Itaú BBA - Cockpit do Copom: flexibilização com cautela

Macro Brasil

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Cockpit do Copom: flexibilização com cautela

Março 13, 2020

Esperamos que o Copom reduza a taxa Selic em 0,25 p.p. para 4,0% a.a.


Para o relatório completo com gráficos e tabelas, favor acessar o pdf em anexo.

 

 O Copom volta a se reunir na semana que vem, nos dias 17 e 18 de março. Acreditamos que as projeções de inflação do Copom para 2020 devem recuar de 3,5% para 3,3%, tanto no cenário híbrido 1 (que inclui taxa de câmbio constante e taxa de juros de acordo com a pesquisa Focus) quanto no cenário de referência (que considera taxa de câmbio e taxa de juros constantes). Para 2021, o cenário hibrido 1 deve mostrar recuo de 3,7% para 3,6%, enquanto o cenário de referência deve recuar de 3,8% para 3,7%.

 A nota publicada pelo banco central em 3 de março mostrou que a visão da autoridade monetária na ocasião era de que o impacto da epidemia de coronavírus sobre a economia brasileira proveniente da desaceleração global tenderia a dominar uma eventual deterioração nos preços de ativos financeiros (leia-se câmbio). Sendo assim, a nota sinalizou claramente a possibilidade de novos cortes de juros à frente, especialmente considerando que sua publicação ocorreu no mesmo dia em que o banco central americano (Fed) cortou sua taxa de juros básica em 0,50 p.p. em reunião extraordinária. 

 O documento também enfatizou que as duas semanas seguintes permitiriam uma avaliação mais precisa dos efeitos do surto de coronavírus sobre a trajetória prospectiva de inflação no horizonte relevante de política monetária. Sendo assim, ficou evidente que o comitê queria observar os efeitos econômicos e no mercado financeiro provocados pela epidemia para então definir precisamente o próximo passo da política monetária. Desde então, tivemos uma forte volatilidade cambial, que foi acompanhada por uma oscilação substancial da curva de juros. Essa volatilidade dos mercados de ativos adiciona incerteza às avaliações sobre os próximos passos da política monetária. Observamos, também, uma deterioração relevante das perspectivas para o crescimento econômico, no mundo e no Brasil, em 2020.

 Entendemos que, em termos líquidos, os desenvolvimentos das últimas semanas, a evolução do balanço de riscos e das perspectivas para a inflação, permitem uma cautelosa flexibilização adicional da política monetária, com dois cortes de 0,25 p.p. na Selic, que chegará a 3,75% a.a. na reunião de maio do Copom. No contexto atual, acreditamos que cortes de magnitude maior poderiam acarretar aperto das condições financeiras e, assim, atuar de forma contraproducente. Esse risco, no entanto, dependerá de forma importante do comportamento dos mercados globais, bem como das respostas de política econômica – em particular, o ritmo de afrouxamento monetário – em economias centrais.


Para o relatório completo com gráficos e tabelas, favor acessar o pdf em anexo.


 



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