Itaú BBA - Mercado melhora, economia recua

Conjuntura Macro

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Mercado melhora, economia recua

Maio 4, 2015

Os mercados melhoraram com a percepção de que os ajustes avançam.

A economia brasileira em abril de 2015

Os mercados melhoraram com a percepção de que os ajustes avançam. A retração da economia atingiu mais setores, alcançando o setor de serviços. O mercado de trabalho seguiu se enfraquecendo. Pressionada pelos preços administrados, a inflação ultrapassou os 8%. O Banco Central elevou a taxa de juros para 13,25%. Os gastos públicos continuaram a ser contidos, mas as receitas têm desacelerado. O governo restabeleceu o PIS/Cofins sobre receitas financeiras e iniciou estudos para abrir o capital da Caixa Seguridade. O déficit em conta corrente continuou a recuar. Pesquisa de opinião confirmou recuo da aprovação do governo. O vice-presidente Michel Temer assumiu a coordenação política.

Mercados melhoram com avanço nos ajustes 

A taxa de câmbio alcançou 2,99 reais por dólar no final de abril, uma apreciação de 6,7% sobre o mês anterior. O Ibovespa também se valorizou, tanto em reais (9,9%), quando em dólares (17,8%). O risco-país medido pelo CDS de 5 anos caiu 49 pbs, a 234 pbs.

Retração da economia se dissemina... 

Em fevereiro, a produção industrial caiu 0,9%. Todas as grandes categorias tiveram queda, especialmente bens de capital, que recuou 4,1%. As vendas no varejo também se reduziram, com queda de 1,1% no conceito ampliado. Sete dos dez segmentos analisados tiveram contração. As vendas permanecem em um baixo patamar relativamente aos últimos meses.

... chegando ao setor de serviços

Em fevereiro, a receita bruta no setor de serviços cresceu 1,8% em termos nominais sobre o ano anterior (-4,7% em termos reais), o menor resultado desde 2012, quando a série começou a ser calculada. Dos cinco segmentos considerados, apenas dois, informação e comunicação, estão crescendo.

O mercado de trabalho continua a se enfraquecer

Em março, houve destruição líquida de 49 mil postos de trabalho pelos dados do CAGED, após ajuste sazonal. Nos últimos doze meses, foram destruídos liquidamente 215 mil postos. Seguindo o IBGE, a taxa de desemprego das seis principais regiões metropolitanas subiu a 5,7% em março, a mais alta desde junho do ano passado, segundo nosso ajuste sazonal. Não tem mais ocorrido queda na taxa de participação, o que contribui para que a taxa de desemprego aumente. A desaceleração do mercado de trabalho também é visível nos salários, que estão 3% mais baixos do que no ano passado, descontada a inflação.

Inflação: acima de 8%, pressionada pelos preços administrados

O IPCA-15 apresentou variação de 1,07% em abril. As maiores contribuições de alta no mês vieram dos grupos habitação - com destaque para energia elétrica - e alimentação. Com este resultado, a taxa do IPCA-15 em 12 meses subiu para 8,2%, ante 7,9% até março. Há um ano, esta taxa era de 6,2%. Os núcleos do IPCA-15 subiram um pouco, e estão em média 7,3% (7,0% em março).

Banco Central eleva a taxa de juros para 13,25%

O Copom elevou novamente a taxa Selic em 0,50 p.p., para 13,25% ao ano. A inflação ainda elevada provavelmente justificou a decisão de manter o ritmo de alta de juros, apesar da atividade econômica fraca. O comunicado que acompanhou a decisão foi breve e semelhante aos das reuniões anteriores.

Resultado fiscal mostra contenção de gastos, mas desaceleração também nas receitas

O setor público alcançou superávit primário de R$ 239 milhões em março. Há uma contenção relevante do gasto, mostrando comprometimento com o ajuste fiscal. O problema é que a arrecadação também está em contração, devido à desaceleração da atividade econômica. Em 12 meses, o resultado primário caiu de -0,6% em fevereiro para -0,7% do PIB em março.

Governo eleva PIS/Cofins sobre receitas financeiras; iniciam-se os estudos para abertura de capital da Caixa Seguridade

O governo anunciou o restabelecimento do PIS/Cofins sobre receitas financeiras das empresas. Segundo a receita federal, a medida levará a um aumento de arrecadação de 2,7 bilhões de reais este ano. Além disso, o governo iniciou os estudos para a abertura de capital da Caixa Seguridade, a unidade de seguros da Caixa Econômica Federal.

Déficit em conta corrente continua a recuar

O déficit em conta corrente no mês de março somou US$ 5,7 bilhões. Sua tendência permanece de queda, já que a média de três meses anualizada se reduziu de US$ 98 bilhões em fevereiro a US$ 89 bilhões em março, após ajuste sazonal. Na conta de capitais, os investimentos diretos, investimentos em carteira e outros investimentos líquidos têm sido suficientes para cobrir o déficit em conta corrente, garantindo um resultado positivo ao balanço de pagamentos. Estes números já refletem a nova metodologia no registro das contas externas iniciada esse mês pelo Banco Central.

Pesquisa CNI/IBOPE mostra recuo da aprovação do governo

De acordo com pesquisa CNI/IBOPE, a aprovação do governo caiu a 12%, em comparação a 40% em dezembro. A pesquisa foi conduzida entre os dias 21 e 25 de março e divulgada em 1 de abril. O resultado é similar ao da pesquisa Datafolha realizada entre 16 e 17 de março, que mostrou aprovação de 13%.

Michel Temer assume a coordenação política

O vice-presidente Michel Temer, do PMDB, assumiu a articulação política do governo. Temer substituiu Pepe Vargas, do PT, que assumiu a Secretaria de Direitos Humanos. Além disso, Henrique Eduardo Alves, também do PMDB, foi nomeado Ministro do Turismo, em substituição a Vinícius Lages.

Próximos eventos

A tramitação dos projetos de ajuste fiscal no Congresso será destaque, em particular as medidas provisórias 664 e 665, relativas a mudanças no seguro-desemprego, abono salarial e pensão por morte. O prazo final para a votação de tais medidas é 1 de junho.



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