Itaú BBA - Copom antecipa o ciclo de cortes de juros

Conjuntura Macro

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Copom antecipa o ciclo de cortes de juros

Fevereiro 1, 2017

O Comitê justificou a aceleração a partir dos dados mais fracos de atividade e a inflação abaixo da esperada.

A economia brasileira em janeiro de 2017

O Banco Central reduziu os juros em 0,75 p.p. antecipando o ciclo de flexibilização monetária. A inflação diminuiu, terminando o ano de 2016 abaixo do teto da meta. No quarto trimestre, a atividade econômica continuou a se contrair, mas os dados na ponta apontam crescimento. No mercado de trabalho, permanece o aumento do desemprego. O real voltou a se valorizar contra o dólar. Foi anunciado acordo de recuperação fiscal do Rio de Janeiro, ainda pendente de aprovação legislativa. O déficit nas contas públicas seguiu em alta, enquanto o déficit em conta corrente recuou pelo segundo ano consecutivo. O Ministro do Supremo Tribunal Federal e relator da Lava-Jato, Teori Zavascki, faleceu em um trágico acidente aéreo.

BC reduz os juros em 0,75 p.p., antecipando o ciclo de flexibilização monetária

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decidiu, por unanimidade, realizar outro corte de juros, desta vez de 0,75 p.p., levando a taxa Selic para 13,00% a.a., o que surpreendeu o mercado (que esperava um corte de 0,50 p.p.). O Comitê justificou a aceleração do ritmo de cortes dos juros para 0,75 p.p. a partir dos dados mais fracos de atividade econômica e a inflação abaixo da esperada. A ata referente à reunião de janeiro mostra todas as projeções de inflação do BC para 2017 e 2018 em linha ou abaixo da meta de 4,5%. O BC afirmou que a aceleração é mais consistente com uma antecipação do ciclo, e que a extensão do ciclo e possíveis revisões no ritmo de flexibilização “continuarão dependendo das projeções e expectativas de inflação e da evolução dos fatores de risco”.

IPCA fecha o ano de 2016 dentro do intervalo da meta

A inflação continuou abaixo das expectativas do mercado, com redução disseminada entre seus principais componentes. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou o ano de 2016 com alta de 6,29%, bem abaixo dos 10,67% no fim de 2015, e dentro do intervalo de tolerância da meta para a inflação (6,5%). A inflação medida pelo IPCA-15 (janeiro) continuou nesta tendência, desacelerando para 5,94%. As expectativas segundo a pesquisa do Banco Central continuaram evoluindo favoravelmente, caindo a 4,70% para 2017 e ancoradas na meta de 4,5% para os horizontes de 2018 em diante.

Atividade econômica mais fraca no quarto trimestre, mas alguns sinais de melhora na margem

Os números do quarto trimestre mostraram ainda fraqueza, sinalizando para mais uma queda do PIB no período. A receita do setor de serviços ficou estável em novembro (0,1%), não se recuperando da queda significativa de outubro (-2,3%). Os indicadores preliminares de varejo de dezembro apontam para queda, compensando a alta ocorrida em novembro (provavelmente antecipação de consumo devido às promoções da Black Friday). Já no setor industrial, apesar de os números  também terem mostrado fraqueza em novembro (queda de 2,3%), na ponta os indicadores reagiram positivamente, com alta de 2,3% na produção em dezembro, e alta de 5,1% na confiança do empresário em janeiro.

Perda de vagas no mercado de trabalho continua, e o desemprego continua em alta

Permanece o fechamento de vagas formais no mercado de trabalho, ainda que em ritmo menos intenso. Em dezembro, houve perda líquida de 462 mil empregos formais, resultado melhor que o esperado pelo mercado. A perda menor de vagas não evitou o aumento do desemprego no mês: a taxa de desemprego nacional atingiu 12,0% em dezembro, o que em termos dessazonalizados representa uma alta de 12,3% para 12,6%.

Real se valoriza em relação ao dólar

Em janeiro, o real apreciou 4,1% frente ao dólar, e atingiu R$ 3,13, taxa mais baixa desde outubro do ano passado. O movimento deveu-se em parte à apreciação generalizada das moedas globais frente ao dólar, mas o real teve desempenho superior a moedas pares. O Banco Central continuou rolando os contratos de swap cambial, mas comunicou que a rolagem dos vencimentos de março dependerá das condições de mercado. O estoque de derivativos cambiais está em US$ 27 bilhões.

Anunciado acordo de recuperação fiscal do Rio de Janeiro

O governo federal e o estado do Rio de Janeiro anunciaram um acordo para a recuperação fiscal do estado. O regime terá duração de três anos (podendo ser estendido caso necessário) e busca zerar os déficits do Rio entre 2017 e 2019 (aproximadamente R$ 20 bilhões em cada ano) por meio de uma combinação de medidas relativas à receita, despesa, repactuação de dívida e novos empréstimos. O acordo depende da aprovação de um Projeto de Lei Complementar a ser enviado ao Congresso e de aprovação de medidas na Assembleia Legislativa do estado. As contrapartidas do lado da receita exigidas pelo programa são a revisão de incentivos fiscais e o aumento da contribuição previdenciária dos servidores públicos. Do lado da despesa, ainda há poucos detalhes das medidas, mas podem incorporar um programa de demissão voluntária e adiamento/anulação de restos a pagar.

O déficit nas contas públicas segue em alta...

Em dezembro, o setor público consolidado registrou um déficit primário de R$ 70,7 bilhões, levando o déficit primário de 2016 a R$ 156 bilhões (indo de -1,9% do PIB em 2015 para -2,5% do PIB em 2016), e o déficit nominal a R$ 563 bilhões (8,9% do PIB). Os governos regionais tiveram um superávit primário de R$ 5 bilhões no ano. A dívida pública bruta subiu de 65,5% em 2015 para 69,5% do PIB em 2016.

... enquanto o déficit em conta corrente recua pelo segundo ano consecutivo

O déficit em conta corrente no mês de dezembro de 2016 somou US$ 5,9 bilhões, acima do esperado pelo mercado. O déficit fechado de 2016 caiu para US$ 23,5 bilhões, ou 1,3% do PIB, contra US$ 59 bilhões ou 3,3% do PIB em 2015 – movimento explicado pelo câmbio mais depreciado (em média), além da recessão. O investimento direto no país surpreendeu mais uma vez positivamente, somando US$ 78,9 bilhões (4,4% do PIB) em 2016, sendo a principal fonte de financiamento do déficit em conta corrente.

Ministro do STF, Teori Zavascki, falece em acidente aéreo

O Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki morreu em um trágico acidente aéreo próximo à costa do estado do Rio de Janeiro no dia 19 de janeiro. Zavascki chegou ao STF em novembro de 2012, e era o relator responsável pelos processos da operação Lava Jato. A escolha de um novo relator para o caso e de um substituto para a vaga do ministro no STF ainda aguardam definição.

Ativos financeiros se valorizam novamente

O Ibovespa subiu 11,9% em dólares e 7,4% em reais, e o risco-país medido pelo CDS de cinco anos caiu 30 pbs e terminou o mês em 251 pbs.

Próximos eventos

Em 2 de fevereiro, haverá eleições para as presidências da Câmara dos Deputados e do Senado. O Congresso retomará a análise da proposta de reforma da Previdência enviada pelo governo. As negociações sobre a situação fiscal dos estados continuam. No dia 22 de fevereiro, o Copom se reúne para decidir sobre a taxa básica de juros (esperamos queda de 0,75 p.p.).


 

 



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