Itaú BBA - Greve dos caminhoneiros em destaque

Conjuntura Macro

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Greve dos caminhoneiros em destaque

Junho 1, 2018

Governo aprova uma série de medidas para encerrar a greve dos caminhoneiros, com impacto fiscal negativo.

A economia brasileira em maio de 2018
 

Governo aprova uma série de medidas para encerrar a greve dos caminhoneiros, com impacto fiscal negativo. PIB avança 0,4% no 1T18 e segue em recuperação gradual. Copom mantém taxa Selic em 6,5%. Desemprego atinge 12,9% em abril. IPCA-15 sobe 0,14% em maio, abaixo do piso das expectativas. Pesquisas de intenção de voto mostram alto percentual de votos brancos e nulos para as eleições de 2018.

Governo anuncia uma série de medidas para encerrar a greve dos caminhoneiros

Como resultado da greve dos caminhoneiros os preços do diesel serão reduzidos em 0,46 centavos / litro, com um custo fiscal de BRL 13,5 bilhões até o final do ano. Parte dessa redução será feita com o corte de impostos no valor de 0,16 centavos/ litro (0,05 através da CIDE e 0,11 através do PIS / Cofins), gerando um custo fiscal de R$ 4 bilhões até o final do ano. Os outros R$ 0,30 / litro serão obtidos por meio de um “programa de subsídio temporário” do governo para com a Petrobras e outros fornecedores, inclusive importadores. O custo fiscal deste programa será de R $ 9,5 bilhões até o final do ano. O governo anunciou também medidas compensatórias, de forma a reduzir o impacto fiscal negativo. Os principais destaques são a reversão da desoneração da folha de pagamentos para alguns setores, a redução da alíquota do Reintegra, programa de incentivo tributário para exportadores, e cortes de gastos discricionários. Assim, o impacto fiscal negativo líquido para este ano será em torno de R$ 6 bilhões.

PIB avança 0,4% no 1T18 e segue em recuperação gradual

O PIB apresentou crescimento dessazonalizado de 0,4% no 1T18 ante o trimestre anterior, e alta de 1,2% na comparação anual. O resultado ficou ligeiramente acima da nossa projeção e da mediana das expectativas (ambas 0,3%). As aberturas mostram um quadro ligeiramente melhor da demanda doméstica do que o resultado agregado. O consumo das famílias e o investimento fixo avançaram 0,5% e 0,6% na margem, respectivamente. Projetamos crescimento de 2,0% em 2018. O cenário considera a combinação de política monetária, balanços das empresas, conjuntura externa e incerteza quanto à evolução das reformas. Não incorporamos ainda um eventual impacto das paralisações do transporte de cargas, que pode ter efeitos tanto no curto prazo (pelas interrupções nas cadeias de produção e suprimentos) quanto no 2º semestre (por um efeito duradouro na confiança).

Copom mantém taxa Selic em 6,5%

Em sua última reunião de política monetária, o Copom decidiu encerrar o ciclo de cortes com a taxa Selic inalterada em 6,50% (nós esperávamos um pequeno ajuste final de 0,25 p.p.). Em sua ata, o comitê sinalizou que seria adequado manter a taxa Selic estável em 6,5% nas próximas reuniões, dado o atual balanço de riscos e as projeções de inflação em níveis que a autoridade monetária considera confortáveis. Além disso, o Copom observou que a intensidade do repasse da recente depreciação depende de vários fatores, como o nível de ociosidade na economia e da ancoragem das expectativas de inflação. Portanto, deve pesar para as próximas decisões o comportamento das diferentes medidas de repasse cambial, que permitirá avaliar a intensidade do impacto de oscilações cambiais sobre os níveis de preços e a necessidade – ou não – de ações de política monetária que visem combater seus efeitos secundários. Nosso cenário base é de que a taxa Selic permanecerá estável em 6,5% até o final do ano, mas a postura da política monetária continuará dependente da dinâmica da taxa de câmbio e, em especial, de seu impacto nos dados de inflação e expectativas de inflação, particularmente para 2019.

Desemprego atinge 12,9% em abril

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), a taxa de desemprego nacional recuou para 12,9% no trimestre concluído em abril, ante 13,1% no trimestre concluído em março. Usando nosso ajuste sazonal, o desemprego recuou de 12,5% para 12,3%, influenciado por queda da taxa de participação e aumento da população ocupada informal. A massa salarial real recuou 0,3% em relação ao trimestre anterior (variação dessazonalizada), porém acelerou de 1,8% para 2,5% na comparação anual. O mercado de trabalho segue em avanço lento, reforçando um dos fatores que justificou nossa redução do crescimento do PIB projetado para 2018 (de 3,0% para 2,0%).

CAGED mostra criação de 116 mil empregos formais em abril

Segundo o Ministério do Trabalho houve criação de 116 mil empregos formais em abril (CAGED), resultado ligeiramente acima das nossas expectativas (108 mil). Dados livres de sazonalidade apontam para a criação de 21 mil empregos no mês, fazendo a média móvel de 3 meses recuar de 25 para 21 mil. Desde o inicio do ano este recuo vem sendo observado, e é um dos principais fatores que explicam o fato de o crescimento da atividade estar mais fraco do que as expectativas do inicio do ano.

IPCA-15 sobe 0,14% em maio, abaixo do piso das expectativas 

O IPCA-15 registrou variação de 0,14% em maio, resultado abaixo do piso das expectativas de mercado (0,20%). O índice havia registrado variação de 0,21% no mês anterior e de 0,24% em maio do ano passado. Com isso, a alta acumulada no ano atingiu 1,23%, com a taxa em 12 meses recuando para 2,70%, ante 2,80% em abril. A greve dos caminhoneiros deve pressionar a inflação da segunda quinzena de maio, mas este efeito deverá ser temporário, com normalização em junho e julho. Seguimos projetando inflação de 3,7% em 2018.

Setor público consolidado registrou superávit primário em abril

O setor público consolidado registrou superávit primário de R$ 2,9 bilhões em abril, abaixo de nossa projeção (R$6,5 bilhões) e da mediana das expectativas de mercado (em R$ 7,1 bilhões). No acumulado em 12 meses, o déficit primário consolidado recuou de 1,6% para 1,8% do PIB. O governo central, conforme divulgado pelo Tesouro Nacional, apresentou superávit de R$ 7,2 bilhões (ante nossa expectativa de R$ 5,5 bilhões). O resultado contou com uma antecipação do pagamento de precatórios em R$ 11 bilhões, que, no ano passado, ocorreu em junho. Os governos regionais e as estatais registraram déficit de R$ 2,5 bilhões e resultado equilibrado, ante nossa expectativa de superávit de R$ 0,5 bilhão e déficit de R$ 0,2 bilhão, respectivamente.

Alto percentual de brancos/nulos e indecisos na pesquisa CNT/MDA

A pesquisa CNT/MDA de intenções de voto para presidente, realizada entre os dias 9 e 12 de maio, mostrou que nenhum dos principais candidatos cresceu após a saída de Joaquim Barbosa (PSL) da disputa. No cenário sem Lula (PT), as intenções de voto da maioria dos candidatos recuaram, e o percentual de votos brancos/nulos e indecisos (46%) na pesquisa induzida aumentou quando comparado a outras pesquisas recentes de outros institutos. Comparando com a pesquisa CNT/MDA anterior (de março), votos brancos/nulos e indecisos também subiram. No cenário com Lula, o ex-presidente obteve 32% das intenções de voto. Em um terceiro cenário com apenas 5 candidatos, Bolsonaro (PSL) alcançou 20%, Marina Silva (REDE) 15%, Ciro Gomes (PDT) 11%, Geraldo Alckmin (PSDB) 8% e Fernando Haddad (PT) 4%. Votos brancos/nulos e indecisos alcançaram 42%.

Pesquisa Ibope realizada em São Paulo mostra aumento de intenções de voto em Jair Bolsonaro (PSL)

De acordo com a última pesquisa Ibope realizada em São Paulo, o percentual de intenção de votos em Jair Bolsonaro (PSL) aumentou. No cenário sem Lula (PT), a intenção de votos em Bolsonaro aumentou para 19%, ante 16% no mês anterior, enquanto Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (REDE) permaneceram estáveis em 15% e 11% respectivamente. Ciro Gomes atingiu 7% de intenção de votos, ante 4% no mês anterior. Em um cenário com Lula o ex-presidente lidera com 23%, ante 20% em abril.

Ativos financeiros

Em maio, o Ibovespa caiu 17% em dólares e 10,9% em reais. O risco-país medido pelo CDS subiu e terminou o mês em 226pbs. A taxa de câmbio depreciou para 3,74 reais por dólar.

Próximos eventos

O noticiário sobre as eleições continuará sendo monitorado atentamente. Do lado econômico, o principal evento será a decisão de juros pelo Banco Central, no dia 20 de junho.  



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