Itaú BBA - PIB cresce 0,4% no segundo trimestre

Conjuntura Macro

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PIB cresce 0,4% no segundo trimestre

Setembro 2, 2019

PIB cresce 0,4% no segundo trimestre, mas não indica mudança de tendência, em nossa visão.

A economia brasileira em agosto de 2019

O PIB avançou 0,4% no 2T19 ante o trimestre anterior após ajuste sazonal, acima das expectativas do mercado e com boa composição, com alta liderada pelos componentes de serviços e indústria. A criação de empregos formais divulgada para julho seguiu em ritmo moderado e a taxa de desemprego recuou 0,1 p.p. para 11,8%, após ajuste sazonal, ainda em níveis historicamente elevados. A inflação em 12 meses do IPCA-15 para agosto desacelerou de 3,3% para 3,2%, reforçando comportamento benigno na margem. Do lado de políticas econômicas, a reforma da previdência foi encaminhada para a Comissão de Constituição e Justiça do Senado, onde aguarda votação do parecer apresentado pelo relator Tasso Jereissati.

PIB avança, mas não indica mudança de tendência

O PIB avançou 0,4% no 2T19 ante o trimestre anterior após ajuste sazonal, acima das expectativas do mercado (+0,2%) e um pouco abaixo da nossa projeção (+0,5%). Na comparação anual, o PIB avançou 1,0%. O resultado apresentou uma boa composição, com crescimento no trimestre liderado por serviços e indústria, deste último o principal destaque foi observado no setor de construção que cresceu 1,9% no trimestre, após uma tendência contínua de queda desde 2014. Dentre os componentes que recuaram, a maior queda foi observada na indústria extrativa (-3,8%). A série trimestral do PIB é volátil, e esta surpresa positiva no 2T19 não representa uma aceleração sustentável da economia, em nossa opinião. Além disso, os poucos dados já disponíveis para o 3T19 apontam para nova desaceleração do crescimento trimestral.

Em nossa visão, se por um lado a queda nas taxas de juros e o crescimento do crédito privado têm contribuído positivamente para a atividade econômica, por outro, a desaceleração da atividade global limita uma aceleração mais pronunciada da economia. Projetamos crescimento do PIB de 0,8% este ano e 1,7% ano que vem.

Confiança avança em agosto

Os indicadores de confiança divulgados pela FGV apresentaram resultados positivos em agosto, com exceção do setor de serviços. Os resultados foram influenciados por melhoras na percepção das empresas sobre sua situação atual. A confiança da indústria subiu 0,8 p.p., a primeira alta após três quedas consecutivas. Sob a ótica da utilização de capacidade instalada na indústria, o indicador subiu +0,3 p.p. para 75,8% no mês, ainda refletindo elevada ociosidade nos fatores de produção. A confiança do consumidor avançou 1,1 p.p., consistente com crescimento do PIB do consumo em torno de 0,5% na variação trimestral anualizada. Na mesma direção, o indicador de comércio subiu 3,2 p.p., enquanto o índice de construção civil avançou 2,2 p.p, o terceiro resultado positivo consecutivo de ambos os setores. Na direção oposta, o indicador de serviços recuou 1,1 p.p. em agosto. A queda pode ser explicada por uma piora do índice de expectativas (-2,3 p.p.), enquanto o índice de situação atual se manteve estável no mês. Avaliamos que o nível atual dos indicadores de confiança, apesar de melhora na margem, é consistente com ritmo apenas moderado de recuperção da economia.

Mercado de trabalho segue em ritmo moderado

Houve criação líquida de 44 mil empregos (Caged) em julho. Dados livres de efeitos sazonais apontam para criação de 43 mil postos de trabalho, levando a média móvel de 3 meses para 28 mil empregos, ante 30 mil no mês anterior. No mesmo ritmo gradual de melhora, a taxa de desemprego nacional atingiu 11,8% no trimestre concluído em julho. De acordo com nosso ajuste sazonal, o desemprego recuou 0,1 p.p. para 11,8% no trimestre concluído em julho, ante junho. Em uma medida mais ampla do mercado de trabalho, a taxa de subutilização alcançou 24,6%, um número 0,2 p.p. acima que o mesmo período do ano anterior. Em termos dessazonalizados, houve um recuo de 0,1 p.p. ante o trimestre concluído em junho, atingindo 24,5%. Vale notar que, diferente do indicador de desemprego tradicional, este indicador não apresentou tendência de queda até o presente momento. Os níveis de desemprego seguem em níveis historicamente elevados, devido principalmente ao ritmo ainda moderado de recuperação da atividade econômica.

Inflação segue com comportamento benigno

A divulgação mais recente de inflação, o IPCA-15 de agosto, registrou alta de 0,08%, próximo da nossa projeção (0,11%) e do piso das expectativas do mercado (0,10%, com mediana em 0,16%). No ano, o IPCA-15 acumula alta de 2,51% (ante 2,42% até julho). Além do indicador do meio do mês, o IPCA de julho também foi divulgado. O índice de preços registrou alta de 0,19%, no mês resultado abaixo da nossa projeção (0,22%) e da mediana das expectativas de mercado (0,24%). O IPCA acumula alta de 2,42% neste ano e desacelerou de 3,37% para 3,22% no acumulado de 12 meses. Em ambas as divulgações, as medidas de núcleo de inflação seguem em patamares confortáveis. Dessa forma, mantemos nossa avaliação de que os dois principais fatores por trás do nosso cenário, hiato aberto e a própria inflação, seja ela na forma de inércia ou de expectativas ancoradas, seguem indicando dinâmica inflacionária confortável. Mantemos nossa projeção de IPCA em 3,6% neste ano e no próximo.

Déficit primário de R$ 2,8 bilhões em julho

O setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 2,8 bilhões em julho. No acumulado em 12 meses, o déficit primário consolidado permaneceu em 1,4% do PIB. Acreditamos que o cumprimento da meta de resultado primário do ano de déficit de R$ 132 bilhões para o setor público exige disciplina, mas não deve constituir grande desafio, principalmente se houver sucesso no leilão dos campos de petróleo da cessão onerosa, previsto para novembro, que pode melhorar o resultado primário do ano em cerca de R$ 52 bilhões (0,7% do PIB).

Déficit em conta corrente de US$ 9,0 bilhões em julho

As transações em conta corrente registraram déficit de US$ 9,0 bilhões em julho, acima da nossa expectativa (déficit de US$ 7,0 bilhões) e das expectativas de mercado (déficit de US$ 6,0 bilhões). Acumulado em 12 meses, o déficit em conta corrente avançou para US$ 24,4 bilhões, ou 1,3% do PIB. Resultados preliminares das contas externas brasileiras para o terceiro trimestre trazem viés de aumento para nossa projeção de déficit em conta corrente no final do ano (atualmente em 1,0% do PIB), refletindo a desaceleração do comércio global e o aumento recente nas remessas de renda primária. Do lado do financiamento, o investimento direto no país segue cobrindo com folga o déficit em conta corrente. Para os próximos anos, mantemos a nossa visão de aumento gradual do déficit em conta corrente, mas sem comprometer a sustentabilidade das contas externas.

Relator da reforma da previdência apresenta parecer na CCJ do Senado

O senador Tasso Jereissati (PSDB/CE), relator da reforma da previdência na Comissão de Constituição e Justiça do Senado (CCJ), apresentou seu parecer nesta semana, com propostas que podem ser divididas em dois grupos. O primeiro retira pontos do texto aprovado pela Câmara (PEC 06/19) que dizem respeito a mudanças no BPC, reduzindo o impacto originalmente previsto em cerca de R$ 35 bilhões, para R$ 830 bilhões acumulados em 10 anos, segundo nossas estimativas. O segundo grupo propõe outras mudanças que seriam feitas por meio de uma nova PEC, em paralelo, com o potencial de aumentar o impacto total da reforma em cerca de R$ 115 bilhões, para R$ 945 bilhões. Essa separação evita que o texto da PEC 06/19 precise retornar à Câmara. Além disso, caso municípios e estados sejam incluídos na reforma, a expectativa de economia sobe em cerca de R$ 300 bilhões. Segundo o noticiário, o Senado planeja votar a PEC 06/19 até o início de outubro, enquanto a nova PEC com medidas adicionais pode ser votada até o fim do ano. 

Banco Central intervém no mercado de câmbio

Após oscilar em torno de 3,80 reais por dólar ao longo do mês de julho, o real enfrentou forte depreciação na última semana do mês de agosto, alcançando patamares próximos a 4,20 reais por dólar. Na terça-feira (27), o Banco Central do Brasil interveio no mercado cambial ao vender dólares no mercado à vista, sem a contrapartida no mercado de swaps. Tal movimento surpreendeu o mercado e não era visto desde 2009.

Ativos financeiros

Em agosto, o Ibovespa recuou 0,7% em reais e 9,6% em dólares. O risco-país medido pelo CDS de 5 anos subiu 8 p.b. e fechou o mês em 136 p.b. O real depreciou 9,9%, encerrando o mês em 4,14 reais por dólar.

Próximos eventos

No Brasil, a proposta de reforma da Previdência deve ser votada na CCJ do Senado e encaminhada para discussão no plenário da Casa. O senado também deve votar sobre o projeto de cessão onerosa dos campos de petróleo e gás. Além disso, as discussões sobre a reforma a tributária devem seguir avançando nas duas casas do Congresso, com a possibilidade de que o governo apresente sua própria proposta.

Do lado internacional, as atenções continuam voltadas para o andamento das relações comerciais entre EUA e China. Após nova rodada de aumento de tarifas em 1º de setembro, existe a expectativa de que representantes dos dois governos voltem a negociar na segunda quinzena do mês. Além disso, o processo político em torno do Brexit deve seguir gerando volatilidade nos mercados à medida que o Reino Unido se aproxima do prazo para saída sem acordo, que é 31 de outubro.
 

Para o relatório completo com gráficos e tabelas, favor acessar o pdf em anexo.



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