Itaú BBA - TSE considera candidatura de Lula inválida

Conjuntura Macro

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TSE considera candidatura de Lula inválida

Setembro 3, 2018

O ex-presidente Lula (PT) teve sua candidatura impugnada em sessão do TSE no dia 31

A economia brasileira em agosto de 2018
 

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) finalizou a análise das candidaturas a presidente e votou a favor da impugnação da candidatura de Lula, no último dia do mês. Pesquisas eleitorais realizadas antes dessa decisão mostraram aumento das intenções de voto em Lula e Bolsonaro. Banco Central manteve a taxa Selic estável em 6,5%. O PIB avançou 0,2% no 2T18, mas o crescimento subjacente perdeu força. O IPCA foi normalizado após a paralisação dos caminhoneiros. O setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 3,4 bilhões em julho.

TSE considera candidatura de Lula inválida

O ex-presidente Lula (PT) teve sua candidatura impugnada em sessão do TSE no dia 31. Em votação por seis votos a um, a corte negou o direito de candidatura com base na lei da ficha limpa e estabeleceu que o partido terá dez dias para apresentar um substituto, em decisão que ainda pode ser contestada por meio de recursos no STF e STJ. Com efeito imediato após a votação do dia 31, o partido não pode mais utilizar a imagem de Lula em propagandas que o apresentem como candidato. Adicionalmente, os institutos de pesquisa não têm mais a obrigação de incluir seu nome nos questionários das próximas coletas. Além de Lula, outros 12 candidatos apresentaram registro no TSE e tiveram suas candidaturas aprovadas: Álvaro Dias (Podemos), Cabo Daciolo (Patriota), Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB), Guilherme Boulos (PSOL), Henrique Meirelles (MDB), Jair Bolsonaro (PSL), João Amoêdo (Novo), João Vicente Goulart (PPL), José Maria Eymael (DC), Marina Silva (Rede) e Vera Lúcia (PSTU). 

Pesquisas mostram aumento das intenções de voto em Lula e Bolsonaro

De acordo com pesquisas eleitorais realizadas ao longo de agosto, antes da decisão de TSE contra a participação de Lula no pleito, nos cenários com Lula (PT), o ex-presidente liderava com 39% das intenções de voto na pesquisa Datafolha, 37% na pesquisa Ibope e também 37% na pesquisa MDA. Este valor se compara com 30% na pesquisa Datafolha anterior, divulgada no inicio de junho, 33% na pesquisa Ibope de final de junho, e 32% na pesquisa MDA anterior, divulgada em meados de maio.

Os institutos Datafolha e Ibope também divulgaram cenários sem Lula, com Fernando Haddad (PT) como substituto.  Na pesquisa Datafolha, Jair Bolsonaro (PSL) lidera com 22% das intenções de voto (19% na pesquisa Datafolha anterior), seguido por Marina Silva (REDE) com 16% (de 15%), Ciro Gomes (PDT) com 10% (inalterado), Geraldo Alckmin (PSDB) com 9% (ante 7%), Fernando Haddad (PT) com 4% (1%) e Álvaro Dias (PODE) com 4% (inalterado). Já na pesquisa Ibope, Jair Bolsonaro (PSL) lidera com 20% das intenções de voto (17% na pesquisa anterior do mesmo instituto), seguido por Marina Silva (REDE) com 12% (de 13%), Ciro Gomes (PDT) com 9% (ante 8%), Geraldo Alckmin (PSDB) com 7% (6%), Fernando Haddad (PT) com 4% (2%) e Álvaro Dias (PODE) com 3% (inalterado). Nesta semana, tanto Ibope quanto Datafolha divulgarão novas pesquisas na terça-feira e quinta-feira, respectivamente.

Banco Central mantém Selic estável em 6,5%

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central tomou a decisão amplamente esperada de manter a taxa básica inalterada em 6,50% p.a., sem viés, em uma decisão unânime. As autoridades fizeram as atualizações factuais habituais, destacando os efeitos da paralisação dos caminhoneiros na atividade econômica (negativos) e na inflação (aparentemente temporários). O comitê observou que o nível de ociosidade da economia ainda é alto, o que coloca um viés baixista, mas observou, também, que os riscos para as perspectivas de inflação, decorrentes da incerteza sobre a implementação das reformas e do ambiente externo, permanecem elevados, equilibrando, assim, sua mensagem. Aparentemente, o comitê não quis alimentar discussões de movimentos de curto prazo na taxa Selic, seja para cima ou para baixo.

PIB avança 0,2% no 2T18, mas crescimento subjacente perde força

O PIB apresentou crescimento dessazonalizado de 0,2% no 2T18, ante o trimestre anterior, e alta de 1,0%, na comparação anual. O resultado veio acima da mediana das expectativas (0,1%). A abertura pela ótica da demanda mostra um quadro de desaceleração. O investimento em capital fixo recuou 1,8%, impactado pelo aperto nas condições financeiras, enquanto o consumo das famílias avançou 0,1%, desacelerando em relação ao trimestre anterior (0,4%). Sob a suposição que o crescimento subjacente da atividade econômica seguirá perdendo força, projetamos crescimento do PIB de 1,3% em 2018 e de 2,0% em 2019.

Indicadores de atividade mostram normalização

Após recuo da maior parte dos indicadores de atividade em maio, em decorrência da paralisação dos caminhoneiros, os dados relativos ao mês de junho apresentaram normalização. A produção industrial avançou 13,1% no mês (com ajuste sazonal), retornando ao patamar anterior a maio, sem compensar, entretanto, o que deixou de ser produzido. A receita real do setor de serviços apresentou crescimento de 6,6% no mês (com ajuste sazonal), com destaque para o aumento de 15,7% no componente de transportes.

As vendas no varejo, por outro lado, não retomaram os níveis pré-paralisação, apresentando queda de 0,3%, em termos livres de efeitos sazonais, estendendo o recuo do mês anterior. No conceito ampliado (que inclui veículos e materiais de construção), o resultado apresentou crescimento de 2,5% no mês, superando a mediana das expectativas de mercado, mas sem compensar o recuo de 5,1% no mês de maio.

Desemprego recua em julho, Caged aponta criação de 47 mil vagas

A taxa de desemprego nacional recuou para 12,3% em julho, ante 12,4% no mês anterior. Em termos livres de sazonalidade, o índice recuou 0,1 p.p. para 12,2%. A taxa de participação (razão entre a PEA e a população em idade ativa; ambos os dados dessazonalizados), que vinha recuando desde novembro, avançou ligeiramente para 61,4% no trimestre concluído em julho, em linha com a média histórica. Com avanços tanto nos salários médios reais quanto na população ocupada, a massa salarial real avançou 0,7% ante o trimestre anterior, o que se reflete em crescimento de 2,0% na comparação anual. 

Segundo o Ministério do Trabalho (CAGED), houve criação líquida de 47.319 empregos formais em julho. O resultado ficou acima das expectativas do mercado (25,7 mil). Dados livres de sazonalidade apontam para a criação de 15 mil empregos no mês. Apesar da alta no mês de julho, a média móvel de 3 meses recuou para 4 mil (ante 6 mil), mantendo a tendência de deterioração observada desde o início do ano. Em linhas gerais, a piora do mercado de trabalho formal desde o começo do ano – um dos fatores determinantes para a nossa revisão negativa do crescimento projetado para 2018 – continua no começo do segundo semestre.

IPCA normaliza após a paralisação dos caminhoneiros

O IPCA apresentou variação de 0,33% em julho, acima da mediana das expectativas de mercado (0,26%). Desta forma, a inflação mostrou expressiva desaceleração em relação ao resultado de junho (1,26%), sinalizando a dissipação dos impactos decorrentes das paralisações no setor de transporte de cargas (nos preços de alimentos e combustíveis) e da bandeira tarifária vermelha (na conta de energia elétrica). Em agosto, o IPCA-15 registrou variação de 0,13%, ligeiramente acima da mediana das expectativas de mercado (0,10%). Com isso, a variação acumulada no ano atingiu 3,14%, com a taxa em 12 meses recuando para 4,30% (ante 4,53% no mês anterior). A principal contribuição de alta no mês veio do grupo habitação (0,17 p.p.), pressionado pela energia elétrica. Por outro lado, a maior contribuição negativa veio do grupo transportes (-0,16 p.p.), refletindo a queda nos preços dos combustíveis e da passagem aérea. A nossa projeção preliminar para o IPCA do mês fechado aponta variação de -0,02%, com a taxa em 12 meses recuando de 4,5% para 4,3%. Em linhas gerais, esperamos manutenção da inflação em nível próximo à meta de 4,5% nos próximos meses, com queda a partir do quarto trimestre do ano.

Setor público consolidado registra déficit primário de R$ 3,4 bilhões em julho

O setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 3,4 bilhões em julho, abaixo do consenso de mercado (R$ 7,0 bilhões). Os governos regionais e as estatais registraram déficit de R$ 1,8 bilhão e superávit de R$ 1,1 bilhão, respectivamente, ante nossa expectativa de déficit de R$ 2,5 bilhões e déficit de R$ 0,3 bilhão, em ordem. As surpresas positivas decorrem de receitas arrecadadas maiores que o esperado e da não contabilização de gastos com pagamento ao fundo de financiamento das eleições, que deve ocorrer somente no próximo mês. No acumulado em 12 meses, o déficit primário consolidado recuou de 1,3% em junho para 1,1% do PIB em julho.  A dívida bruta do governo geral atingiu 77,0% do PIB e a dívida líquida do setor público alcançou 52% do PIB em julho. Apesar dos resultados primários anuais ainda deficitários, a devolução de R$ 130 bilhões do BNDES para o Tesouro Nacional e o patamar historicamente baixo das taxas de juros reais permitirão que a dívida bruta apresente um crescimento como proporção do PIB mais moderado em 2018. No entanto, sem reformas, como a da Previdência, os resultados fiscais voltarão a uma tendência de deterioração de 2019 em diante.

Arrecadação federal segue em ritmo robusto

A arrecadação federal foi de R$ 129,6 bilhões em julho, acima das expectativas de mercado. A variação em doze meses atingiu 18,3% em termos reais, influenciada, especialmente, pelo desempenho de componentes relacionados aos impostos sobre companhias (+28%) e receitas advindas dos royalties de petróleo (+104%). Em linhas gerais, a continuidade do ritmo robusto da arrecadação federal, apesar da recuperação mais gradual da atividade econômica, é consistente com nossa visão de que o déficit primário do governo central para 2018 deve ser ligeiramente melhor do que a meta de 2,3% do PIB (R$ 159 bilhões).

Ativos financeiros

Em agosto, o Ibovespa recuou 12,1% em dólares e 3,2% em reais. O risco-país medido pelo CDS subiu 88pbs e terminou o mês em 302pbs. A taxa de câmbio depreciou para 4,13 reais por dólar.

Próximos eventos

O Copom anunciará a decisão de politica monetária no dia 19 de setembro. O noticiário sobre as eleições, incluindo pesquisas de intenção de votos, continuará sendo o destaque das próximas semanas.

 



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