Itaú BBA - Cockpit do Copom: Corte de 0,25 p.p. na primeira reunião do ano

Macro Brasil

< Voltar

Cockpit do Copom: Corte de 0,25 p.p. na primeira reunião do ano

Janeiro 31, 2020

Esperamos que o Copom reduza a taxa Selic em 0,25 p.p., para 4,25% a.a., na reunião de 4 e 5 de fevereiro.


Para o relatório completo com gráficos e tabelas, favor acessar o pdf em anexo.
 

  O Copom volta a se reunir na semana que vem, nos dias 4 e 5 de fevereiro. Acreditamos que as projeções de inflação no cenário de mercado (que inclui câmbio e taxa de juros de acordo com a pesquisa Focus) devem recuar de 3,5% para 3,4% em 2020, e continuar em 3,4% tanto em 2021 quanto em 2022. No cenário híbrido 1 (que considera câmbio constante e taxa de juros de acordo com a pesquisa Focus), as estimativas devem recuar de 3,7% para 3,5% em 2020 e continuar em 3,7% para 2021 e em 3,5% para 2022.

 Entendemos que os fatores de risco para a trajetória de inflação evoluíram de maneira positiva desde a última reunião, com medidas de núcleos mantendo dinâmica benigna e as expectativas de inflação permanecendo ancoradas. Acreditamos ainda que a trajetória das projeções indica que as autoridades podem ser surpreendidas com uma inflação mais baixa que esperado no primeiro trimestre de 2020. Quanto à atividade econômica, há uma tendência de recuperação gradual, embora dados mais recentes tenham mostrado resultados ambíguos. A capacidade ociosa da economia segue elevada sob diversas métricas.

 A epidemia de coronavírus, centrada na China, tem motivado aumento de aversão ao risco e depreciação de ativos de economias emergentes, inclusive os brasileiros. Acreditamos que tais efeitos tendem a ser passageiros e que, a médio prazo, esses desenvolvimentos configuram pressão negativa sobre a atividade econômica global, e um potencial risco de baixa para a recuperação no Brasil. 

 Apesar do destaque que vem sendo dado pelo comitê e seus membros às incertezas quanto ao canal de transmissão da política monetária, em um contexto de efeitos defasados da política monetária, entendemos que a combinação dos fatores destacados acima indica que o Copom verá espaço para reduzir a taxa Selic em 0,25 p.p., para 4,25% a.a., na reunião de 4 e 5 de fevereiro. 

 Quanto aos próximos passos da política monetária, será importante observar se o comunicado da reunião sinalizará a intenção de fazer uma pausa para avaliar os efeitos defasados do processo de flexibilização monetária, ou se deixará em aberto a possibilidade de um ajuste adicional. Em qualquer caso, o comitê deverá destacar, como de costume, que seus próximos passos dependerão da evolução dos dados econômicos, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação. No momento, mantemos a expectativa de redução da Selic para 4% a.a. no final do ciclo de flexibilização, em março, o que pode ser revisto à luz da comunicação do BC no comunicado da próxima reunião ou documentos subsequentes. 


Para o relatório completo com gráficos e tabelas, favor acessar o pdf em anexo.



< Voltar