Itaú BBA - Segunda instância rejeita recurso de Lula

Conjuntura Macro

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Segunda instância rejeita recurso de Lula

Fevereiro 1, 2018

O TRF-4 rejeitou recurso do ex-presidente Lula em segunda instância e aumentou a pena para 12 anos e um mês.

A economia brasileira em janeiro de 2018

O TRF-4 rejeitou recurso do ex-presidente Lula em segunda instância e aumentou a pena para 12 anos e um mês. A agência de risco Standard & Poor’s rebaixou a nota de crédito soberano do Brasil de BB para BB- e alterou a perspectiva para estável (de negativo). A taxa de desemprego nacional recuou para 11,8% em dezembro. Indicadores de atividade mantiveram tendência de alta. Arrecadação federal cresceu 2,6% em 2017 após 3 anos de queda. A balança comercial teve forte superávit pelo terceiro ano consecutivo, registrando US$ 67,0 bi em 2017.

TRF-4 rejeita recurso de Lula em segunda instância e aumenta pena para 12 anos e um mês

A 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) decidiu, por unanimidade, em favor de manter a condenação e ampliar a pena de prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para 12 anos e um mês, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro do triplex em Guarujá (SP). Em julho de 2017, o juiz Sergio Moro havia determinado nove anos e seis meses de prisão.

S&P rebaixa nota de crédito do Brasil

A agência de risco Standard & Poor’s rebaixou a nota de crédito soberano do Brasil de BB para BB- e alterou a perspectiva para estável (de negativo). Com isso, o país fica três níveis abaixo do grau de investimento. Como motivo para o rebaixamento, a agência destacou a dificuldade no avanço do ajuste fiscal e a perspectiva de intensificação das incertezas políticas ao longo de 2018.

Segundo o Datafolha, Lula ainda lidera em todos os cenários

De acordo com a pesquisa, em um cenário em que Lula concorre à presidência, ele obteria 34% dos votos no primeiro turno, seguido por Jair Bolsonaro (16%) e Marina Silva (8%). Luciano Huck e Geraldo Alckmin obtiveram 6% de votos cada. Em um cenário alternativo, Bolsonaro lidera com 18%, seguido por Marina (10%) e Ciro Gomes (10%). Luciano Huck e Geraldo Alckim também acumularam 8% dos votos cada um. Em um eventual segundo turno, Lula venceria Bolsonaro (49%vs 32%), bem como Marina Silva também venceria (42% vs 32%). Em uma outra simulação de segundo turno, Lula também derrotaria Geraldo Alckmin (49% vs 30%) e Marina Silva (47% vs 32%). No cenário em que Lula não chega ao segundo turno, Geraldo Alckmin e Ciro Gomes estariam tecnicamente empatados (34% vs 32%). Nesse último cenário, quase um terço dos eleitores disseram que votariam branco ou nulo.

Desemprego recua em dezembro; queda menos dependente do emprego informal

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), a taxa de desemprego nacional recuou para 11,8% no trimestre concluído em dezembro, ante 12,0% no trimestre concluído em novembro. Usando nosso ajuste sazonal, o desemprego recuou 0,1 p.p. para 12,4%. A queda do desemprego na margem foi influenciada por ligeira queda na taxa de participação. A contribuição da população ocupada informal segue relevante mas vem perdendo força, enquanto o aumento da população ocupada no setor privado com carteira assinada está melhorando gradualmente. Esse processo deve ganhar força à frente, conforme a recuperação fica mais disseminada e consolidada. A massa salarial real cresceu 3,5% na comparação anual e 1,2% ante o trimestre concluído em setembro. 

Indicadores de atividade mantém tendência de alta

Segundo o IBGE, as vendas no varejo avançaram 0,7% em novembro, após ajuste sazonal, resultado acima das expectativas. O desempenho forte no mês foi disseminado entre seus componentes, mas setores mais influenciados pelas promoções do Black Friday (móveis e eletrodomésticos e artigos de uso pessoal) foram particularmente importantes, ressaltando a relevância do evento para explicar o resultado. Olhando à frente, projetamos que as vendas no varejo continuem sua tendência de alta, influenciadas pela queda dos juros, menor endividamento das famílias e pela melhora gradual no mercado de trabalho A produção industrial subiu 2,8% em dezembro ante novembro, acima da expectativas. Em 2017 houve alta de 2,5%, o maior ritmo de crescimento desde 2010. Os indicadores ligados à formacão bruta de capital fixo seguem consistentes com crescimento desse componente da demanda. Apesar de a produção de bens de capital ter ficado estável na margem (após sete altas consecutivas) a produção de insumos da construção civil subiu 5,0% e acumula alta de 7,2% na comparação anual.

Inflação aumenta em janeiro, mas segue próximo ao piso da meta

O IPCA-15 registrou variação de 0,39% em janeiro, abaixo das expectativas. Com isso, a taxa em 12 meses subiu para 3,02%, ante 2,94% em dezembro. Na nossa visão, a taxa de inflação em 12 meses deve continuar subindo, mas ainda permanecerá em patamar confortável, dado que a economia segue operando com alto nível de ociosidade, refletido nos baixos níveis de utilização da capacidade da indústria e na taxa de desemprego. Com base nos dados do IPCA-15 e de outras informações correntes, a nossa projeção preliminar para o IPCA de janeiro aponta alta de 0,37%. Com este resultado, a taxa em 12 meses ficará praticamente estável, em 2,94%. Para o ano de 2018, a nossa projeção para o IPCA segue apontando alta ao redor de 3,8%.

Arrecadação federal cresce 2,6% em 2017 após 3 anos de queda 

A arrecadação no mês de dezembro foi de 137,8 bilhões de reais, acima das expectativas, com alta de 4,9% no acumulado em 12 meses e 2,6% no ano, sendo a primeira alta anual desde 2013.  A recuperação na arrecadação é reflexo da melhora da atividade econômica, mas também influenciada pela alta do imposto sobre a gasolina.

Déficit Primário de R$ 111 bilhões (1,7% do PIB) em 2017

O setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 111 bilhões em 2017 (-1,7% do PIB), melhor do que a meta fixada para o ano de R$ 163 bilhões (-2,5% do PIB). O governo central, conforme divulgado pelo Tesouro Nacional, teve déficit de R$ 124 bilhões, frente a uma meta de R$ 159 bilhões (-2,4% do PIB). A diferença de R$ 35 bilhões é explicada por R$ 30 bilhões de despesas menores, (sobretudo discricionárias) e R$ 5 bilhões de receitas maiores. O melhor resultado primário em 2017 não altera o quadro fiscal desafiador. A surpresa não implica uma melhora permanente nos resultados fiscais, dado que o resultado foi influenciado por um elevado montante de receitas extraordinárias (cerca de R$ 70 bilhões ou 1,1% do PIB), que não deve se repetir a frente. 

Menor déficit em conta corrente anual desde 2007

O déficit em conta corrente fechou 2017 em US$ 9,8 bilhões ou 0,5% do PIB (contra US$ 23,5 bi ou 1,3% do PIB em 2016). A principal contribuição para a redução do déficit veio mais uma vez da balança comercial, que foi superavitária em US$ 64 bilhões. Os déficits de serviços e rendas, por sua vez, avançaram US$ 3,4 bi e US$ 1,5 bi, respectivamente. Do lado do financiamento, o ano foi marcado por investimento direto no país ainda em patamar elevado. Para os próximos anos, mantemos a nossa projeção de déficits crescentes, permanecendo em patamar confortável, isto é, sem comprometer a sustentabilidade externa. 

Ativos financeiros

Em janeiro, o Ibovespa subiu 16,3% em dólares e 11,1% em reais. O risco-país medido pelo CDS recuou e terminou o mês em 144 pbs. A taxa de câmbio apreciou para 3,16 reais por dólar.

Próximos eventos

Após o fim do recesso parlamentar, discussões sobre a reforma da previdência voltam a ser o tema central no congresso, uma vez que a votação está agendada para dia 19 de fevereiro. Notícias relacionadas às eleições presidenciais de 2018 também serão importantes.



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