Itaú BBA - Confiança em queda, PIB cresce menos

Conjuntura Macro

< Voltar

Confiança em queda, PIB cresce menos

Junho 2, 2014

Revisamos a projeção de crescimento do PIB deste ano para 1,0%

A economia brasileira em maio de 2014

Revisamos a projeção de crescimento do PIB deste ano para 1,0%, já que a economia vem perdendo força e a confiança dos empresários e consumidores está em queda. Apesar da redução na geração de empregos, o mercado de trabalho segue apertado. A inflação permanece próxima ao teto da meta e o Banco Central manteve a taxa de juros em 11,0% na sua última reunião. O déficit em conta corrente veio acima do esperado, mas o investimento direto continuou forte. O superávit primário do setor público subiu, por adiamento de gastos e receitas extraordinárias. Os ativos brasileiros terminaram o mês relativamente estáveis. Brasil e Croácia farão a abertura da Copa do Mundo em 12 de junho.

Revisamos o PIB deste ano para 1,0%, já que a economia vem perdendo força...

O PIB do primeiro trimestre cresceu 0,2% frente ao trimestre anterior, um pouco abaixo do que esperávamos (0,3%). Destaque para o crescimento de 3,6% do setor de serviços, e para a queda de 0,8% da produção industrial. No acumulado dos últimos quatro trimestres, o PIB brasileiro cresceu 2,5%. Com o resultado, e levando em consideração a piora dos indicadores de atividade recente (especialmente confiança, ver parágrafo abaixo), reduzimos a projeção do crescimento do PIB deste ano de 1,4% para 1,0%. Os resultados do IBGE mostraram ainda uma pequena revisão para cima do crescimento do PIB de 2013, de 2,3% para 2,5%.

... e a confiança dos empresários e consumidores está em queda.

A confiança dos empresários medida pela FGV caiu fortemente em maio tanto no setor industrial (-5,1%) quanto no setor de serviços (-5,7%), chegando aos menores níveis desde 2009. Na mesma linha, a confiança do consumidor recuou 3,3% em maio, igualmente caindo ao menor nível desde 2009.

Apesar da redução na geração de empregos, o mercado de trabalho segue apertado.

Foram criados 105 mil postos formais de trabalho em abril, o que em termos dessazonalizados significa uma destruição líquida de 32 mil postos. Na abertura por setores, destaque negativo para a indústria, com queda de 3 mil postos no mês. Apesar disso, a taxa de desemprego calculada pelo IBGE caiu a 4,9% em abril (4,6% após ajuste sazonal), o menor patamar desde 2003. A razão é que a população economicamente ativa vem encolhendo. O mercado de trabalho apertado continua a pressionar os salários, mas a massa salarial cresce moderadamente devido ao baixo crescimento da população ocupada.

A inflação permanece próxima ao teto da meta...

O IPCA-15 subiu 0,58% em maio, em linha com a nossa projeção e com expectativas de mercado. Com isso, a taxa em 12 meses subiu para 6,31%, ante 6,19% até abril, chegando próximo ao teto da meta do Banco Central (6,5%). O recuo da inflação no mês foi determinado pelo alívio nos resultados dos grupos alimentação e transportes.

... e o Banco Central manteve a taxa de juros em 11,0% na sua última reunião.

O Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil (Copom) manteve a taxa de juros básica (Selic) em 11,00% ao ano. No comunicado que acompanhou a decisão o Copom inseriu a expressão “neste momento”, o que deixa aberta a porta para novas altas de juros no futuro. A perspectiva de atividade econômica mais fraca foi, a nosso ver, determinante para a decisão do Copom de interromper o ciclo de alta da taxa de juros. A apreciação da taxa de câmbio nos últimos meses e sinais de que a inflação deixou de elevar-se (mesmo com o patamar ainda elevado) também devem ter contribuído para a decisão. Se o cenário demandar, o Copom pode voltar a elevar as taxas de juros para garantir a estabilidade da inflação. Acreditamos que isso acontecerá só no início do ano que vem. Desta forma, mantemos nosso cenário de que a taxa Selic se manterá em 11% a.a. até o final de 2014 e voltará a subir em 2015, até 12,50% ao ano.

Déficit em conta corrente acima do esperado, mas investimento direto continuou forte.

O mês de abril apresentou déficit em conta corrente de US$ 8,3 bilhões, resultado acima do esperado. A maior surpresa veio na conta de rendas, com forte remessa de lucros e dividendos. Acumulado em doze meses, o déficit se manteve praticamente estável, em US$ 81,6 bilhões (3,65% do PIB). Acreditamos que esse movimento seja isolado e não se repita nos próximos meses. O investimento estrangeiro direto soma US$ 64,5 bilhões (2,88% do PIB) no acumulado em 12 meses.

O superávit primário do setor público subiu, por adiamento de gastos e receitas extraordinárias.

O superávit primário foi de R$ 16,9 bilhões em abril, um pouco acima da nossa expectativa. Houve desaceleração das despesas do governo central, mas devido a uma postergação de gastos. Com esse resultado, o superávit em 12 meses subiu a 1,87% do PIB, de 1,75% em março. Continuamos esperando que o superávit diminua a 1,3% do PIB no final do ano, ou seja, abaixo da meta do governo, de 1,9% do PIB.

Pesquisa do Ibope mostrou recuperação de Dilma, e avanço de Aécio e Campos.

Segundo pesquisa do Ibope, a presidente Dilma teve 40% das intenções de voto em maio, frente a 37% no mês anterior. Aécio Neves e Eduardo Campos também subiram, e contam agora com 20% e 11% das intenções de voto, respectivamente. O percentual de brancos e nulos recuou de 24% para 14%, indicando que o eleitor brasileiro vai ficando gradualmente menos indeciso. A pesquisa revelou ainda que a popularidade do governo Dilma (percentual dos que consideram o governo “bom” ou “ótimo”) subiu levemente de 34% a 35%.

Os ativos brasileiros terminaram o mês relativamente estáveis.

A taxa de câmbio fechou o mês de maio em 2,239, variação de somente 0,1% sobre o final de abril. O Ibovespa recuou 0,8% em reais e 0,9% em dólares.  O risco-país medido pelo CDS Brasil de 5 anos caiu 4 pbs, para 142 pbs.

Próximos eventos

A Copa do Mundo terá início no dia 12 de junho, com o jogo Brasil e Croácia, em São Paulo. O torneio, que contará com seleções nacionais de 31 países, terminará em 13 de julho. Na economia, as atenções estarão voltadas aos indicadores de crescimento, devido ao enfraquecimento recente da atividade.

 



< Voltar