Itaú BBA - Confiança recua em julho

Conjuntura Macro

< Voltar

Confiança recua em julho

Agosto 1, 2013

A confiança dos empresários e dos consumidores caiu em julho, devido a incertezas econômicas e políticas.

A economia brasileira em julho de 2013

A confiança dos empresários e dos consumidores caiu em julho, devido a incertezas econômicas e políticas. Os resultados são consistentes com uma desaceleração da economia no segundo semestre deste ano, após recuperação moderada no primeiro semestre. A taxa de desemprego subiu de 5,5%, em maio, para 5,7%, em junho, nível ainda historicamente baixo. Um número maior de consumidores, no entanto, diz estar mais difícil conseguir emprego. O governo cortou em 10 bilhões de reais os gastos previstos para este ano, como um esforço para atingir a meta de superávit primário de 2,3% do PIB neste ano. O Copom continuou subindo a taxa de juros em 50 pontos-base.

Recua a confiança dos empresários e dos consumidores...

A confiança dos empresários caiu 4,0% no setor industrial e 6,4% no setor de serviços, entre junho e julho. No setor industrial, o índice de confiança dos empresários está agora ligeiramente abaixo do limiar que separa otimismo de pessimismo (100 pontos). Incertezas políticas, alta das taxas de juros, maior volatilidade no mercado de câmbio e decepção com o crescimento econômico parecem ser as principais causas do resultado desfavorável. A confiança dos consumidores caiu 4,1%, e o percentual de entrevistados dizendo que tem sido "difícil conseguir emprego" aumentou de 43,0% para 50,6%.

... e aumenta a taxa de desemprego.

A taxa de desemprego subiu para 5,7% (de 5,5%), após ajuste sazonal. A população ocupada ficou estável e abaixo da nossa estimativa. O emprego em educação, saúde e administração pública continua expandindo (6,0% sobre o ano anterior), enquanto o número de pessoas que trabalham na indústria de transformação e serviços domésticos recuou. Apesar da desaceleração dos indicadores do mercado de trabalho, as condições continuam favoráveis. A taxa de desemprego continua perto de seus níveis históricos mais baixos e a renda continua em alta. No entanto, os riscos relacionados à evolução do mercado de trabalho aumentaram. A criação de emprego formal (divulgada pelo Caged) melhorou entre maio e junho, mas ainda segue em um nível que levaria ao aumento do desemprego. Se o cenário de menor crescimento econômico se materializar nos próximos meses, a taxa de desemprego pode subir mais rapidamente.

Pesquisas do Ibope e CNT confirmam queda na taxa de aprovação do governo.

Semelhante à pesquisa Datafolha, as pesquisas do Ibope e CNT também mostraram um declínio na taxa de aprovação do governo de Dilma Rousseff. O percentual de entrevistados que avaliam o governo como "bom" ou "ótimo" está agora em 30%, contra aproximadamente 55% antes dos protestos em junho. Em uma simulação para o segundo turno, a pesquisa Ibope revelou um empate técnico entre Dilma (35% das intenções de voto) e Marina Silva (34%).

A inflação de curto prazo caiu, mas a depreciação cambial aumenta o risco de alta para o médio prazo.

O IPCA-15 subiu 0,07% em julho (contra 0,38% em junho). A queda em relação ao mês anterior foi puxada pela desaceleração em vários grupos, especialmente nos de transporte, alimentação, vestuário, saúde e cuidados pessoais. As medidas de núcleo de inflação também recuaram, para 0,3%, de 0,5%. A inflação de serviços permaneceu pressionada, em 0,7%. Embora a inflação tenha recuado, a desvalorização do real, no contexto de um mercado de trabalho ainda apertado, acrescenta risco de alta para as perspectivas de inflação de médio prazo. Projetamos o IPCA em 6,1%, no final deste ano, e 5,9%, em 2014.

O Banco Central subiu a taxa Selic para 8,50%...

O Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa básica de juros (Selic) em 50 pontos-base, para 8,5% a.a., em decisão unânime, reforçando o compromisso de assegurar uma tendência de queda da inflação. A ata da reunião de política monetária salientou elementos que justificam novos aumentos dos juros à frente, como, por exemplo, a depreciação da taxa de câmbio. Mas a ata também destacou riscos para a atividade econômica, tais como a queda da confiança. Acreditamos que os efeitos da depreciação cambial e limitações de oferta ainda estão presentes na economia brasileira, de modo que os riscos inflacionários ainda representam o maior problema para o Banco Central. Em nossa visão, o Copom escolherá continuar o ciclo de aperto monetário, mantendo o ritmo de aumentos de juros a fim de conter os riscos de inflação em 2014.

...e o governo contingenciou 10 bilhões de reais.

O governo anunciou a terceira revisão bimestral do orçamento de 2013, que resultou em congelamento de 10 bilhões de reais nos gastos fiscais previstos para o ano. O anúncio veio essencialmente em linha com o que a imprensa vinha indicando. Os mercados financeiros estavam esperando por essa declaração, em busca de sinais de uma postura fiscal menos expansionista adiante. A decisão sinaliza a intenção de suavizar a velocidade do estímulo fiscal à frente, mas há riscos de implementação. Mantivemos nossa projeção para o superávit primário em 1,7% do PIB neste ano.

O balanço de pagamentos foi mais forte do que o esperado em junho...

O balanço de pagamentos foi melhor do que o esperado em junho: o déficit em conta corrente (4,0 bilhões de dólares) foi menor do que o estimado, enquanto o investimento estrangeiro direto (7,2 bilhões de dólares) foi maior do que as expectativas. O investimento estrangeiro no mercado local de renda fixa atingiu um recorde histórico de 7,2 bilhões de dólares, após a retirada do imposto IOF para essas transações. O mercado de ações, por outro lado, registrou saída de 3,7 bilhões de dólares. Na primeira metade do ano, os investimentos estrangeiros no mercado de capitais local somaram 17,4 bilhões de dólares, muito acima dos 5 bilhões de dólares registrados no mesmo período do ano passado, e dos 11 bilhões de dólares registrados em 2012 como um todo.

...mas o real se depreciou. A bolsa subiu levemente e o spread de risco se manteve estável.

O real depreciou de 2,22 para 2,29. O Banco Central vendeu dólares através de swaps na tentativa de conter a depreciação. Após forte queda em junho, o Ibovespa registrou pequeno avanço de 1,6% (-1,7% em dólares). O spread do CDS de 5 anos se manteve quase estável, em 186,6.

Próximos eventos.

Os dados de atividade econômica para a segunda metade do ano ganharam importância após a queda da confiança dos empresários e dos consumidores em julho. Os mercados também continuarão focados no mercado de câmbio, por conta do impacto da desvalorização do real sobre a inflação.



< Voltar