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Eleição em destaque

Outubro 1, 2018

Pesquisas de intenção de voto consolidam Jair Bolsonaro (PSL) em primeiro e Fernando Haddad (PT) em segundo lugar

A economia brasileira em setembro de 2018

Pesquisas de intenção de voto consolidam Jair Bolsonaro (PSL) em primeiro e Fernando Haddad (PT) em segundo lugar. Jair Bolsonaro sofre atentado durante campanha em Juiz de Fora (MG). Banco Central mantém Selic estável em 6,5% a.a. Índices de atividade apresentam recuo no mês de julho. Inflação segue em patamares baixos, mas deve acelerar à frente devido à depreciação cambial.

Pesquisas consolidam Bolsonaro (PSL) em primeiro e Haddad (PT) em segundo lugar

Com a aproximação do primeiro turno, as pesquisas eleitorais se tornaram mais frequentes no mês de setembro, tendo como destaque a consolidação de Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) como primeiro e segundo colocados, respectivamente.

De acordo com a última pesquisa Datafolha, Bolsonaro lidera com 28% das intenções de voto, seguido por Fernando Haddad com 22%, Ciro Gomes (PDT) com 11%, Geraldo Alckmin com (PSDB) com 10%, e Marina Silva (REDE) com 5%. Na primeira pesquisa do mês, o Datafolha mostrava Jair Bolsonaro com 24%, Ciro Gomes com 13%, Marina Silva com 11%, Geraldo Alckmin com 10% e Fernando Haddad com 9%.

A pesquisa Ibope mais recente apresentou resultado semelhante, com Jair Bolsonaro liderando com 27% dos votos, seguido por Fernando Haddad, com 21%, Ciro Gomes, com 12%, Geraldo Alckmin, com 8%, e Marina Silva, com 6%. No inicio do mês, o Ibope mostrava Jair Bolsonaro com 22%, Ciro Gomes e Marina Silva com 12%, Geraldo Alckmin com 9% e Fernando Haddad com 6%.

Nas simulações de segundo turno, os cenários do Datafolha mostram Jair Bolsonaro em desvantagem contra Fernando Haddad, Ciro Gomes e Geraldo Alckmin, e tecnicamente empatado com Marina Silva. No Ibope, Jair Bolsonaro aparece tecnicamente empatado com Fernando Haddad, Geraldo Alckmin, e Marina Silva, e em desvantagem na simulação com Ciro Gomes. 

Jair Bolsonaro sofre atentado durante campanha em Juiz de Fora

O candidato Jair Bolsonaro (PSL) sofreu um ataque em Juiz de Fora (MG) durante campanha eleitoral, onde foi encaminhado para o hospital local, e, posteriormente, para o hospital Albert Einstein, em São Paulo. O candidato teve alta no sábado (29), após 23 dias de internação. Segundo boletins médicos, apresenta boa recuperação, mas segue afastado das campanhas e debates.

Banco Central mantém Selic estável em 6,5%

O Copom tomou a decisão amplamente esperada de manter a taxa Selic inalterada em 6,5% a.a., em votação unânime. O comitê deixa claro que, diante de um balanço de riscos assimétrico, pendendo para uma inflação mais alta, seus membros estão prontos para agir. Uma alta gradual da taxa Selic resultaria de deteriorações adicionais das expectativas de inflação e/ou do atual balanço de riscos. Mesmo tendo notado que a economia segue operando com elevados níveis de capacidade ociosa, o comitê expressou preocupação com possíveis efeitos secundários de movimentos de depreciação cambial e parece estar monitorando com cuidado as expectativas de inflação. Por enquanto, esperamos que o Copom mantenha a taxa básica de juros estável em 6,5% ao ano na reunião de outubro, mas reconhecemos que essa projeção pode mudar, a depender da evolução do cenário de inflação. 

Índices de atividade apresentam recuo no mês de julho

A produção industrial recuou 0,2% na comparação mensal dessazonalizada em julho. Apesar do recuo, o resultado foi muito superior à mediana das expectativas (-1,5%), e segue acima dos patamares pré-paralisação dos caminhoneiros. Em relação ao mesmo mês de 2017, a produção avançou 4,0%. As vendas no varejo recuaram 0,5% no conceito restrito (terceira queda mensal consecutiva) e 0,4% no conceito ampliado – que inclui veículos e material de construção, ambas abaixo das expectativas de mercado. Com isso, as vendas no varejo ampliado se encontram 1,5% abaixo do patamar observado antes da paralisação. A receita real do setor de serviços também apresentou queda no mês, recuando 2,2%, após ajuste sazonal, o pior resultado para o mês desde 2011.

Com estes resultados, nosso PIB mensal Itaú Unibanco apresentou alta de 0,2% em julho, após ajuste sazonal. Na comparação ante o mesmo mês do ano anterior, o indicador apresentou alta de 1,6%. Apesar desta alta, a dinâmica recente dos índices de confiança e a difusão dos principais indicadores mensais apontam para um quadro de fraco crescimento subjacente da economia brasileira.

Desemprego recua em julho, Caged aponta criação de 110 mil vagas

A taxa nacional de desemprego recuou para 12,1% em agosto, superando as expectativas de mercado (12,2%). Dados livres de sazonalidade apontam queda de 0,1p.p levando a taxa a 12,2%. O resultado foi influenciado por um aumento na população ocupada, principalmente em empregos informais. Em linhas gerais, a taxa de desemprego segue mostrando uma melhora gradual, mas em ritmo fraco.

Segundo o Ministério do Trabalho (CAGED), houve criação líquida de 110 mil empregos formais em agosto. O resultado ficou acima das expectativas do mercado (60 mil). Dados livres de sazonalidade apontam para a criação de 51 mil empregos no mês, o maior resultado desde dezembro de 2017. Com este resultado, a média móvel de 3 meses avançou  de 5 mil para 17 mil. Na comparação com o fim de 2017, tanto o volume de admissão quanto o volume de demissão estão ligeiramente maiores. 

IPCA segue em patamares baixos, mas deve acelerar

O IPCA apresentou variação de -0,09% em agosto, abaixo do piso das expectativas de mercado (-0,06). No acumulado do ano, o IPCA apresentou variação de 2,85%, com a taxa em 12 meses recuando para 4,19%. O IPCA-15 apresentou variação de 0,09% em setembro, o menor resultado para o mês de setembro desde 2006. A nossa projeção preliminar para o IPCA do mês fechado aponta alta de 0,48%, com a taxa em 12 meses subindo para 4,53% (ante 4,19% em agosto). Em linhas gerais, a depreciação recente na taxa de câmbio deve impactar, de forma mais rápida e intensa, o resultado dos índices de preços no atacado e, nesse sentido, pode exercer alguma pressão adicional na inflação ao consumidor nos próximos meses.

Setor público consolidado registra déficit primário de R$ 16,9 bilhões em agosto

O setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 16,9 bilhões em agosto, um resultado melhor do que o consenso de mercado (R$ 19,0 bilhões). Os governos regionais e as estatais registraram superávit de R$ 3,4 bilhões e superávit de R$ 0,6 bilhão, respectivamente. No acumulado em 12 meses, o déficit primário consolidado aumentou de 1,1% em julho para 1,2% do PIB em agosto. O resultado do mês confirma a perspectiva de um resultado primário melhor do que a meta de déficit fixada para o ano. A dívida bruta do setor público consolidado aumentou de 77,2% do PIB para 77,3% do PIB entre julho e agosto, mesmo com a devolução de 1,0% do PIB do BNDES ao Tesouro Nacional. A dívida líquida do setor público, por sua vez, recuou de 52,2% para 51,2% em agosto, refletindo a depreciação cambial do período. Um cenário fiscal favorável é estritamente dependente da aprovação de reformas, como a da Previdência, que sinalizem o retorno gradual a superávits primários compatíveis com a estabilização estrutural da dívida pública.

A arrecadação federal foi de R$ 109,8 bilhões em agosto, um pouco abaixo das expectativas de mercado. A variação em doze meses atingiu 1,1%, apresentando normalização após o forte crescimento registrado no mês de julho.

Ativos financeiros

Em setembro, o Ibovespa subiu 6,9% em dólares e 3,5% em reais. O risco-país medido pelo CDS recuou 40pbs e terminou o mês em 262pbs. A taxa de câmbio apreciou para 4,00 reais por dólar.

Próximos eventos

As eleições presidenciais serão o destaque do mês de outubro. O primeiro turno está marcado para o primeiro domingo do mês, dia 7, e, o segundo, para o dia 28. As próximas pesquisas eleitorais e debates, bem como o noticiário político, também serão atentamente monitorados.



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