio constante a R$ 3,85 e taxas de juros de 6,5% a.a.), que são inconsistentes com a trajetória de metas – 3,7% para 2020, contra a meta de 4,0%. No entanto, o comitê adverte, acertadamente, que o cenário benigno da inflação depende das reformas. Saberemos mais sobre as visões das autoridades com a divulgação da ata da reunião, às 08h00 de terça-feira, 25 de junho. As opiniões do banco central também serão delineadas no Relatório Trimestral de Inflação e na coletiva de imprensa que o acompanha em 27 de junho (também nesse dia será anunciada a meta de inflação para 2022, que esperamos ser fixada em 3,5%). Continuamos a avaliar positivamente as perspectivas de reformas e, portanto, ainda esperamos que o Copom retome o ciclo de cortes de juros na reunião de julho, com um movimento de 0,25 p.p., e que a taxa Selic encerre o ano em 5% a.a.

Detalhes

No comunicado, o comitê afirmou que os dados recentes de atividade econômica indicam interrupção do processo de recuperação da economia brasileira nos últimos trimestres (na reunião de maio, o processo de recuperação era descrito como em arrefecimento; na de março, o processo era gradual). Frente a essa nova piora, o Copom coloca que seu cenário contempla retomada desse processo adiante, de maneira gradual.

O cenário externo passou a ser avaliado como menos adverso, devido a mudanças nas perspectivas para a política monetária nas principais economias. No entanto, permanecem os riscos associados a uma desaceleração global.

O comitê avalia que medidas de inflação subjacente estão em níveis apropriados, inclusive os componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária.

As expectativas de inflação apuradas pela pesquisa Focus recuaram de 4,0% para 3,8% em 2019 e se mantiveram em 4,0% e 3,75% para 2020 e 2021, respectivamente.

No que diz respeito às projeções do próprio Copom, no cenário com juros constantes a 6,50% a.a. e taxa de câmbio constante em R$/US$ 3,85 (valor médio arredondado dos cinco dias úteis até a sexta-feira anterior à reunião), as projeções recuaram para 3,6% (de 4,3%) para 2019 e 3,7% (de 4,0%) para 2020. No cenário com trajetórias para as taxas de juros e câmbio extraídas da pesquisa Focus, as projeções do Copom caíram para 3,6% em 2019 (de 4,1%) e aumentaram ligeiramente para 3,9% (de 3,8%) para 2020. Esse cenário supõe trajetória de juros que encerra 2019 em 5,75% a.a. e atinge 6,50% a.a. em 2020, além de uma taxa de câmbio que termina 2019 e 2020 em R$/US$ 3,80.

O balanço de riscos para a inflação continuou a ser descrito como simétrico, apesar de ter evoluído de maneira favorável. Dentre os riscos que tem sido comumente discutos (ociosidade da economia, frustração com o avanço de reformas e deterioração do ambiente externo), o comitê deu destaque àquele associado a uma eventual frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira, afirmando que, nesse momento, esse é o fator preponderante em sua avaliação.

O comitê manteve a afirmação de que é importante observar o comportamento da economia brasileira ao longo do tempo com redução do grau de incerteza a que a economia ainda está exposta, mas não mais mencionou os efeitos remanescentes dos choques observados em 2018. 

Como nos comunicados recentes, o Copom repetiu que a continuidade do processo de reformas é essencial para a queda da taxa de juros estrutural e para a recuperação sustentável da economia. A percepção quanto à continuidade desta agenda afeta, segundo o comitê, expectativas e projeções macroeconômicas correntes. De maneira relevante, o Copom destacou que, para a consolidação do cenário benigno para inflação prospectiva, são fundamentais avanços concretos na agenda de reformas. 

A decisão do Copom de manter a taxa básica inalterada em 6,5% ao ano era amplamente esperada. O comunicado abre caminho para a retomada do ciclo de flexibilização monetária, já na reunião do dia 31 julho, desde que haja “avanços concretos” na agenda de reformas. O comitê admite que a recuperação econômica foi interrompida e apresenta projeções no cenário de referência (câmbio constante a R$ 3,85 e taxas de juros de 6,5% a.a.), que são inconsistentes com a trajetória de metas – 3,7% para 2020, contra a meta de 4,0%. No entanto, o comitê adverte, acertadamente, que o cenário benigno da inflação depende das reformas. Saberemos mais sobre as visões das autoridades com a divulgação da ata da reunião, às 08h00 de terça-feira, 25 de junho. As opiniões do banco central também serão delineadas no Relatorio Trimestral de Inflação e na coletiva de imprensa que o acompanha em 27 de junho (também nesse dia será anunciada a meta de inflação para 2022, que esperamos ser fixada em 3,5%). Continuamos a avaliar positivamente as perspectivas de reformas e, portanto, ainda esperamos que o Copom retome o ciclo de cortes de juros na reunião de julho, com um movimento de 0,25 p.p., e que a taxa Selic encerre o ano em 5% a.a.



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