Itaú BBA - PIB menor, mas juros maiores

Conjuntura Macro

< Voltar

PIB menor, mas juros maiores

Junho 3, 2013

A taxa de desemprego permanece baixa, sustentando aumento da renda.

A economia brasileira em maio de 2013

A economia brasileira cresceu menos que o esperado no primeiro trimestre, mas o Copom acelerou o ritmo de alta de juros, devido à pressão inflacionária. O real voltou a depreciar, refletindo em parte mudanças no cenário externo, mas também nos fundamentos domésticos. A taxa de desemprego permaneceu baixa, sustentando o aumento da renda. A aprovação da MP dos Portos e a retomada das concessões de petróleo podem ajudar o investimento, que cresceu no primeiro trimestre. O preço dos ativos brasileiros caiu durante o mês. A trajetória da taxa de câmbio (e a reação do governo) será a principal variável a ser observada.

A economia brasileira cresceu menos que o esperado no primeiro trimestre...

A economia brasileira cresceu 0,6% no primeiro trimestre deste ano, após ajuste sazonal, ficando abaixo da nossa expectativa (1,0%) e do consenso de mercado (0,9%). O crescimento acumulado em quatro trimestres passou de 0,9% no último trimestre de 2012 para 1,2% no primeiro trimestre de 2013. O desempenho favorável do setor agrícola (9,7%) ajudou a economia no começo do ano, enquanto o PIB da indústria recuou 0,3% e o de serviços, que foi a maior surpresa negativa, cresceu 0,5%. O consumo desacelerou para 0,1% e o investimento, que foi a noticia positiva, cresceu 4,6%. A expansão nos próximos trimestres deve ser gradual. Incorporando o resultado mais fraco do primeiro trimestre, e considerando o crescimento ainda moderado para frente, reduzimos nossa projeção para o PIB em 2013 de 2,8% para 2,4%.

... mas o Banco Central acelerou o ritmo de alta de juros...

O Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil (Copom) elevou a taxa de juros básica (Selic) em 0,50 ponto percentual para 8,0% ao ano. A decisão foi unânime. A alta ficou em linha com o esperado por nós e por parte dos analistas de mercado.  A decisão sinaliza uma postura mais assertiva no combate às pressões inflacionárias. No comunicado que acompanhou a decisão, o Copom reforçou o compromisso com o objetivo de assegurar a tendência declinante da inflação. A decisão unânime reforça este compromisso. A decisão é consistente com nosso cenário de uma alta total de 1,5 p.p na taxa Selic, através de uma subida de 0,50 p.p. na próxima reunião e uma última alta de 0,25 p.p. em agosto.

... devido à pressão inflacionária.

O IPCA-15 apresentou variação de 0,46% em maio, um pouco abaixo da nossa previsão e das expectativas de mercado (ambas em 0,49%). Com o resultado de maio, o IPCA-15 acumula variação de 6,46% nos últimos 12 meses. O desvio em relação à nossa estimativa é explicado em grande parte pelo grupo alimentação. Os núcleos do IPCA-15, que medem a tendência subjacente da inflação, subiram um pouco. Em 12 meses, a inflação medida pela média dos núcleos do IPCA se manteve em 5,9%.

O real volta a depreciar...

A taxa de câmbio voltou a depreciar, fechando o mês em 2,13 reais por dólar. O movimento é, em parte, resultado de fatores externos. Em primeiro, o crescimento mais firme dos EUA sugere um dólar mais forte. Em segundo, a desaceleração na China gera pressão de depreciação em moedas de países exportadores de commodities, como Brasil, Austrália e Chile. Mas parte da depreciação do real também reflete mudanças de fundamentos domésticos, como o crescimento do PIB menor. No final do mês, o Banco Central anunciou intervenção no mercado de derivativos para tentar suavizar o movimento.

...  em meio déficit maior na conta corrente.

O déficit em transações correntes alcançou US$ 8,3 bilhões em abril. Acumulado em 12 meses, chegou aos US$ 70 bilhões (3% do PIB). Pelo lado positivo, o investimento estrangeiro direto (IED) superou nossas estimativas e teve composição benigna, com entradas concentradas em participação no capital. Para este ano e o próximo, mantemos a previsão de que o IED será inferior ao déficit em transações correntes (3% do PIB).

A taxa de desemprego permanece baixa, sustentando aumento da renda.

A taxa de desemprego ficou em 5,8% em abril. O resultado ficou um pouco acima das expectativas de mercado (5,6%), mas manteve-se em patamar historicamente baixo. O salário real médio subiu 0,3% e a massa salarial real cresceu 0,4% no mês de abril. Mantemos a avaliação que as condições no mercado de trabalho continuam favoráveis, embora haja evidências nos indicadores de que houve um arrefecimento do emprego. As contratações formais (Caged) mostraram uma desaceleração no início do ano, mas que se estabilizou nos últimos meses. Com a expansão moderada da economia ao longo deste ano, acreditamos que as condições de emprego e renda continuarão favoráveis.

A aprovação da MP dos Portos e a retomada das concessões de petróleo podem ajudar o investimento.

Após uma tramitação difícil, foi aprovada pelo Congresso a MP dos Portos, que regulamenta e facilita o investimento nos portos privados.  Além disso, houve retomada dos leilões de concessão para exploração de petróleo, uma notícia positiva para os investimentos.

Bolsa cai, risco-país sobe, real deprecia.

O Ibovespa seguiu em baixa, caindo mais 4,3% em maio (-10,1% em dólares). O risco Brasil subiu 33,4% ao longo do mês, alcançando 146, nível mais alto desde julho de 2012. A taxa de câmbio depreciou 6,5%, fechando em 2,13 reais por dólar.

Próximos eventos.

A trajetória da taxa de câmbio (e a reação do governo) será a principal variável a ser observada, tendo em vista o movimento de depreciação e as mudanças no cenário externo.



< Voltar