Itaú BBA - Copom indica um pouco mais de estímulo monetário

Conjuntura Macro

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Copom indica um pouco mais de estímulo monetário

Abril 2, 2018

O banco central reduziu a taxa Selic em 0,25pp para 6,50% e sinalizou que uma redução moderada adicional da taxa de juros é apropriada para a reunião de maio

A economia em março de 2018
 

O banco central reduziu a taxa Selic em 0,25pp para 6,50% e sinalizou que uma redução moderada adicional da taxa de juros é apropriada para a reunião de maio. O IPCA-15 subiu 0,10% em março, em linha com o esperado, e em trajetória abaixo do centro da meta de inflação. As vendas no varejo cresceram em janeiro, sinalizando nova expansão do consumo no 1º tri. O déficit primário alcançou R$ 17 bilhões em fevereiro, em linha com as expectativas. O governo deve cumprir a meta fiscal deste ano sem maiores dificuldades.
 

Copom indica corte adicional de 0,25 p.p. na taxa Selic em maio

O Copom decidiu, por unanimidade, cortar a taxa de juros em 0,25 pp, como esperado, levando a Selic a um nível inédito de 6,5% a.a. A principal mensagem do comunicado da decisão e da ata da reunião é de que uma redução moderada adicional da taxa de juros é apropriada para a reunião de maio, mas o processo de flexibilização monetária será interrompido depois disto, a menos que se observe uma continuidade das surpresas para baixo nos indicadores de inflação e/ou atividade econômica no Brasil. Como de costume, o Copom não fechou as portas para cenários alternativos. Portanto, olhando à frente, será necessário monitorar os dados de alta frequência de inflação e atividade no Brasil, assim como o impacto de tais dados nas expectativas e no cenário prospectivo. Uma vez que não esperamos, neste momento, mudanças significativas no cenário, mantemos a visao de que 6,25% ao ano será o nível final da taxa Selic neste ciclo – e projetamos que taxa de juros seja reduzida para este nível na próxima reunião de maio, permanecendo neste patamar até pelo menos o final do ano.

O BC publicou o relatório de inflação referente ao primeiro trimestre do ano. O documento apresenta projeções de inflação em 3,8% para 2018 e 4,1% para 2019 no cenário de mercado, com projeções de taxas de juros e câmbio de acordo com o relatório Focus, que atualmente assume a taxa Selic estável em 6,50% até o final de 2018, e subindo para 8,0% em 2019. As projeções de inflação abaixo das metas (4,5% para 2018 e 4,25% para 2019) reforçam a comunicação recente de que o cenário base por ora é de mais um corte de 0,25 p.p. em maio, levando a taxa Selic para 6,25%.esto.

IPCA-15 sobe 0,10% em março, em linha com o esperado

O IPCA-15 registrou variação de 0,10% em março, em linha com a mediana das expectativas de mercado. Com isso, a taxa em 12 meses recuou para 2,80%, ante 2,86% em fevereiro. Em linhas gerias, a evolução da inflação permanece favorável, com várias medidas de inflação subjacente em níveis baixos, incluindo os componentes mais sensíveis à política monetária (isto é, preços de serviços). Olhando à frente, a inflação tende a subir em relação ao patamar inferior a 3% observado no ano passado, basicamente como resultado do fim do processo de deflação de preços de alimentos. Para o ano de 2018, continuamos a projetar inflação de 3,5%.

BC reduz alíquotas dos compulsórios nos depósitos à vista e de poupança

O Banco Central (BC), reduziu a alíquota de recolhimento dos depósitos à vista de 40% para 25%. No caso da poupança, o recolhimento passou de 21% para 20%, na modalidade rural, e de 24,5% para 20%, nas demais modalidades. Os novos percentuais entram em vigor no mês de abril. O BC também mudou a forma como os bancos podem cumprir suas exigências de depósito compulsório – o saldo em caixa eletrônico e agências dos bancos não serão mais deduzidos da exigências de compulsório. Com isso, a autoridade monetária espera fomentar o uso de meios eletrônicos de pagamento. O impacto agregado das medidas, segundo o BC,  pode ser estimado em cerca de 26 bilhões de reais, e, na avaliação do Banco Central, tem o potencial de contribuir para a redução do custo de crédito no Brasil.

Índice de atividade do BC recua 0,6% em janeiro

O IBC-Br, índice de atividade econômica do Banco Central, recuou 0,6% em janeiro. O resultado mais fraco para o mês é reflexo da evolução abaixo do esperado para a produção industrial e receita real do setor de serviços. Em comparação com o  mesmo mês do ano anterior, o indicador subiu 3,0%, já na variação trimestral com ajuste sazonal, a alta foi de 1,3%.

Taxa de desemprego alcança 12,6%

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, a taxa de desemprego nacional subiu para 12,6% em fevereiro, ante 12,2% no trimestre concluído em janeiro. A alta ocorre principalmente pela sazonalidade do mercado de trabalho. Usando nosso ajuste sazonal, o desemprego recuou 0,1 p.p. para 12,4%, influenciado por ligeiro recuo na taxa de participação. Vale notar que a população ocupada informal recuou na margem após ficar virtualmente estável nas últimas três divulgações, consolidando o fim do movimento de alta observado em 2017. Já a população ocupada no setor privado com carteira assinada segue estável na pesquisa e deve começar a avançar nos próximos meses, à medida que a economia segue se recuperando.

Vendas no varejo em janeiro sinalizam nova expansão do consumo no 1T18

As vendas no varejo apresentaram alta de 0,9% no conceito restrito e recuo de 0,1% no ampliado (que inclui veículos e materiais de construção) em janeiro. Como avaliamos que a Black Friday ainda não está completamente incorporada ao ajuste sazonal e pode distorcer as variações mensais dessazonalizadas de novembro e dezembro, a variação trimestral fornece um bom indicador da dinâmica recente das vendas do varejo. Neste contexto, a variação trimestral das vendas no varejo acelerou de 0,0% para 0,4% no conceito restrito, enquanto o conceito ampliado acelerou de 0,5% para 1,2%. Do lado de serviços, a receita real do setor recuou 1,9% em janeiro, após ajuste sazonal, surpreendendo para baixo a mediana das expectativas de mercado. O resultado mais fraco no mês foi disseminado entre seus subcomponentes, com 4 de 5 setores da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) recuando em relação ao mês anterior. Vale destacar que a PMS abrange cerca de 34% do PIB de serviços, não representando, portanto, a totalidade do setor. Com as vendas no varejo e receita real do setor de serviços, completamos nosso cálculo do PIB mensal Itaú Unibanco (PM-Itaú) de janeiro. O indicador recuou 0,4% em janeiro ante dezembro, após ajuste sazonal. Ante o mesmo mês do ano anterior, houve alta de 1,1%.

Indicadores de confiança seguem em alta em março

A maioria dos indicadores de confiança divulgados pela FGV apresentaram resultados positivos em março. A confiança do empresário industrial subiu 1,3% no mês, com alta em ambos os componentes de situação atual (1,2%) e expectativas para o futuro (1,4%). Na mesma linha, a confiança do consumidor apresentou forte alta de 5,3%, atingindo o patamar mais elevado desde setembro de 2014. Os indicadores de confiança do comércio e construção civil subiram 1,4% e 1,3%, respectivamente. Por outro lado, houve recuo de 1,8% na confiança do setor de serviços, interrompendo uma sequência de oito altas consecutivas. Apesar do resultado, o subcomponente de expectativas para o futuro segue em patamar mais elevado do que o de situação atual, sugerindo ganhos adicionais na confiança do setor de serviços à frente.

Déficit primário de R$ 17 bilhões em fevereiro
 

O setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 17,4 bilhões em fevereiro, em linha com as expectativas de mercado. No acumulado em 12 meses, o déficit primário consolidado recuou de 1,5% para 1,4% do PIB. O resultado reforça que o cumprimento das metas de resultado primário em 2018 deve ser menos desafiador do que nos últimos anos. A dívida bruta do governo geral atingiu 75,1% do PIB e a dívida líquida do setor público alcançou 52,0% do PIB em fevereiro. Apesar dos resultados primários anuais ainda deficitários, a devolução de R$ 130 bilhões do BNDES para o Tesouro Nacional, a melhora no crescimento econômico e a redução das taxas de juros reais, deixarão a dívida bruta relativamente estável como proporção do PIB em 2018. No entanto, sem reformas, como a da Previdência, os resultados fiscais voltarão a uma tendência de deterioração de 2019 em diante.

Ativos financeiros
 

Em março, o Ibovespa caiu 2,4 % em dólares e se manteve estável em reais. O risco-país medido pelo CDS subiu e terminou o mês em 164pbs. A taxa de câmbio depreciou para 3,32 reais por dólar

Próximos eventos

No início do mês as atenções estarão voltadas para os movimentos políticos em relação à eleição Presidencial de 2018, visto que o prazo final para filiação / troca partidária e desincompatibilização de cargos executivos é no dia 7 de abril. Adicionalmente, o Supremo Tribunal Federal irá julgar o pedido de habeas corpus do ex-presidente Lula no dia 4 de abril.



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