Itaú BBA - Proposta de teto de gasto chega ao Congresso

Conjuntura Macro

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Proposta de teto de gasto chega ao Congresso

Julho 1, 2016

O governo enviou ao Congresso proposta de teto para o gasto público e completou a renegociação das dívidas estaduais.

A economia brasileira em junho de 2016

O governo enviou ao Congresso proposta de teto para o gasto público e completou a renegociação das dívidas estaduais. Até o momento, a administração tem conseguido fazer avançar sua agenda legislativa, embora ainda sem nenhuma medida mais controversa. O governo viu pela terceira vez um ministro deixar o cargo. O Copom sinalizou que buscará o centro da meta de inflação em 2017, e o CMN manteve a meta de inflação para 2018 em 4,5%.  O real se valorizou, e o Banco Central voltou a intervir no final do mês. A economia continuou em recessão e o desemprego aumentou mais uma vez, porém os indicadores de confiança melhoraram. A inflação voltou a dar sinais de queda. A deterioração das contas fiscais continuou, enquanto o balanço de pagamentos seguiu se fortalecendo.

Governo envia proposta de teto para o gasto público e renegocia as dívidas estaduais...

O governo enviou ao Congresso um projeto de emenda constitucional que define um teto para o crescimento das despesas públicas, limitando-o à inflação do ano anterior. A medida é positiva para o equilíbrio fiscal, pois, se aprovada, levará a uma queda das despesas como percentual do PIB ao longo do tempo. Outra iniciativa relevante foi a renegociação da dívida dos Estados com o governo federal. Até o momento, o governo interino tem conseguido fazer avançar sua agenda no Congresso, embora ainda sem nenhuma medida mais controversa.

... mas vê mais um ministro deixar seu cargo.

Após ser citado no acordo de delação premiada do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, o ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, pediu demissão do cargo. Em maio, o ministro do Planejamento, Romero Jucá, assim como o ministro da Transparência, Fiscalização e Controle, Fabiano Silveira, já haviam deixado os respectivos cargos, em virtude da divulgação de áudios de conversas relacionadas à Operação Lava Jato.

Banco Central buscará o centro da meta da inflação em 2017

Na última reunião com Alexandre Tombini na presidência, o Banco Central manteve a taxa Selic em 14,25%, por unanimidade. Em seguida, no primeiro Relatório de Inflação publicado pelo Banco Central sob o comando de Ilan Goldfajn, o Comitê de Política Monetária (Copom) destacou o objetivo de convergência da inflação para o centro da meta em 2017, e avaliou que diante das condições atuais, não haveria espaço para redução na taxa de juros. As projeções divulgadas no relatório sugerem convergência da inflação no cenário de referência (assume taxa de juros constante), mas se estabilizam acima da meta no cenário de mercado (assume corte de juros). Em entrevista, o presidente do BC afirmou acreditar que podem ser criadas condições para que sua projeção do cenário de mercado recue para a meta dependendo, entre outros fatores, da evolução do processo de consolidação fiscal. 

CMN estabelece meta de inflação de 2018 em 4,5% e mantém TJLP em 7,5%

O Conselho Monetário Nacional (CMN) estabeleceu a meta de inflação de 2018 em 4,5%, a mesma de 2016 e 2017, e manteve o intervalo de tolerância em 1,5 p.p. (o mesmo de 2017).  O CMN também manteve em 7,5% a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), que parametriza boa parte dos empréstimos do BNDES.

Real se valoriza e Banco Central retoma intervenção

A taxa de câmbio se valorizou 10,7% durante o mês de junho, chegando a 3,21 reais por dólar. No dia 30 de junho, o Banco Central voltou a anunciar leilão de swaps cambiais reversos, pela primeira vez neste mês.

Inflação volta a dar sinais de queda

O IPCA-15 de junho teve alta de 0,40%, abaixo do piso das expectativas de mercado. A inflação acumulada em 12 meses recuou para 8,98%, de 9,62% no mês anterior. A surpresa veio de altas menores dos preços industriais e dos serviços privados. O resultado reforça que a alta da inflação dos últimos meses foi transitória.

Economia permanece em recessão e o desemprego em alta...

O indicador mensal de atividade econômica do Banco Central (IBC-Br) de abril permaneceu praticamente estável frente ao mês anterior, sugerindo uma contração da atividade econômica no segundo trimestre.  Em maio, houve fechamento de 72,6 mil empregos formais (109 mil, após ajuste sazonal). A taxa de desemprego nacional atingiu 11,2% no trimestre terminado em maio (10,8%, após ajuste sazonal), o décimo oitavo aumento consecutivo.

...mas a confiança teve forte alta em junho.

No entanto, há indícios de recuperação da confiança. O índice de confiança do empresário industrial (FGV) aumentou 5,3% em junho. Apesar de estar em níveis baixos, é a maior alta mensal da confiança desde maio de 2009. A confiança do empresário deve continuar aumentando por conta da tendência de queda dos estoques e da estabilização da demanda. Os índices de confiança do setor de serviços e de comércio também aumentaram no mês. A confiança do consumidor também teve forte alta no mês (5,0%), elevada pelo componente de expectativas.

Tendência desfavorável do déficit fiscal continua

O governo consolidado registrou um déficit primário de R$ 18,1 bilhões em maio, ligeiramente pior do que o esperado. A surpresa foi devido a um resultado pior dos estados e municípios. No acumulado de 12 meses, o déficit primário recuou para 2,5% do PIB e o déficit nominal ficou estável em 10,1% do PIB. A dívida pública aumentou de 67,6% para 68,6% do PIB.

Conta corrente segue em território positivo em maio

O balanço de pagamentos de maio mostrou superávit em conta corrente de US$ 1,2 bilhão, o segundo resultado mensal positivo em sequência. O resultado acumulado em 12 meses ainda é um déficit, mas recuou uma vez mais (para US$ 29,5 bilhões ou 1,7% do PIB). Quanto ao financiamento, o investimento direto no país tem se mostrado resistente (US$ 79,4 bilhões em 12 meses), mas os fluxos de portfólio, tipicamente mais voláteis, recuaram por mais um mês.

Apesar da volatilidade internacional, ativos locais se valorizam 

O resultado do referendo do Reino Unido gerou volatilidade nos mercados internacionais, e os efeitos de longo prazo da saída do Reino Unido da União Europeia continuam incertos. No Brasil, entretanto, fatores domésticos preponderaram e contribuíram para a valorização dos ativos. O real apreciou 10,7%, fechando em 3,21 reais por dólar. O Ibovespa teve alta de 6,3% em reais e 19,1% em dólares, e o risco Brasil, medido pelo CDS soberano de 5 anos, caiu 46 pbs, terminando o mês em 317 pontos-base.

Próximos eventos

As atenções estarão voltadas para a tramitação da agenda de reformas fiscais no Congresso, principalmente para a proposta do teto para o crescimento dos gastos. O processo de impeachment no Senado continua, e a expectativa é que sua votação ocorra no fim em agosto.


 

 



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