Itaú BBA - S&P reduz a nota do Brasil; ativos brasileiros valorizaram no mês

Conjuntura Macro

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S&P reduz a nota do Brasil; ativos brasileiros valorizaram no mês

Abril 1, 2014

O Brasil teve sua nota de crédito reduzida pela Standard & Poor’s, mas permanece um nível acima do grau de investimento.

A economia brasileira em março de 2014

O Brasil teve sua nota de crédito reduzida pela Standard & Poor’s, mas permanece um nível acima do grau de investimento. O Banco Central (BC) ainda deve continuar a elevar a taxa de juros, mas já indica fim do ciclo, apesar da inflação mais alta de alimentos por problemas climáticos. Os indicadores de crescimento se recuperaram no início do ano, embora os fundamentos da economia ainda apontem para uma expansão lenta à frente. Enquanto isso, o desemprego se manteve nas mínimas históricas. A presidente Dilma segue liderando as pesquisas de intenções de voto, mas a aprovação ao seu governo caiu. Os ativos brasileiros tiveram forte valorização durante o mês.

Standard & Poor’s reduz classificação de risco do Brasil

A agência de classificação de risco Standard & Poor's rebaixou a nota de crédito soberano do Brasil de BBB para BBB-. A classificação em BBB, alcançada em novembro de 2011, já estava sob “perspectiva negativa” há oito meses. A agência apontou em sua justificativa dificuldades do lado fiscal e desaceleração do crescimento econômico. A classificação de BBB- ainda mantém o País um nível acima do grau de investimento. A S&P afirmou que a perspectiva da nota brasileira agora é estável, o que indica que a agência não deve fazer novos movimentos no curto prazo. As demais agências de risco, Moody’s e Fitch, ainda classificam o Brasil dois níveis acima do grau de investimento, e ambas mantêm perspectiva estável para o País.

Inflação sofre pressão adicional por alimentos

O IPCA-15 subiu 0,73% em março, sendo que as maiores contribuições de alta vieram dos grupos alimentação e bebidas —, já refletindo o efeito de adversidades climáticas — e transportes. A taxa em 12 meses acelerou de 5,65% em fevereiro para 5,90% em março. Os núcleos e os serviços desaceleraram na margem, mas como os resultados superaram os registrados em março do ano passado, as taxas em 12 meses subiram para 6,2% e 9,0%, respectivamente. A aceleração da inflação de alimentos tornou-se o principal risco para a alta da inflação no curto prazo.

Banco Central indica que continuará a elevar os juros, mas não por muito tempo

O Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil (Copom) divulgou o seu Relatório Trimestral de Inflação (RI) referente ao primeiro trimestre. A projeção de inflação para 2014 aumentou, mas retoma a trajetória decrescente já a partir de meados deste ano. Além disso, o Copom reforçou que os mecanismos de transmissão da política monetária vêm funcionando normalmente, e que seus efeitos sobre a inflação são cumulativos e ocorrem com defasagens. Entendemos que o Relatório é consistente com a continuidade do ciclo de alta de juros adiante, mas não por muito tempo. Projetamos pelo menos uma alta adicional de 0,25 ponto percentual na taxa Selic na próxima reunião do Copom.

 PIB mensal sobe fortemente, mas fundamentos ainda apontam crescimento lento

O PIB mensal Itaú Unibanco (PIBIU) teve forte alta em janeiro, recuperando-se da queda de dezembro. Destaque para as altas da indústria de transformação e do comércio varejista. A agropecuária e a extrativa mineral reduziram a produção em janeiro, sendo as principais contribuições negativas para a atividade econômica. Para fevereiro, os dados já divulgados surpreenderam positivamente e apontam para uma nova alta do PIB mensal, embora em ritmo bem mais moderado. Contudo, há sinais de que a alta da atividade em fevereiro ocorreu com acúmulos indesejados de estoques. Como os fundamentos não se alteraram, alguma redução da atividade deve ocorrer adiante. Esses dados em conjunto ainda sugerem uma variação do PIB próxima de zero no primeiro trimestre, mas os riscos de baixa diminuíram.

A taxa de desemprego permanece baixa, com menor crescimento da população ocupada

A taxa de desemprego ficou em 5,1% em fevereiro, próxima das expectativas do mercado. No entanto, houve surpresa negativa em relação ao crescimento da população ocupada quanto da população economicamente ativa. Em nossa visão, a menor procura por trabalho, principalmente entre os jovens de 18 a 24 anos, deverá manter a taxa de desemprego em patamares historicamente baixos nos próximos trimestres, mesmo que o crescimento do emprego se mantenha modesto. O salário médio real aumentou, refletindo a baixa taxa de desemprego. A massa salarial real também ganhou força, mas seu ritmo de crescimento é menor que em anos anteriores, pois não há a contribuição positiva da população ocupada. Dessa forma, o consumo deve continuar crescendo, mas a taxas mais moderadas.

Superávit primário se eleva em fevereiro por melhora dos governos regionais

O superávit primário acumulado em 12 meses aumentou de 1,7% em janeiro para 1,8% em fevereiro. Excluindo-se as receitas e despesas atípicas, o superávit também subiu, de 0,8% para 0,9% do PIB. O melhor resultado dos governos regionais foi importante para o aumento do resultado consolidado, mas acreditamos que essa melhora seja temporária. Continuamos a esperar que o superávit primário neste ano seja de 1,3% do PIB.

Avaliação do governo piora, mas a presidente Dilma segue líder na intenção de votos

A pesquisa Ibope revelou que a aprovação ao governo (percentual dos que consideram o governo “ótimo” ou “bom”) caiu de 39% em fevereiro para 36% em março. O Ibope também divulgou que a presidente Dilma segue na liderança na intenção de votos com 43%, seguida por Aécio Neves, com 15%, e Eduardo Campos, com 7%. Se esse resultado se mantiver na eleição de outubro, Dilma venceria no primeiro turno.

Ativos brasileiros se valorizam

O mês apresentou fortes ganhos dos ativos brasileiros. A taxa de câmbio se apreciou 3%, com a maior parte do movimento ocorrendo na segunda metade do mês. O Ibovespa subiu 7.1% em reais, e 10.4% em dólares. O risco-Brasil terminou o mês em 171 pontos-base, queda de 0.4% sobre o mês anterior.

Próximos eventos

A próxima reunião do Copom para decisão sobre a taxa de juros será no dia 2 de abril. Esperamos alta da taxa em 0,25 p.p., para 11,00%. O programa partidário do PSDB na TV ocorrerá no dia 17  (todos os partidos têm direito a um programa no primeiro semestre: o do PSB foi em março, e o do PT será em maio).


 



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