Itaú BBA - “Centrão” fecha acordo com PSDB

Conjuntura Macro

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“Centrão” fecha acordo com PSDB

Agosto 1, 2018

A aliança terá cerca de 50% do tempo disponível para propaganda eleitoral na TV e Rádio

A economia brasileira em julho de 2018

Partidos do chamado “centrão” oficializam apoio a Geraldo Alckmin (PSDB). Jair Bolsonaro (PSL) segue liderando as intenções de voto no cenário sem Lula (PT). Dados de atividade e inflação mostram que o impacto da paralisação dos caminhoneiros parece estar se dissipando. O setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 13,5 bilhões em junho.

Partidos do “centrão” oficializam apoio a Geraldo Alckmin

O bloco de partidos formado por DEM, PP, Solidariedade, PRB e o PR oficializou o apoio à candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB) à presidência da República, restando definir apenas quem será o indicado para o cargo de vice-presidente na chapa do PSDB. A aliança terá cerca de 50% do tempo disponível para propaganda eleitoral na TV e Rádio, que se inicia em 31 de agosto. O período de convenções partidárias e definição de alianças se encerra em 5 de agosto.

Paraná Pesquisas mostra Bolsonaro à frente no cenário sem Lula

Resultados divulgados pelo Instituto Paraná Pesquisas mostraram Jair Bolsonaro (PSL) com 24% das intenções de voto (de 21% na pesquisa do mesmo instituto em maio), Marina Silva (REDE) com 14% (de 12%), Ciro Gomes (PDT) com 11% (de 10%), Geraldo Alckmin com 8% (estável), Álvaro Dias (PODE) com 5% (de 6%), Fernando Haddad (PT) com 3% (estável) e 29% de votos brancos nulos e indecisos no cenário sem Lula (PT). No cenário com Lula, o ex-presidente lidera com 29% das intenções de voto.

Produção industrial e vendas no varejo recuam em maio devido às paralisações

A produção industrial recuou 10,9% na comparação mensal dessazonalizada em maio, consequência da paralisação dos caminhoneiros, que impactou as cadeias de suprimento e produção nas duas últimas semanas do mês. Na comparação anual, houve recuo de 6,7%. Pela ótica da atividade econômica, a indústria de transformação recuou 12,2% no mês, enquanto a indústria extrativa (menos impactada pela paralisação dos caminhoneiros) avançou 2,3%. Os dois componentes mais associados ao investimento apresentaram forte retração. Enquanto a produção de bens de capital recou 18,3%, a produção de insumos típicos da construção civil retraiu 11,3%. As vendas no varejo de maio recuaram 0,6%, após ajuste sazonal, no conceito restrito e 4,9% no conceito ampliado (que inclui veículos e materiais de construção), influenciadas pela paralisação dos caminhoneiros. Dentre os dez componentes do varejo ampliado, oito mostraram recuo, com a maior queda observada nas vendas de veículos (-14,6%).

Receita real do setor de serviços recua 3,8% em maio

De acordo com o IBGE, a receita real do setor de serviços recuou 3,8% na comparação mensal dessazonalizada em maio. O resultado, assim como nos demais indicadores de atividade para o mês, foi afetado pelas paralisações dos caminhoneiros. Em comparação com o mesmo mês do ano anterior, também houve queda de 3,8%, acima da mediana das expectativas. Olhando para a composição do indicador, houve recuo em 9 de 12 subsetores, com destaque para a queda mensal de 7,8% no componente de transportes. Importante lembrar que a PMS compreende aproximadamente 34% do PIB de serviços e, portanto, não representa a totalidade do setor.

Atividade mostra sinais de recuperação em junho

Após recuo na maior parte dos indicadores de atividade de maio, em decorrência da paralisação dos caminhoneiros, dados divulgados para o mês de junho começam a mostrar um quadro de reversão. Segundo a ABCR, o índice de fluxo de veículos pesados nas estradas subiu 46,9% em junho, após ajuste sazonal, e encontra-se em um patamar 6,7% maior do que o observado na média de março e abril. Na mesma linha, a expedição de papel ondulado, segundo a ABPO, apresentou forte alta em junho, com a taxa em doze meses subindo para 11,7% (ante recuo de 19,5% no mês anterior). De acordo com a Fenabrave, foram vendidos 202 veículos em junho, uma alta mensal de 9,1%, após ajuste sazonal. Apesar do forte resultado mensal, as vendas de veículos em junho se encontram em um patamar 2,5% menor do que aquele observado nos três meses anteriores (fev-abr) às paralisações dos caminhoneiros, indicando que a melhora recente ainda não foi suficiente para compensar o recuo observado após das paralisações. Do lado da produção, os dados da Anfavea de junho apontam para produção de 256 mil automóveis (268 mil, com ajuste sazonal), o que representa uma alta de 43,1% no mês, após ajuste sazonal, de volta ao mesmo nível observado em abril de 2018.

Indicadores de confiança se recuperam em julho

Os indicadores de confiança divulgados pela FGV apresentaram resultados positivos, revertendo parcialmente as quedas ocasionadas pela paralisação dos caminhoneiros no final de maio. A confiança do consumidor subiu 2,6%, após recuo de 10,8% observado entre os meses de março e junho. Na mesma linha, a confiança para o setor da construção civil subiu 2,1%, mas segue 1,9% abaixo do pico recente observado em janeiro. A confiança do empresário industrial ficou estável no mês, influenciada pela queda de 3,7% no componente de expectativas para o futuro – possível reflexo das paralisações – que anulou o crescimento de 4,1% no componente de situação atual.  Em nossa visão, este resultado reforça o cenário de crescimento mais moderado da atividade econômica, também observado a partir de uma ampla gama de indicadores de atividade correntes. Por fim, contrastando com os demais indicadores, a confiança do comércio recuou 0,9% no mês, sua quarta queda consecutiva.

Dados de inflação ainda refletem impacto das greves

O IPCA apresentou variação de 1,26% em junho, em linha com as expectativas de mercado. Com isso, o índice acumulou alta de 2,60% no primeiro semestre, com a taxa em 12 meses subindo para 4,39% (ante 2,86% em maio). O IPCA-15 registrou variação de 0,64% em julho, abaixo da mediana das expectativas de mercado (0,73%). Com isso, a variação acumulada no ano atingiu 3,00%, com a taxa em 12 meses subindo para 4,53% (ante 3,68% no mês anterior). As maiores contribuições de alta no mês vieram dos grupos habitação (0,31 p.p.), alimentação e bebidas (0,15 p.p.) e transportes (0,15 p.p.). Por itens, destaque para as contribuições de energia elétrica, leite e derivados e transporte público. Importante notar que parte expressiva das pressões nos preços de alimentos e combustíveis ocorreu por conta do efeito das paralisações do transporte de cargas sobre o abastecimento desses produtos, e devem se dissipar à frente. A nossa projeção preliminar para o IPCA do mês fechado aponta variação de 0,28%, com a taxa em 12 meses mantendo-se estável em 4,4%. Em linhas gerais, esperamos manutenção da inflação em nível próximo à meta de 4,5% nos próximos meses, com queda no quarto trimestre do ano.

Dívida pública segue em alta

O setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 13,5 bilhões em junho, melhor que a nossa projeção (R$17,2 bilhões) e o consenso de mercado (em R$ 15,0 bilhões). Os governos regionais e as estatais registraram superávits de R$ 0,4 bilhão e de R$ 1,1 bilhão, ante nossa expectativa de superávit de R$ 0,2 bilhão e déficit de R$ 0,2 bilhão, respectivamente. No acumulado em 12 meses, o déficit primário consolidado recuou de 1,4% para 1,3% do PIB. A dívida bruta do governo geral atingiu 77,2% do PIB e a dívida líquida do setor público alcançou 51,4% do PIB em junho. Apesar dos resultados primários anuais ainda deficitários, a devolução de R$ 130 bilhões do BNDES para o Tesouro Nacional e o patamar historicamente baixo das taxas de juros reais farão a dívida bruta apresentar um crescimento como proporção do PIB mais moderado em 2018. No entanto, sem reformas, como a da Previdência, os resultados fiscais voltarão a uma tendência de deterioração de 2019 em diante.

Ativos financeiros

Em julho, o Ibovespa subiu 11,8% em dólares e 8,9% em reais. O risco-país medido pelo CDS recuou e terminou o mês em 214pbs. A taxa de câmbio apreciou para 3,75 reais por dólar.

Próximos eventos

O Copom anunciará a decisão de politica monetária hoje às 18h. O noticiário sobre as eleições, incluindo pesquisas de intenção de votos e possíveis alianças entre partidos e candidatos, continuará sendo o destaque das próximas semanas. A data final para registro de candidaturas é dia 15 de agosto.



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