Itaú BBA - Impeachment começa, novo ministro da Fazenda assume

Conjuntura Macro

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Impeachment começa, novo ministro da Fazenda assume

Janeiro 4, 2016

O Supremo Tribunal Federal definiu o rito para o processo de impeachment. Nelson Barbosa virou o novo ministro da Fazenda.

A economia brasileira em dezembro de 2015

O Supremo Tribunal Federal (STF) definiu o rito para o impeachment iniciado pela Câmara dos Deputados. Uma das decisões tomadas pelo STF é que a Câmara deverá realizar novamente a eleição da Comissão Especial do impeachment. Joaquim Levy deixou o Ministério da Fazenda, e no seu lugar foi nomeado o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa. O resultado primário do setor público segue deficitário, e uma segunda agência de risco retirou o grau de investimento do País. A economia permanece em recessão, a inflação segue acima da meta e aumentou o risco de o Banco Central (BC) elevar a taxa Selic. A Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) foi mais uma vez elevada. O investimento direto continua superando o déficit em conta corrente.

Supremo Tribunal Federal decide sobre o rito do impeachment

O Supremo Tribunal Federal estabeleceu as regras da tramitação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. A maioria dos ministros votou por anular a votação da Comissão Especial da Câmara, que agora terá de ser composta por deputados indicados pelos líderes dos partidos, de acordo com a proporcionalidade na Câmara. Além disso, a votação dessa comissão no plenário deve ocorrer por voto aberto (e não fechado, como na primeira eleição). Outra mudança sobre o rito foi com relação ao papel do Senado, que deverá decidir por maioria simples se o processo deve ser instaurado ou não, depois da decisão na Câmara. O processo de impeachment deve ser retomado após o fim do recesso parlamentar, em 2 de fevereiro.

Nelson Barbosa substitui Joaquim Levy no Ministério da Fazenda

A presidente Dilma Rousseff anunciou mudanças em sua equipe econômica. No Ministério da Fazenda, Joaquim Levy foi substituído por Nelson Barbosa, que antes era ministro do Planejamento. Com a sua saída, Valdir Simão assumiu essa pasta. Na posse dos novos ministros, a presidente Dilma afirmou que “a tarefa dos ministros (...) é de imediato contagiar a sociedade brasileira com a crença de que equilíbrio fiscal e crescimento econômico podem e devem ir juntos”. Em entrevistas à imprensa, Nelson Barbosa sinalizou que irá sugerir mudanças na Previdência, visando à redução de gastos obrigatórios.

Governo decide pagar despesas em atraso. Lei da repatriação é aprovada.

O déficit primário do setor público foi de R$ 19,5 bilhões em novembro, acumulando R$ 52,4 bilhões nos últimos 12 meses (0,9% do PIB). Além disso, o governo decidiu pagar as despesas restantes em atraso — que somam R$ 57 bilhões — integralmente em dezembro de 2015, o que deve levar o déficit primário para cerca de 2% do PIB no ano. No Congresso, o governo conseguiu a aprovação da lei da repatriação, a partir da qual espera arrecadar R$ 21 bilhões em 2016.

Brasil perde o grau de investimento pela agência Fitch 

A agência de classificação de risco Fitch rebaixou a nota de crédito soberano do Brasil de BBB- para BB+, com perspectiva negativa. Com a decisão, a agência acompanhou outra agência de risco, a Standard & Poor’s (S&P), retirando a classificação de grau de investimento do País. A Fitch justificou a mudança da nota devido à forte recessão e às incertezas no lado político e fiscal. A agência de risco Moody’s ainda classifica o Brasil como grau de investimento.

Relatório de Inflação aumenta probabilidade de alta de juros

O Relatório de Inflação (RI) divulgado pelo Banco Central reforçou a sinalização de que o balanço de riscos para a inflação piorou, por causa do aumento da inflação corrente e dos ajustes de preços relativos (câmbio, administrados) e, “principalmente, pelas incertezas quanto à velocidade do processo de recuperação dos resultados fiscais e de sua composição”. As projeções de inflação subiram com relação ao último Relatório e estão acima do centro da meta de 2016 e 2017. Nesse cenário, aumenta a probabilidade de aumento de juros em janeiro.

TJLP sobe para 7,5%

O Conselho Monetário Nacional (CMN) elevou de 7% para 7,5% a Taxa de Juros de Longo Prazo,  que parametriza boa parte dos empréstimos do BNDES. A alta, a quinta de 2015, faz parte do conjunto de ajustes econômicos propostos pela equipe econômica.

IPCA-15 aumenta 10,7% em 2015

O IPCA-15 teve alta de 1,2% em dezembro, resultado um pouco acima da nossa estimativa e da mediana das expectativas de mercado. Com isso, o índice fechou o ano com alta de 10,7%, acima da taxa do ano passado (6,5%). As maiores contribuições de alta no mês vieram dos grupos alimentação e transportes, com destaques individuais para alimentos in natura, combustíveis e passagens aéreas.

O PIB do terceiro trimestre recua 1,7% frente ao segundo; desemprego segue em alta 

O destaque negativo das contas nacionais continua sendo o investimento, que caiu 4%, a nona queda trimestral consecutiva. A taxa de desemprego atingiu 7,5% em novembro e, em termos dessazonalizados, passou de 7,9%, em outubro, para 8,2%, em novembro, a décima primeira alta consecutiva.

Déficit em conta corrente continua a cair, permanecendo abaixo do investimento direto

O déficit em conta corrente no mês de novembro somou US$ 2,9 bilhões e ficou abaixo do esperado, enquanto o investimento direto no país (IDP) foi de US$ 4,9 bilhões. No acumulado do ano, o déficit em conta corrente está em US$ 56 bilhões, cerca de US$ 4 bilhões a menos do que o investimento direto no país, situação inversa à de 2014, quando o déficit era maior do que o IDP.

Mercados pioram no mês

A taxa de câmbio fechou o mês em 3,90 reais por dólar, alta de 1,4% sobre o mês anterior, tendo alcançado 4,01 durante o mês. O risco-país medido pelo CDS de 5 anos teve alta de 47 pontos-base, terminando o mês em 492 pontos-base. O Ibovespa registrou queda de 3,9% em reais, e 5,2% em dólares.

Próximos eventos

A próxima reunião do Copom será no dia 20 de janeiro. O Congresso estará em recesso até o dia 2 de fevereiro.


 



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