Itaú BBA - Depreciação do real se intensifica

Conjuntura Macro

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Depreciação do real se intensifica

Abril 1, 2015

A economia brasileira em março de 2015

A economia brasileira em março de 2015

O crescimento do PIB foi de 0,1% em 2014. Os últimos indicadores de confiança e emprego mostraram enfraquecimento adicional da economia esse ano. O Banco Central sugeriu, em seu Relatório de Inflação, que o ciclo de alta na taxa de juros está próximo do fim. A Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) foi novamente elevada. A inflação alcançou 7,9%, pressionada pelo realinhamento de tarifas (energia elétrica, gasolina, ônibus urbano) realizado neste início do ano. O resultado fiscal veio pior do que o esperado, e o déficit em conta corrente recuou. A aprovação do governo voltou a cair, em meio a manifestações pelo País. Após um embate com o PMDB, o Ministro da Educação, Cid Gomes, deixou o governo. 

PIB cresce 0,3% no quarto trimestre de 2014. No ano, o crescimento foi de 0,1%

O PIB aumentou 0,3% no quarto trimestre de 2014 contra o trimestre imediatamente anterior. No ano, o crescimento foi de 0,1% ante 2013, com crescimento de 0,9% do consumo privado e queda de 4,4% do investimento. Os números já incorporam a nova metodologia das Contas Nacionais. Além disso, os dados para 2012 e 2013 foram revisados para cima após a adoção da nova metodologia. As maiores revisões se concentraram, pela ótica da demanda, no investimento, e pela oferta, na indústria.

Confiança do consumidor volta a recuar e atinge novos mínimos históricos

A confiança do consumidor (calculado pela FGV) recuou 2,9% em março na comparação com o mês anterior, após ajuste sazonal. Assim, o índice atinge pela terceira vez consecutiva um novo mínimo histórico da série iniciada em 2005. O percentual de pessoas reportando que está difícil conseguir emprego aumentou de 67,9% em fevereiro para 75,4% em março, reforçando o cenário de enfraquecimento do mercado de trabalho.

Novo aumento da taxa de desemprego

Segundo o IBGE, a taxa de desemprego atingiu 5,9% em fevereiro. Usando nosso ajuste sazonal, a taxa de desemprego passou de 5,4% em janeiro para 5,6% em fevereiro. Assim, o desemprego teve seu segundo aumento consecutivo, e segue em tendência de alta. Houve também recuo da massa salarial real, tanto devido a uma queda na população ocupada quanto no salário real.

Relatório de Inflação sugere que ciclo de alta está próximo do fim

O Copom divulgou seu Relatório de Inflação do primeiro trimestre. O Relatório discutiu o atual realinhamento de preços relativos (administrados, câmbio) e concluiu que os efeitos sobre a inflação “tendem a se circunscrever ao curto prazo e se apresentar fortemente mitigados em 2016”. As projeções de inflação apresentadas reforçam essa conclusão. Dessa forma, entendemos que o Relatório sugere que o ciclo de alta de juros está próximo do fim. Acreditamos que o Copom fará uma alta final em abril.

Taxa de Juros de Longo Prazo sobe para 6%

O Conselho Monetário Nacional elevou em 0,5 p.p. a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), que parametriza boa parte dos empréstimos do BNDES. A alta, a segunda este ano, faz parte do conjunto de ajustes econômicos propostos pela equipe econômica.

Inflação do IPCA-15 alcança 7,9% em 12 meses

A inflação medida pelo IPCA-15 ficou em 1,24% em março, em linha com as expectativas de mercado. O resultado foi substancialmente superior a março do ano passado (0,73%), o que elevou a inflação acumulada em 12 meses para 7,9%. Os preços administrados continuaram pressionando a inflação, reflexo do realinhamento de tarifas (energia elétrica, gasolina, ônibus urbano) feito neste início do ano. Em 12 meses, a inflação de preços administrados atingiu 11,5%.

Resultado fiscal pior que o esperado 

O setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 2,3 bilhões em fevereiro, pior do que o esperado. A surpresa negativa foi concentrada no âmbito do governo central, que registrou déficit primário de R$ 6,7 bilhões. A arrecadação federal continua em retração, impactada pela fraqueza da atividade econômica. A despesa federal também está em queda, mas é necessário um aprofundamento no corte das despesas para que o superávit primário alcance níveis próximos da meta estipulada para este ano.

Déficit em conta corrente recua em fevereiro 

O balanço de pagamentos de fevereiro mostrou déficit em conta corrente abaixo do esperado, com recuo tanto no déficit de serviços quanto de rendas. Em 12 meses, o déficit em conta corrente caiu para US$ 89,8 bilhões, frente a US$ 90,4 bilhões em janeiro, embora tenha ficado estável como proporção do PIB (4,2%). Na conta de capitais, o investimento estrangeiro direto ficou abaixo do esperado, somando US$ 60 bilhões em 12 meses (ou 2,8% do PIB).

Aprovação do governo volta a recuar, enquanto manifestações acontecem pelo País

Manifestações aconteceram em diversas cidades do País. Uma pesquisa feita pelo instituto Datafolha revelou que a aprovação do governo recuou para 13% em março, frente a 23% em fevereiro. A taxa de rejeição da presidente Dilma Rousseff aumentou de 44% para 62%. Após um embate com o PMDB, o Ministro da Educação, Cid Gomes (PROS), deixou o governo.

Real deprecia fortemente, Banco Central encerra programa de swaps cambiais

A taxa de cambio alcançou 3,20 reais por dólar no final de março, uma alta de 11,5% sobre o mês anterior. O Banco Central anunciou que não ofertará mais contratos de swaps cambiais a partir de abril, mas que continuará a renovar os contratos existentes. O Ibovespa teve queda de  0,6% em reais e 10,9% em dólares. O risco-país medido pelo CDS de 5 anos subiu 41 pbs, a 284 pbs, tendo alcançado 306 pbs durante o mês.

Próximos eventos

A tramitação dos projetos de ajuste fiscal no Congresso será destaque, em particular as medidas provisórias 664 e 665, relativas a mudanças no seguro-desemprego, abono salarial e pensão por morte. A próxima reunião do Copom será em 29 de abril, quando esperamos uma alta final na taxa básica de juros.


 


 



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