Itaú BBA - PIB recua 0,2% no primeiro trimestre do ano

Conjuntura Macro

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PIB recua 0,2% no primeiro trimestre do ano

Junho 3, 2019

Para o 2T19, nossa projeção preliminar é de ligeiro crescimento do PIB, de 0,1%.

A economia brasileira em maio de 2019

O PIB recuou 0,2% no 1T19, com ajuste sazonal, confirmando o quadro de fraqueza da atividade no início do ano. A criação de empregos formais foi maior do que as expectativas em abril, mas o nível atual de confiança do empresário e ritmo mais fraco da atividade levam a um viés de baixa para a criação de empregos nos próximos meses. A inflação continua com uma dinâmica benigna, ainda que pressionada por itens voláteis no curto prazo. Na esfera política, o mês foi marcado pela tramitação de medidas provisórias no Congresso e da reforma da Previdência na Comissão Especial da Câmara.

PIB aponta fraqueza na atividade econômica

O PIB recuou 0,2% na variação trimestral dessazonalizada no 1T19, em linha com a nossa projeção e a mediana das expectativas do mercado. Na comparação anual, houve alta de 0,5%. Pela ótica da demanda, o consumo das famílias avançou 0,3%, o consumo do governo cresceu 0,4% e as importações apresentaram ligeira alta (0,5%) na comparação trimestral com ajuste sazonal. Por outro lado, o investimento e as exportações recuaram 1,7% e 1,9%, respectivamente. Vale notar que o nível do investimento está 27% abaixo do nível pré-recessão (1T14). Acreditamos que essa fraqueza do investimento, apesar do nível historicamente baixo da taxa de juros, é relacionada à incerteza em relação às reformas fiscais, mas também reforça nossa visão de que o ajuste fiscal e a redução de subsídios creditícios têm contribuído para uma queda da taxa de juros neutra. Pela ótica da oferta, somente o componente de serviços apresentou alta no trimestre (0,2%), enquanto a agricultura e indústria recuaram 0,5% e 0,7%, respectivamente. Para o 2T19, nossa projeção é de um pequeno crescimento do PIB (0,1%, ante o trimestre anterior com ajuste sazonal). Essa visão, ainda que preliminar, leva a um viés de baixa para nossa projeção de 1,0% de crescimento em 2019.

Indicadores de confiança estendem recuo no mês de maio

Os indicadores de confiança de maio divulgados pela FGV estenderam o movimento de correção observado nos últimos meses. A confiança do consumidor recuou 2,9 p.p. no mês, a quarta queda consecutiva. Com isso, o nível atual do indicador é consistente com um crescimento do consumo das famílias em torno de 0,4% no trimestre (1,4% anualizado).  A confiança da indústria, por sua vez, recuou 0,7 p.p., influenciada por uma queda no componente de expectativas (-1,5 p.p.), enquanto o componente de situação atual permaneceu inalterado. Este nível de confiança é consistente com um crescimento nulo da indústria na variação trimestral. Além disso, a utilização da capacidade instalada no setor (75,3% em maio) segue apontando para um quadro de ociosidade dos fatores de produção, apesar do avanço de 0,8% no mês. Na mesma direção, a confiança do comércio recuou 5,4 p.p. em maio, retornando ao mesmo nível de setembro de 2018. Os setores de construção civil e serviços também recuaram no mês (-1,8 p.p. e -3,1 p.p., respectivamente). Avaliamos que o desempenho recente dos indicadores de confiança é consistente com o quadro de fraqueza da atividade na margem.

Criação de emprego formal surpreende, mas desemprego segue elevado em abril

Segundo o Ministério do Trabalho, houve criação líquida de 130 mil empregos (Caged) em abril, resultado bem acima da mediana das expectativas de mercado (+80 mil). Dados livres de sazonalidade apontam para avanço de 50 mil postos de trabalho, elevando a média móvel de 3 meses para 30 mil empregos, ante 20 mil no mês anterior. Em linhas gerais, apesar do forte resultado, o nível atual de confiança do empresário aponta na direção de arrefecimento da atividade econômica no início do ano, implicando em um viés de baixa para a criação de empregos nos próximos meses.

Também para o mês de abril, a taxa de desemprego atingiu 12,5% no mês, em linha com a mediana das expectativas do mercado e ligeiramente acima da nossa projeção (12,4%). Segundo nosso ajuste sazonal, o desemprego recuou 0,1 p.p. para 11,9%, ante o trimestre concluído em março. Apesar da queda, o desemprego segue em níveis historicamente elevados, devido principalmente ao ritmo ainda moderado de recuperação da atividade econômica. A criação de empregos com carteira assinada no setor privado, de acordo com a PNAD, está acima que o indicado pelos dados divulgados pelo Caged. Esta divergência é usual, mas não tende a continuar por muito tempo.

Inflação de 12 meses atinge pico em maio

O IPCA-15 de maio registrou alta de 0,35%, próximo da nossa projeção (0,38%) e abaixo das expectativas de mercado (0,41%). Destaque no mês para a deflação em alimentos no domicílio (-0,26%), enquanto combustíveis de veículos pressionaram o índice por mais um mês. Com o resultado, o IPCA-15 acumula alta de 4,97% em doze meses. Considerando as nossas projeções, esperamos que a inflação acumulada tenha atingido seu pico nesta divulgação. O IPCA de abril registrou alta de 0,57%, com a taxa de 12 meses acelerando para 4,94%, ante 4,58% até março. Mantemos nossa avaliação de que a inflação continua com uma dinâmica benigna, ainda que pressionada no curto prazo por itens voláteis. O risco de pressões inflacionárias pelo lado da demanda permanece baixo. Adicionalmente, a inércia inflacionária segue comportada, as expectativas de inflação estão ancoradas e a capacidade ociosa da economia ainda está elevada. Para o final de 2019 e 2020, mantemos nossa projeção de 3,6% de alta no IPCA.

Copom ainda enxerga Selic em nível confortável

O Copom manteve a taxa Selic inalterada, em 6,5% a.a., em decisão amplamente esperada. A ata da última reunião de política monetária, divulgada pelo Banco Central, sugeriu que, apesar do desapontamento com o ritmo de recuperação, o Copom segue bastante confortável com o patamar atual da taxa Selic. O comitê indicou que, embora o PIB do 1T19 pudesse apresentar contração (a ata foi publicada antes da divulgação do PIB do 1T19), a atividade deve se recuperar adiante, e acrescentou que precisará ver sinais de que os efeitos defasados dos choques de 2018 se dissiparam, antes de qualquer reavaliação sobre esse cenário. Além disso, o texto sugeriu que será necessário avaliar em que medida a incerteza sobre a sustentabilidade fiscal pode estar contendo a atividade. As autoridades pareceram indicar, em resumo, que a aprovação da reforma da previdência pode ser uma condição suficiente para acelerar mais fortemente o crescimento. Acreditamos que os riscos de baixa para a trajetória de inflação tendem a prevalecer, após a aprovação da reforma da Previdência, o que levará as autoridades a retomar a flexibilização monetária, mas não antes de setembro.

Superávit primário de R$ 6,6 bilhões em abril

O setor público consolidado registrou superávit primário de R$ 6,6 bilhões em abril, melhor que a nossa projeção (R$ 2,8 bilhões) e em linha com o consenso de mercado (R$ 6,6 bilhões). No acumulado em 12 meses, o déficit primário permaneceu em 1,4% do PIB entre março e abril. Acreditamos que o cumprimento da meta de resultado primário do ano de déficit de R$ 132 bilhões para o setor público exige disciplina, mas não deve constituir grande desafio, principalmente se houver sucesso no leilão dos campos de petróleo da cessão onerosa, previsto para outubro, que pode melhorar o resultado primário do ano em cerca de R$ 52 bilhões (0,7% do PIB). Além disso, a dívida pública permanece em dinâmica desfavorável no mês. A dívida bruta do governo geral cresceu de 78,5% para 78,8% do PIB entre março e abril, enquanto a dívida líquida do setor público recuou na margem de 54,3% para 54,2% do PIB no mesmo período.

Déficit em conta corrente de US$ 62 milhões em abril

As transações em conta corrente registraram déficit de US$ 62 milhões em abril, bem abaixo da nossa expectativa (superávit de US$ 600 milhões) e das expectativas de mercado (superávit de US$ 500 milhões). Para os próximos anos, mantemos a nossa visão de aumento gradual do déficit em conta corrente, mas sem comprometer a sustentabilidade das contas externas, uma vez que o déficit em conta corrente segue em patamar baixo. Além disso, o investimento direto no país continua sendo a principal fonte de financiamento do déficit.

Medidas provisórias são pautadas para não perder a validade

Na esfera política, o mês de maio foi marcado pela tramitação de medidas provisórias (MP) no Congresso. A MP 870, que trata da reestruturação administrativa federal que reduziu o número de ministérios de 29 para 22, foi aprovada nas duas casas do Legislativo, e segue agora para sanção presidencial. A proposta sofreu alterações durante a tramitação, como a transferência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) do Ministério da Justiça para a pasta de Economia. A Câmara dos Deputados também aprovou a MP 871, que busca combater fraudes e benefícios irregulares no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), através da criação de um programa de revisão de benefícios e exigência de cadastro de trabalhadores rurais. Segundo o governo, a medida pode gerar economia anual de cerca de R$ 10 bilhões. O Senado deve votar a medida nesta segunda-feira (3), data limite para que não perca sua validade legal. Importante para o setor aéreo, a MP 863, que permite 100% de participação de capital estrangeiro nas empresas aéreas nacionais, também foi aprovada na Câmara e no Senado, e segue agora para sanção presidencial. Já a MP 868, que atualiza o marco legal do saneamento básico, deve perder sua validade, mas, segundo notícias, as novas regras para o setor retornarão ao Congresso a partir do encaminhamento de um novo projeto de lei.

Reforma da previdência segue no centro das atenções

A reforma da Previdência segue no centro das atenções, enquanto ocorre sua tramitação na Comissão Especial da Câmara. O prazo para que os parlamentares apresentem emendas à proposta se encerrou na última quinta-feira (30), com 277 sugestões de alterações ao texto proposto pelo governo. O próximo passo é a apresentação do parecer do relator Samuel Moreira (PSDB-SP) que, segundo o noticiário, pode ocorrer até o dia 15 de junho. Vale destacar que o Congresso entrará em recesso parlamentar entre os dias 17 de julho e 1º de agosto.

Ativos financeiros

Em maio, o Ibovespa avançou 0,7% em reais e 0,8% em dólares. O risco-país medido pelo CDS de 5 anos subiu 9 pbs e fechou o mês em 181 pbs. A taxa de câmbio apreciou 0,1%, encerrando o mês em 3,94 reais por dólar.

Próximos eventos

No Brasil, as atenções continuarão voltadas para a tramitação da reforma da Previdência na Comissão Especial da Câmara.

Do lado internacional, as tensões comerciais seguem no centro das atenções. No dia 10 de junho, os EUA devem implementar a recém anunciada tarifa de 5% sobre importações do México. Além disso, os presidentes dos EUA e da China podem se reunir no encontro do G20, agendado para os dias 28 e 29 de junho. O evento pode ser um passo importante nas negociações comerciais entre os países, que seguem em clima de tensão. No Reino Unido, a primeira-ministra, Theresa May, deve renunciar ao cargo em 7 de junho. A partir do dia 10, se iniciará o debate no Partido Conservador para a escolha do novo líder, processo que pode durar até dois meses.



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