Itaú BBA - Inflação alta faz BCB indicar que elevará juros, mas com cautela

Conjuntura Macro

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Inflação alta faz BCB indicar que elevará juros, mas com cautela

Abril 1, 2013

A inflação está pressionada, mas algum alívio da desoneração da cesta básica deve ocorrer.

A economia brasileira em março de 2013

A inflação está pressionada, mas algum alívio da desoneração da cesta básica deve ocorrer. O Banco Central do Brasil sinalizou que elevará a taxa de juros, mas com cautela, o que interpretamos como uma elevação de, no máximo, um ponto percentual. O governo continuou a expandir a política fiscal. O déficit em conta corrente aumentou e não deve ser financiado integralmente pelo investimento direto estrangeiro. Houve recuperação forte do crescimento econômico no primeiro trimestre. O governo alcançou índices recordes de aprovação popular. Mas os gargalos de infra-estrutura ficam evidentes. Em abril, o foco permanecerá nos indicadores de inflação e em novas medidas de política econômica do governo.

A inflação está pressionada...

A taxa em 12 meses registrou 6,4%, próxima do teto da meta de inflação, de 6,5%. Além disso, o núcleo da inflação está em 5,8% e o percentual de preços em elevação subiu a 74%. Para conter as pressões inflacionárias, o governo desonerou os produtos da cesta básica de alimentos, o que, em nossa estimativa, retirará um total de cerca de 0,20 p.p. da inflação dos meses de março, abril e maio. A taxa de inflação deve ultrapassar o teto da meta em março, alcançando 6,6%.

...e o Banco Central indica que elevará a taxa de juros, mas com cautela.

O Banco Central manteve a taxa de juros constante em 7,25% na sua reunião de março, mas sinalizou que poderá elevar a taxa de juros para conter a inflação. Retirou do comunicado a indicação de que deve manter a taxa de juros estável por um período de tempo “suficientemente prolongado” como vinha fazendo anteriormente. Entretanto, reiterou que a política monetária deve ser “administrada com cautela”. Nossa expectativa é que o ciclo de alta de juros comece a partir de maio e seja de, no máximo, um ponto percentual, ao ritmo de 0,25 p.p. por reunião. Caso haja alívio inesperado na inflação de curto prazo, a programada elevação de juros poderá inclusive não ocorrer.

O governo continua a expandir a política fiscal...

Em fevereiro, o superávit primário acumulado em 12 meses caiu de 2,5% para 2,2% do PIB. Excluindo-se as receitas e despesas atípicas ou temporárias, o resultado é ainda menor, de 1,7% do PIB. A recuperação das receitas continua lenta, em virtude da retomada gradual da atividade econômica e do impacto das desonerações fiscais. Os gastos também têm aumentando, devido às despesas de custeio, especialmente saúde e educação, e às transferências governamentais, como programas sociais.

...e o déficit em conta corrente aumentou.

O déficit em conta corrente tem aumentado, e já alcança 2,8% do PIB. Uma das causas é o desempenho fraco das exportações, que vem sofrendo com as restrições do governo argentino aos manufaturados brasileiros e com as dificuldades logísticas internas ao embarque da soja. Outros fatores são o aumento das importações de combustíveis e a elevação das remessas de lucros e dividendos ao exterior. Numa perspectiva mais longa, o aumento no déficit em conta corrente pode ser explicado pela estabilização dos termos de troca, em uma economia cuja demanda doméstica cresce mais rápido do que o PIB. O déficit em conta corrente não deverá ser financiado integralmente pelo investimento direto estrangeiro.

Crescimento pode ser mais forte no primeiro trimestre...

Os sinais de crescimento mais forte, como os fornecidos pela agropecuária e pela indústria, poderão levar o PIB a crescer 1,2% no primeiro trimestre. Entretanto, em parte são fatores temporários, como a elevação de estoques em alguns setores, principalmente caminhões. Os fundamentos ainda são de aceleração moderada, com escassa disseminação do crescimento.  O mercado de trabalho segue apertado, com a taxa de desemprego nas mínimas históricas (5,4% ajustado sazonalmente) e o salário real crescendo a taxas elevadas (2,4% sobre o ano anterior).

...e o governo chega a índices recordes de aprovação popular.

De acordo com a última pesquisa Ibope, a aprovação da presidente Dilma subiu de 78% para 79%. Entre as áreas mais bem avaliadas estão as políticas de combate à pobreza e ao desemprego, enquanto que, entre as áreas de maior desaprovação, estão saúde e segurança pública.  A presidente também é a líder na pesquisa de intenção de voto para a eleição presidencial de 2014, com 58% das preferências, segundo o instituto Datafolha. Em segundo lugar, está Marina Silva, que já foi candidata na eleição presidencial passada, com 16%, seguida de Aécio Neves, com 10%, e Eduardo Campos, com 6%.

Mas os gargalos de infra-estrutura ficam evidentes.

Os problemas logísticos têm se manifestado mais claramente. O último exemplo foram as filas de caminhões de exportação de soja com destino ao porto de Santos, que levaram o Ministério da Justiça a proibir o estacionamento de caminhões no acostamento da rodovia. Tais gargalos de infraestrutura apenas deixam evidente a prioridade que deve ter o programa de concessões de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos para o melhor funcionamento da economia.

Bolsa cai, risco país sobe.

O Ibovespa seguiu em baixa, tendo acumulado queda de 1,9% em reais (-3,7% em dólares) em março. O risco Brasil medido pelo CDS fechou o mês em 137, alta de 3,4% sobre o mês anterior. A taxa de câmbio se depreciou 1,9%, fechando em 2,01 reais por dólar.

Próximos eventos.

O foco permanecerá nos indicadores de inflação e na reação de política do governo. O mercado acompanhará o impacto das desonerações tributárias sobre os preços e a sinalização do Banco Central sobre os próximos passos da política monetária.



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