Itaú BBA - Corte maior de juros, mais medidas cambiais

Conjuntura Macro

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Corte maior de juros, mais medidas cambiais

Abril 2, 2012

O Banco Central (BC) acelerou o ritmo de cortes na taxa de juros. O governo tomou novas medidas para conter a valorização do real.

A economia brasileira em março de 2012

O Banco Central (BC) acelerou o ritmo de cortes na taxa de juros. O governo tomou novas medidas para conter a valorização do real. A atividade econômica continuou se recuperando gradualmente, enquanto a inflação se reduziu. O superávit primário foi mais robusto, mas deve piorar adiante. O Investimento Estrangeiro Direto (IED) permaneceu superior ao déficit em conta corrente. O real se desvalorizou e os mercados financeiros perderam força. O Senado aprovou a criação do Fundo de Previdência Complementar do Servidor Público Federal (Funpresp). O mercado de capitais começou a se movimentar, com várias ofertas sendo programadas, enquanto algumas importantes transações de fusões e aquisições foram realizadas.

O Banco Central acelera o ritmo de quedas de taxas de juros. Após quatro cortes de 50 pontos-base na Selic desde setembro do ano passado, o BC baixou a taxa básica de juros em 75 p.b. para 9,75%. A ata divulgada na semana seguinte à reunião revelou que a autoridade monetária baseou sua decisão no fato de que a desaceleração econômica foi mais acentuada do que o esperado. O documento também indicou claramente os próximos passos da política monetária ao atribuir “elevada probabilidade à concretização de um cenário que contempla a taxa Selic se deslocando para patamares ligeiramente acima dos mínimos históricos, e nesses patamares se estabilizando”. Como a taxa mínima histórica é de 8,75%, acreditamos que o BC tenha sinalizado que a Selic provavelmente cairá para 9,0%.

E o governo toma novas medidas para conter a valorização do real. Os empréstimos para o pré-pagamento de exportações só estarão isentos da alíquota de 6% do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) se vencerem em menos de 360 dias e forem concedidos pelo importador. O governo também estendeu o IOF para captações externas com prazo médio de até cinco anos.

A atividade se recupera gradualmente.Após um recuo com ajuste sazonal de 0,1% no terceiro trimestre, o PIB se expandiu somente 0,3% no quarto trimestre. O resultado final de 2011 ficou em 2,7% — abaixo do potencial. Mas a economia está se recuperando gradualmente. Em janeiro, o crescimento das vendas no varejo levou a uma alta de 0,2% do PIB mensal Itaú Unibanco (com ajuste sazonal). Em fevereiro, a criação de vagas foi positiva pelo quarto mês consecutivo. Esperamos que o crescimento do PIB acelere um pouco no primeiro trimestre (0,5%) e ganhe mais força no segundo semestre. Nossa projeção para 2012 permanece em 3,5%.

Enquanto a inflação cede. A inflação no primeiro trimestre deste ano foi menor do que um ano atrás. Estimamos 1,37%, em comparação a 2,44% nos primeiros três meses de 2011. Janeiro e fevereiro já apresentaram avanços menores do que em 2011, e março não deve ser diferente. A retração do núcleo da inflação e da inflação de serviços indica que a melhora é generalizada. A inflação em 12 meses provavelmente vai cair para 5,4% no fim do primeiro trimestre, mas não esperamos melhora sustentada daí em diante. Nossa previsão para o IPCA no fim do ano segue em 5,5%.

O superávit primário foi mais robusto, mas esperamos piora adiante. Graças a fatores temporários, o superávit primário chegou a R$ 9,5 bilhões em fevereiro, o melhor para o mês desde 2008.  Em 12 meses, o resultado agora alcança 3,3% do PIB. Mas a desaceleração da arrecadação de impostos e o avanço das despesas deverão reduzir o superávit para 2,8% do PIB ao fim deste ano.

Déficit menor por queda de remessas de lucros, financiado pelo IED. O déficit da conta corrente foi menor que o esperado em fevereiro (US$ 1,8 bilhão) devido à redução da remessa de lucros e dividendos ao menor nível em oito anos. Provavelmente, a desaceleração da atividade econômica no segundo semestre de 2011 levou à desaceleração na remessa de lucros. O IED foi um pouco mais fraco em fevereiro, mas soma 2,6% do PIB em 12 meses e, portanto, financia confortavelmente o déficit das transações correntes de 2,1% do PIB.

O real se desvaloriza e os mercados financeiros perdem força em março. Após diversas medidas do governo para conter a entrada de capitais e a apreciação do real, a moeda brasileira se desvalorizou 6,6%, em março, a R$ 1,82 por dólar. O Ibovespa acumulou queda de 8,1% em dólares e de 2,0% em moeda local. O risco Brasil medido pelo CDS de 5 anos caiu para 121 pontos-base, de 141 pontos um mês atrás.

O Senado aprova o novo regime de previdência complementar para funcionários públicos federais. O Funpresp depende agora da sanção da Presidente Dilma. O novo sistema, que só se aplicará aos novos contratados, será financiado pelos funcionários públicos e seus empregadores e pagará benefícios de acordo com sua capitalização, diferentemente do atual sistema de benefícios fixos.

O mercado de capitais começa a se movimentar, e várias ofertas são programadas. O mercado local de capitais mostra sinais de atividade, à medida que os mercados internacionais se estabilizam. Após iniciar o ano numa tendência mais positiva, os fluxos para fundos globais de ações dedicados ao Brasil se reduziram novamente em março. Entretanto, várias ofertas são esperadas para o mês de abril. O Banco BTG Pactual planeja vender ações novas e existentes numa abertura de capital já protocolada na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A norueguesa Seadrill, líder mundial em perfuração de petróleo, planeja vender ações ordinárias da subsidiária brasileira Seabras. A locadora de veículos Locamérica e a Unicasa, que fabrica móveis para cozinhas, quartos e escritórios, também estão se preparando para lançar ofertas. Por fim, a Fibria, a maior produtora mundial de celulose, e a Qualicorp, uma corretora de seguros de saúde controlada pelo fundo Carlyle, baseado em Washington, lançaram ofertas secundárias.

Enquanto algumas importantes transações de fusões e aquisições são realizadas. Na maior transação do mês, a Mubadala Development Company, de Abu Dhabi, comprou uma participação de 5,6% na EBX Group Co, a holding de Eike Batista, por US$ 2 bilhões. A espanhola Prosegur comprou 11 empresas da Nordeste Segurança de Valores por US$ 467 milhões. Por fim, a britânica Aggreko PLC, a maior empresa mundial de geração temporária de energia, acertou a compra de todo o capital acionário da Companhia Brasileira de Locações, provedora de serviços de eletricidade sediada em São Paulo, por US$ 255 milhões.

O que vem pela frente? O governo vai anunciar novas medidas para estimular a economia e ajudar alguns setores a enfrentar a concorrência dos importados. A próxima decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) será divulgada em 18 de abril: esperamos que o BC encerre o ciclo de quedas com um corte final de 75 p.b. na taxa Selic.

Clique aqui para ver o relatório completo em pdf



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