Itaú BBA - Governo age para desacelerar a entrada de capital

Conjuntura Macro

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Governo age para desacelerar a entrada de capital

Março 1, 2012

Em meio a ampla liquidez global, o governo tomou medidas para desacelerar os fluxos de capitais. O prazo do IOF de 6% foi ampliado.

A economia brasileira em fevereiro de 2012

Em meio a ampla liquidez global, o governo tomou medidas para desacelerar os fluxos de capitais. O prazo do IOF de 6% sobre empréstimos estrangeiros foi ampliado de dois para três anos, e o Banco Central tem feito intervenções no mercado de câmbio para mitigar a apreciação do real. O governo leiloou concessões de aeroportos, enquanto a reforma da previdência dos funcionários públicos avançou no Congresso. A economia está se recuperando. O governo contingenciou R$ 55 bilhões do orçamento de 2012 e registrou um resultado fiscal forte em janeiro. O investimento estrangeiro continua a financiar o déficit em conta corrente. Os influxos de capitais aumentam a expectativa de novas ofertas de ações. A atividade de fusões e aquisições segue forte.

IOF sobre empréstimos externos é estendido para operações de até 3 anos. O governo ampliou de dois para três anos o prazo do IOF de 6% sobre empréstimos no exterior por bancos brasileiros e instituições não-financeiras. A medida é uma tentativa de reduzir a demanda por empréstimos externos em meio à abundante liquidez global. Medidas adicionais podem seguir se a pressão de apreciação do real permanecer. No passado, a intervenção no câmbio incluiu a tributação de fluxos de renda fixa e ações, contratos de swap, posições em derivativos, e compulsórios sobre as posições vendidas em dólares.

Enquanto os mercados financeiros continuam melhorando. As condições do mercado continuaram melhorando em fevereiro. O Ibovespa teve alta de 4,3% no mês. O risco-país, medido pelo CDS de 5 anos, caiu para 141 pontos-base, de 145 pontos um mês atrás. O real se valorizou 1,7% para R$ 1,71 por dólar. O BC está comprando dólares no mercado à vista e em operações a termo e de swap.

O governo realiza leilões de concessão de aeroportos. Grupos privados vão pagar um total de R$ 24,5 bilhões ao longo de 30 anos por uma participação de 51% na expansão dos aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília. A Infraero vai reter os outros 49%. Os contratos vão aumentar a eficiência e criar novos terminais e serviços para os passageiros. O impacto fiscal será pequeno e distribuído por um período longo. O papel dos investidores estrangeiros nos leilões foi pequeno.

Enquanto a reforma da previdência social avança. O projeto que cria o fundo de pensão dos servidores públicos federais (FUNPRESP) foi aprovado na Câmara de Deputados, quase 15 anos após ter sido proposto pela primeira vez. O texto agora será encaminhado ao Senado. O novo sistema, que só será aplicado a futuros contratados, será financiado pelos funcionários públicos e seus empregadores e pagará benefícios de acordo com sua capitalização, diferentemente do atual regime de benefícios fixos. A proposta também reduz benefícios para os viúvos dos servidores, uma fonte importante de gastos, e pode estimular reformas similares por governos regionais.

A atividade está aquecendo. O crescimento econômico está reacelerando. Em dezembro, o índice do PIB mensal do Banco Central, IBC-Br, subiu 0,6%, enquanto nossa proxy PIBIU avançou 0,3%. Estoques elevados ainda pesam sobre a produção industrial. Já as condições do mercado de trabalho seguem favoráveis, mesmo com a desaceleração na criação de vagas. Os efeitos dos estímulos fiscal e monetário serão sentidos mais intensamente na segunda metade do ano.

Enquanto a inflação cede. A inflação ao consumidor continua recuando, com o IPCA-15 atingindo 6,0% nos 12 meses até meados de fevereiro. Esperamos que essa tendência continue, reduzindo o IPCA a 5,2% até o fim do ano. Os preços de serviços continuam sob pressão (com alta de 9,1%), refletindo a solidez do mercado de trabalho.

O governo contingencia R$ 55 bilhões do orçamento deste ano. Mesmo com o contingenciamento de uma fatia grande das despesas orçadas para 2012, vemos significativos riscos de implementação devido a possíveis aumentos dos gastos obrigatórios. Em Janeiro, no entanto, receita forte e crescimento ainda lento do gasto resultaram em saldo primário de R$ 26 bilhões. O superávit acumulado em 12 meses subiu de 3,1% em dezembro para 3,3% do PIB em janeiro.

Déficit em conta corrente em alta; investimento estrangeiro continua a vir. O balanço de pagamentos de janeiro registrou déficit em conta corrente de US$ 7,1 bilhões (o maior déficit mensal da história) e US$ 4,8 bilhões em investimentos de portfólio (90% para o mercado acionário). O investimento estrangeiro direto continua forte, atingindo 2,8% do PIB nos 12 meses até janeiro.  

O BC publicou uma pesquisa sobre a taxa de juros “neutra” no Brasil. A pesquisa com participantes do mercado mostrou que, em média, os analistas acham que a “taxa de juros real neutra” hoje está em 5,5%, comparada a 6,75% numa pesquisa semelhante feita em novembro de 2010. Em torno da metade dos entrevistados da última sondagem acredita que o juro neutro continuará caindo nos próximos dois anos.

A expectativa de novas ofertas no mercado de capitais está retornando. A entrada de capital estrangeiro eleva as expectativas para ofertas de ações, ainda que nenhuma tenha ocorrido este ano ainda. A operadora de turismo Brasil Travel desistiu de vender ações no mês passado, diante da fraqueza da demanda dos investidores. A locadora de automóveis Locamérica pretende abrir o capital em abril. A JBS, maior frigorífico do mundo, anunciou que vai listar ações separadas para a divisão de laticínios Vigor Alimentos. Esperamos que mais planos de ofertas de ações sejam registrados em breve.

 Enquanto a atividade de fusões e aquisições segue forte. Algumas operações de grande porte foram fechadas ou negociadas em fevereiro. O Itaú Unibanco fez uma oferta para comprar a participação dos minoritários na processadora de cartões Redecard por US$ 6,8 bilhões. A CPFL Energias Renováveis acrescentou 158MW a seu portfólio de energia eólica por meio da aquisição da BVP, num acordo avaliado em US$ 352 milhões. A Cosan, do ramo de açúcar e álcool, fez uma oferta para adquirir US$ 527 milhões em ações da ALL América Latina Logística. A Multiplan Empreendimentos Imobiliários ampliou sua participação no Shopping Vila Olímpia de 30% para 60%, num acordo de US$ 100 milhões. Por fim, a Hemisfério Sul Investimentos comprou uma fatia de 49% na Saphyr Administradora de Centros Comerciais SA, do Rio de Janeiro, que também atua com shopping centers.

O que vem pela frente? Os números do PIB do quarto trimestre serão divulgados em 6 de março. Projetamos crescimento trimestral de 0,2% (2,7% para o ano de 2011). O BC decide a nova taxa Selic em 7 de março. Esperamos outro corte de 50 pontos-base para 10,0%, a caminho do patamar de um dígito.

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